Notas iniciais
Hey gente cap novo, acho que o mais longo que escrevi até agora, mas foi preciso. Então boa leitura e não deixem de comentar.

POV’S Caroline

Quando eu saí para o trabalho na manhã seguinte estava me sentido revigorada. Respirei fundo e fui caminhando devagar, apreciando os sons, os cheiros, as pessoas... Tudo parecia me cumprimentar carinhosamente. E 99% do motivo disso era que eu e Klaus estávamos bem. De todas as formas possíveis.

Passávamos grande parte do tempo juntos, e até quando estávamos separados sua presença estava grudada em mim, e não só quando ele me ligava, ou o que fizemos por telefone ontem à noite. Senti um rubor se espalhar por minha face ao me lembrar da sua voz rouca do outro lado do telefone carregada de desejo.

Eu sabia que nosso namoro era altamente marcado por sexo, mas isso não me incomodava de forma alguma. O sexo era só uma forma de sentirmos na pele a atração e o amor que já estava enraizado em nós. Parando agora para pensar, nós já tínhamos passados por coisas bem difíceis, coisas pelas coisas a maioria dos relacionamentos não saia ileso. Nós também não saímos, mas não desistiríamos um do outro.

Estar com ele fazia eu me sentir forte e sexy, capaz de fazer qualquer coisa, dentro e fora do quarto. Não é que eu não me sentisse sexy antes, mas devo admitir que sexo era uma coisa secundária na minha vida, não era algo que eu achasse relevante para que minha vida funcionasse. Mas depois que conheci Klaus, minha percepção mudou, o jeito que ele me tocava, como me olhava como se estivesse faminto por mim e mal pudesse esperar para me tocar, era algo inacreditavelmente bom.

Sorri para mim mesma, mal contendo a vontade de ligar para ele, de estar logo ao seu lado.

Às vezes a intensidade e a velocidade com que meus sentimentos por ele cresceram me assustava. Não tinha tanto tempo assim que nos conhecíamos, mas eu já estava irremediavelmente envolvida e perdida por seu amor.

Cheguei ao estúdio pouco tempo depois.

― Bom dia Deana.

Cumprimentei nossa recepcionista, ela sorriu para mim.

― Tem um cliente esperando na sua sala.

Parei olhando para ela. Todos os clientes passavam primeiro pelo Martim, e só depois de resolver a visão geral do projetado, ele me passava os detalhes e tudo mais que eu precisava fazer, a melhor forma de abordagem, quais meios seriam usados para o Marketing principal e etc.

― Ele tinha hora marcada com o Martin?

― Não. Ele disse que tinha falado com você antes e só precisava rever alguns detalhes.

Sacudi a cabeça. Eu não costumava esquecer esse tipo de coisa. Mas dei de ombros e subi, se ele já estava esperando a essa hora da manhã deveria estar com pressa.

Abri a porta com um sorriso e entrei que se desfez no segundo que vi quem me esperava.

― Tyler? O que você está fazendo aqui?

Entrei na sala e fechei a porta atrás de mim. Tyler tinha me arrumado um problemão na outra noite, e eu não queria testemunhas quando eu estrangulasse ele.

― Eu queria falar com você, fui até a sua casa, mas o porteiro disse que eu estava proibido de subir, e você também não atendia minhas ligações.

Franzi a testa surpresa. Eu não disse ao porteiro que barrasse Tyler na entrada. Talvez tenha sido Elena.

― O fato de eu estar ignorando suas ligações deveria ser um indicio para você, não acha?

Cruzei os braços na frente do corpo, mas ele não pareceu se intimidar.

― Olha, eu sei que fui um babaca, e sinto muito, não queria te causar problemas.

Um indício de sorriso se insinuava em seus lábios, e isso me deixou com ainda mais raiva.

― Se você não estivesse com esse sorrisinho na cara eu talvez acreditasse em você.

― Ah vamos lá Care, eu estava com ciúmes de você, fui idiota, e não sinto muito por isso, mas você tem que enxergar que ele não é o cara certo para você.

― Você não sabe nada sobre nós.

― Eu sei tudo sobre você, você mal conhece esse cara, nós nos conhecemos na terceira série! Será que não faz diferença para você? Não faz diferença eu te amar?

Ele falou tudo isso num só fôlego, e me olhou daquele jeito triste, como se só quisesse mais uma chance. Aquele olhar de cachorrinho abandonado costumava me fazer derreter por dentro. Mas agora, eu não senti mais isso, e foi toda a confirmação que eu precisava de que meus sentimentos por Tyler estavam mortos e enterrados e era lá que deveriam ficar.

― Eu sinto muito Tyler, mas não faz. Assim como não fez diferença quando você terminou comigo para ficar com outra garota.

― Aquilo foi um erro Care, eu me arrependi, senti sua falta no segundo que você foi embora.

― Mas os meus sentimentos não são um erro, eu amo o Klaus e nada que você possa dizer vai mudar isso.

Fui até a porta e a segurei aberta para ele.

― É melhor você ir embora, já dissemos tudo que precisava ser dito.

Ele veio devagar até a porta, me olhou uma última vez e saiu. Eu bati a porta e me apoiei nela passando a mão pelos cabelos.

Tyler me deixou confusa quando nos reencontramos, mas nos últimos dias, cada segundo que eu passei com Klaus me mostrou que eu o amava de um jeito que nunca amei Tyler. Eu consegui colocar uma pedra no que aconteceu entre nós e esquecer. Mas com Klaus eu talvez nunca pudesse.

Sentei a minha mesa e liguei o computador. Olhei os documentos em cima da mesa, e meus olhos pousaram numa pasta onde o nome “Andrew Evans” chamou minha atenção. Peguei a pasta e folheei os documentos. Não tinha nenhuma informação pessoal relevante sobre ele. Mas eu estava intrigada demais com toda aquela situação.

Ele conhecia Esther Mikaelson, mas fingiu não conhecer. Ele se interessou até demais em conhecer Klaus e o mais estranho de tudo era a semelhança absurda entre eles.

Assim que meu computador ligou, eu digitei o nome dele no Google. Não tinha muita informação. Ele não tinha perfil em redes sociais e o site da galeria falava quase exclusivamente do trabalho da sua filha. Fui descendo a página, tentando achar algo que valesse a pena, mas nada parecia importante.

No fim da página, havia um destaque em seu nome, a página era do Jornal The Guradian. Cliquei no link e uma nova página abriu. Eram links para jornais antigos que foram digitalizados, vi o nome de Andrew de novo e a página abriu revelando uma foto dele na manchete principal. O jornal era de Londres, datava de 29 nove anos atrás. A manchete falava de um jovem pintor de origem escocesa que estava deslumbrando os aficionados por arte de Londres. Na foto Andrew estava notavelmente mais jovem, suas mãos estavam sujas de tinta e ele encarava a câmera de um jeito meio aborrecido como se não quisesse ser interrompido. Continuei lendo a reportagem. Chegando ao final, eles listavam alguns quadros dele e as pessoas importantes que os compraram. Na última linha tive que ler duas vezes para ter certeza.

“O quadro ‘os apaixonados’ foi comprado por ninguém menos do que Esther Mikaelson que diz sentir a paixão do artista em cada traço. Um talento promissor como esse é algo primoroso e impossível de ignorar”

Me recostei na cadeira encarando a tela do computador. Eles se conheciam sim, a muitos anos atrás em Londres. Ele tinha me dito que era da escócia. Se é que era possível eu fiquei ainda mais confusa, e com muito mais vontade de saber por que eles iriam querer esconder uma coisa dessas. Que motivo eles teriam para fingir não se conhecer?

Salvei a matéria pensando se deveria falar sobre isso com Klaus. Mas acontece que ele já tinha visto Andrew e não o reconheceu, ele não poderia me dar mais informações, além disso tinha a questão da semelhança entre eles. Será que Andrew era parente dos Mikaelson? Mas se fosse isso, porque o jornal não mencionaria o parentesco? E por que Esther iria ignorar desse jeito se ele fosse da família?

As perguntas iam se acumulando na minha cabeça e eu não tinha idéia do que fazer sobre isso. Não podia chegar para eles e perguntar, porque eles poderiam simplesmente me dizer um “não é da sua conta” e eu ainda ia ficar parecendo uma bisbilhoteira, apesar de estar de fato bisbilhotando sobre eles. Mas aquilo tudo não podia ser só coincidência. Tinha que ter um jeito de descobrir.

O toque do telefone me despertou e eu o atendi depressa.

― John Smith na linha. O cara da ração para gatos.

Falou Deana e eu me forcei a focar no trabalho.

O resto do dia passou sem que eu sequer me desse conta. Estava analisando umas fotos para a campanha de uma linha de batons quando meus olhos pousaram no relógio. Já tinha se passado quase vinte minutos do meu horário. Balancei negativamente e cabeça e arrumei minha mesa. Quando finalmente consegui sair já estava bem escuro lá fora, pensei em chamar um táxi quando eu o vi.

O carro estava estacionado em frente ao prédio e Klaus estava casualmente encostado na porta, olhando para mim com uma expressão entre irritada e divertida. Ele estava de terno, mas o paletó estava desabotoado, ele estava absurdamente sexy. Com seus lindos olhos verdes olhando para mim daquele jeito, como se me dissesse “prepare-se, vou devorar você”. Eu adorava isso. Adorava tudo nele.

Caminhei em sua direção e o abracei pela cintura.

― Está atrasada.

Resmungou ele e eu ri beijando o canto da sua boca.

― Oi para você também. Também estou feliz em te ver.

Ele me abraçou pela cintura e beijou minha testa.

― Oi.

― Viu só? Viu que você consegue?

Falei a ele que abriu a porta do carro para mim. Eu entrei e fomos para minha casa. No caminho ele disse que só iríamos pegar algumas roupas e voltaríamos para sua casa. Amanhã era sábado e não trabalharíamos isso queria dizer uma longa noite de sexo selvagem e muitos amassos com Klaus. Sorri por dentro. Mal podia esperar.

Peguei minhas roupas quando cheguei em casa, dei um beijo em Elena e saímos de lá. A medida que íamos chegando em casa seu humor ia melhorando. Eu nem perguntei porque ele estava assim. Eu já sabia. Suas infelizes secretárias. Mas se eu tocasse nesse assunto iríamos brigar de novo, porque ele queria que eu voltasse a trabalhar para ele.

Entramos em casa e eu fui direto para o quarto tomar banho. Deixei as roupas em cima da cama e tomei uma ducha quente e relaxante. Quando sai de lá ele estava sem camisa segurando um copo baixo com uma bebida âmbar. Seus olhos percorreram meu corpo devagar, e eu senti um arrepio com sua intensidade, era como sentir uma caricia quente em cada centímetro do meu corpo.

Ele veio até mim e me enlaçou pela cintura, me dando um beijo exigente e cheio de desejo, podia sentir o gosto de uísque em sua língua, e um sabor inexplicável, algo masculino e indomável que era próprio dele, o gosto de Klaus.

Fiquei na ponta dos pés para receber seu beijo e ele encaixou a mão em meus cabelos, posicionando minha cabeça no ângulo que ele queria para explorar cada centímetro da minha boca. Era impressionante como somente seu beijo era capaz de me excitar.

― Senti sua falta.

Falou ele interrompendo o beijo.

― Eu também senti a sua, muito.

― Odeio dormir sem você.

Afastei meu rosto e acariciei seu peito com a ponta dos dedos.

― Eu também, mas é preciso.

Seu olhar mudou um pouco, demonstrando ansiedade e ele se afastou dando mais um gole no uísque.

Fui até a cama e peguei meu pijama. Era uma coisa arbitrária no fim das contas, já que logo eu estaria sem nada, mas iríamos jantar e não podíamos fazer isso feito índios.

― E então, como foi seu dia?

Perguntei a ele, enquanto descíamos as escadas para jantar.

― Péssimo. E o seu?

― Mais ou menos.

Falei me lembrando da visita de Tyler hoje de manhã. Eu sabia que ele não iria gostar muito disso, mas mentiras eram um péssimo precedente para se abrir.

― Tyler esteve no estúdio hoje.

Falei baixo, quase desejando que ele não ouvisse. Mas ele parou de andar na mesma hora e eu tive certeza que ele tinha ouvido claramente.

― O que ele queria?

― Pedir desculpas por ser um idiota.

― Ele foi até o estúdio só para pedir desculpas?

Aquelas palavras soaram cheias de desdém. Ele detestava Tyler.

― Foi. Ele disse que barraram a entrada dele no prédio, e como eu não atendia as ligações dele, ele foi lá.

― Pelo visto vou ter que impedir que ele entre no seu trabalho também.

Resmungou ele e foi encher o copo de novo. Eu demorei um pouco para processar o que ele tinha dito, e quando finalmente o fiz, a incredulidade transbordava de cada poro do meu corpo.

― Espere um minuto, você mandou barrarem o Tyler na entrada do prédio?

― E mesmo assim ele não se tocou.

Ele não afirmou, e nem precisava, eu podia ver em seus olhos.

― Porque você fez isso?

― Porque você não tinha nada para falar com ele.

― Eu é que tinha que dizer isso a ele Klaus, não você.

― Que diferença faz? Você mesma disse que não queria falar com ele!

A indignação me dominou completamente, e para piorar ele me olhava como se suas palavras fizessem todo sentido e eu fosse a louca.

― Como assim que diferença faz? Isso é invasão de privacidade para dizer o mínimo, você não pode decidir quem entra ou não na minha casa!

― Você está sendo dramática, você não queria falar com ele. Eu só cuidei para que ele não conseguisse fazer isso.

― Dramática? Como você se sentiria se eu dissesse ao porteiro que não quero que a Hayley entre no prédio?

― Porque eu ia querer que a Hayley entrasse aqui? Eu não tenho mais nada com ela!

― Eu também não tenho nada com o Tyler, mas é a minha vida, eu que devo tomar as decisões, não você.

― Ele já falou com você não foi? Não adianta nada discutir isso agora.

Como ele conseguia fazer um absurdo desse parecer tão razoável?

― Não é isso que eu quis dizer, não é esse o ponto.

― Então qual é Caroline? Me esclareça por favor, que eu ainda não entendi, se você mesma me disse que não queria falar com ele, porque todo esse drama, já que foi exatamente isso que eu tentei fazer? Ou você queria falar com ele só não queria que eu soubesse? Qual das duas está certa?

As palavras deles estavam cobertas de sarcasmo. Sua expressão estava irritada e triste. Eu podia ver que ele estava sofrendo por causa do jeito que eu reagi ao Tyler, e agora parecia que ele queria que eu sofresse também.

― Você é um babaca.

Passei por ele batendo meu ombro em seu braço e subi as escadas rápido, pegando minhas roupas da cama. Ele chegou quando eu estava vestindo a calça.

― Para onde você vai?

― Vou para casa, quer dizer, a não ser que você queira mandar o porteiro me barrar na entrada também.

Já ia vestir minha blusa, mas ele segurou meus braços.

― Pare com isso. Você não precisa ir a lugar nenhum.

― E o que mais eu devo fazer? Você não confia em mim!

― É claro que confio, eu não confio é nele!

Puxei meus braços me livrando de suas mãos.

― Eu não quero o Tyler, eu não o amo mais! Será que você não entende que é você que eu amo seu grande idiota? Quanto tempo mais você vai me torturar por causa de uma bobagem como aquela?

Conclui enfiando o indicador em seu peito.

Ele segurou minha mão e a espalmou em cima do seu coração.

― Você não entende o quanto eu te amo e preciso de você, ver você reagir daquele jeito a outro homem acabou comigo, eu não quero torturar você, só preciso de tempo para digerir isso tudo está bem?

Concluiu ele e eu desviei os olhos dos seus, acariciei seu peito devagar com as pontas dos dedos.

― Mas quanto tempo isso vai levar Klaus? Quanto tempo até você finalmente entender que eu não quero o Tyler ou qualquer outra pessoa?

Ele encostou a testa na minha e respirou fundo.

― Eu sinto muito, mas nunca me senti assim com ninguém Caroline, eu não sei lidar muito bem com esses... Esses sentimentos.

Fechei os olhos também. Klaus era um homem cuja vida foi marcada pela insegurança e dor. Para ele, estar no controle de tudo agora era como uma bóia salva vidas, ele precisava se agarrar a isso para poder se manter inteiro.

― Eu até entendo o que você quer dizer Klaus, mas eu não sou um de seus negócios, você não pode querer me controlar desse jeito.

― Eu não estou tentando te controlar.

― Está sim, e isso está machucando nós dois, você é possessivo e eu até entendo isso, pensar em você com outra mulher também me deixaria louca, mas possessividade sem confiança quer dizer inferno e eu não vou aceitar isso, nem por você.

Ele não disse nada e eu afastei dele, depois dei um beijo em seu rosto e peguei minha camiseta vestindo-a.

― É melhor eu ir para casa, nós dois precisamos pensar um pouco.

Ele veio até mim e segurou meu rosto.

― Eu não quero que você vá.

― E eu também não quero ir, mas é o melhor por enquanto.

― Caroline eu... Eu estou tentando, eu sei que sou um babaca às vezes mas eu quero fazer tudo dar certo, não desista de mim.

Era tão doloroso vê-lo desse jeito. Ele era um homem forte e impetuoso. Capaz de fazer qualquer um bater em retirada correndo com um simples olhar. Mas quando se tratava de nós, de nossa relação, parecíamos estar pisando em um campo minado. Estava tudo bem num segundo e em outro tudo ia pelos ares.

― Eu não vou desistir de você, mas também não vou desistir de mim mesma.

Me inclinei para ele e o beijei rapidamente, depois peguei minha mochila em cima da cama e fui para casa.

Nem é preciso dizer que minha noite sem ele foi uma droga. Virei incontáveis vezes na cama, quando eu finalmente pegava no sono, acordava irritada e excitada, desejando com todas as minhas forças que ele estivesse aqui. Quando eu finalmente percebi que não ia conseguir dormi levantei da cama e fui correr um pouco.

Não fazia isso a tanto tempo que nos primeiros quinze minutos parecia que meu coração ia sair pela boca. Mas eu tinha que gastar um pouco de energia ou eu surtaria em casa.

Quando voltei para casa depois de correr menos da metade do que pretendia precisei ficar vinte minutos sentada no sofá, para recuperar o fôlego e fazer o sangue voltar a meu cérebro.

Jeremy apareceu na porta da cozinha com uma tigela de cereais na mão e um sorriso enorme no rosto.

― Alguém aqui não anda muito na academia não é?

― Cala a boca!

Resmunguei e levantei do sofá para tomar um banho. Fui direto para o chuveiro. Quando sai de lá peguei meu celular em cima da cama e vi que tinha uma mensagem.

“Sinto muito. Não me odeie. K.”

Pensei em responder a ele, mas eu ainda estava com raiva. Então deixei o celular em cima da penteadeira e fui me vestir.

***

Ele mandou uma mensagem para mim mais tarde dizendo que viria me pegar as sente para o evento. As sete em ponto eu já estava pronta. Optei por um vestido preto e dourado, saltos de salto fino pretos e um trança de lado no cabelo. Elena fez uma maquiagem escura em mim que fazia meus olhos azuis ficarem ainda mais claros e intensos.

Klaus chegou pontualmente as sete. Ele ficou me esperando na sala, enquanto eu passava o gloss e pegava a bolsa.

Quando cheguei a sala tive que parar um pouco para admirar seu visual de smoking. Era a coisa mais desejável que eu já tinha visto na minha vida. Ele se virou para mim enquanto eu o admirava e seus olhos percorreram meu corpo inteiro, mostrando o mesmo desejo e admiração que eu tinha certeza que também estava nos meus.

― Você está linda Caroline.

Ele falou, e eu quase suspirei ao ouvir sua voz daquele jeito, seu sotaque fazia meu nome soar como uma caricia quente. Limpei a garganta e peguei o braço que ele me estendia.

― Você também está.

Descemos até seu carro, ele abriu a porta para mim, mas não me beijou ou me tocou de novo. Ele parecia estar sendo cauteloso, seus olhos estavam na estrada, mas se desviavam para mim de vez enquanto.

― Então... Fale um pouco sobre a instituição.

Falei tentando quebrar o gelo e puxar assunto.

― A instituição apóia e ajuda famílias que foram destruídas pela violência.

Me virei para ele e toquei seu braço. Claro que sim. Ele sabia melhor que ninguém como era viver com a violência.

― Sua família também vai estar lá?

Perguntei baixinho e ele se virou para mim quando o carro parou no sinal.

― Provavelmente não.

Respondeu-me ele e pós o carro em movimento outra vez. Eu odiava essa distancia entre nós. Detestava vê-lo tão contido assim.

Chegamos ao evento e ele abriu a porta para mim, peguei sua mão e sai do carro. Quase no mesmo segundo flashes pipocavam de toda parte. Klaus me abraçou pela cintura e deu um sorriso tão pequeno que era quase impossível de identificar. Respirei fundo e sorri também olhando para as câmeras.

Assim que entramos, eu respirei um pouco mais aliviada. Nunca tinham tirado fotos minhas desse jeito. O fato de eu ter caprichado no visual me deixava um pouco mais segura.

Klaus pegou champanhe para nós e me entregou sem dizer nada. Que droga! Aquilo já estava me dando nos nervos. Eu tinha sido dura com ele, mas ele mereceu. Acontece que eu não estava nem um pouco a fim de ficar nessa birra com ele como uma criança de cinco anos. Coloquei minha taça de Champanhe na primeira bandeja que eu vi e sai puxando ele pela mão em busca do primeiro lugar vazio que eu pude encontrar. Vi a placa indicando o toalete, isso ia ter que servir.

Ele diminuiu o passo quando fomos chegando, mas eu continuei puxando ele, felizmente ainda não tinha ninguém lá, então empurrei ele para uma das cabines e fechei a porta atrás de mim.

― Tudo bem, você foi uma babaca eu fiquei com raiva e fui para casa, mas é melhor você desfazer logo essa cara antes que eu desmanche ela para você.

Ele fechou ainda mais a cara para mim.

― Eu estava com saudades, nós brigamos por causa do seu ex-namorado e ainda tive que dormir sozinho, então me desculpe se eu não estou com o melhor dos humores hoje.

― Bom eu estava com saudades, brigamos porque você foi um idiota e eu tive que dormir sozinha e excitada, mas não estou com cara de quem lambeu um limão!

Falei pra ele com raiva, mas sua expressão se atenuou um pouco, ele ergueu a mão para tocar meu rosto e eu inclinei a cabeça sob sua palma.

― Você estava excitada?

Perguntou ele e foi descendo a mão por meus pescoço e ombro.

― Estava significa que já passou, mas como não fizemos nada a respeito...

Respondi erguendo a mão e puxando sua boca para beijá-lo. Ele soltou um rugido e me beijou com uma violência faminta, quase devorando minha boca.

Depois ele me virou de costa me espremendo contra a porta e enfiou a mão por entre as minhas pernas, quando seus dedos tocaram o ponto mais sensível do meu corpo, eu gemi e me joguei contra ele, sentindo sua excitação contra minha cintura. Ele começou a me provocar, de forma exigente, rápido e forte, e eu estava adorando. Podia sentir beijos por meu pescoço, seu toque despertava tudo em mim e eu estava prestes a gozar.

Ele empurrou minhas pernas com os joelhos fazendo com que eu as abrisse mais e penetrou um dedo em mim, eu quase gritei de tanto tesão, então seus dentes rasparam em meu ombro e eu gozei violentamente empurrando meus quadris contra ele.

Ele tirou o dedo de dentro de mim e beijou meu pescoço de novo, minhas pernas estavam bambas e o coração disparado, mas quando estávamos juntos eu não conseguia pensar em mais nada.

Me virei para ele e troquei de posição empurrando-o contra a porta. Seus olhos brilhavam e o peito subia e descia com a respiração ofegante. Minhas mãos foram para seu cinto e eu o desabotoei rápido, deixando-o livre e exposto. Eu adorava admira-lo, mas agora eu estava com pressa e faminta por seu gosto.

Enfiei seu pau grosso na boca, ele soltou um ruído grave e levantou a mão para meus cabelos, mas parou e serrou as mãos ao lado do corpo. Eu não sabia por que e nem importava, só queria vê-lo se perder tanto quanto eu.

Passei a língua em volta dele enquanto o masturbava com a mão.

― Caroline, isso... Como eu amo sua boca...

Comecei a aumentar o ritmo, ele gemeu mais alto, mas nesse segundo ouvimos vozes do outro lado da porta. Ele serrou os dentes, mas eu continuei, mais rápido, provocando-o mais. Ver seu rosto assim, tão entregue era um deleite para mim, e o fato de ter pessoas bem ali ao lado aumenta o tesão que sentíamos. Ele se contraiu inteiro e eu sabia que estava prestes a gozar, então eu raspei os dentes por toda sua extensão, ele empurrou os quadris em minha direção e gozou numa explosão.

Continuei masturbando-o tentando extrair o máximo de prazer de seu corpo, mas ele me pegou pelos ombros e esmagou sua boca contra. Sua língua explorava cada centímetro da minha boca, e eu suspirei feliz em seus braços.

Depois que sua respiração ficou mais regular, ele se afastou e acariciou meu rosto.

― Eu amo você.

Falei para ele que fechou os olhos e respirou fundo.

― Odeio brigar com você, odeio ficar longe de você...

Ele falava e eu comecei a arrumar suas roupas.

― Se você não fosse tão babaca nós com certeza brigaríamos menos...

Ele terminou de fechar a calça e passou o dedo por meu lábio inferior.

― Temos muito a aprender um com outro, e podemos fazemos isso, desde que fiquemos juntos.

Ele me falou e entrelaçou os dedos nos meus.

Saímos do banheiro com dois sorrisos enormes no rosto. Klaus falava com as pessoas e me apresentava a elas, tantas que eu não gravei o nome nem da metade, nem mesmo durante o jantar ele soltou minha mão.

Parecia que aquela briga de ontem tinha sido a décadas.

Quando terminamos a sobremesa, o chamaram no palco para fazer o discurso. Eu admirei seu andar confiante até o palco, a segurança com que falava, todos estavam vidrados e pareciam absorver cada palavra que ele falava. Era impossível não ver a paixão e o sentimento verdadeiro com que ele falava sobre isso, mas provavelmente ninguém ali sabia que ele conhecia na pele a violência.

― A violência é como um veneno que destrói tudo que toca. Muitas famílias vêem suas vidas esfaceladas por ela. E às vezes, estender a mão a essas famílias pode ser a diferença crucial para a vida delas.

As pessoas começaram a aplaudir, mas ele ergueu a mão e todos o olharam intrigados. Então ele olhou diretamente para mim.

― Ter uma família, um lar, pessoas que você ama e te amam de volta é tudo que qualquer pessoas precisa na vida. Eu sei disso, pois volto para uma casa vazia todas as noites. E não quero mais isso. Quero amar e ser amado todos os dias pela mulher que mudou a minha vida.

Eu fiquei paralisada. Não conseguia sequer respirar. Todos começaram a olhar em volta, e depois os olhares pousaram em mim, a direção em que Klaus estava olhando.

― Caroline Forbes, eu amo você e amarei por toda minha vida. Você quer se casar comigo?

Notas finais
E então? o que acharam? Bjinhos.