Sexy Fire - Klaroline
24 Capítulo 24
Notas iniciais
― E então, como foi o jantar?
Elena me perguntou quando eu saí do quarto para trabalhar. Klaus me trouxe para me trocar e eu tinha que correr se não quisesse me atrasar. O domingo tinha sido totalmente perfeito, mas passar quase o dia todo e metade da noite transando estava cobrando seu preço, tive que caprichar na maquiagem e estava com um lenço discretamente amarrado no pescoço para cobrir uma marca enorme que tinham ficado, fora as que estavam em lugares que não dava para ver...
― A mãe dele já me odiava, agora o pai odeia também, mas pelo lado positivo, a comida estava ótima.
Dei um sorriso sem graça para ela, que passou a mão por meu braço num gesto de apoio.
― Foi tão ruim assim?
― Pior.
Respondi respirando fundo. Eu não podia entrar em detalhes sobre a situação, pois sabia que ia deixar escapar algo que não deveria e apesar de eu não ter segredos com Elena, isso era bem diferente, era algo que envolvia os sentimentos de várias pessoas, incluindo do homem que eu amava.
― Eu vou pedir comida japonesa hoje, podemos conversar melhor quando você chegar do trabalho.
Abracei-a com força, tentando mostrar o quanto ela era importante para mim.
― Eu vou adorar.
Beijei seu rosto e corri para fora.
Cheguei ao trabalho quinze minutos depois e felizmente só cinco minutos atrasada.
― Bom dia Deana.
Sorri para nossa recepcionista que como sempre estava com um enorme copo de café em cima da mesa, e a aparência de quem não tinha dormido nem um pouco. Ela era de origem asiática, traços pequenos e parecia ser bem mais jovem do que era. Só que já era mãe de trigêmeos e provavelmente não conseguia dormir quatro horas seguidos a anos.
― Bom dia Caroline.
― Noite difícil?
― Nem me fale... O Jamie enfiou na cabeça que podia ficar acordado até de manhã para ver como o sol nasce, ele não tirou sequer uma soneca... Pensei seriamente em amarrá-lo na cama.
― Pelo menos os outros dormiram não é?
― Assim que eu consegui derrubar ele, o James e Jason acordaram. Eu sinceramente acho que vou surtar antes dos trinta e cinco com aqueles garotos.
― Boa sorte então.
Dei um sorriso para ela e subi para minha sala. Deana era o tipo de mãe que passava meia hora reclamando dos filhos e as outras vinte e três e meia contando toda orgulhosa das coisas que eles faziam. Era super fofo. Eu as vezes me perguntava que tipo de mãe eu seria se tivesse filhos algum dia... Superprotetora talvez? Controladora com certeza... Eu tive uma boa mãe, e depois com os Gilbert tive uma família amorosa que cuidava de mim, e agora com o Klaus eu acreditava mais que nunca na responsabilidade e influencia que os pais tem na vidas dos filhos.
Entrei na minha sala e liguei o computador para verificar minha agenda. Tinha marcado uma reunião com o dono de uma galeria de arte. Então pus a mão na massa e comecei a estudar tudo que podia sobre o estúdio. O público alvo, o site, show room... Quando me dei conta o dia já tinha passado e faltava apenas meia hora para a reunião. O telefone tocou em minha mesa.
― Caroline? Bonnie Bennet na linha.
― Pode passar.
Respondi já com um sorriso. Desde que saí da Originals não tinha falado com Bonnie, levando em consideração tudo que aconteceu entre mim e Klaus, não sobrou muito espaço na minha cabeça para outras coisas e era bom ver que ela não tinha me esquecido.
― Hey Caroline!
― Bonnie! Que bom falar com você! Como estão as coisas?
― Na verdade estão ótimas e eu... Hum... Queria falar com você.
― Pode falar.
Notei um tom de incerteza em sua voz.
― Não por telefone. Podemos sair para almoçar um dia desses?
― Claro, vai ser ótimo. Que tal amanhã?
― Perfeito. Te mando uma mensagem com o endereço.
― Ok, vou te passar meu número.
― Não precisa, eu tenho, o...
Ela parou subitamente como se tivesse se arrependido do que ia dizer.
― Eu consegui aqui na empresa.
Continuou ela, e minta testa se franziu. O que será que ela queria falar comigo?
― Tudo bem então, fico esperando sua mensagem.
― Ok. Beijos.
Ela desligou e eu coloquei o telefone de volta no gancho, no mesmo segundo o telefone tocou de novo.
― Seu Cliente já está aqui, mas ainda faltam vinte minutos, quer que eu mande ele aguardar?
― Não, tudo bem. Assim temos mais tempo para conversar.
Me levantei para recebê-lo, ele entrou pouco depois.
― Boa tarde Caroline, desculpa ter vindo mais cedo, mas é que eu detesto atrasos.
Peguei sua mão, mas quando olhei para seu rosto eu quase não consegui falar. Seus olhos eram de um verde vivido e brilhante, quase hipnóticos.
― Boa tarde, Sr...
O nome dele fugiu completamente da cabeça e eu me senti uma idiota.
― Evans. Mas você pode me chamar de Andrew. Me sinto muito mais velho quando me chamam de Senhor.
Eu sorri sem graça e indiquei a cadeira. Ele parecia ter quarenta e poucos anos, mas o corpo era esguio e elegante, seu sorriso era claro e aberto, algumas rugas marcavam o canto dos olhos e lábios, mas com certeza só acentuava sua beleza e porte. O cabelo era castanho escuro com alguns poucos fios grisalhos.
― Desculpe Andrew eu só...
― Só o quê?
Ele ergueu uma sobrancelha e eu quase engasguei, um gesto trivial, mas que fazia seu rosto me parecer ainda mais familiar. Eu com certeza estava surtando. Não tinha razão para um homem completamente desconhecido me parecer tão familiar.
― Só achei você parecido com alguém que eu conheço.
― Ah é? Deve ser um dos meus filhos.
Tudo bem, eu estava definitivamente confusa.
― Sério? E... como... Se chamam seus filhos?
― Kara e Sean.
Um alívio misturado com desapontamento se misturou dentro de mim e eu tive vontade de me chutar por permitir que tantas bobagens invadissem minha cabeça.
― Não são eles, provavelmente é só impressão minha... Mas você não tem outros parentes por aqui?
― Não. Minha família é de outro país.
― Outro país? Itália?
Eu não tinha a menor idéia de onde aquilo tinha saído, mas a vontade de saber mais sobre ele era bem mais forte que eu.
― Escócia. Mas eu moro aqui a quase trinta anos.
― Entendi, que ótimo.
― Também acho.
Ele não parecia irritado, só um pouco condescendente. E só então me toquei que o jeito que eu estava olhando para ele parecia que eu estava dando mole. Então mudei um pouco a postura e foquei minha cabeça no trabalho.
― Sua galeria de arte é linda. Vai ser ótima trabalhar com ela.
― É muito importante para mim também. Na sexta vamos começar a exposição dos quadros da minha filha.
― Sua filha pinta?
― Sim, e é uma artista muito talentosa se é que posso falar sem parecer coruja.
Sorrimos um para o outro e era nítido o orgulho em sua voz.
― A Kara começou a pintar antes mesmo que conseguisse segurar direito um pincel... Fazia coisas terríveis no começo... e nos obrigava a colar nas paredes da casa. Mas depois... ela virou uma artista incrível.
― Isso é ótimo. Foi por isso que resolveu abrir uma galeria?
― Em parte. Eu sempre fui apaixonado por arte, costumava pintar quando era mais novo, depois parei... Acho que passei o legado para minha filha.
― Porque você parou de pintar?
Essa pergunta aos poucos apagou o sorriso do seu rosto e eu me arrependi de ter feito.
― Não é sempre por causa de uma mulher?
Ele respondeu por fim, mas vi que seus olhos ficaram tristes, então tentei mudar de assunto.
― E seu filho? Quantos anos ele tem?
― 19. Ele luta jiu jitsu. Preferiu a pancadaria aos pincéis. Mas eu me orgulho dele tanto quanto da Kara. Ela tem vinte e dois. Meus filhos são... A coisa mais preciosa que eu possuo.
Seu olhar ficou distante, e eu imaginei no que ele poderia estar pensando. E o que uma mulher poderia ter feito a ele para fazer com que ele parasse de pintar... mas essas coisas não eram da minha conta. Então comecei a falar com ele somente sobre o trabalho. Coisas que ele gostaria de fazer e outras que poderiam ser mudadas.
Já quando estava quase terminando os ajustes notei uma movimentação do lado de fora, uma voz um pouco exaltada e num segundo a porta se abriu.
― A senhora não pode entrar, ela está com cliente.
― Não vou demorar muito...
Esther respondeu a Deana e já ia se virar para mim, quando Andrew olhou para ela. Ela congelou no lugar como se tivesse batido numa parede invisível. Seus olhos foram do choque ao reconhecimento em um segundo. Mas não demorou muito, ela enrijeceu os ombros e olhou para mim. Me levantei da cadeira querendo matá-la por invadir minha sala ali, e também querendo lhe fazer uma ou duas perguntas sobre Andrew, já que ela obviamente o conhecia.
― Eu estou trabalhando. Não é hora nem lugar para isso.
― Eu gostaria de falar com você, mas já que está ocupada, eu ligo depois.
― Ligue para o Klaus, é a ele que você deve desculpas, não a mim.
Seus olhos foram de mim para Andrew, depois para mim de novo.
― Até mais.
Ela murmurou e saiu. Deana foi atrás dela batendo a porta, mas olhou para mim antes, pedindo desculpas. Me virei para Andrew que já estava de pé também. Sua expressão estava neutra, mas eu podia ver que bem no fundo alguma outra emoção se agitava nele, eu só não conseguia identificar o que era.
― Eu sinto muito mesmo por isso.
― Tudo bem, já estávamos terminando mesmo... Problemas com sua mãe?
Ele me perguntou, mas pelo seu tom eu pude notar que ele estava ardendo de curiosidade.
― Não... Ela é minha sogra.
― Ah... Você é a namorada do... Kane?
Ele fez a pergunta de um jeito natural, como se realmente não soubesse, mas algo em sua expressão me dizia o contrário.
― Klaus. Niklaus na verdade, mas eu o chamo de Klaus.
― Um nome pouco comum...
Ele murmurou quase para si mesmo, mas depois olhou para mim e sorriu.
― Você não gostaria de ir a exposição da minha filha na sexta?
― Eu...
― Vamos. Aposto que você vai gostar... Quem sabe seu namorado também queira ir com você?
― Com certeza ele iria adorar. Tem quadros lindos na casa dele.
― Ótimo. Vou mandar os convites para vocês.
― Obrigada.
Ele pegou minha mão e me cumprimentou com um olhar estranho.
― Eu que agradeço.
Ele respondeu depois saiu da minha sala. Fui para minha cadeira e sentei. Definitivamente tinha alguma coisa ali. De onde Esther o conhecia? E porque ele ficou tão estranho quando eu falei de Klaus? Eu queria saber as respostas para todas essas perguntas, mas não podia simplesmente chegar para ele e perguntar. Então teria que ser sutilmente de um jeito que ele nem percebesse... Nós com certeza iríamos para essa exposição na sexta.
***
Assim que entrei no meu prédio o celular começou a tocar, peguei-o da bolsa e vi o nome de Klaus.
― Alô?
― Oi. Como você está?
Ouvir sua voz era tão bom. Cada pequeno gesto, cada momento que passávamos juntos faziam com que eu o amasse mais ainda.
― Estou ótima. E você?
― Com saudades...
― Eu também, bem mais do que você imagina... Que tal irmos numa exposição de artes na sexta?
― Vou adorar, mas preciso de você imediatamente...
― Eu queria muito... mas marquei de jantar com a Elena e por a conversa em dia. Mas amanhã eu prometo que sou toda sua.
Felizmente o elevador estava vazio, então ninguém veria a expressão de puro desejo que ficou no meu rosto.
― Eu não sei... Como exatamente você pretende ser minha?
― Primeiro eu vou beijar e lamber cada pedaço do seu corpo, dando atenção especial a um lugar que eu sei que você adora. Depois vou deixar você transar comigo em qualquer lugar da casa que você queira...
― Fechado. Te vejo amanhã então.
― Boa noite. Eu amo você.
― Você é tudo para mim.
Respondeu ele e eu desliguei. Por mais que eu quisesse ser paciente com ele e esperar até que ele estivesse pronto para me corresponder ainda era difícil. Eu sabia que ele estava tão envolvido quanto eu mas mesmo assim, eu queria ouvir ele dizer que me amava também e que eu era tão importante para ele quanto ele era para mim.
Abri a porta e o barulho do vídeo game me deu boas vindas. Era assim quase todos os dias desde que Jeremy veio passar as férias aqui. Meninos e seus brinquedos...
― Você está matando zumbis ou lutando contra Alliens agora Jer?
Perguntei a ele entrando na sala e parei na hora. Sentando confortavelmente no meu sofá e jogando vídeo game com Jeremy estava Tyler.
― No momento eu estou matando Zumbis e o Jeremy está sendo devorado por eles.
Disse Tyler sorrindo e dando uma piscadinha para mim.
― Você está roubando!
Resmungou Jeremy ao mesmo tempo em que Elena entrava na sala com os braços cruzados.
― Querem abaixar a televisão? Ou esperam deixar todo mundo surdo nessa casa?
Ralhou Elena e me arrastou para cozinha.
― O que ele está fazendo aqui?
Perguntei a ela baixando o tom de voz.
― Ele encontrou o imbecil do meu irmão na rua e o convenceu a trazê-lo para cá.
Ouvi alguém limpar a garganta atrás de nós e nos viramos.
― Eu não o convenci a me trazer aqui, eu só disse que queria ver a Caroline, e além disso eu e Jeremy somos amigos.
― Desde quando? ― respondeu Elena ― Ah sim desde que você começou a usar ele para tentar voltar para a Caroline.
― Eu não estou usando ninguém.
― Está sim.
Pus o celular na mesa e a bolsa e ergui os braços.
― Querem parar!
Ambos se calaram e olharam envergonhados para mim.
― Que tal nos comportarmos como pessoas civilizadas?
Tyler baixou a cabeça e olhou em volta, depois olhou para mim.
― Você quer que eu vá embora?
Eu provavelmente deveria dizer sim, mas lá estava ele com aquela expressão de abandono que ele sempre fazia e que acabava comigo. Por mais que eu tivesse raiva dele pelo que ele fez, nós tínhamos uma história juntos e isso não era nada fácil de ignorar.
― Não, não quero. Desde que você saiba que está aqui estritamente como amigo, e nada mais vai acontecer entre a gente.
― Tudo bem.
Ele respondeu e sorriu então eu sorri de volta. Era tão fácil com Tyler, sempre tinha sido. A campainha tocou e eu fui atender. Era a comida. Então nos sentamos no chão da sala e devoramos tudo, aos poucos o clima foi ficando mais leve e no fim das contas já estávamos todos rindo e nos lembrando de coisas que aprontamos em Mystic Falls.
― Eu não estava chapado!
Defendeu-se Jeremy, quando nos lembramos de uma festa perto do lago que o encontramos quase nu embaixo de uma árvore dormindo.
― Estava sim! Você estava com um cheiro de cinzeiro e mal conseguia ficar de pé.
Eu e Elena gargalhamos ao nos lembrar de nós duas arrastando um Jeremy semi-consciente para o carro.
Depois que a comida acabou levamos as sobras e caixas para cozinha e os meninos voltaram para o vídeo game.
― Pode deixar que eu ponho tudo na lavadora. Você já limpou a cozinha de manhã.
Eu disse a Elena que assentiu e jogou o pano de prato da mesa.
― Tudo bem, vou tomar banho então.
Enquanto eu colocava os pratos para lavar notei alguém se aproximar de mim e me virei. Era Tyler. Ele me entregou um copo e eu o pus na lavadora também. Ele se recostou no balcão a meu lado.
― Você se lembra do que nos fizemos naquela festa mais cedo?
Congelei me sentido envergonhada, é claro que eu lembrava.
― Eu convenientemente esqueci.
Respondi a ele que se limitou a rir.
― Pois eu me lembro muito bem...
― Tyler...
Ele segurou minha mão e me virou para ele.
― Foi incrível, eu me lembro de cada segundo. Foi a primeira vez que eu senti sua boca no meu...
― Tyler por favor. Eu não quero falar disso, já acabou.
Ele ergueu a mão e tocou meu rosto. Eu não quereria ir adiante, não queria mais nada com ele, mas também não o afastei como deveria.
― Pode ter acabado para você, mas eu ainda te amo.
Aquelas palavras me tocaram, de uma forma estranha, mas eu estava frágil e confusa, eu não queria deixar Tyler entrar na minha vida de novo, acontece que no fundo ele ainda estava lá.
Ele se inclinou para mim e eu sabia que pretendia me beijar, alguma parte bem confusa e esquecida de mim queria isso, queria voltar para seu amor e para tudo que ele podia me dar. Mas uma parte muito maior me disse que não era esse beijo que eu queria, virei o rosto bem a tempo, e seu beijo pegou no canto da minha boca.
Desvencilhe-me de suas mãos e me afastei.
― Eu não posso fazer isso.
― É por causa dele não é?
― Sim é por causa dele, eu o amo.
― Mas você também me ama e sabe o quanto eu te amei e sempre amarei.
― Esse amor não foi o bastante.
Foi minha única resposta e fui para sala, tentando decidir se ia para o meu quarto ou saia dali naquele segundo e ia para casa de Klaus. Ouvi o toque do meu celular e quando me virei Tyler já o tinha pegado.
― Alô?
Me aproximei dele pedindo o celular.
― Tyler Lockwood, e você é...?
Ele continuou falando como se não estivesse me vendo.
― Tyler me dá esse celular agora!
― Só um momento que vou passar para ela.
Falou Tyler e sorrindo como se nada estivesse acontecendo me deu o celular.
― O QUE ELE ESTÁ FAZENDO AÍ!?
A voz de Klaus soou tão alta que eu precisei afastar o telefone da orelha.
― Klaus ele só está...
― Eu vou buscar você agora.
Ele falou um pouco mais baixo dessa vez mas estava transbordando tanta raiva que foi quase pior. Depois desligou o telefone e eu engoli em seco. Eu estava completamente ferrada.
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