Notas iniciais
enjooy!

Rachel vestiu a custo a roupa que Michael lhe tinha dado, e guardou o relógio de bolso num sitio mais apropriado. Verificou as horas, mas lembrou-se da diferença horária rapidamente. Sentia-se confortável dentro das roupas demasiado largas, faziam-na lembrar-se das suas.
Secou parcialmente o cabelo com uma toalha, e deixou-o cair pelas costas, dirigindo-se de seguida à cozinha.
Michael olhou-a de baixo a cima, mas rapidamente a ignorou e voltou ao livro que tinha nas mãos. Intitulava-se 'The phylosophy of composition', Rachel reconhecia o autor.
— Edgar Allan Poe? — Perguntou Rachel.
— Sim. Lês?
— Hmm hmm. — Acenou afirmativamente.
Rachel não tinha tirado os olhos das obras de Edgar dês do momento em que as tinha descoberto, e tinha uma fixação extrema pelo poema 'The Raven'. Sempre quis comprar os seus livros, porque era raro encontrá-los nas bibliotecas, mas não tinha onde o fazer.
— Gostas de literatura?
— Depende.
— Que género?
— Terror, Fantasia, Ficção... se for do meu interesse e tiver lógica eu leio.
— Lógica? Os livros em geral não são supostos ter lógica?
— Sim, mas coisas mais complexas são mais interessantes.
— Define complexo. — Disse intrigado.
— Hmm... Alguma coisa com mistério, que não revele nem demasiado sobre a personalidade da personagem nem a história toda logo ao início, e se tiver mortes melhor.
— É raro encontrar alguém da tua idade com esses gostos, miúda.
— Isso é porque a maioria das pessoas da minha idade que conheces são idiotas. E não me chames miúda!
— És mais nova e mais baixa que eu, não achas que é justo? — Riu-se Michael
— Tu irritas-me.
— Fico feliz por te irritar. — Disse ainda com uma gargalhada.
— Hmf..
— Estou a ver que hoje não consigo falar contigo. Tens pizza no frigorífico se quiseres alguma coisa. Por favor não me incomodes se não tiveres nada interessante para dizer.
A atitude de Michael ainda a irritou mais, o que era difícil, mas agarrou em 2 pedaços de pizza e foi-se embora rapidamente.
— Pff, primeiro salva-me, depois beija-me e ainda me chama miúda. — Disse irritada entre dentadas. — Só me podia acontecer a mim!
Mas calou-se quando se apercebeu da barbaridade que estava a dizer. Afinal, tinha sido salva, não tinha sido violada, e ainda lhe tinham oferecido uma cama para dormir. Melhor não podia acontecer naquele momento (a não ser que a sua roupa favorita aparecesse como que por magia).
Deu por si à frente de 4 portas, não sabendo qual delas é que havia de abrir. A que estava atrás dela era a da casa de banho, e não ia voltar para lá, mas haviam mais duas à sua frente, e uma do lado esquerdo. Rachel já tinha a mão pronta para abrir a primeira porta, mas um a mão fria parou-a.
— Não abras essa porta.
Ela olhou intrigada para Michael, recolhendo a mão.
— Eu estava à procure de um quarto.
— Bem, acho que podes ficar no meu... — Disse apontando para o da ponta.
— No teu..?
— É óbvio que não queres que eu durma no mesmo quarto que tu, então hoje eu durmo na sala e amanhã trata-se do assunto.
— Não tens que dormir na sala, eu sou a 'convidada', durmo lá eu.
Michael olhou para ela como se ela tivesse dito uma atrocidade de todo o tamanho.
— Faz o que quiseres.
— Ok.
Ele ia embora outra vez, mas antes que ele o pudesse fazer, Rachel agarrou-lhe a manga do casaco.
— Sim?
Olhou nervosamente para o chão, com as palavras presas na boca, e ainda com muita raiva.
— F..fi...
— Ficar contigo? — Completou. — Deixa-me adivinhar, a casa está vazia e queres alguém que te faça companhia para depois isto acabar numa cena qualquer para maiores de 18?
— N-NÃO!
Michael riu-se mais uma vez, vendo a cara vermelha dela.
— Estava a brincar. Tenho a certeza que há coisas melhores para fazeres. Tens uma televisão na sala, e... não, nada, é só isso.
— Eu não gosto de ver televisão.
Ele olhou para ela e levantou-lhe o queixo com a mão.
— Então podemos continuar com o que estávamos a fazer?
Ficaram a olhar um para o outro por um bocado. Rachel não tinha a certeza se queria que aquilo acontecesse ou não, mas o certo era que não havia nada melhor para fazer naquela casa. Ainda assim tentou empurra-lo, mas Michael não cedeu tão facilmente desta vez. Aproximaram as caras e ele beijou-lhe a testa. Desta vez Rachel não o empurrou, mas também não foi preciso, porque este já estava a ir embora.

- E se mudares de ideias, podes dormir comigo na cama.

Rachel não tinha a certeza se quilo era uma provocação, ou um convite, ou os dois. Também podia estar só a tentar irrita-la, mas isso, ao que lhe parecia, ia-se tornar normal.

Eventualmente não tardou até serem horas de ir dormir, e acabou por aceitar o convite dele, até porque a sala era muito fria. Michael parecia não saber o significado da palavra frio, porque ele estava sem camisola e de calções! Pelo amor de deus!

Deitou-se no canto mais afastado da cama, tentando não fazer contacto físico com ele. Mas também era verdade ela queria contacto físico. Ou pelo menos queria-se aquecer, e Michael pareceu notar isso, porque a puxou para si, e lhe pôs os braços à volta da cintura.

Estranhamente o suficiente, ele não lhe fez nada de esquisito, só continuaram naquela posição. Ela encolheu-se mais, e puxou os cobertores finos para si.

*

Quando acordou de manhã, Michael já tinha desaparecido, e tinha-a deixado a dormir encolhida, tal como tinha adormecido.

— Esta casa precisa de uma lareira..!

Saiu do quarto a tremer, e a pensar no que é que lhe ia acontecer, mas deparou-se com 'a porta'. Verificou a cozinha e a sala de estar, e não viu ninguém.

— Deve estar fora.

Ele não se ia importar, de certeza! Abriu a porta devagar, para o caso de estar lá alguma coisa perigosa, mas apenas viu um algumas prateleiras com livros. Verificou alguns deles, encontrando coisas dês de 'Eragon' e livros da coleção da CHERUB a livros de Shakespeare. Nada de anormal, só um bocado diversificado no tipo de literatura.

Reparou que no fundo da sala, atrás de uma estante, estava um piano de cauda, lindo. Ele brilhava como se tivesse sido polido, e estava mesmo em frente da janela. Uma guitarra semi-acústica descansava ao pé da parede, junto com o amplificador.

— Eu não te disse para não entrares na sala? — Disse Michael zangado.

'Devem estar a brincar comigo' pensou ela. Como é que isto era possível!? Num minuto ele estava sabe-se lá onde, no outro apanhava-a a bisbilhotar mesmo na sala que ele lhe havia dito para não abrir. É preciso ter azar.

Notas finais
comentem, favoritem, blablabla x)
thanks for reading!