Notas iniciais
Enjoy º3º

A primeira coisa que Rachel fez foi esconder-se. Sim, esconder-se! Num daqueles escorregas dos parques infântis. Que patético. Uma das razões para isso, era que ia chover, aliás, já estava a chover. A outra razão para isso, era que ela estava bastante assustada.

Espreitou para fora do escorrega. Ela via alguns grandes prédios com 6 ou 7 andares, todos eles em tons de cinzento. O céu estava também nessa cor deprimente, e crianças agarradas a mães a andavam a passo rápido, para escapar a uma constipação.

Era irónico, ela sempre gostara de dias chuvosos. Fazia-a lembrar-se que ela estava protegida. Normalmente estava a ler um livro de ficção cientifica, o que talvez a abstraísse do que se estava a passar lá fora, deitada numa cama confortável. Nunca teve medo de relâmpagos ou de uma rajada de vento mais forte, isso eram coisas de criança. Agora era o que se via, já com 13 anos (com mentalidade de uma pessoa de 16) estava assustada. Mas ao menos tinha uma boa razão para tal. O seu plano era adormecer lá, e esperar não acordar com os pés de um miúdo mais reguila que aparecera no parque bem de manhã e decidira ir ao escorrega, saber onde estava, e tentar procurar Michael. A última tarefa parecia-lhe mais que impossível. Talvez nunca mais o visse, quem sabe.

*

Michael's POV

Michael andava de um ládo para o outro, o 'crack crack' da gravilha fazia-se ouvir a cada um dos seus passos pesados. Tinha a pele arrepiada do frio, encontrava-se na rua, com fortes sinais de que iria chover, de manga curta de um casaco de mangas arregaçadas.

'Rachel' murmurava ele entre alguns passos. Não valia a pena entrar em pânico, isso era simplesmente idiota. Sentou-se nas escadas de algum apartamento, com as mãos enterradas nos seus cabelos pretos.

- Isto não me está a acontecer. — Gemeu. — Isto não é suposto acontecer na vida real! — Gritou agora. — A Rachel.... a Rachel... eu amo-a, como...

Como é que ele a amava? Ele sabia que a amava, mas não seria aquele um amor mais fraternal, de quem a quer proteger de tudo? Talvez sim, mas outra vez, havia alguma coisa que o puxava para ela. Rachel era uma miúda simpática, não havia como negar, ela tinha uns ataques de 'raiva', mas não duravam mais do que 5 minutos. Tudo neles era similar, a maneira de pensar, o gosto músical, até naquelas pequenas manias, como a de falar um pouco mais depressa do que deviam. Ela era como a sua pequena irmã, e surpreendia-se que fossem tão similares mas nem sequer vivessem originalmente no mesmo país. Chegava a casa, ou nem sequer a deixava, discutia alguns livros com ela, ou filmes, faziam algumas piadas interiores, partilhavam coisas que tinham a ver com os seus hobbies, como piano e jogos de playstation... ela só poderia ser mais como uma irmã se fossem irmãos de sangue. E ela era muito... fofa. Não é bem a palavra, mas 'sexy' também não se adequava.. ela era mais que bonita sim... ela era... o seu mundo. Já não sabia viver sem ela, o que não quer dizer que fosse atrás dela por mar e terra, isso estava fora de questão, (Não me levem a mal, mas... a sério, isso não é realista) mas perde-la era como perder uma irmã.... era doloroso. Ninguém no seu perfeito juizo quer perder a única pessoa que percebia a um nível sub atómico tudo o que ele sentia. Sim, ele provocava-a às vezes, e dizia coisas como 'Eu não consigo ficar chateado contigo... A não ser que tenhas bolachas e não me dês!' Emendava desajeitadamente, com medo de parecer idiota.

Não havia nada que ele pudesse fazer, a não ser ir à porrada. E ele tinha MUITA vontade de partir uns quantos dentes.

Levantou-se com raiva e dirigiu-se ao club

*

Não conseguia dormir.. Afinal ainda devia ser muito cedo. Não sabia que horas ao certo, mas era cedo. Tinha parado de chover, agora estava só a choviscar levemente. Levantou-se e andou até uma mercearia. Bolas, ela nem sabia que ainda existiam mercearias nas ruas.

- Olá? — Disse ela, entrando.

- Bom dia jovem. — Respondeu um... idoso, curvado numa cadeira atrás da caixa registadora. Ele tinha um nariz comprido e torto, dava arrepios. .- Em que posso ajudar?

A seu sorriso algo que amável desapareceu quando viu a sua roupa desleixada.

- Oh, é um daqueles punks! Sai da minha loja antes que eu chame a policia!

- Espere..! Punks? Do que é que..?

- SAÍ DA MINHA LOJA! — Disse agarrando num bastão de baseball.

O raio do velho era feio e LOUCO!

- Vai ter que me desculpar, mas eu não sei do que é que está a falar!

- Oooh, eu conheço a tua espécie. — Cuspiu amargamente. — Cabelinho pintado como um pavão, roupas de pessoas de má rés!

- Pode ouvir e calar-se um bocado!? — Disse ligeiramente mais alto.

- COMO TE ATREVES! — Gritou de volta, preparando o bastão.

- Nossa senhora! — Disse enquanto saía da loja coma s mãos no ar. — Uma pessoa quase que é violada para ser tratada assim. — Murmurou ela.

Olhou em redor, não viu ninguém. Retirou umas quantas maçãs para o seu bolso do casaco, discretamente.

Hey, ela era mázinha. Ok não, mas... pronto!

Decidiu procurar uma biblioteca ou alguma coisa assim, porque não tinha nem vontade nem dinheiro para comprar roupas que não fizessem toda a gente começar aos berros. Nossa senhora, o que é que se passa com os velhos de hoje em dia!?

Não encontrou uma biblioteca, mas encontrou um café com uma televisão.

Sentou-se na cadeira mais distante, puxando o capuz do seu casaco para lhe cobrir o cabelo vermelho que tanto causava 'problemas', e começou a comer uma maçã. Bolas, só se apercebeu da fome que tinha quando a começou a devorar.

- E agora, em notícias não relacionadas, a polícia descobriu outros corpos nas ruas de Edimburgo, as marcas do gangue da zo--

Nada de interessante.

- Oh desculpe! — Gritou ao senhor do café. — Onde é que estamos?

- Num café, ora essa. — Rindo-se ele da sua piada seca.

- E onde é que é a localização deste café. — Disse , mais precisamente.

- Ora menina! Estamos em Glasgow!

- E Glasgow fica onde..?

O senhor do café ficou com uma cara aparvalhada e abanou a cabeça.

- No país de Gales, claro.

- Escócia?

- Pode-se dizer que sim. Peço desculpa pela minha ignorância, menina, mas como é que pode não saber onde estamos?

- Uh.. Perdi-me da minha familia, e esqueci-me de onde que é tinha-mos vindo passar férias.

- Férias a meio de Janeiro? — Perguntou desconfiado

- O meu pai é um homem de negócios, costumam acontecer coisas assim.

Não foi muito inteligente dizer uma coisa daquelas, com roupas de quem anda nas ruas, quem é que ia ter um pai que trabalhava no ramo dos negócios..?

- Quer que eu a leve à sua familia menina? — Perguntou ele. — Se me disser o hotel onde estão a ficar, não tenho problemas.

- Não não. — Disse apressadamente. — Não há problema.

- Mas acabou dizer que está perdida.

- Bem, eu...

O homem desconfiava de alguma coisa, e suspirou, levando uma mão á testa.

- Menina, eu sei o que são as rebéldias da idade, não é necessário esconde-lo de mim. — Disse ele, deixando-a confusa. — Se decidiu vir dar um passeio sem que os seu pais soubessem não precisa de o esconder. — Disse agora, piscando-lhe o olho. — Ficaria o nosso segredo. Só não pense é em fugir deles!

- S-sim, claro.- Murmurou, acenando afirmativamente.

- Bem, fique à vontade, são 3h da manhã, não costumo ter clientes a estas horas, de facto estava quase a fechar o café, mas não confio nas ruas destas cidade com uma menina de tenra idade.

- Sim.

Mais uma vez, não sabia como é que era possível um café ou uma mercearia estarem abertos aquelas horas da manhã, mas não se queixava. A sorte estava do seu lado.

*

Michael's POV

Alguns minutos mais cedo, Michael tinha quase rebentado as portas do edifício para passar entre elas, e agora estava no palco com Big Mike, pronto para entrar numa luta.

- Onde é que ela está!? — Disse num tom mais alto.

- Ora ora amigo, tanta raiva de um 'taxista' para quê?

- NÃO BRINQUES COMIGO! Para onde é que a levas-te?

- Ah! Já me lembro! — Sorriu maliciosamente. — Aquela menina indefesa que os meus homens levaram?

Michael passou-se e agarrou-o pelo colarinho da camisola.

- Deixa-te de tretas e diz-me onde é que ela está porra!

- Que palavreado horrendo! — Gozou ele. — O que é que foi? A menina vai chorar?

Acertou-lhe uma joelhada no estômago e projetou-o para o chão, o que foi quase como a mordida de uma mosca, levantando-se logo a seguir.

- Mikey, Mikey, Mikey... Tu não queres fazer isso.

- Podes apostar que quero filho da puta.

- Queres andar à porrada, punk? É porrada que vais ter.

Big Mike carregou contra ele, mas Michael desviou-se rapidamente, e acertou-lhe com um pontapé no traseiro que o fez cair de cara.

Ele levantou-se irritado, e limpou-lhe os pés do chão com um pontapé desajeitado. Michael caiu de costas mas levantou-se o mais rápido que pode, mesmo a tempo de ver Big Mike a atirar-se para cima dele. Saltou para o lado, mas a sua perna esquerda foi apanhada, e Big Mike fê-lo cair de uma forma dolorosa, torcendo-lhe a perna.

- Mais um bocadinho e vai partir. — Riu-se ele, sentado em cima das costas de Michael. — Desistes, menina?

Big Mike Gritou, e uma arma de fogo foi disparada. Viu o alto moreno a cair para o lado e a agarrar-se ao braço.

Shagy, o asiático, estava a agarrar nervosamente uma Beretta 92, ainda apontada a Big Mike.

- Rua daqui. — Disse firmemente. — Não voltes a mostrar a cara.

Big Mike foi escurraçado do edifício, que fez Michael sorrir vitorioso.

- O que é que tu andas a fazer!?

- Eu... ela...

- A tua namorada?

- S-sim. O Mike levou-a.

- O quê? Como? — Disse incrédulo. — Se isto é uma piada de mau gosto eu--

- Há umas horas atrás, ele pegou na Rachel e desapareceu com ela. Uns ajudantesinhos-filhos-da-puta ficaram a deter-me, e não pude ir atrás dela. Fiquei nervoso, e procurei pela cidade toda..

- Como é que é possivel ela ter desaparecido?

- ...

- Bem, só se a levaram para outro lugar.

– Como o quê?

– Bem, Edimburgo fica a umas horas de viágem.

– Não tenho dinheiro nem tempo nem transporte para andar à procura em todas as cidades!

– Eu faço uma pesquisa rápida, deixo-te saber das coisas amanhã.

– Amanhã pode ser tarde..!

– É o melhor que consigo fazer! Não sou nenhuma fada madrinha!

Michael acenou afirmativamente, e quando Shagy estava a ir embora acorreu-lhe.

– Hey, quando disparas-te a arma, o Mike estava a agarrar-me a perna, como é que sabias que não me ias acertar?

Shagy fez um sorriso manhoso e abriu a porta.

– Não sabia

Notas finais
Epa, favoritem, comente MUITOOOO, partilhem, leiam outra vez, recomendem x) façam tudo! Eu amo os meus fãns ♥
Espero que tenham gostado, como sempre, vou estar de volta com mais, brevemente