Sexto Sentido

8 Uma noite inesquecível


Notas iniciais
E eu, infelizmente, não tenho Glee. Tyra Murphy está mandando aquela série pro buraco mais rápido que o meu nome indo para a vala. Também não tenho sono.

Deitei um pouco no sofá enquanto pensava no dia tão incrível de hoje. É, mundo, eu, Rachel Berry, tinha beijado Quinn Fabray. Não pude conter o meu sorriso que era gigantesco. Mesmo com uma situação horrorosa e prestes a piorar – sim, meu sexto sentido me dizia que isso ia terminar num circo –, eu tinha conseguido a garota dos meus sonhos. A mesma que, aparentemente, me queria de volta. A vida é bela, não é mesmo?

Certo, nós precisávamos conversar e nos decidir onde estávamos, onde nosso relacionamento(?) nos levaria e que tipo de relação iríamos ter. Mas mesmo assim, eu tinha a minha garota e não era qualquer uma, mas a menina mais linda do mundo. E ela não só era perfeita como tinha entendido a minha história, o mundo que eu e Noah tínhamos escondido por medo de sermos internados como loucos e ainda estava do meu lado pro que viesse.

Em um dia, eu tinha conseguido ficar com o amor da minha vida e feito amizade com o casal mais... difícil do planeta (Santana e Britt, claro). Além de ter voltado às boas com meu melhor amigo. Sorri mais aberto ainda e liguei o som, me ajeitando ainda mais no sofá enquanto esperava por ela para decidirmos o jantar. Pensando bem, isso merecia uma comemoração – não é todo dia que Rachel Berry ficava assim, tão feliz –, nós já tínhamos até cerveja (realmente Noah desceu a mão e desfalcou os estoques de álcool de Lima, sem contar que Santana ainda traria mais...) e podíamos pedir uma pizza. Mas deixaria minha loira decidir, já tinha deixado meu coração com ela, não era nada de mais passar pra ela essa decisão também.

...

Terminei meu banho e me vesti com uma calça xadrez confortável bege e uma blusa branca um tanto larga. Não precisava impressionar ninguém, só queria ficar aconchegada com a Rach. Até porque, só Deus sabe onde pararíamos se voltássemos a nos beijar e nos provocar como mais cedo. Não que eu tenha algo contra isso, mas ao tomar meu banho (gelado) pensei que estávamos indo com muita pressa e isso não era necessário. Não era como se eu fosse dar pra trás, ou se ela fosse sumir e algumas coisas ainda precisavam ser conversadas. Precisávamos de calma e de certeza antes de nos jogarmos num desses 'bad romances' que só são movidos por sexo e nada além disso (não que eu fosse contra explorarmos esse lado mais físico no nosso relacionamento, mas ela teria que estar de acordo com isso). E Santana ia chegar a qualquer momento também. Pensando nisso e dada a nossa 'sorte', ela nos interromperia mais uma vez. Não sei o que há com esse mundo, mas acho que os eventos nunca estiveram muito do meu lado.

Depois de me debater e pensar, desci as escadas e, quando cheguei no fim delas, me deparei com uma das cenas mais fofas que já tinha visto: Rach estava cochilando no sofá, ouvindo uma música lenta, com um sorriso no rosto e abraçada com uma almofada. Sorri feliz para ela e dei meia volta, voltando para seu quarto. Peguei um travesseiro e busquei um cobertor para cobri-la. Consegui concluir minha procura e voltei para a sala de estar, onde apaguei as luzes para não incomodá-la, mas a escuridão ficou total, assim decidi acender uma das velas que estava na mesa de centro, pra casa não ficar completamente num blecaute (bem, eu espero que ela não se incomode com esse fato). Me virei em sua direção e abri a coberta em cima de seu corpo (tudo bem, seu vestidinho branco tinha subido um pouco e suas pernas sem fim estavam, hum, bem expostas, o que não fez nada para melhorar minha intenção de puxar os freios da nossa ainda estranha relação), ignorei o calor que me subiu pelo corpo e decidi cobrir aquele corpo provocante. Não só pelo frio que ela poderia estar sentindo, mas pela minha paz de espírito também. A vi sorrindo, encantadora, ainda dormindo e murmurando algo agradecida. E ela só acordou quando segurei sua cabeça e ajeitei o travesseiro pra que ficasse confortável o suficiente pro seu gosto.

"Quinn..." Disse suspirando rouca e meiga e abrindo os olhos sonolentos. Depois me sorriu doce e ameaçou se sentar, mas eu a impedi.

"Oi, dorminhoca." Sorri e ela me fez seu usual biquinho, disfarçando (ou tentando disfarçar) o fato de ter gostado do meu apelido carinhoso. "Fique deitada, eu sei que está cansada, Rach." Terminei beijando sua testa e ela sorriu.

"Deita comigo?" Perguntou num sussurro e envergonhada, como uma criança. Sorri ainda mais e concordei com a cabeça. Pulei seu corpo e me encaixei, deitando no fundo do sofá. Voltei meus olhos para ela, ainda sorrindo e puxei-a para que se aconchegasse em mim. Ela o fez, se virou me abraçando enquanto jogava sua perna no meio das minhas, abraçava minha cintura e colocava sua cabeça em meu ombro, se ajeitando perto do meu pescoço. Beijei sua testa e pude ouvi-la suspirar contente mais uma vez.

"Está confortável, Rach?" Falei baixo em seus cabelos, pro caso de ela já ter voltado a dormir. Bem, não tinha e me olhou nos olhos, assentindo com a cabeça.

"Mais do que confortável." Completou com seu sorriso que iluminava minha vida e tentei devolver-lhe um igual ou parecido. Ela abaixou o rosto, envergonhada, e ficou brincando com a barra da minha blusa. "Quer ver um filme, baby?" Foi seu sussurro, como se quem estivesse dormindo fosse eu. Balancei a cabeça. Não, eu não queria, aquele momento estava perfeito demais para ser quebrado e, caso o filme rolasse mesmo, ela teria que se virar e deixar de me olhar pra prestar atenção na televisão (não, eu não sou ciumenta, mas não queria dividi-la com a Barbra Streisand). Foi quando ela percebeu o clima relaxante e romântico que estava nos rodeando. É, se meu plano tinha sido de deixar a casa à meia luz para não atrapalhar seu sono, posso dizer convicta que o tiro saiu pela culatra e ela levantou a cabeça e me olhou numa expressão que me deu choques pelo corpo todo. Provavelmente estava pensando que eu tinha feito uma isca para me aproveitar de sua inocência. Se bem que, pelo olhar ardente que estava me dando enquanto mordia o lábio, eu poderia me considerar a vítima da situação. Ok, menos, Fabray, bem menos. Eu era tão vítima nesse momento como o Finn poderia ser considerado com um cérebro, ou seja, estava longe (e como) de ser.

Ela passou sua mão, que estava me abraçando com força pela cintura, em meu rosto enquanto se apoiava no cotovelo para me olhar melhor. Não sei se foi apenas seu olhar profundo e visceral, se foi seu toque mais que delicado, ou se foi a atmosfera que eu criei sem querer (sim, eu digo isso apenas pra ficar em paz com minha consciência, entretanto isso pode ser mais uma das tantas mentira que já me contei), mas me vi fechar os olhos e suspirar seu nome. Quando voltei a abrir meus olhos e observá-la, sua expressão tinha mudado completamente e me olhava com tanto desejo que meu coração pulava descompensado no peito, o calor de mais cedo voltou a me incendiar e minha respiração passou a ficar pesada. Ela, no mínimo, deve ter percebi isso tudo e me sorriu com tanta malícia que me senti presa ali, não sairia da posição que me encontrava nem por um decreto. Então seu olhar se fechou em meus lábios e eu, sem perceber, acabei fazendo o mesmo, olhando sua boca tão gostosa. Percebendo meu olhar, ela se aproximou extremamente devagar (devagar até demais, se me permitem dizer. Eu estava pra ter um ataque de ansiedade e hiperventilar a qualquer momento se ela não me beijasse logo) e respirou no meu rosto, ainda me olhando fundo nos olhos. Passou a língua em seus lábios que, de tão perto dos meus, acabou por encostar em minha boca também. Gemi baixinho, ainda a penetrando com os olhos (pra ver se ela deixava de me provocar). Não sei exatamente por qual motivo, mas eu não conseguia me mexer ou mover qualquer parte, talvez por medo de quebrar nosso clima. Ela sorriu tão safada e experiente que eu senti ciúmes, só de pensar que ela pode ter feito isso com o desengonçado do Finn. Mas não tive muito tempo para detestá-lo, quando dei por mim, seus lábios encostavam levemente nos meus e fechei os olhos numa velocidade incrível.

Com meu braço que ainda estava abraçando seus ombros, trouxe-a mais pra perto, tentando fazê-la entrar por entre meus poros e guardá-la dentro de mim. Seus olhos se abriram e eu percebi uma expressão que não tinha visto nunca. Eu posso estar louca e imaginando coisas, mas seu olhar era tão amoroso e frágil que eu apertei-a ainda mais em mim, olhando fundo nas suas janelas cor de chocolate e tentando passar tudo o que eu sentia (não sei exatamente desde quando) por ela e tudo que só sua presença me fazia sentir. Acho que minha vulnerabilidade foi entendida e bem passada, pois no segundo seguinte eu recebia seu sorriso doce (completamente diferente do anterior) e as pontas de seus dedos passeavam novamente pelo meu rosto todo, até pararem em minha boca. Beijei sua mão e foi quando ela trouxe seu rosto pra perto do meu novamente.

...

"Ou foi a Quinn?" Ouvi antes de poder pensar em uma resposta pra sua pergunta anterior. Uma mentira, ou o que fosse. Seus olhos eram tão hipnóticos que me perdi neles mais uma vez. "Não vá me dizer que vocês dois voltaram, Noah?" Ela me disse e voltei à realidade.

"Não, não tem a ver com a Rach e nem com a Quinn." Sério, eu espero que não tenha um limites de mentiras que podem ser ditas em um dia, porque hoje eu me sentia rompendo limites nessa questão. "Foi só o carro que deu um probleminha." Ela riu tão gostoso que eu tive que sorrir mais uma vez. Eu poderia ter ficado com ela, ter investido...

"Eu te disse pra vender essa picape, meu bem. Meu pai te arrumaria um carro bem depressa." Isso me fez lembrar porque eu não tinha ficado sério com ela nesses anos todos (é, nós tivemos um caso lá pros quatorze, nas nossas férias e tudo mais. Durou um pouco mais de três meses e eu não sei por que ela ainda mexe tanto comigo. Tudo bem que nós acabamos nos encontrando no ano passado, quando ela conheceu o McGyver, a caminhonete, mas eu estava numa doideira com os negócios da Beth e da Quinn), não daria certo entre nós porque ela me jogaria numa fôrma como se eu fosse qualquer um. "Muito embora eu ache charmosa a briga de vocês dois." Foi o que disse, completando a frase e sorridente. "É sério, eu me lembro de quando costumávamos passear e ele morria pela estrada. Não sei como, mas eu gostava quando isso acontecia, nós ficávamos sentados e conversando no meio fio. Eu ficava sentada, na verdade, você saia gritando indignado pelas ruas pedindo por socorro." Eu ri contente ao me lembrar disso, exceto pelo trabalho que tinha até religar aquela lata velha, eram ótimos esses nossos momentos juntos. "Era uns dos nossos momentos que eu mais gostava." Falou e suspirou.

"Você gostava de mim só porque eu tinha um carro quebrado, Stacey?" Falei em tom de brincadeira pra ela, que riu, apoiou o cotovelo na mesa e descansou sua cabeça na mão, fechando os olhos e parecendo pensar.

"Não, exatamente." Ela sorriu tão sensual que eu senti algo me passar pelo corpo. "Mas eu gostava do tempo que ficávamos só nós dois." Falou, mudando de foco, e seus olhos pareciam brincar comigo. É, eu sempre fui apaixonado por eles. Ainda mais assim, abertos, claros. Percebi que, por mais parecidos que sejam com os da baby mamma (que, no fundo no fundo, eram mais verdes que cor de mel), os olhos da Stacey puxavam para um azul meio diferente, principalmente quando ela se deixava vulnerável. Nesse momento então, eu estava mais que vidrado em seu olhar, que de tão forte, parecia um cinza azulado (isso existe?) com rabiscos em castanho claro. "Que foi, Noah?" Me perguntou sorrindo e eu tremi. É, muito bom esse jogo duplo, Puck, muito bom.

"Nada... eu só senti saudades dos seus olhos." Não sei que caralhos estava acontecendo com a minha boca hoje, pode ter sido o fato de ter voltado às boas com a Rach, parecia que eu tinha perdido o filtro. Vendo minha expressão de medo, ela continuou sorrindo meiga.

"E eu senti saudades de você todo." Foi o que falou tomando seu Martini, dando um sorriso de canto de boca. Que eu tenha forças!

...

Não sei de onde tinha surgido tanta ousadia, mas bem, eu estava me sentindo extremamente audaciosa. Abri os olhos olhando a loira embaixo de mim que tinha uma expressão que fez meu coração derreter. Um misto de paixão e vulnerabilidade que não tinha visto antes em ninguém. Provavelmente eu estava devolvendo-lhe os mesmos sentimentos. Me sorriu linda e doce e passou sua mão em meu rosto, afastando meu cabelo que havia caído em meus olhos. Abaixei meu olhar e sorri extremamente tímida, de um modo que só ela me deixa.

"Psiu!" Disse chamando minha atenção e segurando meu queixo para que eu a olhasse. "Você tem um rosto lindo demais para ser escondido." Completou sorrindo grande com seus dentes mais do que brancos. É, era exatamente isso, a mulher da minha vida que ocupa o posto de mais linda do universo estava me elogiando e sorrindo. Seus olhos claros em verde como numa tarde primaveril e igualmente iluminados por si só, me levaram a pensar em marcar meu cardiologista – isso não é hora de morrer, não mesmo –, mas ao ouvi-la dizer coisas como essas, doces e sinceras, me dava um sentimento que eu não achava lugar por nunca tê-lo sentido. De repente, eu me via cantando pela cidade, gritando seu nome em meu telhado, subindo por sua janela de madrugada para lhe dar um beijo (ou, quem sabe, até um pouco mais que isso) de boa noite, correndo para dar-lhe um abraço na chuva e depois beijá-la com toda a força de sentimento que eu nutria... "Um centavo pelos seus pensamentos." Me disse, interrompendo meu planejamento para nosso casamento (não, eu não estava sendo impulsiva ou correndo com nosso relacionamento. Mas eu tenho discernimento das coisas e sei que preciso investir nelas ou não aconteceriam – aquilo de trabalhar em nossos objetivos – e eu necessitava dela de um modo tão visceral que me dava vontade de chorar, mas optei por sorrir).

"Nada de mais..." Respondi vaga. Oras, se eu dissesse que estava pensando que 'Glinda' seria um ótimo nome para nossa filha, ela iria me internar, aterrorizada. Fiz uma careta ao pensar nesse fato e ela tocou levemente o meu nariz, me fazendo sorrir novamente.

"Pois eu acredito que seja, Rach, você estava com um sorriso que iluminaria toda Lima no Natal." Comentou sorridente, levantando-se um pouco, se apoiando no braço do sofá, entre sentada e meio deitada. Seu comentário me fez dar um sorriso embaraçado.

"Nada, baby, só estava pensando em você." Olhei-a brevemente e baixei meu olhar. "Em nós e em como é bom ficar contigo assim. Coisa que poderia fazer pelo resto da vida..." Até que virei para observá-la, que me sorria divertida e levantou uma de suas sobrancelhas, em sua marca registrada. Foi quando percebi o que tinha dito e tentei consertar tudo. "Quer dizer, isso não é um pedido de casamento. Até porque, só temos dezessete anos e as coisas sempre podem mudar, né? Não que eu espere, ou queira que elas mudem ou fiquem diferentes de como são agora, porque eu definitivamente não quero. Só quero dizer que..." Parei minha corrida por explicações porque eu já não fazia a menor idéia de onde eu estava indo com a falação, ou sobre o que eu estava falando mais. Provavelmente não fazia o menor sentido. Foi uma das muitas coisas que descobri hoje: sua capacidade de me transformar numa bagunça e me enrolar num carretel só com um sorriso entretido e interessado era desafiadora. Mentira! A quem eu estou enganando? Só o seu olhar e sua presença me faziam desconfiar da minha capacidade de expressão. Preciso me lembrar de discutir com meus pais sobre isso, talvez minha educação artística não tenha sido assim tão boa. Valha-me Barbra, sinto até medo de pensar em algo parecido, meus anos de teatro estavam me abandonando, eu não conseguia nem falar uma frase coerente com ela me olhando desse modo. Ou pensar. Também não conseguia pensar. Em nada. Nada além dela e seu sorriso leve, com sua mão no meu rosto...

"O que você quer me dizer, Rach?" Ela me interrompeu antes que entrasse em uma crise existencial e de identidade. O que eu quero dizer com o quê?

"Como assim?" Perguntei perdida. O que ela queria dizer?

"Você estava falando que queria me dizer algo." Eu queria? Será que era sobre o Mufasa, nosso futuro pastor alemão? Ou seria sobre nossa futura... "Hey!" Voltei ao mundo ao ouvi-la me chamar enquanto me olhava divertida. "Você estava dizendo que estava pensando em mim e sorriu. Queria saber em que, exatamente, você estava pensando." Se sua sobrancelha e seu sorriso quisessem dizer algo, era um 'estou orgulhosa de mim mesma'. Me ajeitei, levando um pouco para respondê-la. Isso não se faz, puxar meus botões para que eu me abra é um ultraje, golpe mais que baixo e ela ia saber disso. Bem, ela ia mesmo. Disse 'ia' porque ela me abraçou mais perto de seu corpo, nos grudando como se fôssemos uma só. Tudo isso olhando fundo nos meus olhos. É, minha intenção de dar-lhe um sermão por ser engraçadinha foi por água abaixo e acabei me esquecendo do que eu ia dizer. "O que era, Rach?" Bem, ela me lembrou.

"Eu me sinto diferente com você, Quinn." Olhei-a com calma e ela franziu o cenho. "Um diferente bom, me sinto confortável, como se eu tivesse achado um lugar em que eu pudesse ser eu mesma, sem julgamentos. Entende?" Ela mordeu o lábio daquele modo sensual que ninguém poderia fazer melhor nem se estudasse e praticasse na frente do espelho. Um modo que me suga todo o ar dos pulmões. E completou balançando a cabeça afirmativamente. Sorri meio leve e abaixei os olhos. De uma hora pra outra eu estava me sentindo nua sob o seu olhar que não era questionador, brincalhão ou julgador, mas era profundo e parecia querer devorar cada célula do meu corpo e me explorar profundamente. Sua mão que acarinhava meu rosto foi para minha nuca, me aproximando lentamente dela e de seus olhos que me matariam um dia com tanta intensidade.

"Eu sei do que está falando, Rachel." Sussurrou baixo em minha boca e olhei-a confusa, por que o 'Rachel' agora? Ela ignorou minha confusão e continuou suspirando com seu rosto tão colado no meu que estávamos respirando o mesmo ar. "Eu sei disso porque me sinto exatamente assim perto de você." Terminou enquanto roubava as menores partes do meu coração com seus olhos e palavras e minha respiração ficou suspensa no ar por um bom tempo. Ela, com uma frase, dane-se isso! Só com sua existência e domínio, me partiu ao meio e meus sentimentos estavam por todas as partes, não cabiam mais em mim. Continuou seu poder passando a ponta dos dedos em meu pescoço, me fazendo fechar os olhos e me entregar (entregar o que eu ainda não tinha dado, o que era pouca coisa, no caso. Ela conseguia me fazer me dar sem que nem eu percebesse). Não sei se foi premeditado, mas sua perna esquerda que estava entre a minha se moveu e encostou em meu centro, o que, pela enésima vez no dia, me deu uma corrente de calor repentina e calafrios pela espinha (não há sensação comparável a essa, mas a única que consigo pensar é num choque térmico. Embora o efeito que ela tinha em mim nem se comparava com nada que eu já tenha experimentado em toda minha vida). Gemi baixo e abaixei a cabeça, colocando-a entre seu ombro e pescoço. O que a fez voltar a se deitar, completamente na horizontal. "Me beija, Rach..." Foi tão enlouquecedor seu pedido murmurado que eu não tinha outra opção além de obedecê-la.

Beijei seu ombro lentamente enquanto subia por seu pescoço, me aproximando devagar e cada vez mais de seu rosto. Parei em seu ouvido e sussurrei. "Onde você quer que eu a beije, baby?" Sim, eu não fazia a menor idéia de onde tinha saído esse meu comportamento, digamos, avançado. Mas algo me dizia que a culpa era dela, de sua respiração funda e rápida e de seus sussurros que estavam pra me matar. Essa mulher veio ao mundo para me tirar o juízo, tenho certeza.

"Por todo o meu corpo, Rach." Isso e sua mordida leve em seu lábio me fizeram gemer e abocanhar sua boca mais rápido que alguém pode dizer 'Barbra'. E ela me respondia o beijo com tanta sede que eu duvidei ter capacidade de sobreviver aos seus beijos e ao que causavam por todo meu corpo. Como se isso não fosse o suficiente, ela me agarrou pelos cabelos com força na medida certa. Não o suficiente para me machucar ou me deixar desconfortável, mas o bastante para me impedir de desgrudar de sua boca sensual (como se eu pudesse fazer algo desse tipo, não encontraria forças o suficiente nem se quisesse muito). Acabei gemendo com sua atitude e domínio, o que ela usou a seu favor colocando sua língua (incrível) ainda mais fundo em minha boca. Ela me tinha onde desejasse e eu não me incomodava mais com isso. Nossa química era tão de outra galáxia que me faz duvidar da existência de outro casal assim, éramos como dois pólos magnéticos, nos atraindo com ímãs.

Abandonei seus lábios porque precisava de ar, que ela logo tirou quando passou a beijar e lamber o meu pescoço, suspirando seus 'huns' e 'ais' e me fazendo gemer alguns 'mais' e 'vais'. Até que mordeu relativamente forte um ponto sensível e desconhecido do meu pescoço me fazendo urrar seu nome, ao tempo que eu sentia sua língua acalmar minha pele que ficaria vermelha, fatalmente, e pude sentir seu sorrisinho vitorioso.

"Desculpa, Rach, acho que me empolguei..." Sua voz rouca, baixa e sexy suspirou no meu ouvido. Se ela quisesse se empolgar assim pelo resto de nossas vidas eu não iria conseguir pensar em motivo que fosse para sair de perto dela. Subiu seus beijos para minha orelha que mordeu de leve me fazendo gemer alto o suficiente para reverberar pela casa, enquanto ainda puxava meus cabelos com uma mão, alisava minha bunda com a outra e forçava ainda mais sua perna no meio das minhas. Se eu estava me achando ousada mais cedo, não tenho palavras pra descrevê-la nesse momento. Nada além de selvagem (o que realmente me excitou, confesso).

Eu gemia o seu nome alto e forte o suficiente para alcançar notas só completadas por Barbra e agarrava sua cintura com uma mão e me apoiava no braço do sofá com outra, como se a minha vida dependesse disso. O que estava completamente errado. Minha vida e minha sanidade, não só naquele momento, dependiam dela.

...

Depois de darmos nossos pedidos para o garçom, entramos num papo leve, evitando o assunto em questão.

"... Foi assim que consegui ser suspenso por hoje e amanhã." Disse com satisfação ao contar do meu azar com a Rach por não sabermos escolher parceiros. Pensando bem, tirando pela expressão assanhada com a qual a ruiva me brindava, eu diria que na minha vida isso começou muito cedo. Só espero que minha pequena diva tenha mais sorte com a Quinn do que eu tive. Com ela ou com todas as mulheres até hoje.

"Wow! Eu realmente não consigo imaginar a Rachel do showtunes batendo em um cara." Foi que ela comentou e me deu vontade de contar todas as aventuras que tivemos porrando mortos. Mas não iria expor minha morena desse jeito, por essas e outras, só sorri. "Eu sei que você só está aqui pra protegê-la, Noah." Disse ao colocar seu copo de Martini na mesa e me olhar com sua expressão vencedora. Mas não foi isso que me fez engasgar, foram suas palavras e o fato de tê-las usado, levantando o assunto tão depressa. Fiquei com a cara patética do Finn enquanto pensava em mais uma mentira para me tirar daquela situação.

"Não, baby, eu realmente estava com saudades..." Não sei até onde eu tinha usado a frase para evitar tocar no assunto e até onde eu realmente sentia essa porcaria toda e estava sendo sincero com ela. Só sei que pelo sorriso que ela me jogou, eu deveria começar a sentir medo tipo, agora. E eu estaria sentindo medo... caso eu não estivesse louco pra agarrá-la.

"Nós podemos resolver isso lá em casa, o que acha? Já te disse que estou morando sozinha agora?" Maldita seja sua boca e seus olhos que me matam... Não, eu não posso fazer isso mais uma vez com a Rach, ela não merece. Me remexi quase pulando para olhá-la quando resolveu alisar meu braço de uma maneira que só ela sabia. E bem, isso começou a me dar reações físicas por todo o corpo, se é que me entendem. Até que ela me lançou seu sorriso safado de Game over e me fez pegar fogo. Minha vontade era de levantar e jogá-la nessa mesa mesmo. Que situação ferrada. "Então, o que me diz?" Falou e jogou uma piscada. Puta que pariu, fodeu!

...

Abri os olhos e respirei arfando. Só tive tempo de ver minha morena sentada em meu colo (essa é a minha mais nova posição preferida) me chamando com seu indicador e vestindo uma expressão desconcertante: cabelos desalinhados, boca avermelhada e inchada que ela mordia tão sensualmente, peitos arfantes por ar e um olhar que me ateava mais fogo do que as fogueiras da Inquisição. Me atirei em sua direção, que se afastou, levando a simples palavra 'provocante' a um novo e desconhecido extremo. Eu estava tremendo de antecipação pelo que estava por vir e ela, provavelmente sentindo minha insanidade momentânea (causada por suas ações, como ao longo desse nosso dia), segurou a barra da minha camisa e tirou-a lentamente, de um modo hipnotizante que me fez imaginá-la fazendo um strip-tease só pra mim. Gemi rouca e baixo com meus pensamentos e vi seu olhar carnívoro (sim, naquele momento ela era tudo menos vegana) se mirar no meu torso, me fazendo sentir um arrepio na espinha. Foi quando me lembrei de que eu não estava usando um sutiã. Olhei para baixo e vi seu vestido não mais cobrindo suas pernas maravilhosas e suspirei, o que a fez acordar de seu transe.

"Tão maravilhosa..." Foi o que murmurou se aproveitando para atacar minha boca com ferocidade enquanto espalmava meus seios. Não me dando tempo algum para sentir vergonha ou vulnerabilidade na nossa situação. Não, com ela eu não me sentia gorda ou feia, ou estranha. Me sentia... Em casa. Esse sentimento me deu uma nova onda de excitação que me levou a agarrar e alisar suas pernas, o que a fez se roçar e me alucinar mais uma vez, só em um dia. "Hum... mais forte, amor." Gemeu entre beijos, mordendo meus lábios e pulando em meu colo. Não sei se ela tinha se dado conta do fato de ter acabado de me chamar de 'amor', mas esse era o menor de meus problemas na situação. Não, o 'x' da minha questão era conseguir terminar o que tentei o dia todo, fazê-la gozar. "Faz assim..." Mordiscou minha orelha enquanto arfava, rebolava em mim e me arranhava como se dependêssemos daquilo pra viver. Suas palavras fundas e gemidas me fizeram ser atingida por uma nova onda de desejo, então me abri e me empolguei mais ainda na nossa saga.

Segurando sua cintura em um abraço e seu pescoço com uma das mãos, virei-a no sofá e me joguei em cima do seu corpo, prendendo-a comigo. O fato de eu estar sem blusa e seu vestido não ser exatamente muito grosso, nos fez gemer ao nos encostarmos por completo. Colei minha testa na dela e me ajeitei, mais uma vez entre suas pernas que estavam fazendo um trabalho ímpar no quesito de me fazer perder o controle. Abri os olhos e olhei-a fundo, ao ver minha expressão, ela soltou um murmúrio que não soube nomear.

"Tudo bem, Rach?" Perguntei por me preocupar com ela e, dada sua mensagem sussurrada anteriormente, eu poderia estar machucando-a. Não obtive resposta. Não verbal, na verdade. Apenas fui atacada por sua boca na minha enquanto suas mãos seguravam minha bunda, me colado em seu corpo, me fazendo gemer bem alto. Fato do qual ela pareceu gostar e começou a tirar proveito quando colocou uma mão dentro da minha calça para me apertar e usou a outra para agarrar meus cabelos com a mão cheia, me fazendo gemer mais ainda.

Nos afastamos por falta de ar e aproveitei para mudar nossa posição, ao invés de cruzar minhas pernas nas suas (numa maravilhosa cama de gato), encaixei meu corpo todo entre suas pernas, o que a fez soltar um gemido alto e seu vestido subir ainda mais. Aproveitando-me desse fato, passei a mão por toda sua coxa, subindo cada vez mais e fui apertando sua bunda nesse safári memorável. Ela não mais me beijava por não conseguir respirar corretamente (hehe, anos e anos estudando respiração nas aulas de canto, hã?), o que a fez usar sua boca para morder meu pescoço e atiçar ainda mais meu desejo, suspirando ao meu ouvido coisas no auge de sua falta de ar. "Mais forte, Quinn, eu preciso de você..." Beijo e tchau, autocontrole. Usei uma das mãos para tirar a alça fina de seu vestido e sua ajuda nessa tarefa foi fundamental, eu tremia tanto que tive medo de rasgar sua roupa ali mesmo, coisa que ela percebeu e suspirou no meu ouvido. "Está com frio, loira? Ou sou eu que não estou te esquentando o suficiente?" Me deparar com seu torso nu e seu vestido descido até a cintura, somado a essas palavras foi igual a fim de jogo pra mim.

"Você está me fazendo pegar fogo, Rach..." Consegui dizer antes de sugar sua vida beijando-a pelo fim do mundo. Ela correspondeu enquanto gemia rouca em minha boca. A essa altura, eu tinha uma mão em seu seio e brincava com ele, vendo seu corpo se contorcer e se forçar no meu com vida própria. Claro que isso não ia me ajudar a controlar meus nervos ou minhas mãos que deixaram seu vestido cobrindo apenas seu abdômen. Por baixo dele, eu estava fora de mim, segurando sua calcinha e lutando para não arrancá-la com muita força. Abri os olhos para olhá-la e saber se realmente queria aquilo e a vi de olhos fechados e mordendo o lábio, tentando não gritar. Sorri comigo e resolvi esticar ainda mais minha mão, sussurrando em seu ouvido, fazendo-a morder-se ainda mais forte. "Eu quero te ouvir, meu amor..." Não, não adianta me perguntar de onde saiu o meu mais novo vocativo porque eu não saberia responder nem sob tortura, mas o importante é que teve efeito desejado e a fez abrir os olhos e me devorar como uma esfinge, gemendo alto e beijando meu pescoço. Claro que minha mão entendeu isso como um 'vamos nessa' e começou a abaixar sua calcinha, coisa que ela, novamente de olhos fechados, pareceu não notar ou não se importar. Resolvi perguntá-la porque era o certo a ser feito. "Você quer isso, Rach?" Movi meus dedos, que estavam dentro de seu vestido, passando-os por sua pele e seu osso do quadril, para que soubesse o que o meu 'isso' significava. Ela acordou de seu transe me abrindo os olhos numa expressão de pura necessidade que quase me fez derreter ali, sem fazer nada especificamente.

"Tira." Foi autoritário e eu concordei gemendo enquanto uma onda de sensações me carregava para algum lugar que eu ainda desconhecia.

...

Só acordei do transe vendo o garçom se aproximar, mais uma vez, com a conta. Ameacei pegá-la, mas ela foi mais rápida e me lançou um sorriso, acenando com a mão para que eu deixasse isso pra lá.

"Eu te convidei, eu pago, Noah." Foi o que disse olhando para a conta e me ignorando. Claro que não deixei e peguei a conta de sua mão para vê-la.

"Não, isso não é certo..." O que era meramente um lanche pra resolver a situação, proteger a Rach e tirar informações dela sobre o que estava acontecendo ali, virou um encontro, com direito a drinks e um jantar romântico. E pra fechar, eu ainda estava tentando ser um cavalheiro.

Peguei minha carteira para pagar a conta, mas quando fui olhar novamente o garçom estava nos dando 'boa noite' e nos agradecendo pelo jantar, sem que eu tenha visto ela mexer na bolsa. Olhei-a confuso e ela sorriu.

"Não pense tanto nisso, você sabe que meu pai, mesmo não morando aqui, faz muitas coisas rodarem em Lima." Não entendi onde ela queria chegar com essa frase. "Eu já tinha fechado antes com o restaurante e tinha deixado um cheque assinado, só tive que completar com o valor." Sério, essa menina era mais do que perigosa, nunca vi alguém planejar e pensar tanto no futuro. Tudo bem, a Rach fazia isso bastante, mas não com a frieza dessa ruiva. A Stacey não agia por impulsividade, diferente da minha melhor amiga que às vezes acabava sendo ingênua. Só esse pensamento me fez lembrar que o meu plano estava indo pro caralho e eu precisava pensar em algo para reverter a situação a meu favor.

"Vamos tomar um café ou tem algo em mente?" Fingi tentar recuperar o controle (se é que já o tive) da situação.

"Nós podemos conversar lá em casa, não teremos interrupções e nem pessoas nos ouvindo." Falou e bateu leve na mesa com as duas mãos, anunciando se levantar. Fiz o mesmo e antes de ir ajudá-la, um dos pingüins estava segurando sua cadeira. Ela sorriu aberto pro imbecil e ele ficou vermelho como um babaca. Revirei os olhos, gente mais retardada. Me apressei e parei do seu lado antes que a múmia começasse a babar e ter um ataque do coração. Ela passou seu braço no meu e falou um 'obrigada' desnecessário pro mongolóide estacionado que nem um dois de paus ali.

Fomos andando para sair daquele lugar e segui em direção ao meu carro, parando na frente da porta do carona.

"Você veio dirigindo?" Perguntei destravando as portas.

"Claro que não. Quando eu iria deixar de dar um passeio com você e o McGyver?" Falou leve e brincalhona e eu ri da brincadeira, abrindo a porta e ajudando-a a sentar. Eu sei que não deveria estar fazendo essa baboseira toda, mas vamos lá? Eu tenho que agir como um homem de vez em quando, né? Ainda mais convivendo só com mulheres, tive que aprender a tratá-las como deveriam ser tratadas, mesmo se essa garota em especial fosse uma bomba relógio . Ela me jogou um sorriso meio tímido e meio agradecido e concordei com a cabeça, dando a volta no carro e pulando no banco de motorista.

Liguei o carro e olhei em sua direção, esperando as coordenadas para sua casa. Depois de tê-las explicado, segui o caminho enquanto traçava um plano de me manter a pelo menos cinco metros de distância e não beber nada que pudesse me fazer perder o controle. Sorri comigo quando me dei por satisfeito com o meu plano. Desse modo, ela não iria quebrá-lo. Olhei-a de canto de olho que me lançou uma expressão indecifrável e mordeu o lábio.

"Seria errado eu dizer que sinto saudades das coisas que já fizemos nesse carro?" Falou desinteressada e acendeu um cigarro. Ok, eu preciso bolar um plano 'b' e muito rápido.

...

Não sei de onde tinha saído tanta necessidade em senti-la, mas bem, era assim que eu estava me sentindo no momento, dependendo do seu corpo pra viver. Depois da minha resposta, eu cheguei a ouvi-la gemer e me beijar de um modo animal. Não estávamos mais nos tocando do jeito romântico e lento que começamos, era um desejo tão forte e carnal que meus sentidos todos estavam com a minha loira. Claro, se eles não estivessem, eu iria ter ouvido o ronco do motor e a queimada de pneus (altos o suficiente para acordar os mortos) vindos do lado de fora da porta da minha casa. Mas não ouvi porque o mundo fora do meu sofá da sala de estar não me importava nem um pouco.

E nesse ritmo ela foi descendo a minha calcinha e arfando pesado em meu ouvido, ainda com a mão no meu seio. E eu me remexia, me forçando cada vez mais em seu corpo e puxando-a em minha direção com uma mão ainda em seus cabelos e outra dentro de sua calça, apertando sua bunda tão gostosa. Ela me deu um sorriso provocante e mordeu meu lábio inferior (que não estava machucado pela pancadaria de mais cedo) e chupou-o, me fazendo delirar.

Sua mão me descobria com tanto ardor e carinho que eu estava pronta para morrer, antes mesmo de ela tirar minha calcinha. O que me lembrou do fato de ela estar muito vestida e usei minhas mãos para tentar tirar sua calça.

"Você está muito vestida." Foi o que murmurei em sua boca e ela assentiu com a cabeça e sorriu de lado, me levando embora o resto de minhas estribeiras. Continuei descendo sua calça e ela fazia o mesmo comigo, mas lentamente. Diferente de mim, já que eu estava puxando sua roupa para baixo com tudo que tinha. E, bem, eu deveria ter previsto que não iríamos mais longe que isso, pelo menos ao ouvir buzinas desgraçadas e impacientes na porta da minha casa. Menos impacientes do que eu, com certeza. Eu estava pra explodir pela terceira vez no dia e tinha que ter alguém para nos atrapalhar.

Tentei ignorar, juro. Só que os toques do celular da minha loira (que estava em cima da mesa de centro ao nosso lado) me cortaram. Ela suspirou fundo e xingou baixo, sem deixar de me beijar, esticou uma mão para pegá-lo e ver quem era. Fez uma careta que eu teria achado linda em outra ocasião, mas eu precisava dela mais do que tudo e tinha que terminar o que estávamos fazendo.

"Quem é?" Talvez eu tenha colocado um certo tom de raiva na pergunta, mas ela não se incomodou porque parecia estar sentindo-se assim também (se o fato de ter desligado seu telefone e jogá-lo longe queiram dizer algo). Voltou a me beijar com pressa.

"Ninguém importante." Concordei depressa com a cabeça e voltei a enlaçar seu pescoço com um braço enquanto usava a outra mão para descer suas calças. Pois é, vida desgraçada e sem sorte! Foi quando ouvi mais buzinadas, seguidas por gritos em minha porta e pela campainha sendo agredida violentamente por dedos insensíveis. "Puta que pariu! Santana vai me pagar." Foi o que ela disse se afastando um pouco de mim. Vai nos pagar, minha ex-cheerio quis dizer. Porque isso não era possível, não poderia estar acontecendo. Confesso que flertei com a idéia de ignorar a Latinha sem semancol agredindo minha porta, até ouvi-la gritar.

"Parem as duas de se comer aí e venham abrir essa porra de porta pra mim!" Desgraçada! Se eu não tivesse os vizinhos que tinha, teria deixado sua infame pessoa plantada do lado de fora, mas claro que eu não poderia me dar a esse luxo. Quinn, provavelmente vendo minhas emoções se colidirem em meu rosto, suspirou de desagrado e beijou meu nariz, se levantando. Eu abracei seu pescoço ainda mais forte, não podia deixá-la ir embora no estado que eu estava. Ela deve ter rido da minha falta de jeito, me deu um beijo lento e suspirou.

"Nós bem que podíamos drogar os três por pelo menos 3 horas, né?" Falou balançando a cabeça, sem sorrir porque a situação era tudo menos engraçada. Se levantou, ignorando meu pedido mudo para que não se afastasse e caçou sua blusa. Vestiu-a e ajeitou sua calça. Xinguei com raiva, fiz bico e levantei (batendo o pé)também. Arrumei meu vestido e ignorei sua presença sorridente porque eu estava mais do que puta e revoltada. Depois que estava apresentável (ela também, eu presumo, já que não olhei em sua direção depois de ter sido ignorada) fui andando em direção a porta. Não fui tão longe por ter sido puxada e virada por ela, que me beijou ferozmente me fazendo andar pra trás, à procura de uma superfície para me encostar e não cair.

Bati forte com as costas na parede, mas nem senti dor porque suas mãos seguravam minha cintura. Isso tudo enquanto ouvíamos os xingamentos e o dedo nervoso de Santana apertando o maldito botão da campainha. Quinn tirou uma mão da minha cintura, sem desgrudar nossas bocas e esticou-a, tateando a porta (que deve ter se materializado ali do nada) ao nosso lado. Desvirou as chaves e abriu a maçaneta, o que fez Santana entrar soltando fumaça pela minha sala.

"Que porra levou vocês a demorarem tanto? Caralho! Ta frio lá fora, sabia? E esse animais que moram na frente da Berry são uma gentalha fofoqueira que resolveu se meter nos nossos assuntos." Falou antes de ver que estávamos entretidas demais nos pegando na parede. "Dá pra parar com a safadeza vocês duas? Eu tô falando aqui!" Foi o que disse enraivecida e senti minha loira dar um sorrisinho leve ao me beijar, diminuindo cada vez mais a intensidade de nossos beijos. Suspirou me olhando nos olhos e me deu um estalinho na boca, passando as costas das mãos no meu rosto.

"A gente vai terminar isso, eu te prometo..." Suspirou baixo em meu ouvido e beijou leve meu pescoço antes de virar-se pra nossas companhias.

"Oi, Q., oi, Rach! Desculpa termos atrapalhado o momento de sexo de vocês, mas a San aqui estava com pressa e preocupada com a Ra..." Britt não terminou de falar porque Santana cortou sua frase.

"Baby, não precisa se desculpar por isso..." Disse baixo à loira mais alta e virou pra nós. "Vocês não conseguem se beijar sem ter que entrar nessa saliência toda?" Falou jogando as mãos pro alto e colocando a sacola cheia de cervejas no chão. Uma quantidade assustadora. Ela e Noah realmente eram muito parecidos.

"Oi, Britt, tudo bom?" Falei doce pra ela, evitando fuzilar a Latina com meu olhar.

"Claro, Rach, e fico feliz que esteja tudo bem com vocês também." Disse concordando com a cabeça e eu repeti seu movimento.

"Oi, B." Quinn falou e abriu um grande sorriso sincero pra outra loira que foi abraçá-la.

"Q., que bom te ver de novo!" Foi a loira mais doce que disse, fazendo sua companhia sorrir seu sorriso que me quebrava e me fazendo sorrir leve também.

"Ora, Q., vai falar comigo não?" Isso foi Santana com seu usual risinho cretino. Como ela e Noah conseguiram dormir juntos? Era quase incestuoso isso.

"Só depois de acender um cigarro." A loira falou pegando um cigarro e o isqueiro de sua mão com uma expressão gélida. Santana sorriu maquiavélica e balançou a cabeça.

"E aí, hobbit?" Foi o que disse olhando pra mim. Pude ver Quinn entrando na defensiva e fuzilando-a com o olhar depois de passar um braço pela minha cintura. Olhei sorrindo para minha loira, ela não precisava se preocupar com a Santana, tenho certeza que, por dentro, a Latina tinha um coração de manteiga. Balancei a cabeça em um cumprimento mudo e ela olhou ao redor da casa. "E então, podemos começar as explicações já?" Falou abrindo uma cerveja, o que me fez me entreolhar com Quinn. Do que ela estava falando?

...

Stacey abriu a porta de seu apartamento e me motivou a entrar, o que fiz. Olhei em volta e fiquei mais do que bolado com o tamanho e a arrumação do lugar. Nossa, ela realmente tinha dinheiro e sabia usá-lo. Quando, na minha vida, minha velha iria me deixar ter um bar com todos os tipos de bebida em casa? É, a vida não é justa e ela tinha um bar que me daria motivos pra ser feliz pelo resto da vida. Continuei observando sua casa e vi uma decoração meio diferente, moderna ou sei lá. Tudo era em preto e branco e coisas assim. Pude ver um tapete no chão que deve valer mais que a hipoteca da minha casa.

"Gostou do meu santuário, Noah?" Só balancei a cabeça. Qualquer pessoa com olhos teria adorado aquilo lá e ela sabia bem disso. "Então espere pra ver o segundo andar, tem outro bar desses lá em cima." Nossa! Essa menina era alcoólatra ou o quê? Não só um, mas tinha dois bares em casa. Pra que sair pra beber com tudo isso em casa? Devo ter me perdido nos pensamentos, pois ela completou. "Vamos subir, eu te mostro a piscina e bebemos alguma coisa, a noite está bem agradável." Antes que eu dissesse 'não' ela me arrastou pelo braço.

Chegamos à laje de sua cobertura (eu nem sabia que existia lugares assim em Lima) e eu devo ter feito uma cara estúpida como a do Finn mais uma vez, aquilo era simplesmente inacreditável. Ela tinha uma piscina num deck, uma churrasqueira, o outro bar (esse ainda maior e com mais bebidas que o anterior), algumas mesas com cadeiras, um chuveirão e aquelas cadeiras estranhas que as garotas deitam pra seduzir os caras fingindo pegar sol. Pensamento errado, Puck, bem errado. Pensar nela deitada de biquíni e bebendo seu usual Martini não é o passo mais esperto para o meu plano.

"Você está quietinho, Noah. Está tudo bem?" Voltei à realidade com sua voz me perguntando e só balancei a cabeça. "Sente-se que eu vou preparar umas bebidas e depois nós podemos usar a hidromassagem." Foi nesse momento que eu vi o banheirão ali. Meu deus! Me pegar com ela numa hidromassagem... Droga! Droga! Droga! Preciso mudar meus pensamentos de foco... Claro! Pensei no Finn e na sua idiotice sem limites que achou ter engravidado a Quinn numa dessas. Antes de poder rir comigo, ela me trouxe uma bebida (outro uísque, eu presumo) e do Finn eu pulei pra pensar em sexo naquela banheira quente e... "O que houve, Noah?" Me aproveitei de sua pergunta e foquei no trabalho que precisava ser feito, eu não estava ali pra diversão.

"Nada não, Stay, só tô pensando aqui que eu não posso beber." Falei sério e tentando demonstrar certeza, enquanto ela bebericava sua bebida e me olhava com uma pergunta escrita na testa. "Eu tô dirigindo, esqueceu?" Mentiras e mais mentiras, mas é o que tem pra hoje.

"Tudo bem, beba só esse, meu amor, ou vou ter que jogar esse 21 anos pelo ralo." Apelar para a idade de um uísque sempre me deixava com pena de desperdiçá-lo, é, isso era um crime. Resolvi seguir seu conselho porque o valor da garrafa era mais do que eu poderia pensar em comprar. "Então, vamos conversar. Como estão as coisas por aqui?" Fiquei quase feliz o vê-la puxar um papo leve, mas como eu conheço meu povo, resolvi ficar na defensiva.

"Tudo na mesma ainda. A escola continua sendo insuportável, a cidade está mais que morta e só isso." Falei e ela concordou com a cabeça, pegando um cigarro para acendê-lo.

"E você, está namorando?" Lançou entre baforadas de fumo, aproximando o maço de mim, numa pergunta calada. Aceitei, jogando meu plano de mais cedo no lixo, e acendi um. Pensei entre mentir ou ser sincero nessa resposta.

"Não mais, Lauren terminou comigo há dois dias." Isso foi a minha primeira resposta sincera da noite. Ou assim eu acho. Ela abriu um sorriso maníaco que eu deveria temer. Temer tanto quanto as minhas reações graças à bebida e sua presença.

"Bem, eu não posso dizer que sinto muito." Continuou a bebericar e tragar leve, sorrindo. Resolvi acabar logo com aquela porcaria e fazer minha pergunta.

"E tem o negócio dos mortos também, mas disso você já deve saber." Falei olhando com força em seus olhos, eu não estava brincando.

"É, disso eu já sei." Falou despreocupada e eu senti vontade de ranger os dentes. Até que se levantou e pegou um controle remoto, ligando uma música lenta ao fundo. "Se lembra dessa, Noah? É a nossa música." Falou mudando o foco da conversa. "O que acha de dançarmos?" Completou apagando seu cigarro no cinzeiro e deixando seu copo na mesa.

"Não, Stacey, nós precisamos conversar. O que eles querem, o que você tem a ver com isso, e por que eles estão aqui depois de terem morrido há mais de três anos?" Falei logo antes de mudar de idéia, melhor acabar logo com a palhaçada antes que o pior acontecesse. Ela me olhou calma e contida, brincando com minhas expressões e bebeu mais do seu copo antes de responder.

"Bom, acho que você sabe as respostas pras suas duas primeiras perguntas." Disse cheia de si e eu cerrei os olhos, não tava mais pra brincadeira e apaguei meu cigarro pra mostrar o meu ponto. "Eles querem se resolver com as cheerios, aparentemente, agora por qual motivo, é bom que você pergunte à suas meninas. Ou melhor, à mãe de sua bastardinha." Levantei socando a mesa com raiva e ela tremeu um pouco de medo. Não, ninguém no mundo ofende minha filha e sai bem disso. Ela pareceu recuperar a sua noção. "Wow, calma aí, tigrão, estou brincando. Nossa!"

"Você ainda me deve respostas." Disse com frieza.

"Eles estão aqui porque eu os chamei." Certo, um arrepio de medo passou pelo meu corpo e eu devo ter esbugalhado os olhos, ou isso ou foi parecido, porque ela estava com uma expressão cheia de si. "E a sua Juno estava mentindo. Eles não morreram há mais de três anos." Ali eu estava pálido. Sério. "O ônibus do grupo de torcida da escola deles se envolveu num acidente no ano passado, quando sua loira virgem estava esperando a linda cria de vocês e a Lopez era a capitã das cheerios. Isso explicaria a raiva deles não? O fato de suas promíscuas líderes de torcida terem a ver com o acidente que os matou?" Ela foi falando aquilo tudo e eu estava confuso e com raiva. "Eles só querem um papinho, meu amor." Terminou se aproximando pra me dar um abraço. Me desfiz e empurrei-a.

"Isso é mentira, como você..." Antes de terminar a frase eu perdi o balanço depois de tomar uma porrada de direita. Caralho! Que dor! Me segurei na cadeira e olhei pra frente.

"Para com isso, Franz!" Ouvi a ruiva gritar, mas fixei meu olhar meu olhar no babaca do Marlon Brando de braços cruzados na minha frente e com uma expressão de poucos amigos.

"E aí, Puck? Sentiu saudades?" Desgraçado! Parti pra cima dele e soquei sua cara imbecil, até que ele parou e sorriu como um babaca. "Espero que esteja se divertindo por aqui, tenho certeza que Rachel deve estar bem entretida com as meninas." Ele disse e engoli em seco. Que porra! Eu tinha deixado minha garota sozinha e as mortas filhas da puta estavam atrás dela. Ainda mais que ela não podia contar com mais ninguém para ajudá-la a bater nas putas desgraçadas. Rangi os dentes e ignorei minha vontade de quebrar sua cara de formol, peguei meu casaco e me virei pra ir. Antes olhei na cara da ruiva que estava destruindo a minha vida mais uma vez e vi que ficou com uma expressão que eu não conhecia. Meio envergonhada e arrependida de suas ações. Ignorei isso e vi a fuça do morto ainda de braços cruzados protegendo-a. Que ele me espere, eu precisava cuidar da minha garota. "Até mais, Puck!" Falou com um tom de promessa. Buceta!

Saí voando daquele inferno e pude ouvir a menina falar algo com o lutador, tipo "Droga, Franz, você acabou de assustá-lo!" Não me dignei nem a respirar, corri como o the flash até o carro e senti medo pela Rach. Até que me lembrei que Marlon Brando iria pra lá depois. Porra de situação escrota! Ainda mais contando que essa menina morava na fronteira de Lima com a cidade vizinha, eu ainda teria mais 40 minutos para chegar lá, isso na melhor das hipóteses e voando como se estivesse dirigindo o Delorean. Precisava de reforços.

"Alô! É, sou eu, Noah... Não, não está tudo certo. Bem, eu a Rach estamos num situa... Uhum, você pode ligar pro Brad pra mim? Porque eu estou dirigindo e tentando não capotar. Tá, eu vou diminuir, só faz isso. Na casa da Rach. Ele está na cidade? Ah, que bom! Mas mande-o fazer das duas horas em uma, no máximo. Hum, tudo bem, te vejo em duas horas então. Obrigado, até." Eu sei que tinha descido o nível a Rachel ia me detestar. Deus, a Quinn ia me assassinar quando soubesse o que eu tinha feito. Só que eu não conseguia me preocupar com seus ciúmes agora, não quando elas todas corriam perigo.

Sentei o pé no acelerador e vi o carro subir até 180 km/h. Que eu consiga chegar a tempo e fazer o mar de multas valer a pena.

...

"Explicações sobre o que, S.?" Perguntei com raiva ainda, ela tinha acabado de estragar nosso momento e eu precisava proteger minha menina. A minha braço direito não me respondeu e resolveu aumentar o volume do aparelho de som e colocá-lo numa rádio dançante. Olhei pra minha diva que estava num misto de expressões que eu não saberia explicar. Algo dentro de medo, raiva e frustração.

"Ora, Q., o que a safada da periquita menstruada disse mais cedo sobre aqueles perdedores que morreram, eu vi que o hobbit ficou meio estranha depois disso." Ela falou bebendo e apertando os botões do controle. Até que o telefone da casa tocou e olhei pra Rachel, que agradecia aos céus por ter sido interrompida.

"Bem, eu vou atender essa ligação lá em cima para não atrapalhar essa sua muito bem vinda festa, Santana. Provavelmente são meus pais querendo saber como andam as coisas." Disse a minha morena, esticando o 'bem vinda' e me fazendo rir.

"Vai lá, hobbit, estaremos aqui esperando por explicações." Falou ignorando-nos e jogando uma cerveja pra mim. "Beba, Q., você vai precisar." Olhei pra Rach que assentiu com a cabeça e resolvi beber mesmo, algo me dizia que aquilo não ia acabar bem. S. puxou Britt para dançar e Rach me deu um beijo antes de correr escada acima.

...

Cheguei ao meu quarto quase sem fôlego e atendi ao telefone, sentada na cama.

"Alô? Oi, papai! Eu demorei sim, me desculpa, estava no banho. Você sabe como higiene é importante pra mim. Claro que as coisas estão ótimas e como vai a viagem de vocês? Não, aqui não tem chovido, pelo contrário, o clima está ótimo. É, eu soube que aí chove muito. Como eu sei disso? Ah, foi vendo Grey's Anatomy. Ora, papai, você deveria saber que todo tipo de cultura é bem vinda, sempre. Sei que estava brincando, aham. Tudo bem, boa noite para vocês. Eu também os amo muito e muito. Você e o pai também. Ah, mande ele tomar banho quente e parar de reclamar. A música? Ah, você me conhece, estou treinando para o Glee Club. Exatamente, nossa lição da semana é o pop, por isso essa música bem... diferente do que estou acostumada a cantar. É isso mesmo, eu vou arrasar como sempre, pode deixar. Amo vocês mais ainda. Beijos, tchau."

Eu sei que algumas mentirinhas foram contadas nessa nossa conversa. Como o fato de eu estar ouvindo Jennifer Lopez se jogando louca e latina no chão e viajando com sua festa pelo mundo todo enquanto profetizava o próximo destino de roteiro da mais nova temporada de America's Next Top Model (sim, eu assisto televisão) antes e ter que dizer que eu iria cantar algo do tipo, mas tudo pelo bem de nossa relação, né?

Respirei fundo e me levantei da cama, me preparando para encarar Santana e ter que contar o que tinha acontecido e como. Bem, eu precisava pensar em algo, mas talvez minha loira já tenha feito isso por mim, nunca se sabe. Resolvi encarar meu destino e voltar apara a festa, até que uma voz me gelou com a mão na maçaneta.

"Olá, Rachel. Podemos conversar?" Senti um calafrio mau e me virei para ver quem me fazia companhia, segurando a porta para não ir de cara no chão. E, não errei na hipótese. Ali, me brindando com sua voz rouca e funda e sentada na minha cadeira do computador, estava Shirley Manson, ou Susan Ackerman, como era conhecida quando ainda tinha vida. Permaneci parada na soleira de minha porta e olhando-a como se estivesse vendo um fantasma. Bem, eu estava. Ela sorriu e me ofereceu. "Não prefere se sentar?" Segui seu conselho e sentei na minha cama porque eu estava tremendo de antecipação ao pensar no que poderia se seguir, ainda olhando-a. Que Barbra me ajude!

...

"Berry te contou o esquema que a vagabunda desbotada tá armando, Q.?" Santana me perguntou e eu realmente pensei na resposta. Bebi um gole da cerveja e ela pareceu ler minha hesitação, pois seguiu. "Ela foi sincera contigo?" Disse num tom baixo, meio confidente. O tom que sempre me lembra que ela se importa e tem um coração, só não costuma deixá-lo guiar suas ações.

"Disse e foi." Falei ainda fria e assenti com a cabeça, ela não era a minha pessoa preferida no momento e acho que todo mundo acertaria o porquê da minha situação e atitude.

"Então por que você mentiu pra ela?" Falou chegando mais perto e me olhando de olhos cerrados. Sua abrupta pergunta me fez engasgar e eu tossi.

"Do que você está falando, Santana?" Falei rígida. Primeiro ela interrompe meu momento, hum, íntimo com a Rach e agora ela resolve me chamar de mentirosa na minha cara? Eu fui a HBIC da escola por um motivo, afinal de contas. E voltei ao meu modo defensivo na hora.

"Você certamente sabe do que eu estou falando, Fabray." Continuei com minha expressão de poucos amigos porque não, eu não fazia idéia. "Sobre os falsos terem morrido há mais de três anos, Quinn, jura? Eles morreram ano passado e você sabe muito bem disso." Falou certa de si e me olhando fundo nos olhos. Ao ver minha expressão lívida e provavelmente pálida, sorriu consigo e voltou a beber. "Por que a mentira?" Sua pergunta soou sincera, mas não respondi porque palavras me fugiram e tive que me sentar ao tremer como se tivesse adquirido Parkinson.

"Você sabe os motivos..." Falei baixo e olhei-a, com uma acusação nos olhos.

"Você não precisa me defender, Q., eu já te disse que não tive nada com isso." A minha melhor amiga voltou a aparecer e ela sentou-se ao meu lado no sofá, pegando minha mão. Sua postura parecia tão vulnerável e compreensiva que eu tive vontade de gritar.

"Sim, mas as coisas podem se virar contra você, San. É disso que a Q. quer te proteger." Britt falou com seu usual tom de quem sabe e vê além do que acontece e das máscaras usadas. Uma característica que sempre me deu orgulho de ser sua amiga. Sorriu compreensiva pra mim e balancei a cabeça, ainda muda, novamente. Santana pareceu entender tudo e apertou ainda mais forte a minha mão, me dando um sorriso triste, porém sincero e B. resolveu sentar do meu outro lado, segurando minha mão também.

A situação na qual eu estava metida agora fazia tudo aquilo que passei na gravidez de Beth parecer um passeio no parque. Minha namorada(?) estava brigando com fantasmas pra me proteger enquanto eu mentia pra proteger minha melhor amiga. Isso tudo somado ao fato de os ditos mortos querem nos machucar. Isso tudo me fez lembrar de Puck, que deveria estar aqui pra proteger a Rach e tinha ido pra sabe Deus onde. Ora, eu menti a vida inteira e, mesmo que não tivesse essa habilidade de farejar mentiras como um perfume, nenhuma sorveteria na cidade poderia estar aberta a essa hora. Então onde, diabos, ele estava?

...

Eu tava correndo desafiando os limites da velocidade e da consciência no trânsito. Costurei os carros da frente como um desesperado e nenhum sinal na Terra poderia me parar. O que não foi a minha idéia mais esperta do mundo, já que pessoas também estavam de carro e não poderiam imaginar que um cara estava acelerando pela vida porque precisava bater em mortos. Até ser acertado por algo que fez meu carro girar e capotar, provavelmente outro carro. Depois de três giros, pude ouvir um grito.

"Meu Deus, o que eu fiz?" Não, eu não ia fechar os olhos porque não podia morrer, não quando a Rach precisava tanto de mim e eu tinha estragado tudo mais uma vez. Só que de repente eu me senti exausto, o dia movimentado e a noite passada que andamos no shopping realmente tinham me cansado.

Antes de fechar os olhos, senti meu corpo ser puxado pela janela e para fora do carro. Pisquei algumas vezes e vi um cabelo ruivo se materializar na minha frente. A safada da Stacey estava na minha cola, eu deveria ter previsto. Mãos delicadas e alvas seguraram meu rosto e um olhar me analisava com preocupação. Senti minha cabeça girar como numa roda gigante e uma voz fina e leve me falar.

"Aguenta firme, eu vou cuidar de você." A garota disse baixo, com medo de me assustar.

"Me solta, Stacey, eu previsto cuidar da Rach..." Falei num suspiro porque eu estava realmente com sono e ela me alisando não me ajudava a ficar acordado. O bom foi que ela me obedeceu e se afastou. Antes de agradecer ao céu por isso, vi os mesmos cabelos voltarem com algo nas mãos, um tipo de mala. Tremi um pouco. É, ela me tinha aonde queria e agora ia voltar a me torturar. Suspirei fundo porque eu merecia isso depois de ter deixado minha melhor amiga na mão mais uma vez. Que jeito filha da puta de morrer, sendo torturado pela primeira garota que amei e pensando no que a minha diva poderia estar passando... Senti uma corrente elétrica me percorrer o corpo e acho que entrei numa série de convulsões porque estava ouvindo a mesma voz me falar.

"Calma, você vai ficar bem, eu prometo." Disse segurando minha cabeça com força enquanto eu tentava não gemer de dor pra não morrer como uma mulherzinha. Olhei para o rosto na minha frente com uma expressão de calma e preocupada ao mesmo tempo. Fechei os olhos e tentei me concentrar em sobreviver até que ouvi sua voz doce cantarolar uma dessas canções que as mães usam pra fazer seus pivetes dormirem. Claro que aquela safada ia querer ser a primeira e última mulher que amei, eu deveria saber disso. E foi a última coisa que ouvi.

...

"Em que posso ajudá-la, Shi.., Susan?" Não é sadio brincar com mortos, eles já se sentem azarados o suficiente por não estarem vivos. Uma das muitas coisas que aprendi nesses anos.

"Eu que estou aqui para ajudá-la, Rachel." Ela falou simples e sorrindo, com os dentes brancos e claros e suas feições nórdicas me olhavam com um quê de curiosidade. Sim, ela era bonita e eu, mesmo sendo fiel aos meus sentimentos à loira mais bela do mundo, poderia perceber isso. O que não significa que eu sinta algo pela sua mórbida pessoa.

Ela ainda conservava sua beleza, mesmo não tendo um coração batendo no peito porque, diferente do que as pessoas acham, os fantasmas não nos assombram com seu visual de necrotério. Algo a que agradeço profundamente, já é insuportável ter que vê-los, seria enlouquecedor ver suas aparências destruídas também. Quero dizer com isso que eles voltam na sua melhor forma física, de quando estavam mais vívidos e vigorosos (por mais esquisito que possa parecer, é a verdade), o que não considero tão bom assim por outro lado, afinal, eles geralmente se usavam de seu porte e força para me bater, né? Isso eu descobri quando Chase, um cara do Texas, cruzou meio país para seguir seu assassino e acabou dando de tampas comigo e com Noah. O cara tinha sido decapitado por um outro caçador de tesouros ou o que fosse e veio nos pedir ajuda (claro, ameaçando nossa integridade física) e não apareceu segurando sua cabeça na mão como num desses fatalities sangrentos do Mortal Kombat. Não, simplesmente apareceu no auge de seu visual de caubói do velho oeste, com direito a chapéu e a esporas. Ou no caso do empresário Richard Walker, que morreu com uma salva de nove balas metralhadas no seu peito. Claro, o fato de uma pessoa ser feita de tiro ao alvo não diz algo muito positivo sobre seu caráter. É, ele não tinha um caráter para sentir falta quando passou dessa para a próxima, coisa que deixou bem clara ao quase nos matar afogados. Mas essas são histórias pra outra hora. O ponto é, nenhum morto vem dar um 'alô' vestindo o corpo que habitava na sua pior hora (a hora que os levou a deixar de habitá-lo, eu quis dizer), por isso essa menina estava como costumava, num aspecto tão vivo e sadio (se formos ignorar a palidez e tal) quanto o meu.

"E como pretende me ajudar?" Perguntei depressa. Não, mortos não tinham nada a me oferecer além de dor de cabeça e tenho uma lista quilométrica pra corroborar meu ponto de vista.

"As pessoas não andam sendo muito sinceras com você." Falou com um certo desinteresse, mas pude ver que ela estava se sentindo muito na sua pele, pelo menos ao ver minha expressão de choque.

"Do que você está falando?" Eu posso ter gritado um pouquinho, mas era a música alta de Santana que não me deixava ouvir minha própria voz. Só isso, não porque eu estava estressada.

"Bem, a sua namoradinha não foi sincera quando disse que morremos há três anos." Como, cacetes, ela sabia disso? Ou melhor, do que ela estava falando. "Nós morremos indo pra última competição das Nationals. E elas nos mataram porque estavam com medo de perder." Essa menina deve ter batido a cabeça muito forte quando morreu. Ou isso, ou bateram muito forte na minha cabeça mais cedo.

"Quem te disse isso?" Falei tentando não parecer muito afetada pelo fato de ter sido enganada pela garota que eu amo, quando ela pode ter algo a ver com esse festival de mortes todo e depois de quase dar minha virgindade de presente pra ela.

"Bem, foi a Stacey... Ela me disse que vocês se encontraram mais cedo na praia e a Quinn disse isso." Calma aí, por que aquela vagabunda estava fofocando sobre a minha namorada com os mortos que já queriam protegê-la? Comecei a andar como uma desajustada pelo meu quarto, no mesmo estilo de quando Noah me deu as notícias que mudaram minha vida no decorrer de um dia. "Além do mais, o seu melhor amigo estava com a Stacey até agora, não sei fazendo o quê..." Falou e olhou pras unhas, desgraçada!

"Do que, diabos, você está falando?" Gritei em sua cara pálida que só me sorriu satânica.

"Acho que seus coleguinhas não ligam tanto assim pros seus sentimentos, né?" Segurei-a pelo colarinho e rangi meus dentes pra ela ver que seu deboche ia acabar, pelo menos provisoriamente, com sua cara de pau e cheia de si. "Wow, calma aí! Tô aqui pra ajudá-la, lembra?" Disse segurando minhas mãos e aproximando seu rosto (que seria arrebentado já-já). "Por um estranho motivo, eu gosto de você" Foi o que teve a audácia de sussurrar em meu ouvido com aquela voz rouca. Antes que pudesse respondê-la, ouvi de longe algumas batidas na minha porta, que foi aberta e me virei pra ver quem era.

"Rach, posso entrar?" Quinn disse com a cabeça já dentro do meu quarto e eu fiquei vermelha pela posição que me encontrava com a abusada da Manson, segurando-a pelo colarinho de sua blusa de uniforme de torcida enquanto ela me olhava, rindo. Até que lembrei que a loira não podia vê-la e relaxei, empurrando a vadia pra longe.

...

Depois do momento que tive com minhas melhores amigas, me senti muito mais forte e confiante para encarar a Rach. Desisti de beber e resolvi subir e explicar as coisas pra ela, contar absolutamente tudo e todos os motivos que me levaram a não ter sido tão sincera com ela. E eu espero, mais do que tudo, que ela compreenda.

Subi as escadas com minhas energias renovadas e bati à porta, mas não obtive resposta. Ela poderia estar ao telefone ainda e a festa que a S. estava fazendo lá embaixo também não deve ter ajudado, o som estava realmente alto. Pensando nisso, entrei e falei com ela, para que soubesse que eu estava ali. A sua expressão que me recepcionou foi bem esquisita, admito. Culpa era algo escrito em sua testa e pude vê-la empurrar o ar. Com certeza estava segurando algum de seus fantasmas ali, o que me deu uma onde de raiva desumana ao pensar que, pela sua cara vermelha e embaraçada e pelo movimento que fez, ela estava agarrando alguém. Voltei ao meu modo operante que costumava usar na escola e me aproximei.

"Atrapalho algo?" Disse fria, olhando em seus olhos que talvez me passassem a mesma mensagem, o que me deixou um tanto quanto confusa. E se eu realmente estivesse atrapalhando?

"Não. Precisamos conversar, Quinn." Sua resposta foi fria e direta ao ponto e me virei, seguindo-a em direção a sua cama, onde sentou-se. "Você mentiu pra mim." Falou simples e eu não tinha palavras, não sabia como responder a sua acusação porque era verdade. "Só quero saber por que, Quinn. Eu fui sincera contigo e você não pôde nem me devolver a sinceridade. O que é? Não confia em mim?" De gélida sua voz passou a ser magoada, como se estivesse decepcionada comigo. Abaixei a cabeça porque eu também estava me sentindo desonesta. "Você teve algo a ver com aquilo?" Ela falou e levantei meu olhar para o seu numa velocidade fenomenal. Balancei a cabeça depressa, não, eu não tinha nada a ver. "Eu quero que seja sincera, Quinn, não vou te julgar." Terminou baixo e o fato de ela ter duvidado de mim me deu mais uma onda de raiva. Por mim, por ela pela situação. Eu deveria saber que as coisas nunca terminavam bem quando eu mentia (minha vida é uma história que prova esse fato diariamente) e não sabia por que eu tinha feito aquilo.

"Não, Rach, eu não tenho nada a ver com a morte dos três." Disse sincera e alto o suficiente, segurando seu rosto para olhar em seus olhos. O fato de ela ter tremido quando a toquei e sua expressão incrédula quando respondi a pergunta que ela teve medo de fazer me deram uma onda estranha de impaciência. "Eu não estava pensando no momento que disse aquilo, e eu os conheci, você sabe." Não, ela não sabia porque discordou com a cabeça. "Nós estávamos juntos no acampamento de verão quando viramos amigos, os seis. Todos tentando entrar pro time da Sylvester e acabamos andando juntos. Franz foi o primeiro garoto que beijei e..." Suas feições s fecharam numa raiva indescritível e ela agarrou com força o lençol de sua cama. "Ei, isso foi há cinco anos, não aconteceu mais nada depois disso. Até porque, foi com ele que a Santana começou a dormir pra evitar a Britt e tal." Isso e talvez o fato de eu ter acariciado seu rosto pareceram acalmá-la. "Nessa época, tínhamos doze anos. Só que depois desse acampamento, só eu e as meninas conseguimos entrar para as cheerios, eles ficaram de fora. Continuamos nossa amizade até que eles mudaram de escola e entraram para o time de torcida de lá. Isso faz um pouco mais que três anos, foi quando deixei de considerá-los meus amigos, não por esse fato isolado, mas por terem tentado nos sabotar inúmeras vezes. Principalmente a Susan que resolveu passar trotes pros meus pais dizendo que nós três éramos perdidas e promíscuas. Aquela cadela!" Pude ver a Rachel olhando pra frente, não mais em minha direção, com raiva nos olhos. "O que aconteceu com eles foi um absurdo, Rach, mas eu seria incapaz de fazer isso. Por mais que eu os tenha cortado da minha vida, eu não mataria um ser humano. Você acredita em mim, certo?" Parei para olhar nos seus olhos com tudo que tinha, ela tinha acreditar em mim ou eu nem sei o que faria. Ela passou sua mão no meu rosto e me balançou a cabeça assentindo, sorrindo doce novamente e eu sorri de volta. "O problema é que a S. era a capitã do time e, dado o fato dos freios do ônibus terem sido cortados e eles poderem ser a única real competição ali, a culpa cairia sobre ela. Eu precisava protegê-la, Rach, eu espero que você entenda e me perdoe por ter mentido, eu..." Não terminei de falar porque seus lábios me beijaram docemente. Fechei os olhos e suspirei, ela acreditava em mim. Sorri quando a vi me sorrindo também.

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"Eu acredito em você, baby." Falou certa e passando sua mão em meu rosto, enquanto seu sorriso ia abrindo-se mais e mais, como um jardim florescendo. Não me contive e agarrei-a em meus braços, girando-a no ar. Ela riu feliz e ri também. Até que a coloquei no chão e dei-lhe um beijo de verdade, desses de língua e tudo mais, beijo esse retribuído por ela. Quando terminamos, levemente ser ar, abri os olhos e sorri em sua direção. Mas me assustei ao vê-la virar o rosto pra mim. "Cala a boca!" Foi o que gritou e eu fiquei perdida no mundo, como o Finn. Por que ela estava gritando assim comigo?

"Rachel..." Tentei chamá-la, mas ela não me olhava. Até que entendi que sua fúria estava sendo dirigida para outra pessoa no quarto. Talvez a mesma de mais cedo. Olhei em volta procurando por algum sinal ou o que quer que fosse. Enfim eu vi o laptop cor de rosa da minha morena voando em minha direção. Antes que eu pudesse desviar ou ser atingida, ela me jogou no chão e ouvi o barulho do aparelho se destruindo na parede atrás da minha cabeça. Dizer que eu fiquei mais do que assustada com isso é meio pouco, mas bem, eu fiquei.

...

A vagabunda da Shirley resolveu atacar minha namorada e ia pagar por isso. Além de ser uma piranha, era mentirosa e ameaçou minha garota. Não só depois de morta, mas viva também. Aquilo não ia terminar bem pra ela, claro que não, mas primeiro eu precisava pensar no bem da minha ex-cheerio.

"Quinn..." Agachei ao seu lado, chamei-a e vi seu rosto confuso e assustado. Praguejei a vida e a morte por ela estar nessa posição. "Baby, desça e saia daqui, por favor." Falei o mais doce que pude e cheguei a vê-la discordar com a cabeça.

"Não, Rach, eu vou cuidar de você..." Falou em um sussurro, provavelmente apavorada ainda pelo fato de meu notebook ter tentado atingi-la com vida própria. Antes que pudesse respondê-la, a cachorra dois apareceu na janela.

"Ora, Su, nem me convida pra essa festa?" Foi o que Megan Fox disse, me fazendo virar na direção delas. Levantei-me e fui pra cima de suas desagradáveis presenças. O que quer que pensavam em fazer com a Quinn, teriam que passar por mim antes. Um pensamento que elas dividiam e pareciam gostar dele, pois quando dei por mim, estava colada na parede com a morena Fox me enforcando. "Olá, Rachel." Puta!

Chutei seu joelho e me libertei, mas antes que pudesse salvar Quinn, os meus livros voavam em minha direção com os troféus e a mesa também levitando, as piranhas ainda estavam desarrumando meu quarto e mexendo nos meus prêmios, elas não perdem por esperar. Tentei desviar de tudo que era jogado em minha direção (esses inúteis aprenderam a usar a telecinética num péssimo momento. Que maldita falta de sorte). Isso tudo enquanto Ke$ha profetizava o futuro da minha casa ao cantar seu infame refrão 'this place about to blow'. Pois é, ela não estaria tão certa nem se virasse cartomante.

Notas finais
Comentem, please. Façam uma criança feliz. hihihi.