Sexta-feira
1 Oneshot
Sextas-feiras.
Eu amo sextas-feiras. É um dos dias mais movimentados e satisfatórios da semana.
Me chamo Sakura Haruno.
Sou dona de uma cafeteria no centro da cidade e neste momento, estou exausta e um pouco frustrada.
Era fim de sexta e o movimento havia sido ótimo, como sempre, mas eu não podia ignorar um problema latente que eu mesmo havia arranjado: Sasuke Uchiha.
Ele é meu amigo de infância e atualmente anda passando por alguns problemas financeiros enquanto se divorcia, então ofereci a ele um cargo como atendente no meu negócio.
Mas as coisas estão indo de mal à pior.
Não vou negar, por Sasuke ser muito bonito, a clientela feminina andou aumentando, mas em contra partida tenho perdido muitos outros clientes.
Ele pode até ser bonito por fora, mas não precisam muitos minutos para Sasuke demonstrar que não é tão belo assim por dentro. De fato, ele é grosso, mal educado, impaciente... A lista de defeitos dele é interminável.
E hoje foi a gota d’água! Após ter atendido mal o “clube do chá das cinco”— cinco senhorinhas que frequentam a cafeteria toda sexta-feira para uma hora de chá e tricô — (eu provavelmente nunca vou conseguir recuperá-las, nem com chá de graça), Sasuke me veio com a ideia de pedir uma promoção.
Ele quer ser gerente.
Pedi para que esperasse a hora de fecharmos, e só então conversaríamos.
E agora, que finalmente limpamos o lugar e as portas estão devidamente trancadas, eu estou sendo obrigada a sentar frente a frente com ele para demiti-lo.
Eu poderia simplesmente estar em casa, descansando, mas é claro que as coisas não podem ser tão simples.
— Sasuke, você não vai ser gerente – Fui direta, como sempre, desde que o conheço.
— Por que não? – Ele pareceu irritado com a minha negação.
— Por que você não é bom com público de maneira nenhuma, nem atendendo, nem resolvendo problemas de atendimento ou trabalhando com meus fornecedores. Eu não quero perder meus contatos porque você xingou a mãe de alguém – Expliquei, também nervosa, deixando-o sem argumentos.
É claro que ele não teria como me contradizer. Eu já vi acontecer antes. Fora esse motivo pelo qual ele fora demitido no emprego anterior.
E se ele não desistisse da ideia absurda de ser gerente, seria demitido por mim também.
Suspirei, colocando a mão no rosto para esconder minha irritação. Suspirei de novo.
Sasuke e eu sempre fomos grandes amigos e eu realmente queria ajuda-lo, mas para isso ele precisava me ajudar também.
— Eu posso te dar um aumento de 10% para ajudar com o advogado e isso é tudo o que eu posso fazer por você, por enquanto – Eu disse, complacente, me levantando sem olhá-lo, mas sabia bem que ele me encarava com os olhos semicerrados.
Ele era orgulhoso demais para aceitar sem merecer.
Bom, não é como se tivesse outra escolha, uma vez que teria ainda mais problemas em divorcia-se da ex-mulher.
— Sakura... – Ele me chamou com a voz baixa, quando eu já estava de costas, pronta para sair.
É difícil para ele entender que eu só quero ir pra casa? Ainda teríamos todo o final de semana pela frente e eu tinha de pensarem alguma promoção ou prêmio para reaver a clientela perdida.
— O que você quer Sasuke? – Perguntei grossa, por ele já ter me roubado toda a paciência.
Virei-me para encará-lo. Seu olhar parecia meio pendido, cansado.
Eu odiava vê-lo nesse estado, mas não poderia arruinar meus negócios por causa dele.
— O que eu quero? Eu não sei bem – Afirmou, também se levantando — Eu queria ter ouvido meu pai e não ter me casado com aquela maldita – Se aproximou um passo para onde eu estava. Seus olhos negros cansados pareciam ter ganhado um brilho raivoso.
Observei meu amigo dar mais um passo em minha direção.
Ele ainda não havia terminado.
— Eu queria poder pagar um advogado descente que conseguisse resolver esse divorcio logo – Disse, talvez falando do aumento que eu havia lhe dado. Era claro em sua expressão que ele não estava feliz com os 10% indevidos.
— Eu queria poder voltar no tempo e nunca ter conhecido ela – Cuspia as palavras ao mencionar Karin. Sua expressão era de nojo.
Cada uma das frases era seguida por um passo dele mais próximo de mim. Logo, nossa distancia já era mínima.
Eu não me afastei por não ter motivos para isso. É claro, porque eu não imaginava o que Sasuke faria a seguir.
— Eu queria ter ouvido meu coração quando você se declarou pra mim no ensino médio e me casado com você. – Completou, e então me pegou num beijo de surpresa.
Um beijo roubado.
Tal qual eu havia lhe dado no 3º ano do ensino médio.
E fui rejeitada no segundo seguinte.
Tive uma vaga lembrança daqueles tempos... Eu realmente o amava.
Havia até mesmo me candidatado a uma vaga no mesmo curso e universidade que ele, apenas para ficarmos juntos... Então decidi me declarar e levei um pé, logo em seguida.
Eu era e pra sempre seria “A Amiga”.
Desisti de tudo no momento seguinte, comecei a trabalhar para juntar dinheiro e montar meu próprio negócio. Esqueci-me de Sasuke e acabamos por perde contato.
Até ele precisar de ajuda, e agora trabalhar para mim.
Aquela enxurrada de memórias me fez ficar estática, dando oportunidade a ele de me roubar mais outro beijo.
Mais uma vez eu o empurrei. Eu o conhecia o suficiente para saber o que ele estava fazendo.
— Se está fazendo isso só porque quer a promoção, está indo pelo caminho errado. – Afirmei, num fio de voz. Eu tentei parecer brava, mas meu corpo não estava tendo as reações devidas.
— Eu sei. – Disse, sorrindo maroto e mais uma vez tomou meus lábios à força.
Mais uma vez eu o empurrei, confusa.
— Por que está fazendo isso? – Perguntei, meio sem fôlego.
Sasuke dá uma risada nasalada. Seus olhos negros me encaravam com volúpia.
— Porque eu perdi tempo demais evitando você. – Afirmou, puxando-me para um último beijo.
E neste, eu permiti que ele aprofundasse. Um beijo profundo, doce, que seguia enquanto trocávamos leves carícias, enchendo-me de sensações e lembranças.
Um beijo foi longo e lento que eu não queria que chegasse ao fim.
Mas como pode notar, nada acontece como eu gostaria.
Ofegantes, nos separamos com hesitação.
Ele fez menção de me beijar novamente, mas eu o conhecia bem e sabia onde tudo isso poderia acabar e eu não estava disposta a ir tão longe.
— Espera, Sasuke – Pedi, segurando seus ombros e obrigando-o a me olhar.
— O que tem de errado? – Perguntou meio desgostoso, enquanto fazia um leve carinho nos meus cabelos róseos.
— Nada... Só vai com calma, ok? – Eu disse, respirando fundo e fechando os olhos por um momento, mas não pude segurar meu sorriso. – Eu vou pra casa agora. Você pode fechar a loja? – Pedi, piscando meus grandes olhos verdes para ele.
Sasuke murmurou alguma coisa, contrariado, mas por fim sorriu e assentiu com a cabeça, me dando um breve selinho logo em seguida.
Sorri e segui meu caminho para a porta de serviço, mas me virei uma vez mais antes de ir para casa.
— Sasuke – Chamei, para ter sua atenção – Você continua não sendo gerente. – Afirmei, sorrindo, para que ele entendesse que no trabalho nada tinha mudado.
Ele sorriu de lado e balançou a cabeça negativamente. Ele sabia que eu não tinha muito feeling para dizer certas coisas.
Talvez ele estivesse esperando ouvir algo mais romântico. Algo sobre os meus sentimentos adolescentes. Mas ainda era cedo demais para alguma coisa do tipo.
— Não tem problema – Afirmou e deu uma pausa para me olhar – Agora eu tenho tudo o que eu queria – Completou me dando uma piscadela.
É, eu definitivamente amo sextas-feiras.
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