Notas iniciais
Espero que tenham tido um bom natal e começado o ano novo muito bem. One simples e rápida só para matar a saudade do casal ♥ Espero que gostem.

– Atrasada – girou os olhos. – De novo.

– Como sempre chegando mais cedo que o combinado, para depois ter a satisfação de me culpar com um atraso que você planejou. – Hermione esboçou um sorrisinho que não era sincero, mas não totalmente irônico, mas para Draco, realmente raro de se ver. – Sério Malfoy, achei interessante na primeira vez, mas agora que tal tentar ser um pouco mais original?

– Granger, você é patética dando indiretas. – Draco ajeitou a perna em uma posição confortável e que não ficasse tão exposto ao frio. Granger insistia em se encontrar na Torre de Astronomia absurdamente fria, porque como ela dizia, ajudaria a superá-lo seus “traumas internos”. Mas eram tantos...

Ela se sentou ao lado de Draco, mas não muito perto e isso era um avanço no “relacionamento” deles. Entretanto, a aproximação dela foi a ele uma corrente de ar quente que o levou a memória de quando começaram a se encontrar pela primeira vez.

– Ei, que tal jogarmos um jogo hoje? – ela perguntou olhando para o nada e já esperando uma resposta completamente negativa dele.

– Hoje é sexta-feira. O dia que eu mais odeio entre todos e jogar não vai me animar. – a voz dele era sempre tão carregada de frustrações, peso e sentimentos que Hermione pensava que nunca iria conseguir desvendar. Era simplesmente frio e sexy? Cada palavra que saia de sua boca fina era um desafio de comunicação para ela.

– Eu gosto de sexta.

– Claro, é o dia que todas as pessoas bem relacionadas com suas vidas sociais se divertem. Como se você fosse obrigada a ir na biblioteca para não se sentir sozinha, Granger.

– Você que é odiado por tudo e por todos, não eu – Draco não expressou nenhuma reação de desconforto ou que estivesse magoado, mas Hermione jamais teria percebido se não fosse por seu movimento automático de olhar o teto e soltar o ar de forma devagar. Em seguida pegou a garrafa de hidromel do casaco que tanto a irritava.

– Desculpe, Malfoy. – em seguida protestou contra a bebida.

– Você não pode me impedir de tudo. Preciso de álcool para não morrer de tanto ódio em volta de mim, como você mesma disse.

Ele a encarou de propósito de forma penetrante e Hermione não conseguiu sustentar o olhar de um garoto completamente fodido na vida em cima dela.

Draco não era conhecido por sua paciência, por isso resolveu ceder a vontade dela e jogar o “joguinho”. (Claro que, se ele soubesse que ela sorriria de forma terna, teria aceitado tudo aquilo bem antes.)

– Então, eu digo uma palavra e você me diz o que ela significa para você – Malfoy instantaneamente girou os olhos e bufou. – Pode ser divertido, nem comecei... Mas só pode expressar o significado com apenas uma única palavra, certo? Hum...Grifinória?

– Clichê.

Hermione quis rir descontroladamente, mas não quis perder a oportunidade de acalmar a curiosidade, que palpitava dentro de si a cada instante em que Malfoy levanta mais um gole de hidromel nos lábios.

– Sonserina...?

– Legado.

– Inverno?

Draco achou tão estúpida esta que disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça:

– Casa. – a garrafa de hidromel já estava quase no fim. Ela não resistiu em perguntar:

– Álcool?

Draco bufou.

– Alívio.

– Poder...?

– Essencial.

– Dinheiro?

– Topo.

– Hogwarts?

– Erros.

– Felicidade?

– Vazio.

– Hum... Prazer? – Hermione disse aquilo nas melhores intenções, esperando que ele respondesse algo como leitura ou Quadribol, mas Malfoy era simplesmente Malfoy.

– Sexo. – as bochechas dela ficaram avermelhadas no mesmo instante e ele controlou a vontade imensa que teve de beijá-la e rir ao mesmo tempo.

Era incrível como algumas pessoas poderiam ser tão inocentes, Draco pensou.

Hermione pigarreou, demorou alguns instantes para tomar o rumo da conversa normalmente, mas depois continuou, porém mais apta a provoca- lo.

– Pansy Parkinson — ela soltou extremamente confiante de si.

Draco pensou seriamente em dizer “gostosa” ou qualquer outra coisa do tipo, mas seria desconfortável demais para “a inocente Granger”, então optou por ser mais sutil.

– Distração. – porém sua voz saiu mais maliciosa do que pretendia.

– Diversão?

– Weasley. – imediatamente Hermione entendeu a “piada de mal gosto” e retrucou:

– Torre de Astronomia.

Draco lançou a Hermione um olhar ofendido e começou exclamar variados palavrões.

Maldito Malfoy. Nunca vai superar isso. Qual o problema em seguir em frente?

– É só uma brincadeira. Você precisa começar a relevar umas coisas.

– Você é previsível até demais, Granger. Acho que você não gostaria se eu perguntasse se ser trouxa tem alguma diferença na forma que as pessoas te tratam ou se o Weasley não assume o interesse por você porque ele simplesmente é cego?

– NÃO, MALFOY! Ser trouxa implica exclusivamente na perda do seu interesse por mim.

– Você é ridícula.

– Não sou eu a problemática aqui.

– Não sou problemático! Você é quem precisa consertar as pessoas para o seu mundinho não ficar tão vazio e sem graça de vez em quando. Não sou eu o maníaco por controle, aqui.

– Não seja absurdo!

– Você não tem que me consertar, Hermione – foi uma pena ele ter dito o nome dela pela primeira vez com tanto desdém. – Pra que? Já estou totalmente fodido como você gosta de lembrar!

– Você deveria parar de ter tanta pena de si mesmo, Malfoy! – Hermione já estava completamente enfurecida e uma onde de calor passou por todo seu corpo quando viu Draco juntar suas coisas prestes a deixá-la falando sozinha. – Isso mesmo, Draco! Corre! Fuja seu covarde. Idiota.

–

Nos dias que se seguiram, Draco repassava cada detalhe de Hermione gritando com ele, controlando, e no fundo, queria ter tido chance de mostrar que poderia, sim, encarar as coisas. Que não era um covarde, não poderia ser.

Eu estou louco por ela, pensou. Ou louco por causa dela.

A voz de Hermione ecoava em sua cabeça e até dar uns goles em sua garrafinha não tinha mais graça. E agora, definitivamente, nunca mais voltaria para aquela Torre de Astronomia maldita. Nunca mais.

Pensar em Granger o fazia duvidar de quem ele era. Seus propósitos não eram esses. Mas seu consolo era que pelo menos ela, ele não deixaria passar, não deixaria ir. A Granger fazia parte dele. Foi unicamente por ela que ele sentiu uma dose de alivio todo esse tempo.

Até que, enquanto andava sem rumo ou procurando um, alguém esbarrou violentamente em Draco e ele instantaneamente reconheceu o bolo de cachos castanhos contra si. Seu coração quase saiu bela boca e ele se recompôs antes que Hermione percebesse seu estado deplorável nos últimos dias sem ela.

– Olha só. Malfoy.

Pensou em um milhão de palavrões sacanas e piadinhas para soltar em cima dela, mas notou que não tinha a mínima energia para isso.

– Granger. Como tem... passado? – Draco perguntou odiando como de uma hora para outra estava se sentindo melhor.

– Esperando não tão paciente você vir se desculpar comigo, afinal. – Hermione arqueou as sobrancelhas e cruzou os braços.

– Eu pedir desculpas? Acho que só agora estou conseguindo perceber seu senso de humor, sabia? – ele quase sorriu.

– Engraçado você ter tido isso. Pelo o que eu saiba eu não posso ser tratada normalmente pelas pessoas porque sou... hum ...trouxa?

– Droga, cala a boca.

De forma incrivelmente inesperada, Hermione recebeu seu primeiro beijo de língua quando Draco a pegou pela nuca e a jogou contra parede beijando-a de forma possessiva.

Ela não sabia o que fazer. Ficou entre surpresa, feliz, constrangida e não preparada para aquilo. Deu o melhor de si e estranhou quando a língua dele entrou em sua boca com uma sensação muito gostosa.

Claro que Hermione sabia que Malfoy não era o tipo de pessoa que se contentava com beijos “doces” e “ternos.” A mão dele estava já em suas costas e descia lentamente até sua cintura provocando arrepios em todo seu corpo. Quando se separaram, Hermione soltou um suspiro e olhou nos olhos cinzentos e se perguntou por que diabos ele demorara tanto para fazer aquilo.

Puxou Malfoy pela gravata e colocou as mãos em seus cabelos louros platinados e dessa vez, ela o beijou.

Ele estava adorando aquilo tudo. Nas milhares de vezes que pensou em beijá-la, imaginou que ela se assustaria, bateria nele e acabaria.

Assim estava muito melhor.

Em um impulso tocou na coxa dela. Hermione pareceu sutilmente gostar. Sua pele morena era incrivelmente macia e ele se controlou para não ir rápido demais mesmo querendo aquilo com uma dedicação que nunca tivera em outra coisa na vida.

A sensação de tê-la mais viva do que nunca em seus braços, era confortante e desesperador. Poderia seguir com aquilo sempre, mas sabia que jamais seria simples assim.

O instante se seguiu e Hermione fora de si, os direcionou até a sala precisa. Draco sorriu, a carregou pelas coxas e a deitou na cama. Ele não se importaria se não acontecesse nada.

Ela estava totalmente sem controle, deixando os fogos de artifício se explodirem em seu peito e guia-la para um mundo tão impulsivo que chegava a ser certo.

Todos os pensamentos conscientes e reprendedores simplesmente se repeliram da mente de Hermione.

Por que não se permitir fazer o que mais deseja sem pensar nas consequências? É assim que as coisas acabam valendo à pena. Quando nós permitimos sem hesitar.

– Quer parar? – Draco perguntou em meio à falta de ar que Hermione lhe causava.

– Não. Eu quero – Hermione se orgulhou de sua voz ter saído decidida e quase sexy. Era assim que ela queria que ele se lembrasse dela.

Malfoy tirou a camisa e ela passou as mãos macias em cima de seu peito branco. Ele fazia aquilo porque não queria apenas existir, mas se permitir, sem medo, a sentir. Hermione seguia seus extintos, buscava aproveitar essa pessoa que era com Draco, porque apenas ele sabia fazê-la se sentir daquela forma: absoluta.

Draco aos poucos tirava as roupas dela e as dele, e na mesma proporção, preenchia algo dentro dela que Rony nunca fora capaz durante esses seis anos.

Ele que consertava Hermione a cada toque.

Ela o envolveu um pouco mais com as pernas.

– Estou pronta. — Hermione disse em um fio de voz.

– Tem certeza, Granger? – ele perguntou mesmo querendo muito que ela dissesse sim.

Granger pensou por um momento, mas de fato não queria amarelar ali na hora e estragar tudo.

– Sim.

Draco encarou aquilo como uma incerteza.

– Você não precisa, se não quiser. Podemos parar.

– É o que eu quero.

Draco a penetrou de forma mais lenta possível. Hermione ficou um pouco tensa, contraiu o corpo, achando um pouco desconfortável, mas logo relaxou quando ele sussurrava coisas que deixavam suas pernas ainda mais bambas.

Não conseguia parar de pensar que, ele a tocava como se conhecesse seu corpo a vida toda. Sabia o que dizer e por mais incrível que pareça, Hermione sentiu que nunca poderia ter sido diferente.

Que deveria guardar aquilo em seu peito e nunca deixar esse instante ir embora.

Assim que terminaram, Hermione pensou que seria o diálogo mais estranho de sua vida, mas após alguns momentos, acabou dormindo tranquilamente.

Draco olhava o rosto sereno ao seu lado.

É sexta-feira. Fria e chuvosa, pensou. Mas com Granger.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!