Sexo, Escola e Rock And Roll

19 Vida cruel, duras decisões


Notas iniciais
* Versão de Allen Johnson *

Uma bela manhã de domingo, o brilho avermelhado do sol alvorecente iluminava o meu apartamento, onde eu tranquilamente buscava pelo meu livro de química.

— PAAAAAI! Você viu o meu livro de química, caramba? Preciso estudar. Estava aqui! Se alguém tiver tirado do lugar eu juro que...

— Acho que você deixou no carro, da última vez em que foi almoçar com ele.

— Deixei, é? Em qual deles, que não me lembro?

— Ah, pergunta de prova. Olhe nos três, por via das dúvidas. — Ele jogou a chave para mim.

Achei o livro dentro do novo Camaro que meu pai humildemente havia comprado à vista de um amigo que era vendedor de imóveis. Mas, quando eu ia pegando o maldito, uma folha caiu de dentro dele. Li as pequenas letras cursivas e em cor de sangue.

— Jackie, preciso te contar uma coisa, promete que não fala para o Allen?

Opa.

Olhei a primeira página do livro, onde havia uma princesinha de coque desenhada em caneta vermelha. O livro de Bel?

Estava prestes a ligar para ela, mas o conteúdo do bilhete não saía da minha cabeça. O que será que eles não podiam me contar? Meu aniversário só seria 5 meses depois.

— Ah. Uma espiadinha não faz mal. Não deve ser nada demais.

"Jackie, preciso te contar uma coisa, promete que não fala para o Allen?

Depende. Você sabe que ele também é meu amigo.

É o tipo de coisa que precisamos esconder para o bem dele.

Bom, fala o que é, de qualquer jeito.

Sabe, naquele dia que a Sabrina passou mal na Educação Física? Pois é... eu vi uma coisa meio que... surpreendente.

Não me diga que ela carrega bichos de pelúcia contrabandeados na mochila.

Idiota. É sério. Bom... você jura, jura mesmo que não conta pra NINGUÉM?

Não era só para o Allen?

Pra ninguém.

Ok, fale.

Não fique com raiva da japinha e nem da loira.

Prometo. Ou não.

Elas meio que estão... muito íntimas.

Ah, tem medo que ela roube nossa amiguinha?

Quieto. E se não percebeu, considero a Sabrina minha amiga também. E não é desse tipo de intimidade que estou falando, se é que você me entende.

...olha, eu pensei muito, mas não consegui chegar em ponto algum.

Acorda! Elas estão tendo um caso!

...

Não vai dizer nada sobre isso?

Sobre o que?

Não me enrola.

Não tenho nada para falar. Só espero que elas sejam felizes juntas. Pelo menos não tem risco de nenhuma das duas engravidar.

Jack! Deixa de ser insensível! Não vê o que isso poderia causar?

Er, não.

O Allen gosta da Maria. Está me entendendo? Se isso der confusão, como ficamos? E eu sei que você vai achar bobagem, mas eu tenho muito medo de perder minhas amizades. Principalmente agora que estamos construindo uma coisa legal juntos.

Você diz a banda? Por que isso daria em confusão?

Olha, nos falamos depois. O professor já está nos olhando feio.

Até mais tarde, então."

Eu não tinha palavras. Pensamentos, ou nada do tipo.

Maria e Sabrina? Minha Maria e Nossa Sabrina? Era algo como... bolo de arrão com macarroz, não dá.

Não era como se eu estivesse deprimido. Eu não sentia nada, além de choque. Pelo menos no início. Depois, se transformou em raiva por terem escondido tudo aquilo de mim, e em algumas gotas de lágrimas. Revolta com o mundo, e um pouco de arte em cores desarmônicas.

É, Álvares*. A sua musa não gostava de você? A minha além de não gostar de mim, ainda gosta de mulher e está namorando uma. Toma essa, amigão.

Toma essa, eu.

Fui até a minha cama, e dormi de novo até a hora do almoço. Acordei, com vontade de comer um prato de macarroz.

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Fotos

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