Sexo, Escola e Rock And Roll
12 Caridade absoluta
Notas iniciais
Um dia congelante, depois da geada. Cinco e quinze da manhã. Mochila pesada. Andar na rua sozinha.
Um dia comum na minha preciosa vida.
Depois de pegar múltiplos ônibus, acompanhados de engarrafamentos e chuva, cheguei à escola. Allen, Maria e Jack estavam na entrada, olhando para um quadro verde cheio de papéis coloridos.
— O que estão olhando?
Os três me ignoraram. Puxei o cabelo de Jack. Depois de alguns segundos, sua cabeça girou roboticamente para minha direção.
— B-bom d-ia. — Beijei-o delicadamente. Seus lábios estavam gélidos.
— A-ah, o-oi B-bel. — Allen voltou-se para mim.
— O-ohay-ou.
Eu tinha esquecido que meus amigos era uns friorentos frouxos.
— Se estão com tanto frio, por que não vão para a sala?
— A-ah. Estamos olhando o quadro de aniversários.
Encarei o quadro. Havia as divisões dos meses, com os aniversários das pessoas do ensino médio espalhados por eles. Vi nomes conhecidos. "Isabel Rigardi Agarelli — 13 de novembro". "Maria Yukai Kouto — 15 de dezembro". "Allen H. T. P. L. Johnson — 21 de agosto". "Jackson Ernest McMiller — 01 de janeiro". Mas o que mas me chamou a atenção foi o espaço daquele mês. "Sabrina Svarowski van Gerard — 25 de fevereiro".
— Quer dizer que a loira — Sim, ela evoluiu — faz aniversário hoje. — Observei.
— Pois é. Estávamos meio que pensando em uma coisa... — Os três voltaram-se para mim. Começamos a andar até a sala.
— Digam.
— Vamos levá-la para algum lugar. Já deve ter um tempo que ela não se diverte de verdade. — Maria tinha uma voz sincera.
Respirei fundo.
— Só se o Allen pagar.
— É claro que ele vai pagar. É o único que tem dinheiro aqui. — Olhamos para ele.
— Vocês só me dão prejuízo. Só porque moro no Centro não quer dizer que tenha dinheiro.
— Ah, não. Porque uma pessoa sem grana pode muito bem pagar por um apartamento de 300 m² que custa zilhões de reais, e porque todos podem ter uma Mercedes E uma BMW na garagem, com um motorista para cada uma. — Minha casa de férias, dona Yukai.
— Pra sua informação, despedimos o outro motorista. E era uma dos apartamentos mais baratos de lá, foi uns 2 milhões.
Fizemos questão de bater nele bem forte.
— Vocês que começaram! Idiotas.
— Então, para onde vamos levá-la? — Jack finalmente se manifestou.
— Pensei em irmos no Zefir's Armazens.
Allen adorava jogar na nossa cara que podia pagar 90 reais para comer no Zefir's.
— E será que ela vai aceitar? Pode ser aquele tipo de pessoa alérgica a burguesia. — Opinei.
Fizemos o mais simples. Fomos até ela, demos os parabéns e convidamos-na. Ainda bem que tínhamos a cara-de-pau da Maria para fazer esse tipo de coisa.
— O Zefir's não é aquele restaurante caro que fica no Centro?
Ela não sabia de nossa arma secreta. Empurramos Allen para sua frente. Ele sorriu e acenou.
— Pois é, eu que vou pagar por tudo.
Os olhos da loira se arregalaram sutilmente.
— Está brincando? Tem ideia de como aquele lugar é caro?
— Erm... na verdade, eu costumo almoçar lá toda semana... — Ele deu um sorrisinho amarelo.
— Pois é. Apesar de não parecer, esta coisa aqui tem uma continha milionária. — Maria se queimava de inveja. Sempre quis ser rica. Bom, eu também não reclamaria.
Ficamos em silêncio por um minuto.
— Mas se você tem tanto dinheiro, por que não estuda em uma escola melhor?
Grilos.
— Não sei. Estudo aqui desde que me entendo por gente. Essa escola é boa, apesar de ser pública. Costume, talvez.
— E está tudo bem para você pagar isso tudo num almoço para nós?
— Eu já falei com meu pai. Ele achou ótimo "ir a um local de qualidade com meus companheiros".
— Ah, sim. O pai de Allen tem ações em várias grandes empresas. Fora que é muito gostoso para alguém de 40 anos.
Tive uma crise de náuseas.
— Que nojo, Maria! Não se refira ao meu pai com adjetivos que uma garota usaria para definir o Jack. Eca...
— Tá chamando ele de gostoso, é? — Ela adorava fazê-lo sofrer. Ele corou e se irritou.
— Não, caramba. Eu só estou usando a opinião geral. — Realmente. Jack era muito gostoso. Mas esse não deveria ser o assunto principal.
— Sabe, eu continuo aqui. E Allen, obrigado pelo elogio. — Ele bagunçou o cabelo do baixinho, que ficou emburrado. Rimos.
— Ignore esses idiotas. Então, você topa ir? — Perguntei à loira, que nos observava com um olhar de interrogação.
— Olha, não sei se me sentiria confortável com você pagando por tudo... — Ela olhou para Allen.
— Se isso faz você se sentir melhor, parte do meu dinheiro vem do que você gasta no McDonald's.
Ela pensou por alguns instantes.
— Tudo bem, eu vou. Ahm, isso é quando?
— Hoje, naturalmente. — Respondi por todos, que concordaram através do silêncio. — Que tal irmos ao estúdio do seu namorado depois? Combinamos isso há alguns dias, então acho que está tudo bem, certo?
— Ah, claro. Se estiverem dispostos, tem uma casa de jogos aqui perto. Abre às 16 horas. Que tal irmos à noite?
Nos entreolhamos.
— ...Que tipo de casa de jogos é essa exatamente?
Ela riu com o olhar — já que sua expressão geral era, como sempre, indiferente.
— Não, não. Não é nada disso que vocês estão pensando. Acho que usei um termo antiquado. Quis dizer que é como um fliperama.
— Fliperama?! Eba, oba, vamos, vamos? Podemos?? — Algum casal de baixinhos estava bastante animado para jogar.
— Quietos. — Jack fez sua voz de Capone, e os dois se calaram. — A hora nos dirá se será possível, tudo bem? — Que formalismo.
— Capisci. — Não pude deixar de pensar em algo como "papéis invertidos". Parece que os outros também pensaram nisso.
— Você falando assim parece com a Bel quando chegou nessa escola. Falava que nem aquele pessoal de Passione.
Eram mesmo uns imbecis.
— Ah, claro. Porque dá para adquirir muito sotaque tendo vindo da Itália com 5 anos de idade.
— Pior que dá. Você tinha. Na verdade até hoje tem um pouco. — Allen riu.
— Ah, é mesmo. Você é italiana de nascença, não é, Isabel? Percebi que tinha um pouco de sotaque, mas não sabia de onde. Seu sobrenome também...
Ótimo. O papo era minha nacionalidade agora. O sobrenome dela era polonês/alemão/russo/[insira nacionalidade da Europa Oriental aqui], e nem por isso ela falava [insira idioma complicado aqui].
— Não sei como ela conseguia entender as aulas... E como fez tantos cursos logo que chegou aqui.
— Mas na idade dela estava bom para aprender.
Bem, já que era para saber da minha vida...
— Já que estão todos falando de mim, então vão escutar sobre mim. Isabel Rigardi Agarelli, nascida em Napoli, Italia, — Fiz questão de falar tudo em italiano. — no dia 13 de novembro de 1994. 1,65 m, 56 kg, minha comida favorita é Nhoque Bolognesa. Gosto de animês, e não vivo sem assistir Hetalia e Tsubasa Chronicle. Felizes agora, bando de stalkers?
Todos me olharam, sérios.
— Isso ficaria melhor num quadro de apresentações...
— Enfim, a aula vai começar. — Eles foram até seus lugares.
Idiotas... começavam a falar de mim e depois faziam isso.
Também fui até minha carteira. Até tal instante, tudo em seu devido lugar.
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Leitores, aproveito a apresentação de Isabel — feita por ela mesma — para fazer um mural de dados dos outros protagonistas. Não, não vou arranjar mais situações forçadas para fazer esse tipo de coisa...
Allen H.T.P.L. Johnson
Porto Alegre, RS — 21 de agosto de 1994. Podre de rico, o pai é um acionista sortudo. Por parecer com o Misaki de Junjou Romantica, frequentemente tem sua masculinidade testada. Consegue gostar muito de alguém e nunca demonstrar tudo o que sente. Tem 1,63 m de altura e pesa 57,5 kg. Sua comida favorita é lagosta à thermidor.
Maria Yukai Kouto
São Paulo, SP — 15 de dezembro de 1995. Nikkei, aprendeu japonês com seus familiares. Vive em uma família um tanto diferente — descobriremos mais depois, hehe. Sua comida predileta é anko-mochi*. Mede 1,58 m de altura e pesa 47 kg. Era sempre chamada de "anã", mas foi mais respeitada depois de revelar-se karateca experiente.
Jackson Ernest McMiller
Rio Branco, AC — 01 de janeiro de 1994. Loiro, alto e forte, parece muito com Cloud Strife, de Final Fantasy VII — Advent Children. É frequentemente alvo de brincadeiras por suas características peculiares, como ter nascido no ano novo, no Acre, e ainda por cima ser canhoto e não saber dobrar a língua — sendo chamado de "Darth Maul" e "Rei dos normais". Sua comida preferida é sopa de caranguejo. Tem 1,87 m de altura e pesa 85 kg.
Sabrina Svarowski van Gerard
São Paulo, SP — 25 de fevereiro de 1993. Apesar do nome, é descendente distante de poloneses e russos. Sempre teve uma vida extremamente difícil, e por conta disso, possui grande dificuldade nos estudos e nos relacionamentos com colegas de classe. No entanto, tem ótimos atributos físicos, toca vários instrumentos e canta muito bem. Mede 1,70 m e pesa 58 kg.
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