Notas iniciais
* Versão de Isabel Rigardi *

Um dia congelante, depois da geada. Cinco e quinze da manhã. Mochila pesada. Andar na rua sozinha.

Um dia comum na minha preciosa vida.

Depois de pegar múltiplos ônibus, acompanhados de engarrafamentos e chuva, cheguei à escola. Allen, Maria e Jack estavam na entrada, olhando para um quadro verde cheio de papéis coloridos.

— O que estão olhando?

Os três me ignoraram. Puxei o cabelo de Jack. Depois de alguns segundos, sua cabeça girou roboticamente para minha direção.

— B-bom d-ia. — Beijei-o delicadamente. Seus lábios estavam gélidos.

— A-ah, o-oi B-bel. — Allen voltou-se para mim.

— O-ohay-ou.

Eu tinha esquecido que meus amigos era uns friorentos frouxos.

— Se estão com tanto frio, por que não vão para a sala?

— A-ah. Estamos olhando o quadro de aniversários.

Encarei o quadro. Havia as divisões dos meses, com os aniversários das pessoas do ensino médio espalhados por eles. Vi nomes conhecidos. "Isabel Rigardi Agarelli — 13 de novembro". "Maria Yukai Kouto — 15 de dezembro". "Allen H. T. P. L. Johnson — 21 de agosto". "Jackson Ernest McMiller — 01 de janeiro". Mas o que mas me chamou a atenção foi o espaço daquele mês. "Sabrina Svarowski van Gerard — 25 de fevereiro".

— Quer dizer que a loira — Sim, ela evoluiu — faz aniversário hoje. — Observei.

— Pois é. Estávamos meio que pensando em uma coisa... — Os três voltaram-se para mim. Começamos a andar até a sala.

— Digam.

— Vamos levá-la para algum lugar. Já deve ter um tempo que ela não se diverte de verdade. — Maria tinha uma voz sincera.

Respirei fundo.

— Só se o Allen pagar.

— É claro que ele vai pagar. É o único que tem dinheiro aqui. — Olhamos para ele.

— Vocês só me dão prejuízo. Só porque moro no Centro não quer dizer que tenha dinheiro.

— Ah, não. Porque uma pessoa sem grana pode muito bem pagar por um apartamento de 300 m² que custa zilhões de reais, e porque todos podem ter uma Mercedes E uma BMW na garagem, com um motorista para cada uma. — Minha casa de férias, dona Yukai.

— Pra sua informação, despedimos o outro motorista. E era uma dos apartamentos mais baratos de lá, foi uns 2 milhões.

Fizemos questão de bater nele bem forte.

— Vocês que começaram! Idiotas.

— Então, para onde vamos levá-la? — Jack finalmente se manifestou.

— Pensei em irmos no Zefir's Armazens.

Allen adorava jogar na nossa cara que podia pagar 90 reais para comer no Zefir's.

— E será que ela vai aceitar? Pode ser aquele tipo de pessoa alérgica a burguesia. — Opinei.

Fizemos o mais simples. Fomos até ela, demos os parabéns e convidamos-na. Ainda bem que tínhamos a cara-de-pau da Maria para fazer esse tipo de coisa.

— O Zefir's não é aquele restaurante caro que fica no Centro?

Ela não sabia de nossa arma secreta. Empurramos Allen para sua frente. Ele sorriu e acenou.

— Pois é, eu que vou pagar por tudo.

Os olhos da loira se arregalaram sutilmente.

— Está brincando? Tem ideia de como aquele lugar é caro?

— Erm... na verdade, eu costumo almoçar lá toda semana... — Ele deu um sorrisinho amarelo.

— Pois é. Apesar de não parecer, esta coisa aqui tem uma continha milionária. — Maria se queimava de inveja. Sempre quis ser rica. Bom, eu também não reclamaria.

Ficamos em silêncio por um minuto.

— Mas se você tem tanto dinheiro, por que não estuda em uma escola melhor?

Grilos.

— Não sei. Estudo aqui desde que me entendo por gente. Essa escola é boa, apesar de ser pública. Costume, talvez.

— E está tudo bem para você pagar isso tudo num almoço para nós?

— Eu já falei com meu pai. Ele achou ótimo "ir a um local de qualidade com meus companheiros".

— Ah, sim. O pai de Allen tem ações em várias grandes empresas. Fora que é muito gostoso para alguém de 40 anos.

Tive uma crise de náuseas.

— Que nojo, Maria! Não se refira ao meu pai com adjetivos que uma garota usaria para definir o Jack. Eca...

— Tá chamando ele de gostoso, é? — Ela adorava fazê-lo sofrer. Ele corou e se irritou.

— Não, caramba. Eu só estou usando a opinião geral. — Realmente. Jack era muito gostoso. Mas esse não deveria ser o assunto principal.

— Sabe, eu continuo aqui. E Allen, obrigado pelo elogio. — Ele bagunçou o cabelo do baixinho, que ficou emburrado. Rimos.

— Ignore esses idiotas. Então, você topa ir? — Perguntei à loira, que nos observava com um olhar de interrogação.

— Olha, não sei se me sentiria confortável com você pagando por tudo... — Ela olhou para Allen.

— Se isso faz você se sentir melhor, parte do meu dinheiro vem do que você gasta no McDonald's.

Ela pensou por alguns instantes.

— Tudo bem, eu vou. Ahm, isso é quando?

— Hoje, naturalmente. — Respondi por todos, que concordaram através do silêncio. — Que tal irmos ao estúdio do seu namorado depois? Combinamos isso há alguns dias, então acho que está tudo bem, certo?

— Ah, claro. Se estiverem dispostos, tem uma casa de jogos aqui perto. Abre às 16 horas. Que tal irmos à noite?

Nos entreolhamos.

— ...Que tipo de casa de jogos é essa exatamente?

Ela riu com o olhar — já que sua expressão geral era, como sempre, indiferente.

— Não, não. Não é nada disso que vocês estão pensando. Acho que usei um termo antiquado. Quis dizer que é como um fliperama.

— Fliperama?! Eba, oba, vamos, vamos? Podemos?? — Algum casal de baixinhos estava bastante animado para jogar.

— Quietos. — Jack fez sua voz de Capone, e os dois se calaram. — A hora nos dirá se será possível, tudo bem? — Que formalismo.

Capisci. — Não pude deixar de pensar em algo como "papéis invertidos". Parece que os outros também pensaram nisso.

— Você falando assim parece com a Bel quando chegou nessa escola. Falava que nem aquele pessoal de Passione.

Eram mesmo uns imbecis.

— Ah, claro. Porque dá para adquirir muito sotaque tendo vindo da Itália com 5 anos de idade.

— Pior que dá. Você tinha. Na verdade até hoje tem um pouco. — Allen riu.

— Ah, é mesmo. Você é italiana de nascença, não é, Isabel? Percebi que tinha um pouco de sotaque, mas não sabia de onde. Seu sobrenome também...

Ótimo. O papo era minha nacionalidade agora. O sobrenome dela era polonês/alemão/russo/[insira nacionalidade da Europa Oriental aqui], e nem por isso ela falava [insira idioma complicado aqui].

— Não sei como ela conseguia entender as aulas... E como fez tantos cursos logo que chegou aqui.

— Mas na idade dela estava bom para aprender.

Bem, já que era para saber da minha vida...

— Já que estão todos falando de mim, então vão escutar sobre mim. Isabel Rigardi Agarelli, nascida em Napoli, Italia, — Fiz questão de falar tudo em italiano. — no dia 13 de novembro de 1994. 1,65 m, 56 kg, minha comida favorita é Nhoque Bolognesa. Gosto de animês, e não vivo sem assistir Hetalia e Tsubasa Chronicle. Felizes agora, bando de stalkers?

Todos me olharam, sérios.

— Isso ficaria melhor num quadro de apresentações...

— Enfim, a aula vai começar. — Eles foram até seus lugares.

Idiotas... começavam a falar de mim e depois faziam isso.

Também fui até minha carteira. Até tal instante, tudo em seu devido lugar.

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Leitores, aproveito a apresentação de Isabel — feita por ela mesma — para fazer um mural de dados dos outros protagonistas. Não, não vou arranjar mais situações forçadas para fazer esse tipo de coisa...

Allen H.T.P.L. Johnson

Porto Alegre, RS — 21 de agosto de 1994. Podre de rico, o pai é um acionista sortudo. Por parecer com o Misaki de Junjou Romantica, frequentemente tem sua masculinidade testada. Consegue gostar muito de alguém e nunca demonstrar tudo o que sente. Tem 1,63 m de altura e pesa 57,5 kg. Sua comida favorita é lagosta à thermidor.

Maria Yukai Kouto

São Paulo, SP — 15 de dezembro de 1995. Nikkei, aprendeu japonês com seus familiares. Vive em uma família um tanto diferente — descobriremos mais depois, hehe. Sua comida predileta é anko-mochi*. Mede 1,58 m de altura e pesa 47 kg. Era sempre chamada de "anã", mas foi mais respeitada depois de revelar-se karateca experiente.

Jackson Ernest McMiller

Rio Branco, AC — 01 de janeiro de 1994. Loiro, alto e forte, parece muito com Cloud Strife, de Final Fantasy VII — Advent Children. É frequentemente alvo de brincadeiras por suas características peculiares, como ter nascido no ano novo, no Acre, e ainda por cima ser canhoto e não saber dobrar a língua — sendo chamado de "Darth Maul" e "Rei dos normais". Sua comida preferida é sopa de caranguejo. Tem 1,87 m de altura e pesa 85 kg.

Sabrina Svarowski van Gerard

São Paulo, SP — 25 de fevereiro de 1993. Apesar do nome, é descendente distante de poloneses e russos. Sempre teve uma vida extremamente difícil, e por conta disso, possui grande dificuldade nos estudos e nos relacionamentos com colegas de classe. No entanto, tem ótimos atributos físicos, toca vários instrumentos e canta muito bem. Mede 1,70 m e pesa 58 kg.

Notas finais
* Bolinho de arroz recheado com anko - doce de feijão azuki.