Sex, Drugs And Problems - IV

14 Capítulo 79 - Andador de velhinho


Notas iniciais
Não me matem, era pra eu postar só na terça, mas vocês falaram tanto que eu acabei postando mais cedo!
♥ Boa leitura

Olhei em todo o quarto e nem sinal do Binho. Eu já tava entrando em desespero.

Corri pelo hospital gritando o nome dele, até um segurança me parar.

Segurança: Você tem que parar. E fazer a ficha. Ou vai ter que se retirar.

Eu: tá bom, tá. Eu faço essa porra.

O segurança me arrastou até o balcão da recepção e o Beck tava fazendo a ficha.

Beck: Viu ele?

Eu: Ele não tá lá, Beck.

Fiz a ficha e pedi pra recepcionista chamar o Beto, o médico responsável pelo Binho desde o acidente. Pouco depois ele apareceu.

Eu: Cadê o Binho? Cadê ele, Beto?

Beto: Vem cá.

Acompanhei o Beto por um corredor longo e o Beck alcançou a gente no caminho.

Beck: Onde ele tá?

Beto: Ele foi transferido pra outro quarto. Só isso.

Beck: Mas eu perguntei do Fabrício Antunes e disseram que ele acordou!

Beto: Foi uma coincidência. Temos dois Fabrícios Antunes aqui. E um acordou.

Beck: Naty… Desculpa.

Eu: Tudo bem, Beck. — não, não tava tudo bem. Porra, eu quase enfartei de alegria pra descobrir que o Binho só mudou de quarto? Vai se foder.

Beto: É aqui. Esperem aqui fora enquanto eu vejo se ele pode receber visitas.

O Beto entrou no quarto e eu fiquei encostada na parede, olhando pra baixo. O Beck tentou se desculpar, mas eu disse que tava tudo bem e ele calou a boca. Felizmente.

O Beto saiu do quarto e nos encarou.

Beto: Só um de vocês vai poder entrar.

Beck: É claro que é você quem vai — me empurrando de leve.

O Beto abriu a porta e eu entrei. Olhei em volta e era um quarto maior, mais espaçoso e iluminado. O Binho tava na cama, daquele mesmo jeito de sempre, mas não tava conectado àquelas máquinas barulhentas e horríveis. Só tava tomando soro.

Eu: Binho? — me aproximando da cama — Grandinho, tá me ouvindo? — peguei a mão dele e fiquei encarando o lençol e esperando ele apertar minha mão em resposta. Mas ele não apertou.

?: Ná?

Ergui a cabeça e vi o Binho de olhos abertos, um sorrisinho fraco nos lábios.

Eu: Binho… Você… Oi grandinho. — eu não tava conseguindo falar coisa com coisa. — Passei a mão no rosto dele e senti que ele tava frio e trêmulo. — Você tá se sentindo mal?

Binho: Só tô um pouco fraco. Mas acho que tô bem. Eu quero sentar.

A cama era daquelas que tem uns botões que fazem a cama subir, descer e o caralho a quatro. Apertei um botão que fez a cama subir devagar, fazendo o Binho sentar.

Eu: Tá bom assim? — ele fez que sim com a cabeça — Eu não tô conseguindo acreditar, Binho. Você acordou.

Binho: Claro que acordei, eu não ia dormir pra sempre.

Eu: Todo o tempo que você ficou… Desse jeito pareceu uma eternidade.

Binho: Qual é, Ná. Eu fiquei o que? Horas apagado.

Porra. Ninguém falou pra ele que ele ficou em coma por quase quatro meses? Que tipo de médico faz isso?

Beto: Naty, posso falar com você? — ele tava na porta o tempo todo.

Beijei a testa do Binho e fui até o lado de fora do quarto, onde o Beck ainda tava.

Eu: Filho da puta. Pensei que ele tava em coma ainda.

Beto: Desculpa, eu quis ver sua reação. Eu sempre faço isso quando um paciente acorda. Mas realmente tem dois Fabrícios Antunes em coma aqui. E o que acordou foi o seu Fabrício Antunes. — Sorrindo.

Eu: Eu tava quase morrendo. Mas me diz uma coisa: por que ele pensa que ficou horas apagado?

Beto: Não falamos que ele ficou em coma.

Eu: por quê?

Beto: Sempre é melhor que alguém próximo diga, pra ele não sofrer tanto. E acho que você é a pessoa certa pra esse… Hm… Trabalho.

Eu: Tá, eu falo. Alguma recomendação além de falar com calma e não entrar em desespero?

Beto: Tenha paciência. E não dê as notícias todas de uma vez. Espera ele engolir cada palavra que você disser e depois vá acrescentando as novidades, uma por uma, com calma. Ok?

Eu: Tá. Valeu.

Beck: Acho que eu posso ajudar, não?

Beto: Acho que sim. Vocês têm o tempo que precisarem. Podem ir.

Entramos no quarto e o Binho olhou pro Beck. Qualquer vestígio de sorriso ou algo do tipo sumiu do rosto dele. É, acho que ele não gostou do que viu.

Binho: O que ele tá fazendo aqui?

Eu: Escuta. Todo dia o Beck vem comigo pra te ver…

Beck: Cara, tu é meu irmão. E eu cansei de toda essa briga. Eu quero te pedir por favor, Fabito. Por favor. Me perdoa, cara.

Binho: Naty, eu posso falar com ele?

Eu: Tá, eu vou na lanchonete do hospital. Vou avisar sua mãe e… Todo mundo. — beijei a testa dele antes de sair do quarto.

Liguei pra Camila, que ainda tava na escola, era a sexta aula naquela hora. Ela foi atender no banheiro e eu falei pra ela que o Binho acordou. Ela riu, gritou, quase chorou e depois que se acalmou eu pedi pra ela avisar a Malu.

Comprei um sanduíche de queijo e um suco e comi numa das mesas. Uns vinte minutos depois meu celular vibrou. Era uma mensagem do Beck dizendo que eu podia voltar.

Eu: E aí? — abrindo a porta.

Binho: Tá tudo bem. Nem pergunta nada, tá? A gente resolveu.

Eu: Maravilha. Porque tem muita coisa que eu preciso te contar.

Binho: E pode começar por essa coisa de todo dia você e o Beck vêm me ver. Como todo dia? Já é a segunda vez que você manda uma dessas, como se eu tivesse em coma e fiquei apagado por anos. Fala a verdade, Ná.

Droga.

Eu: Binho, você tava mesmo em coma. Você ficou assim por três meses e meio.

Binho: Coma? Cara, foi como se eu tivesse dormido por… Sei lá, algumas horas.

Eu: Foram quase quatro meses. Os piores meses da minha vida.

Binho: É sério isso?

Eu: É, Binho. Muito sério.

Binho: E o que aconteceu com os outros que tavam com a gente no carro? O Bola e a Ju?

Eu: A Ju… Não aguentou.

Binho: Ela morreu?! — assenti de olhos fechados — Mas que droga. — Meio bolado — E o Bola?

Eu: O Bola… Foi embora. Disse que já causou muito problema pra você e se mandou. Ninguém sabe onde ele tá.

Binho: Logo eu encontro ele. — Pra não continuar com aquela conversa eu só dei um sorrisinho de compreensão. O Beck tinha saído pra esperar a Malu e levá-la ao novo quarto do Binho. — Eu tô muito acabado? Não vi minha cara ainda.

Eu: Não. Continua lindo. — ele sorriu — Vou procurar um espelho.

No banheiro tinha um espelho daqueles de corpo inteiro. Era leve, então consegui levar até do lado da cama do Binho. Ele se olhou e pareceu assustado com o próprio reflexo.

Binho: Eu tô careca? E que porra é essa aqui? — passou um dedo na cicatriz.

Eu: Você teve que levar ponto. Acho que entrou um pedaço do vidro na sua cabeça. Mas o Beto disse que seu cabelo vai crescer e cobrir essa porra logo.

Binho: Eu gostei. Fiquei legal careca. Diz aí, o que achou?

Eu: Pra mim tá lindo. Mas eu sou suspeita pra falar, né?

Ele riu e puxou minha mão, me aproximando dele. Me abaixei pra ficar com o rosto mais próximo ao dele e ele me beijou, igualzinho ao sonho, mas dessa vez eu podia sentir que tava muito bem acordada. Ele parou de me beijar, tirou uma mecha de cabelo do meu rosto e ficou me olhando nos olhos.

Eu: Senti sua falta, grandinho.

Binho: Eu devo ter sentido também, baixinha.

Beijei a testa dele e a porta do quarto abriu.

Malu: Meu filho! Fabrício! Meu amor, você acordou!

Binho: Oi, mãe.

Malu: Natallie, eu posso… é…

Eu: Depois eu volto. Fica à vontade, Malu.

Vi que ele achou estranho o jeito que eu e a Malu estávamos nos tratando, tipo, bem até demais. Claro, ele não sabia da trégua. Saí do quarto sem falar nada e encontrei o Beck na porta do hospital, sentado na escada.

Beck: Tava esperando você. Eu sabia que a Malu ia te tirar do quarto.

Eu: Pouco previsível ela, não?

Ele riu e fomos pro carro dele. Pedi pra ele me deixar no colégio, pra eu falar com o povo e pegar meu carro. Com certeza eles iam querer ir ver o Binho.

O sinal tinha acabado de tocar quando eu desci do carro do Beck e fui pro Tobacco. A Camila e a Olívia desceram correndo e o Leo vinha atrás delas na minha direção.

Camila: Como ele tá?

Eu: Tá bem. Tá falando coisa com coisa, lembrando de tudo, normal. Mas ele acordou pensando que tinha passado poucas horas do acidente.

Olivia: Mas você falou a verdade pra ele, né?

Eu: Claro que falei.

Leo: Quando ele vai poder sair?

Eu: Não sei ainda. Tenho que perguntar pro Beto.

Melissa: NATY! É verdade o que tavam falando? O Fabinho acordou? — de onde ela surgiu?

Eu: É, Mel. Ele acordou hoje. Mas não acho que seria uma boa ideia você aparecer lá.

Melissa: Eu sei. Eu nem vou. Só queria saber mesmo.

E saiu. Vish. Ela queria ir. Mas é sempre melhor tirar o esparadrapo de uma vez. Dói na hora, mas depois passa.

Camila: Dá pra ir ver ele?

Eu: Dá, vamo almoçar e depois bora pro hospital.

Almoçamos no restaurante japa da Roma e depois ficamos na porta do quarto do Binho esperando a Malu sair.

Malu: Eu preciso falar com você depois.

Entramos no quarto e o Binho sorriu.

Camila: Ei, que saudade! — beijou a bochecha dele.

Olivia: Que susto você deu na gente hein, filho da mãe.

Binho: Porra, vivendo intensamente.

Leo: A gente teve que aguentar essa aqui falando merda. — olhando pra mim — Você faz falta hein. Eu tava quase criando um remédio mágico pra você acordar.

Binho: Hahaha bom, eu voltei.

Eu: Finalmente. — beijando a testa dele.

O Beto entrou no quarto.

Beto: Hora de ver como tá a força dessas pernas aí. — ele tava com um andador. Daqueles que os velhinhos usam. — Vou descer essa cama pra ficar melhor pra você sair e te ajudar a levantar.

Ele apertou um dos botões malucos e a cama abaixou. Outro botão fez o Binho sentar na cama e o Beto ajudou ele a ficar de lado, com as pernas pra fora. Ele me pediu pra pegar o andador e ele segurou o Binho pra ele levantar. Ele segurou o andador com força e ficou em pé.

Beto: Consegue andar?

Ele colocou uma perna na frente na outra e deu um passo meio desengonçado. Foi andando devagar até o outro lado do quarto, com o Beto do lado, preparado pra segurar o Binho caso acontecesse alguma coisa, mas ele conseguiu chegar.

Binho: Acho que dá pra ir sem esse coiso agora.

Beto: Tem certeza?

Binho: Absoluta. Vai, me deixa ir.

O Beto segurou o Binho e o ajudou a dar alguns passos.

Binho: Me solta.

Ele foi soltando devagar e o Binho veio andando na minha direção, como uma criança sorridente. Quando ele chegou em mim, me deu um abraço tão gostoso que eu tive vontade de ficar com ele daquele jeito pra sempre.

Cara, eu nem lembrava mais de como era bom abraçar o Binho.

Notas finais
aaaaaaawn Binho voltoooou