Sex, Drugs And Problems - IV

2 Capítulo 68 - Visita inesperada


Notas iniciais
Eu sei que era pra eu postar só amanhã, mas acabei não resistindo, já que esse capítulo tava pronto!

Conversei um pouco com a Malu. Pra falar a verdade ela até que é legal.

Mas ainda é a mulher que deu pro meu pai na cama da minha mãe.

Malu: Bom, eu vou voltar pro hospital. E você sabe que eu não vou controlar suas idas pra lá. Você pode ir quando quiser.

Eu: E você sabe que mesmo que você queira controlar eu vou a hora que eu quiser. — sorri cínica.

Ela foi embora e meu pai me olhou.

Pai: Lembra daquele terreno que você queria que eu comprasse pra você?

Eu: Sim.

Pai: Eu fechei a compra. Coloquei no nome do Fabrício, mas é você quem vai fazer o que quiser nele.

Eu: Como assim?

Pai: Você vai escolher tudo o que quer nele. Piscina, churrasqueira, o que for. Vai se arrumar e coma alguma coisa, porque em uma hora temos que ir na sua casa. Eu marquei com um engenheiro e uma arquiteta lá.

*


Fui com meu pai até minha casa e conheci a arquiteta e o engenheiro que fariam o terreno do meu jeito. O engenheiro era um cara gostoso. Bem gostoso. E devia ter uns trinta e poucos anos. Eu definitivamente gosto de caras mais velhos.

Falei pra arquiteta exatamente o que eu queria e ela foi desenhando.
Então acabou que aquele muro da parte de trás da minha casa ia ser derrubado pra juntar com o outro terreno. Todo aquele mato ia ser cortado e no fundo ia ter uma piscina, com uma churrasqueira e um balcão num canto e no resto ia ter um espaço vazio que depois eu ia colocar alguma coisa.

Eu: Em quanto tempo fica pronto?

Engenheiro: Dois ou três meses.

Fui almoçar com meu pai e enquanto ele comia percebi que ele tava meio aflito. Ele queria falar alguma coisa.

Eu: Fala logo, velho. O que tá te incomodando?

Pai: O resultado do DNA sai semana que vem. Conseguiram encurtar o prazo.

Eu: Isso é bom, não é?

Pai: Não sei na verdade. Se o Olavo for seu pai ele vai querer…

Eu: Foda-se o que ele vai querer. Meu pai ainda é você. E vai ser sempre.

Ele sorriu fraco.

Pai: Eu tenho um pouco de medo, porque eu sei como ele é. Ele é capaz de fazer você ir morar com ele.

Eu: Porra, eu tenho minha casa. Eu não vou morar com ele nem fodendo.

Pai: É o que eu espero. — falou sério, mas sorridente. — eu vou ver seu irmão, quer ir comigo?

Eu: Eu vou mais tarde.

Terminamos de comer e ele me deixou na casa da minha mãe.

Lolita: Vem cá, meu amor.

Minha vó me abraçou forte e eu senti um nó se formando na minha garganta. Ela só era delicada comigo — e toda a população mundial — quando acontecia algo extremamente triste.

Lolita: Você sabe que ele vai acordar, não sabe? — Olhei nos olhos dela.

Eu: Sei. Só queria saber quando. Isso facilitaria muitas coisas.

Lolita: E quem foi que falou que as coisas são fáceis? — Fiquei quieta. Pensando um pouco. — Não importa o que os médicos disserem. Você tem que falar com ele. Conversar como se ele fosse responder. Ele vai te ouvir. Ele vai sentir que você tá falando com ele. Não se lamente em nenhum momento. Você não pode chorar. Tem que ser forte. Tem que mostrar suas forças pra ele se sentir forte e querer acordar. E mais uma coisa: você tem que incentivá-lo a acordar. Tem que dizer “acorda seu filho da puta, preguiçoso do caralho”.

Eu: Isso vai fazer ele querer dormir pra sempre. — rindo baixo.

Lolita: Pode ter certeza que não. Faz o teste. Seja firme com ele. Dá uma bronca nele. Ficar dormindo a vida toda é pros fracos e seu irmão é muito forte. Se ele aguenta suas idiotices e ainda te ama, ele é digno de um troféu. — Bati no braço dela.

Eu: Idiota.

Lolita: Só faz o que eu disse. Em pouco tempo ele acorda.

*

Uma semana passou e nenhum sinal do resultado do DNA. Todos os dias depois da aula eu ia pro hospital ver o Binho e uma vez fui junto com a Malu. Até que tava dando tudo certo entre nós. A Mariana pediu transferência da escola. Eu odeio admitir, mas faria o mesmo que ela. Ver a garota que eu mais odeio todos os dias e saber que ela estava junto da irmã quando ela morreu deve ser realmente doloroso.

Eu até tinha uma ideia dessa dor.

Sexta à noite a Camila passou na casa da minha mãe e fomos de táxi pro hospital. Fizemos aquela ficha maldita e pudemos entrar no quarto.

E lá estava ele. Deitado, os olhos fechados, respirando calmamente, as batidas do coração sendo transmitidas naquela máquina.

Eu: Ei grandinho. — parei em pé do lado da cama e peguei a mão dele. — você tá me ouvindo? — Respirei fundo. — Tô sentindo sua falta, Binho. Você é uma das poucas pessoas que me fazem falta. Você pode me fazer o favor de acordar? Eu quero ver você de olhos abertos. Seu sorriso me faz falta. Acorda, por favor.

Camila: Naty…

Abaixei a cabeça.

Eu: Isso dói. Lá no fundo. Toda vez que eu venho aqui parece que alguém me dá uma marretada na cabeça. Parece que alguém me empurra de um penhasco. Dói ver o Binho desse jeito, estirado nessa droga de cama e eu não poder fazer absolutamente nada pra ajudar. Eu ganho um corte cada vez que venho aqui e vejo ele careca, com essa cicatriz gigante, esse monte de fio ligado nele e essa máquina de merda fazendo pipipi.

Camila: Ei, ele tá vivo. Ele tá aí, do seu lado. Respirando. Naty, ele tá vivo porra.

Sequei uma lágrima na minha bochecha.

Eu: Mas não parece.

Camila: Natallie. Eu realmente odeio ter que falar com você como se fosse sua mãe, mas eu preciso fazer isso. Chega de ficar piorando as coisas. O Binho tá vivo, tá respirando e um dia ele vai acordar. Todo mundo sabe que ele vai acordar.

Eu: Então por que ele não acorda?

Camila: Porra, cada coisa tem seu tempo. Ele vai acordar quando tiver que acordar e talvez isso só aconteça quando você parar de se culpar por tudo isso.

Eu: Eu não me culpo por isso.

Camila: Culpa. Você fica se rasgando por dentro, você diz pra você mesma que é culpa sua o Binho estar em coma e a Juliana ter morrido, mesmo sabendo que nada disso é culpa sua. E isso só piora as coisas e ainda mais seu psicológico. Eu não tô afim de ver a minha irmã em depressão. — Ela tava certa. Eu sabia que eu não era a responsável por tudo aquilo, mas agia como se fosse. — Vamos embora. Ficar aqui vai ser pior pra você.

Demorei um pouco pra conseguir me recuperar das palavras da minha amiga e conseguir deixar o Binho sozinho outra vez. — Abri a porta e quando dei um passo pra fora do quarto dei de cara com alguém.

?: Desculpa, eu tava distraído. — Levantei a cabeça pra ver quem era. Mas o que…

Eu: O que você tá fazendo aqui Beck?!

Notas finais
E aí, o que será que o Beck foi fazer no hospital?