Severo Snape - A dor da perda
1 A dor da perda.
Era noite, e o farfalhar da capa era o único som que conseguia distinguir na rua ou se não no vilarejo inteiro, não sabia dizer. Empurrou o pequeno portão de entrada, apreensivo, em seguida, aventurou-se em adentrar o terreno. Em imediato, uma forte brisa percorreu toda a rua, levando os cabelos oleosos lhe cobrirem a visão; num leve movimento, os retirou do rosto, ainda com o semblante sério, mas que ora ou outra deixava transparecer um "quê" de preocupação.
Retomou a caminhada, com os braços preparados para qualquer surpresa que pudesse acontecer, embora tivesse grande parte do corpo dura como pedra, parecendo que não havia nenhuma articulação naquele corpo. Era desde sempre, um costume seu, andar de forma ereta, mas hoje, mais que nunca, não era ele quem decidia isso, e sim a série de acontecimentos que insistia em tentar não crer. Havia chegado à porta da casa, e havia travado, como nunca antes. Aproximou o rosto da porta, que estava meio caída pela dobradiça quebrada, o nariz comprido e torto a centímetros da madeira da qual fora feita a porta, queria ouvir o menor ruído que fosse, mas bem ao longe, baixinho, se ouvia um choro, só não sabia dizer de quem. Esgueirou-se pela fresta, tentando ao máximo não terminar de derrubar a porta. Na sala, a visão era espantosa, estilhaços de vasos espalhados por todo o chão do aposento, uma mesa de centro partida em duas e diversas rachaduras na parede, em outras, marcas de queimaduras. A mão direita voltou à posição inicial, pronta para alcançar a varinha o mais rápido possível. Snape percorreu o olhar pela sala, seguindo os rastros da destruição, que terminavam ao pé da escada, a qual se deixou levar, subindo degrau por degrau o mais devagar possível, claro que o susto não fora muito grande quando o viu ali, com os cabelos rebeldes, olhos abertos e com o óculos torto no rosto, com uma expressão nada favorável. Mesmo morto, Tiago Potter continuava a ter a mesma cara odiável de sempre. Percebeu que a varinha estava dois degraus abaixo da mão direita, partida ao meio, presa por um fio claro, que brilhava fracamente. Com calma, passou por cima do cadáver, sem ao menos se dar ao trabalho de puxar a capa para que não arrastasse sobre o corpo do homem. Nos últimos degraus, o clima parecia pesar mais, ou talvez fosse apenas impressão? Agora, o choro era mais audível, se assemelhava a de uma criança, mas não podia ter certeza; embora mais audível, o coração parecia bater mais forte a cada passo, abafando o som que vinha do quarto no fundo do corredor. Em um dos primeiros passos, a luz de um relâmpago invadiu todo o corredor, seguido de um trovão segundos depois. Pela janela aberta do oposto do corredor, sentiu o frio invadir o aposento em uma velocidade acelerada, era apavorante. Seguiu, mas quando chegou à porta do quarto, sentiu o estômago dar um solavanco e despencar, as pernas bambearam e ele teve que se segurar na cômoda próxima. "Lily...", foi o único pensamento que lhe ocorreu, porque era a única coisa que via. Ela estava ali, caída em frente ao berço do bebê, que segurava na grade, olhando para a mãe e chorando. Lily estava de bruços, com os olhos fechados e a boca levemente aberta. Sentiu as lágrimas invadirem os olhos e imediatamente, escorrerem pelo rosto. Ainda com as pernas bambas, foi se aproximando, mas quando tentou dar um passo largo, elas fraquejaram e ele caiu ao lado da mulher. Aos poucos, conseguiu se encostar no berço; em uma dor que parecia nunca ter fim, puxou Lily para si, num abraço sem jeito, mas que não importava nem um pouco. Queria ela, e ela tinha lhe deixado, mas não podia ser verdade, não podia. Ele a amava tanto... No momento, chorava e soluçava mais que o bebê, que ainda segurava a grade, olhando para o desconhecido e em seguida para a mãe, em um desespero onde ninguém parecia perceber. — Não, Lily, não. Você não, Lily. Queria poder ficar ali para todo o sempre, mas sabia que não era possível. Se recusava a aceitar que Lily não estava mais ali, porque era injusto, ele havia prometido protegê-la, e não havia cumprido com a promessa para com ele, Severo, e nem para Lilian. Apertou Lily uma última vez, como se aquilo pudesse trazê-la de volta. Sentindo os lábios molhados pelas lágrimas, depositou um beijo na testa da amada, co m todo o amor e carinho que um dia podia ter entregado a ela. Com esforço, levantou, se apoiando nos móveis, uma vez em pé, lançou um olhar à mulher e em seguida ao bebê. Virou, sentindo o coração apertar, como se vinte mãos de vinte homens fortes o apertassem de uma só vez, começou a refazer o seu caminho de onde havia chegado. Mas antes mesmo de sair do quarto, outra vez, a luz de um relâmpago invadiu o aposento, deixando bem a vista as lágrimas que tanto escorriam do rosto, segundos depois, o trovão penetrou os seus tímpanos, com um barulho insuportavelmente ensurdecedor.u
Notas finais
Por enquanto, é só isso, espero que gostem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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