Seventeen
1 único
Numa loja de conveniência, um rapaz loiro e de sobrancelhas enroladas, folheava uma revista pornográfica próximo a entrada do estabelecimento, carregando uma mochila e vestindo roupas casuais. Sanji esperava um amigo e achou que mataria o tempo passando os olhos em alguma coisa, mas acabou se entretendo quando se indagou que achava tudo mais sensual que pornográfico, definitivamente estava mal acostumado por recorrer quase sempre à internet, lugar que não media escrúpulos. No entanto, o proprietário da loja resmungou que caso parasse pra ler uma das revistas, teria que pagar antes.
O loiro bufou e colocou a revista no lugar, o jeito era esperar Zoro vendo o asfalto queimando por conta daquele sábado ser o dia mais quente do ano. Por sorte, logo viu o amigo passando meio perdido na rua, olhando em volta, e imaginou que caso continuasse lendo a revista, Zoro teria passado despercebido e muito provavelmente se perderia por conta do seu senso de direção. Se arrependeu de não buscá-lo em casa, o marimo estava também atrasado.
— Marimo! Aqui! — Gritou acenando com o braço.
O rapaz de cabelos esverdeados ouviu e atravessou a rua depois de ver seu amigo na loja de conveniência. — Me desculpa pela demora.
— Tanto faz, eu compreendo por que se atrasa. — Respondeu, descendo o degrau da fachada e passando a andar na calçada com o marimo ao lado.
— Você está dizendo que eu me perco?! — O tom na voz de Zoro era bravo.
— Quando que disse isso, idiota? — Se fez de desentendido e arqueou a sobrancelha enrolada com um sorriso petulante. — Por quê? Você se perde por acaso?
Zoro estreitou o olhar com o quão manipulador Sanji era e realmente falar daquele jeito pareceria que estava admitindo que se perdia. Resolveu mudar de assunto, enquanto continuassem a andar. — Amanhã você vai para o ensaio da banda?
— Vou, o velhote de merda me tirou do castigo.
— Boa, Usopp compôs uma música nova enquanto não esteve indo aos ensaios.
— Ele já me disse e me passou a demo.
Eles continuaram a conversar e atravessaram uma faixa de pedestres rumo a casa de um professor da escola que visitavam todos os sábados. Contudo, passaram numa floricultura onde Sanji sempre comprava um buquê para levar consigo. Ele costumava trocar as flores do jarro ao chegar no apartamento do professor chamado Gin.
Tinham uma cópia da chave que o próprio professor dera e notaram uma pequena desorganização, na qual Sanji costumava organizar quando vinha visitá-lo e, no jarro, as flores secas do sábado passado. O loiro colocou a mochila numa poltrona e saiu juntando algumas coisas fora do lugar para depois trocar as flores secas pelas novas. Enquanto isso, Zoro foi até o quarto do professor e bateu na porta antes de abri-la, ele viu Gin ainda dormindo na cama e resolveu tocar no seu ombro.
Gin abria os olhos aos poucos e se virou no sentido do rapaz esverdeado. — Já chegaram? — Disse surpreso e depois levantou o seu torso, enquanto coçava um de seus olhos. — Não está cedo?
— Você que dormiu demais. — Respondeu o esverdeado. — Na verdade, estamos atrasados.
— É, esse marimo se perdeu de novo. — Sanji surgiu no batente da porta, fazendo Zoro dar um grunhido de ódio.
— Cala a boca, você nos atrasou mais ainda quando não parava de xavecar a florista!
Começou uma discussão sem fim e típica dos dois, mas ela acabou assim que ouviram o professor rir, os rapazes passaram a fitá-lo e sorriram por vê-lo rindo. Desde o divórcio de seu casamento há dois meses, Gin entrou numa profunda depressão e Sanji, que gostava muito do professor, ficou preocupado e passou a visitá-lo. Zoro pretendia acompanhar o loiro só no primeiro dia, mas depois de ver o quão triste seu professor estava, ele resolveu acompanhar o amigo nos demais dias também.
Depois que o apartamento ficou mais organizado, passaram a jogar uno na mesinha do centro da sala. Sanji e Gin fumavam, Zoro bebia uma lata de cerveja que achara na geladeira. Colocavam o papo em dia, Sanji disse que finalmente não estava mais de castigo e Zoro comentara sobre a nova música da banda.
Gin os ouvia pacientemente e ainda que tivessem ações imaturas, não se importava de conversar com dois adolescentes. Ele sorriu com a notícia de ambos, mas a sua não era muito agradável.
— O divórcio é agora oficial.
Os meninos pararam de jogar para observar o adulto que acabara de falar. Ele olhava os dois com um olhar rendido.
— Eu assinei as papeladas.
Sanji e Zoro trocaram olhares, esperando que um falasse algo.
— É? — O loiro deixou escapar, embora não soubesse o que dizer depois. — Isso é bom. Agora você tá livre “oficialmente” para partir pra outra. — Disse e logo surgiu uma ideia na sua mente. — Conheço uma mina que faz um boquete daqueles!
Se arrependeu profundamente do que havia acabado de falar, Zoro o censurou com os olhos e ele não tinha como discordar.
Gin estava chocado, mas começou a gargalhar, deixando os outros dois assustados.
— Como se eu pudesse esquecer minha mulher com isso! E outra, se é uma “mina” que você conhece, muito provavelmente tem sua idade, e eu nunca me envolveria com uma adolescente.
— Sinto muito, Gin... eu tenho esse péssimo hábito de ser escroto às vezes.
— “Às vezes”? — Zoro repetiu e Sanji lhe fuzilou com os olhos. Começariam mais uma discussão se Gin não resolvesse falar.
— As flores. — Proferiu e tomou a atenção dos meninos. — Acho que um escroto não me daria flores e muito menos me visitaria todos os sábados.
Sanji piscou os olhos confuso, achava que o professor não havia as percebido quando não cuidava delas. Seu rosto se avermelhou por saber que ele notou. — Ham... é porque... é você, Gin. — Engoliu em seco por ter soado como uma confissão.
Gin riu. — Me pergunto se mereço dois anjos na minha vida.
O loiro se levantou ainda nervoso e corado. — Vou fazer o café. — Passou a marchar até a cozinha, deixando um esverdeado mais perdido que de costume.
— Quando você irá falar com ele? — Perguntou Gin e Zoro o encarou. O professor sabia que o esverdeado gostava de Sanji.
Zoro jogou as cartas que ainda segurava sobre a mesinha e levou suas mãos atrás da cabeça, soltando um suspiro em seguida. — Acho que nunca, se ele continuar gostando de ti.
Gin riu. — Vocês são jovens, vão se resolver quando menos esperarem.
— E por que você não se resolve logo?
— Adultos são complicados. — Continuava rindo. — Não temos mais algum responsável tomando conta de nós, embora dois adolescentes tomarem conta de mim.
Zoro sorriu. — Apesar de tudo, não consigo odiá-lo.
Depois que saíram da casa de Gin, os rapazes resolveram ir num canto que gostavam de ficar para conversar. Era a margem de um rio, lá costumavam deitar na grama e observavam o céu alaranjado daquele verão se esvair aos poucos.
— Marimo. — Disse Sanji, abraçando suas pernas e fazendo o rapaz ao lado olhar pra si. — Você viu... ele disse que não se envolveria com uma adolescente por ser menor de idade.
— Sim, qual é o problema?
Sanji não sabia que Zoro já sabia que ele tinha uma queda pelo professor, acreditava que o amigo fosse muito alheio ao mundo, mas estava enganado. — Nada... é uma coisa legal, né?
O esverdeado sentiu tristeza em suas palavras e pensou que no mínimo o loiro devia ter cogitado que não conseguiria o amor do professor por ter 17 anos. Além do fato de ser um homem hetero que não havia esquecido sua ex.
— Você deve tá pensando que não queria ter 17 anos, né? Que gostaria de ser mais velho, né?
O loiro não entendeu de imediato, mas ficou nervoso quando pensou se seu amigo desconfiava de algo por ter adivinhado o que lhe incomodava. Ele observava Zoro com os olhos piscando e muito aflitos, sentindo medo do que viria a seguir.
— Eu sei que gosta do professor, sobrancelhas.
— Quê?!
Zoro o ignorou e continuou. — Vocês dois estão presos num mundo muito fechado e complicam as coisas quando a realidade é muito mais fácil. — Disse, observando o rio e pensando que deveria estar vermelho como o seu amigo. — O que quero dizer é que bem ao seu lado, há uma pessoa que gosta de ti. — Confessou e escondeu seu rosto corado em seus joelhos. — Não precisa olhar pra muito longe pra perceber todas as “flores” que já te mandei.
A respiração de Sanji estava descompassada por ouvir tais palavras de seu melhor amigo e ele nunca o viu chorando antes como naquele final de tarde bem na margem do rio. Não seria mentira dizer que cogitou fugir dali, mas Sanji apenas tocou no ombro do esverdeado, fazendo-o erguer seu olhar para si, porque o loiro entendia muito bem a dor que sentia por também sofrer por um amor não correspondido.
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