Seven Souls
8 Capítulo 6 — Caminho
Notas iniciais
Reike acordou, olhou em volta e não viu a Aneki.
"Ela não voltou...", pensou enquanto se levantava e ia para a sala.
Chegando lá, viu a Aneki descendo as escadas que levavam ao sótão, arrastando o cobertor junto com ela.
— Bom dia — falou ela com voz de sono enquanto esfregava os olhos com a mão livre.
— Bom dia — responderam Shiira, Haiiro e também Reike.
— Não me diga que você dormiu no sótão, Aneki — falou o garoto balançando a cabeça negativamente, como se tentasse negar a ideia pela Aneki.
— E-eu não dormi. Só fui ajeitar umas coisas para o treinamento, haha... — mentiu ela deixando isso evidente em sua face.
— Bem, então aproveite que já está trabalhando para ir acordar a Shizuka — Reike, sorrindo ironicamente, foi para a cozinha.
Enquanto Reike preparava o café da manhã com ajuda da Shiira, ouvia-se os gritos "Não quero acordar!" e "Sai daqui, tetuda!" da Shizuka. Finalmente, quando a comida já estava ficando pronta, as duas garotas saíram do quarto. Aneki estava com o cabelo ainda mais bagunçado e com muito desejo de sangue nos olhos. Shizuka andava ao lado dela sorridente.
Todos sentaram-se para comer.
— Em breve teremos um novo trabalho — anunciou Aneki enquanto comia sua torrada. — Por isso, a partir de hoje, eu e Shizuka vamos começar a treinar também. Reike, você terá que se esforçar mais, não temos tempo a perder — finalizou ela.
— E qual seria esse trabalho? — Shiira perguntou curiosa, mas também receosa. Não lhe agradava ter que fazer coisas perigosas, ainda mais coisas que colocassem Reike em perigo.
— Uma viagem — Aneki respondeu somente isso, deixando evidente que não daria mais informações. Shiira suspirou e continuou comendo.
Ao terminarem, saíram de casa para treinar.
Reike continuava com os exercícios para melhorar o domínio de seus poderes. Aneki e Shizuka, depois de conversarem um pouco, começaram a lutar para treinar.
Assim continuou até a hora do almoço. Reike já estava começando a entender melhor como funcionavam os poderem e as duas garotas, que lutaram a manhã toda sem parar, estavam contentes por ver que conseguiam lutar de igual para igual.
Todos almoçaram em casa — a comida tinha sido feita pelo Reike, obviamente. Quando estavam prestes a sair novamente, começou a chover.
— Ahh, e agora? — indagou Reike, decepcionado com a chuva.
— Vamos continuar o treino na chuva, ué — Aneki tocou nos ombros do Reike e da Shizuka e se teleportou para o local do treino.
— A-Aneki! — exclamou com o susto de aparecer no meio da chuva que caia forte sobre eles.
— Hihi, você não é feito de açúcar, Reike. Agora, vá logo treinar! Seu preguiçoso — debochou ela.
— Olha quem fala — retrucou ele, afastando-se um pouco para continuar o treino. Agora ele já conseguia levantar as sombras, o problema tornou-se controlá-las.
As garotas, mesmo na chuva, continuavam lutando ferozmente. O suor delas confundia-se com as gotas da chuva. As duas ofegavam sorridentes nos mementos em que as sequências de golpes encerravam, dando tempo para elas se encararem.
Reike, além de seu treino normal, treinava sua parte física — que não era das melhores — fazendo vários exercícios físicos.
Em alguns breves momentos, durante essas atividades, Reike parava para observar as duas. A luta entre elas era tão insana que muitas vezes ele nem conseguia acompanhá-las com o olhar, os golpes e movimentos eram rápidos demais.
O treino continuou sem parar, assim como a chuva, que parecia não ter mais fim.
Já estava escuro quando decidiram voltar para casa. Novamente repetia-se o ritual de banho e janta, seguido de lazeres, que iam até a hora de dormir. Essa que chegou mais cedo que o normal, já que todos estavam exaustos.
Aneki, dessa vez, dormiu no quarto junto com Reike. Logo quando ele iria falar sobre a noite anterior ela calou-o jogando seu travesseiro na cara dele e mando ele deitar-se. Como sempre, ela usou o garoto de travesseiro.
No dia seguinte, todos acordaram cansados e com dores por todo o corpo, porém isso não impediu que fossem treinar. Bem ao contrario, depois de tomarem café da manhã e irem para o campo, eles fizeram uma seção de alongamentos e o treino seguiu ainda mais rígido e intenso. Eles só voltavam para casa quando precisavam ir ao banheiro ou para comer as refeições.
O treino acabou somente com o chegar da noite. A exaustão era tanta que todos deitaram-se na grama para descansar um pouco. Nesse momento Reike descobriu que naquele mundo haviam duas luas.
Uma era maior que a outra, mas as duas eram lindas e cheias de cores. O céu era lindo — diferente da Terra, lá as estrelas eram muito mais visíveis e enfeitavam-no com a elegância das mais belas cores existentes. Reike estava deveras deslumbrado com aquele céu. A partir desse dia, Reike decidiu sempre ficar treinando até o nascer das luas.
Fizesse chuva ou sol, frio ou calor, os treinos prosseguiam, cada vez mais intensos. Assim continuou até o fim da semana.
Chegou domingo e o treinamento mudou. Durante a manhã Reike treinava normalmente e durante a tarde ele lutava com a Aneki e com a Shizuka. Reike estava aprendendo rapidamente a controlar seus poderes e a cada luta que ele tinha com as garotas ele ficava um pouco mais forte.
O treino continuou assim até quarta feira.
— Reike, agora que você já esta conseguindo controlar melhor seus poderes, quero que você desenvolva outras formas de armas com a Shiira. É essencial que você consiga lutar com mais de um tipo de arma — Aneki explicou qual seria o treino do dia quando chegaram no campo.
— Como eu faço isso? — perguntou enquanto olhava para a Shiira que estava em modo kama ken na mão dele.
— Comece segurando a Shiira com firmeza, depois se concentre e pense na forma em que você quer que ela tome — Aneki demonstrava isso que falava transformando o Haiiro de uma espada para uma katana.
Reike segurou Shiira com firmeza, acalmou sua respiração para se concentrar e imaginou ela se transformando em uma katana, porém não conseguiu. O garoto seguiu tentando até a hora do almoço e depois treinou lutando contra Aneki.
No dia seguinte, Reike voltou a tentar. Seguindo todos os passos ditos pela Aneki, ele olhou para Shiira e pensou nela em forma de katana. Enquanto a segurava mais forte ainda, viu ela transformar-se em uma katana negra e brilhante.
— Consegui — falou para si mesmo sorrindo. — Aneki! Eu consegui! — gritou, mostrando a katana para ela.
— Parabéns — falou ela sorrindo orgulhosa. — Agora venha e lute comigo — provocou chamando ele com mão.
Os treinos de luta continuaram até a noite de sábado. Reike já conseguia fazer Shiira mudar do modo kama ken para o modo katana no meio da luta.
— Já que você conseguiu dominar o modo katana — começou Aneki. — O nosso treino extensivo está acabado. Sairemos de viagem na segunda.
Todos foram dormir felizes por saber que não precisariam treinar durante o domingo. Contudo, Reike — que já havia se acostumado com a rotina — foi o primeiro a acordar.
Os outros da casa acordaram sentindo o cheiro de ovos sendo fritos.
— Quando se trata de fazer comida, o Reike é o melhor até em fazer ovos fritos — elogiou Haiiro enquanto comia o café da manhã que Reike preparara para todos.
Os outros logo concordaram com ele, fazendo sinais com as mãos e com a cabeça.
Durante a manhã o grupo organizou os preparativos para a viagem, durante a tarde foram passear pela cidade e fazer compras.
— Ei, Aneki... eu ainda não te perguntei isso, mas... e seus pais? Eles que te dão esse dinheiro? — perguntou Reike meio hesitante ao saírem de uma loja onde a garota havia comprado uma roupa.
Aneki demorou alguns segundos para responder.
— Meu pai sumiu a muitos anos atrás... e minha mãe está viajando pelo mundo já faz uns 4 anos. É ela que me da dinheiro e tudo mais. Acho que da ultima vez que recebi uma carta dela, ela estava em algum lugar de Segno...
— Entendi.
— Amanhã vai fazer um mês desde que a gente se conhece — Aneki trocou de assunto. — Escolha alguma coisinha em alguma loja e eu pago por ela. Considere isso um presente — Sorriu.
"Ou um pedido de desculpas por te usar de travesseiro todos os dias", pensou ela, ficando com um sorriso amarelo no rosto.
Reike olhou em volta e viu uma loja com um manequim que vestia uma roupa qualquer, mas que tinha um lenço xadrez com as cores azul e preto no pescoço.
— Já sei o que vou comprar — falou o garoto sorrindo.
Mais um dia chegava ao final e todos voltavam para casa. Jantaram uma pizza que Aneki encomendara e foram para seus quartos descansar.
— Por que um lenço, Reike? — perguntou Aneki curiosa enquanto ajeitava a cama.
— Bem, eu sempre achei legais os personagens que usavam um lenço no pescoço, hehe — Respondeu contente e foi se deitar junto com a Aneki, que já estava o esperando.
Reike abriu os olhos... Aneki ainda estava dormindo ao seu lado. Agora fazia um mês desde o dia em que ele havia conhecido ela. Tudo tinha passado muito rápido, mas parecia que aquele um mês tinha sido toda a vida dele. Permaneceu olhando para o nada e pensando sobre isso, em seguida levantou-se calmamente para não acordar a Aneki, mas a garota despertou mesmo assim.
— Uhm... bom dia Reike — falou ela ainda meio dormindo e em seguida bocejou enquanto tentava sentar-se na cama.
— Bom dia — respondeu com a voz baixa, carinhosamente.
Os dois ajeitaram suas coisas e foram acordar os outros. Quando finalmente estavam todos prontos, saíram de viajem. Teletransportaram-se até a saída de Valley.
— A partir daqui é melhor irmos andando. Não conseguiríamos teletransportar a Shizuka junto com a gente até nosso destino, e se nós nos teletransportarmos até a metade do caminho é provável que atraiamos Lyryukus — explicou Aneki.
Os três começaram a ir em direção ao leste. Shiira e Haiiro tinham que ficar em modo camuflagem para não atraírem inimigos.
— Afinal, por que estamos fazendo essa viagem? — Shizuka dirigiu a pergunta à Aneki.
— Estamos indo ver uma pessoa... um amigo meu, mas ele é um Rayden, então vai demorar alguns dias até chegarmos no nosso destino.
Quanto mais andavam, mais Reike conseguia notar que aquele mundo era diferente da Terra. Plantas, animais e até mesmo o céu era diferente. Por mais cansativo que fosse ter que viajar andando, ele estava gostando.
O sol começava a se por e o céu aos poucos ia escurecendo. No longínquo horizonte começava a aparecer uma estalagem construída na beira da rua. A cada passo que os três davam, melhor conseguiam ver aquela construção não muito grande.
Reike e Shizuka estavam ficando animados, pois teriam um lugar para passar a noite, porém Aneki parecia ficar cada vez mais seria.
Algum tempo de caminhada depois, já estavam chegando ao local. Agora vendo mais de perto, percebiam que a estalagem realmente não era grande coisa. Construída de madeira e pedras, passava um aspecto de velhice e desconforto.
— Ao menos temos onde dormir... eu espero — falou Reike, já não tão animado.
— Eu acho que é melhor a gente continuar andando por mais uma hora e depois acampar — sugeriu Aneki um tanto receosa.
— Nem... — Reike negou a ideia.
— Já está ficando escuro e frio. É melhor ficarmos aqui mesmo, Aneki — Shizuka concordou com ele.
Subiram os degraus que levavam à varanda — onde ficava a entrada — que estava bem mal iluminada. De onde estavam já dava para ouvir o barulho das vozes que vinham de dentro do local. Abriram a porta um tanto hesitantes e entraram.
O lugar mais parecia uma taverna velha e suja. Havia uns 10 homens lá dentro, todos bebiam e conversavam exageradamente alto. Os jovens caminharam até um balcão que ficava à direita.
— Olá, gostaríamos de saber se tem algum quarto disponível — Reike dirigiu-se ao atendente.
— Temos um quarto de casal disponível ainda — Respondeu o homem enquanto secava um copo e buscava uma garrafa de bebida na imensa prateleira que havia atrás do balcão.
— Ótimo — falou Reike satisfeito, sentando-se em uma das cadeiras que estavam à frente. As duas garotas sentaram-se também, uma de cada lado do Reike.
O cheiro de álcool que o lugar possuía era um tanto incomodo, mas não tanto quanto o barulho do local.
— Acho que vai ser um pouco difícil pegar no sono hoje — comentou o garoto.
— Realmente — concordou Aneki. — Eu falei que era melhor nós não passarmos a noite aq... — A garota foi interrompida pelo susto de sentir uma mão segurando seu braço.
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