Seven Souls

4 Capítulo 3 — Renascimento


Notas iniciais
Esse capítulo acabou ficando maior do que eu esperava... Mas aqui está ele! Obrigado novamente a todos que leram até aqui, espero que estejam gostando. Lembrando que qualquer sugestão pode ser dada para melhorar a escrita dos próximos capítulos. Desejo uma boa leitura a todos~~

Aneki continuava dormindo...

Reike olhou para ela deitada com pouca roupa, em seguida foi até a janela.

"Não tem jeito, ela vai ter que se trocar, está muito frio lá fora", pensou ele. Foi até Aneki e tentou acordá-la com cuidado.

— Huh? Já são de manhã, Reike? — balbuciou ela com os olhos serrados enquanto ia se sentando na cama.

— Ainda não.

— Ahhh, então me deixa dormir! — Virou-se para o lado fechando os olhos novamente.

— O Brenered está chamando a gente Aneki, vamos! Você tem que trocar de roupa, lá fora está frio — Deu uma leve sacudida nela e ajudou ela a se levantar.

— Ok, ok — falou ela, já tentando tirar a regata.

— N-não faça isso na minha frente idiota!

Ignorando a ordem de Reike ela continuava tentando, mas não conseguia tirar a regata.

— Reike, me ajuda — pediu ela, com voz de choro. — Eu não consigo tirar...

— E como você quer exatamente que eu te ajude?

— Tira pra mim — falou ela, levantando seus braços para o Reike poder tirar a regata dela.

— Não acredito que você não consiga nem mais tirar a própria regata sozinha — reclamou ele. — Agora... — Foi com as mãos na direção da Aneki, hesitou ficando envergonhado.

"Agora não é hora para pensar bobagens", pensou criando coragem. Rapidamente avançou pegando nas pontas inferiores da regata e começou a tira-la.

Porém era inevitável, pois enquanto subia as suas mãos tirando a regata da Aneki, elas iam encostando na pela da garota, que estava ali, paradinha, de braços erguidos, com sua suave pele bem quente e só de calçinha... Reike até tentava desviar o olhar, mas não conseguia.

Chegou abaixo dos peitos e parou por um instante, ficando com as mãos encostadas perto dos seios dela, respirou fundo e continuo subindo, tirando toda a regata e vendo aquele lindo corpinho dela, completamente nu da cintura para cima.

O rosto de Aneki ficava cada vez mais vermelho ao ver que Reike estava observando os seus pequenos e rosados mamilos que estavam durinhos por causa do frio e também de sua excitação.

— A-anda logo Reike, está muito frio assim... — explicou envergonhada.

Caindo por si, pegou logo a outra camisa e vestiu-a na Aneki. Também pegou uma calça e pôs nela. Afim de que ela não passasse frio, Reike enrolou ela em um cobertor. Então trocou de roupa rapidamente, pegou ela no colo e então saiu do hotel junto com Brenered e Gusttavo, carregando ela, que adormecera em seus braços.

Ainda era de madrugada e o vento gelado fazia os pelos do corpo arrepiarem...

Reike carregava a Aneki como se fosse uma pena em meus braços, deveria ser resultado dos treinos com espada...

— Err... onde estamos indo? Esta tão frio...

— Você logo verá, Reike — responderam-no com um ar misterioso.

Aos poucos foram entrando na mata que havia ali por perto. A cada passo a flora ficava mais densa, mais negra... Aneki, que permanecia nos braços do garoto, com seu gemidinhos incessantes, começava a encolher-se de frio.

Até que chegaram à uma pequena clareira. Reike olhou em volta. Através das árvores só se via escuridão, uma escuridão impenetrável. No meio do local havia um toco de uma árvore cortada onde todos sentaram-se. Brenered começou a falar.

— Bem, já que Aneki está dormindo porque bebeu de mais, eu vou te explicar o que estamos fazendo aqui. Já que suas habilidades podem demorar muito para despertarem normalmente, pretendemos desperta-las de uma forma mais rápida...

— Já vi que vou me ferrar.

— Haha, com certeza. Você terá que lutar "até a morte"... e talvez morra mesmo... Passar por experiências muito emocionantes, ou de quase morte, geralmente faz as habilidades de controle espaço-temporal surgiram ou até melhorarem em alguns casos...

— E por isso vou ter que lutar com vocês, certo?

— Claro que não. Você é burro? — respondeu Brenered, olhando para Reike com cara de decepção. — Nós ficamos usando muito poder por aqui horas atrás — explicou. — é bem provável que logo apareçam alguns inimigos para nos caçar. Nós ajudaremos na retaguarda, mas cuidado, vamos deixar alguns passar para você.

— ...Está bem.

— Se prepare.

Reike sentou Aneki escorada no toco de árvore e posicionou-se ao seu lado observando a escuridão.

— Shiira, modo Kama ken (foice espada).

1, 2, 3, 4, 5... os segundos iam passando. O coração do jovem batia acelerado, era como se o tempo estivesse parando.

Reike permanecia parado, porém inquieto, segurando Shiira firmemente com suas mãos que já começavam a suar. Aneki de tempos em tempos mexia-se um pouquinho ou fazia algum som, o que sempre fazia Reike desviar seu olhar a ela, para logo em seguida voltar a fitar a mata. Atrás deles estavam Brenered e Gusttavo, os dois não pareciam nervosos, na verdade estavam bem calmos e relaxados.

O clima tenso não permitia Reike baixar sua atenção, por isso ele foi o primeiro a notar e falar em voz alta:

— Chegaram! — anunciou ao ver o primeiro inimigo que finalmente aparecera e agora vinha correndo em sua direção com uma espada.

Ao fitar o inimigo atentamente, preparando-se para combatê-lo, um rápido pensamento surgiu em sua mente. Ele nunca havia matado ninguém, será que conseguiria fazer algo assim? Reike hesitou por um momento dando um passo para trás. Bem, agora era tarde de mais para ficar pensando sobre isso. Se ele não atacasse, certamente morreria. Então atacou.

Reike era bem mais ágil que o outro homem. Aproveitando-se disso, correu o mais rápido que pode para cima do inimigo e desferiu um golpe com sua espada, sem dar tempo do inimigo defender-se do ataque.

Sua arma atravessou as vestes do inimigo e em seguida sua carne, a lamina cortava com tão grande facilidade que nem era necessário muito esforço. Logo o sangue começou a jorrar, e para sua própria surpresa não estava assustado, com medo ou sentindo-se mal com aquilo. Bem pelo contrario, aquilo era incrível, uma sensação tão excitante que decidiu continuar a cortá-lo até dividi-lo em duas partes.

A adrenalina começava a fazer o sangue do Reike ferver.

Mais e mais inimigos começaram a aparecer, porém matá-los não era uma tarefa difícil. Alguns até davam mais trabalho, porém nada realmente desafiante.

As armas iam se chocando e os gritos ecoando pelo local, realmente o resultado de seu treino era visível. Ele jogava suas laminas, balançando-as e manuseando-as através da corrente, matava vários inimigos sem que eles se quer o alcançassem. Os que conseguiam chegar até Reike tinham seus ataques defendidos e logo em seguida eram cortados, retalhados, mortos.

A negra floresta começava a ser pintada...

Pintada de vermelho... vermelho como rosas...

Porém essa cor não era bela. Era a cor da morte, a cor do viscoso sangue que escorria dos corpos estirados ao chão frio daquela noite que se preenchia de sofrimento, dor, angustia e tristeza.

Rodeado por toda aquela morte, Reike, cada vez mais, sentia-se vivo.

Um sorriso apareceu ao meio de toda a desolação do lugar. Não um sorriso qualquer, mas um sorriso repleto de insanidade e desejo de matar.

Os inimigos mais próximos hesitaram por um momento ao verem o rosto do rapaz e notarem que ele estava dando risadinhas, as quais aos poucos se tornavam gargalhadas aterrorizantes.

— Vamos lá, Reike! Esse é apenas um grupo de iniciantes, porém são numerosos. Não se descuide! — avisou Brenered em um tom de voz repleto de seriedade.

— Sim! Não se preocupe, haha — respondeu animado. — Isso é bem divertido... Pode vir mais! Eu vou matar todos vocês, seus lixos! — gritou de empolgação, afinal aquilo lhe era muito divertido. — HAHAHAHA!

Porém foi um grande erro chamar para virem mais. Acabou que um inimigo avançou para cima da Aneki, que ainda estava desacordada.

— Reike proteja a Aneki!!! — um dos dois gritou para ele. Foi quando percebeu que a vida da garota estava por um fio e não daria tempo de ele alcançá-la.

Seus olhos arregalaram, sua respiração parou, seu semblante encheu-se de seriedade.

"Eu não posso perder a Aneki, de jeito nenhum, ela é... ela é... importante de mais para mim!", um rápido pensamento transcorreu em sua mente.

Ele precisava alcançá-la, nem que isso custasse sua vida. Ele não podia deixar que ela morresse por culpa de um descuido como aquele. Conviver com a culpa disso seria impossível.

Na tentativa mais desesperada de salvar a garota, ele segurou com firmeza a Shiira e gritou com toda sua vontade. Gritou pondo para fora toda a sua raiva, todo o ódio, toda a confusão que estava em sua mente. Gritou expondo todas as suas aflições, mas também toda a vontade de salvar a Aneki, de viver junto a ela todo o tempo que lhe fosse permitido, isso era tudo o que ele queria, mas para isso tinha que chegar até ela.

De repente, sentindo sua mão arder como se tivesse sendo queimada pelo mais quente dos ferros, viu o mundo em sua volta parando por um pequeno instante e em seguida se viu posto à frente da Aneki.

Ela que abrira seus olhos calmamente — ainda sonolenta e sem entender onde estava — viu Reike surgir à sua frente, com a espada envolta em sombras negras que se materializavam e retalhavam o corpo do inimigo. Por um momento os seus olhos azuis se iluminaram ao ver que ele despertara dois poderes ao mesmo tempo, porém essa alegria não durou muito. Sua expressão logo mudou de orgulho para medo e espanto.

— Não vou deixar! MORRA! MORRA! Morra, morra, morra, morra, morra, morra...

Reike continuava desferindo incontáveis golpes no corpo caído. O sangue jorrava e voava nas roupas do Reike, algumas gotas chegavam até Aneki. Vendo essa cena, os inimigos começaram recuar de volta para a mata, enquanto o garoto continuava destroçando o cadáver.

De repente sentiu braços o envolvendo por trás, e uma doce voz tremula falando:

— Já chega... ele já está morto. Pare com isso Reike, por favor, pare! — A voz da Aneki ficava cada vez mais tremula a medida que lagrimas começavam a aparecer nos cantos de seus olhos. — Você lutou bem, obrigado por me defender... mas não precisa tudo isso... — Apertou-se mais contra Reike, abraçando-o bem forte.

O garoto ouvindo as palavras da Aneki abaixou sua espada. Ele estava ofegante, seu corpo todo tremia de tamanha agitação. Respirou fundo tentando se acalmar, fechou os olhos e concentrou-se para sentir os tranquilos batimentos do coração da garota... logo conseguiu acalmar-se também.

— Des... desculpa — Virou-se e abraçou a Aneki.

— Devemos ir rápido, antes que inimigos fortes cheguem — alertou Gusttavo, que olhava para os dois.

— Já é tarde... — falou Brenered olhando para frente, onde acabara de aparecer 5 pessoas. — São caçadores — informou.

— Vamos sair logo daqui! De acordo com o plano! — Aneki falou tocando no ombro do Reike e se teletransportando rapidamente com ele.

Estavam em um novo local. Aneki que se desequilibrara logo foi segurada pelo Reike.

— Ahhh, que dor de cabeça — reclamou ela.

— Não é à toa também — retrucou o rapaz que olhava em volta.

Era um campo aberto, sem árvore alguma. A grama alta e úmida aos poucos limpava o sangue nos tênis do Reike. O vento frio e a garoa faziam a pele gelar e a grama balançar.

Logo à frente luzes fracas brilhavam, eram lanternas japonesas. A medida que se aproximavam delas os casebres iam ficando visíveis. Sem duvida eles eram as entradas para a cidade dos Underdarks.

— Reike, o plano é o seguinte... nós vamos entrar no subterrâneo — começou ela. — O inimigo conseguirá nos seguir não importa aonde a gente vá, porém isso demora um pouco.

— Então por que vamos pro subterrâneo? — perguntou ele sem entender.

— Bem, para uma pessoa comum seria impossível entrar no subterrâneo, pois ela precisaria se jogar em um buraco que possui um mecanismo que corta ao meio tudo que chega ao fim dele. Nós nos jogaremos lá dentro.

— Não fode... — suspirou.

— E instantes antes de sermos pegos por este mecanismo vamos nos teleportar para dentro da cidade subterrânea — Continuo explicando o plano ignorando as reclamações do rapaz. — Assim os Lyryukus que estão nos perseguindo não conseguirão nos seguir, já que eles demoram um pouco para se teleportar a partir dos rastros que deixamos. Se eles tentassem, seriam destruídos pelo mecanismo. É um plano perfeito! — exclamou orgulhosa. — Porém não há espaço para duas pessoas entrarem ao mesmo tempo e se você teletransportar-se cedo de mais eles conseguiram seguir seu rastro, já se você demorar muito... vira presunto. você terá que se virar sozinho. Reike... você consegue? — Perguntou meio receosa, mas botando um pouco de pressão em cima dele.

— Err... bem... acho que... talvez?

— Bem, se você não conseguir você vai morrer — retrucou ela com um sorriso sarcástico na cara.

— Ok. Eu vou na frente — declarou Brenered aproximando-se dos dois.

— E eu vou logo atrás de você — avisou Gusttavo.

Os quatro, que agora estavam juntos novamente, foram caminhando até entrar em um dos casebres. Um barulho de ar sendo cortado ressoava pela casa.

— Realmente... esse buraco parece bem fundo — comentou Reike hesitando.

— Vai dar tudo certo. É só você prestar atenção no momento em que Brenered e Gusttavo vão se teletransportar e fazer o mesmo. Eu vou ir logo atrás de você — Aneki o encorajou.

— Está bem — respondeu ainda meio receoso.

Brenered pulou para dentro do buraco e se teletransportou, em seguida Gusttavo fez o mesmo.

— Acho que você viu bem o momento de se teletransportar, agora é só lembrar-se da sensação de quando você se teletransportou sozinho antes que você conseguirá se teletransportar de novo.

— E-espera! Você tem certeza que não há outro jeito ou coisa do tipo?

Aneki olhou para ele com uma cara maliciosa. — Boa sorte, HAHAHAHAHA! — deu risadas enquanto empurrava ele para dentro do buraco fazendo ele cair.

— Merdaaaaaaaaaaaaaaaaa!

"Fodeu! Fodeu muito! Concentre-se, concentre-se, rápido, tenho que teletransportar agora!", pensou rapidamente.

Novamente teve a sensação de tudo estar parando e quando se deu conta estava ao lado dos outros dois que já haviam descido. Logo Aneki apareceu do seu lado também. Tudo ocorreu como o planejado!

Olharam em volta e notaram uma silhueta próximo a eles... e um par de olhos se abriu...

Notas finais
Muitas coisas aconteceram nesse capítulo~~ Reike ficou insano... E quem será o 5º que apareceu ali no meio da escuridão?? Bem, espero que tenham gostado. O próximo cap. será postado assim que possível!