Seven
2 Capítulo 1
Notas iniciais
–Liz, amor, eu ‘tô dizendo, aquele moreno estava totalmente de olho em você. Suas pernas têm o poder e eu te invejo por isso.
–João, você é ridículo, esquece isso. Ele estava olhando para ver se você parava de encarar tão descaradamente! – Puxei ele pelo braço – Vamos para a sala, acho que se demorarmos mais, Anne e Paula vão atrás do gostosão.
–Até eu, gata!
Nós entramos na sala e as meninas nos seguiram. Eu pretendia contar a eles sobre noite passada, queria saber a opinião deles, ouvir que eu não tinha enlouquecido. João sentou-se no meio e os três me encararam, esperando que começasse. Não tinha mais volta.
–Não sei bem como começar. Que tal... “Meu pulso ‘tá queimando”? – Me olharam estranho, é claro. Ótimo jeito de começar, Elisa! – Ontem a noite enquanto voltava para casa senti que alguém me observava, mas não tinha ninguém lá.
–Ai, caramba, você não fez nenhum pacto, fez? – Anne olhou para mim como se não me reconhecesse.
–Anne! – Paula e João gritaram.
–Não, não fiz. – Olhei para baixo, não queria ver a acusação nos rostos dos meus amigos – E... eu desmaiei, vi uma ampulheta rachar e desmaiei. Acordei em casa.
Terminei de falar e risadas tomaram conta do lugar, isso despertou minha fúria, eles são meus amigos, tinham que me apoiar. Ah, quer saber? Posso me virar sem eles. Ignorei e a noite foi tranquila.
Mais tarde, todos se despediram e Anne veio falar comigo pela enésima vez:
–Desculpa o que eu disse mais cedo, foi sem pensar, da boca pra fora. Eu sei que você não é do tipo que mexe com essas coisas.
Apenas assenti.
Pacto. Quão ruim poderia ser? É só um demônio num pentagrama e um preço pelo seu serviço. Não custava nada tentar.
Corri para dentro de casa, sabia do passado da minha mãe e exatamente que demônio chamar. Era de madrugada, então evitei fazer muito barulho, comecei a remexer nas gavetas até que encontrei o livro, era extremamente grosso, porém leve. Folheei e achei a página. Depois de reunir tudo o que precisava, saí. Precisava de um lugar longe dos outros demônios, onde ninguém pudesse ajudá-lo. A praia era perfeita, foi lá que a guerra aconteceu, o lugar estava esquecido. E tinha o bar abandonado onde me esconder como plano b.
Chegando lá fiz o pentagrama no chão, acendi as velas e para proteção desenhei um círculo de sal no chão e entrei nele. Chamei o demônio com cânticos do livro e uma silhueta começou a se formar. Moreno, alto, jaqueta de couro, olhos negros e sorriso assustador.
Enfiei as mãos nos bolsos da jaqueta e tentei sorrir, ele não tinha como me machucar.
–Meu nome é Andrew. Seu pedido é tão foda quanto essa blusinha apertada?
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