Skyler tinha apenas quinze anos. Não era do tipo atlético, era um menino franzino e introspectivo, não gostava de chamar atenção para si, nunca fora de correr riscos, mantinha uma vida pacata e nunca saia de sua zona de conforto, mas isso não iria durar muito tempo, como vocês devem saber, a vida costuma nos pregar muitas peças, não é?

Morava com seus pais no subúrbio de uma cidadezinha ao norte de lugar nenhum, era uma daquelas cidades em que todos se conhecem e qualquer ação que você faça, consciente ou não, vira motivo para fofocas e boatos. Como já deu para perceber, uma daquelas cidades em que é raro um forasteiro, afinal, o que o fariam lá? A única atração daquela cidadezinha pitoresca no meio do nada não passa de um posto de gasolina, que possui uma loja de conveniências que mal se assemelha a um shopping.

Skyler mantinha uma paixão secreta por Joana. Ao contrário de uma históriazinha de amor clichê, Joana não era a garota mais popular da escola, muito menos a mais bonita, de fato Joana era tal qual Skyler, sua zona de conforto era intocável, ele até que possuía alguns amigos Tão estranhos quanto ele, mas ainda sim, amigos porém Joana cortava todo tipo de interação humana, a consideravam a aberração da escola. Mas Skyler enxergava além, via em Joana um pedaço de si, entendia (ou pelo menos achava que sim) seu sofrimento, afinal, não deve ser fácil ser nova na cidade e alvo das especulações dos abutres daquela cidadezinha podre.

Joana havia chegado havia dois meses e Skyler à observava desde então, reparara em cada detalhe de seu rosto, achava aquela cicatriz em cima de sua boca muito charmosa, adorava o jeito como ela ajeitava o aro do óculos toda vez que ficava nervosa e como ela comia primeiro a borda do sanduíche antes de devorar o resto, se achava ridículo por saber tantos detalhes, porém não conseguia parar de olhá-la.

Certo dia sufocado com todo o sentimento que guardava para si, decidiu segui-la até sua casa a fim de tentar achar uma oportunidade de conversar com ela e se apresentar. "Olá, eu sou Skyler Bennet!!!", não, estúpido demais. "Oi, eu sou Skyler Bennet, mas pode me chamar de Sky", não, abusivo demais. "E aí? Eu sou Sky" não, não e não. Ele não conseguia achar frases plausíveis para tal invasão repentina do espaço pessoal de Joana, como explicaria o porque de tê-la seguido até sua casa? Ela o acharia mais esquisito do que ele já aparentava ser.

Perdido em seus pensamentos Skyler viu de relance Joana entrar em um beco que ele prometera nunca mais passar nem por perto, quando criança ele e seus amigos viam e ouviam coisas estranhas vindo de lá de dentro, mas agora não passava de uma lembrança ao longe sussurrando em sua mente. Cego de paixão e movido por seu coração (ou hormônios, que seja) adentrou na escuridão, a neblina cegava seus olhos e os fazia arder como cebolas ao serem descascadas, Skyler ficou atordoado tateando o nada até achar uma maçaneta em meio a uma parede de tijolos, por essa ele não esperava, entrara nesse beco com seus amigos quando criança e não encontrara nada além da carcaça em decomposição de um cachorro velho.

Abriu sorrateiramente a porta e logo se arrependeu, nunca vira nada igual, nunca acharia que Joana, a única garota que um dia amou, faria algo como isso, algo que nunca tinha visto nem nos piores filmes de terror ou em seus sonhos mais loucos, era grotesco, o terror estampava seu rosto, quando deu meia volta para sair sem ser percebido, sentiu uma lâmina abrir seu peito, abaixou sua cabeça e viu seu sangue correr por entre seus dedos, era tarde demais, havia perfurado uma artéria, olhou para cima e a última imagem que viu foram aqueles olhos, os olhos que quando fitou pela primeira vez, achava que tinham lhe trazido a vida, mas agora lhe traziam seu último suspiro, seu último sopro de vida lhe fora usurpado por aquela que ele jamais deixara de amar...

Notas finais
Comentários de qualquer espécie são bem-vindos. Você amou, odiou? Me deixe saber!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!