Seus Olhos
18 Capítulo XVII
Notas iniciais

Dezembro de 2088
A noite cai lá fora, mas não era como se desse para ter noção de dia ou noite naqueles dias em que a poluição estava tão grande e encobria o céu com uma nuvem cinza.
Henrique que estava olhando o céu da janela suspirou. Estava preocupado, pois sentia uma sensação estranha e começava a se questionar o que Matheus estaria fazendo e se isso podia colocá-lo em perigo.
— Henrique! — Uma voz feminina estridente o chamou.
Ele olhou para trás e viu uma jovem de cabelos ruivos amarrados em um rabo de cavalo.
— O que foi Maria? — Ele olhou cansado para ela. Sabia que ela ali era sinônimo de encrenca.
— Você não acha que deveria estar ajudando a encontrá-los, ao invés de estar aí admirando o céu? — Ela o fuzilou.
— Eu sei que não tenho obrigação alguma em relação a isso.
Maria suspirou.
— Precisamos da sua ajuda. São dois fora agora. — Maria se aproximou de Henrique.
— Eu sei, Mari, mas está fora do meu campo de atuação. — Ele deu as costas para ela.
Maria revirou os olhos para ele e antes que pudesse ir embora viu uma senhora parada ali próximo.
— Olá minha jovem. — Disse a senhora olhando nos olhos de Maria.
Maria se sentia incomodada todas as vezes que se encontrava com aquela senhora. Ela desviou o olhar e prosseguiu o caminho.
— Há outro fora? — A senhora de cabelo grisalho pareceu preocupada.
Henrique se surpreende com a senhora ali perto.
— Não precisa se preocupar, vó. — Henrique disse calmo.
— Vocês deveriam correr atrás e logo, é para isso que seu pai treina vocês. — A senhora resmungou.
— A senhora sabe que não faço isso
— A senhora sabe que não faço isso. — Ela repetiu debochada. — Pois deveria começar a fazer, irei conversar com seu pai.
Henrique a olhou furioso. Odiava quando ela começava a resmungar e estava fazendo muito aquilo ultimamente.
— Mamãe, o que a senhora está fazendo aqui? — Um homem de cabelos negros apareceu.
— Cuidando do que aparentemente você não cuida. Seu filho, deveria estar a procura deles.
Henrique olhou para o pai desaprovando as falas da avó. Seu pai sorriu para o filho e disse para não se preocupar.
— Se vocês não correrem, o tempo vai começar a engolir-los. — Disse a senhora que saiu rindo da sala.
O filho dela a olhou partir e começou a se questionar se a mãe não estaria ficando louca. Mas tratou de afastar aquele pensamento, poderia se preocupar com aquilo depois. Havia coisas mais importantes no momentos para se preocupar. Olhou para o filho parado próximo a janela.
— Vai descansar, amanhã estará de pé cedo para ir junto com Maria. — Disse o homem olhando o filho com cuidado.
— O senhor sabe que não faço isso. Isso é trabalho para os guardiões. — Henrique protestou.
— Mas agora precisamos de você. — O pai encarou o filho. Não era muito de fazer aquilo, mas fazia quando necessário.
Henrique o encarou de volta, mas sabia que o pai não mudaria de ideia e desistiu. Saiu da sala deixando o pai sozinho.
O homem viu o filho partir, sentindo uma sensação estranha. Mas ignorou.
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