Seus Olhos
16 Capítulo XV
Notas iniciais

Dezembro de 2020
A jovem se olhou no espelho. Estava usando um vestido preto de lurex rodado, com um decote em v, que acentuava seus seios e o pingente de círculo do colar que sua mãe lhe dera. Os cabelos negros estavam arrumados em lindos cachos pelas costas e o rosto carregava uma maquiagem pesada. Ela sorriu ao ver seu reflexo, estava bonita e fazia tempo em que não ficava bonita. Se sentou para colocar a sandália de salto preto e ao amarrar a sandália na canela viu a pulseira dourada em seu pulso.
Há dias pensava em tirar a pulseira, pois toda vez que olhava para ela se lembrava dele. Mas havia sido um presente dado com tanto carinho, mas também com a promessa de que ela faria ele feliz. Mas ela nunca pode cumprir isso. Suspirou e tirou a pulseira do pulso deixando em cima da mesa lateral da cama.
Se olhou mais uma vez no espelho e pegou a bolsa em cima da cadeira, antes que pudesse fechar a porta do quarto sentiu que faltava alguma coisa em si. Olhou pelo quarto e para seu reflexo no espelho, estava tudo no lugar. Não faltava nada. Mas seu olhar parou na pulseira em cima da mesa lateral. Pegou a pulseira e guardou na bolsa.
Era noite e ela saia de casa. Fazia tempo em que não saia a noite com seus amigos, mas era aniversário de Mel e ela não podia faltar na comemoração da amiga. Ela ia fazer o aniversário em um bar.
Um carro preto parou em frente a sua casa e Mel meteu a cabeça para o lado de fora. Era o carro do aplicativo. A jovem entrou no banco de trás onde já estava Bia e Lucas.
— Uau! — Bia comentou.
— Uau mesmo! Fazia tempo em que não víamos a nossa Lici assim. — Mel sorriu ao virar para o banco de trás.
— Hora de mudar. — Alicia forçou um sorriso.
— Ai sim! Finalmente passou a fossa. — Bia riu.
As amigas da jovem sabiam que ela havia se apaixonado por alguém, mas Alicia nunca quis dizer quem foi. As amigas apenas passaram com ela a tristeza dela, sem questionar muito.
O carro parou em frente a um bar com aspecto antigo na frente e luz amarelada. Eles não esperaram muito do lado de fora e entraram. Lá dentro tocava uma música legal de batida meio lenta. Alicia olhou todo o local. Não procurava mais ninguém ao entrar nos locais, mas não havia perdido a mania de dar uma olhada geral.
Os amigos se sentaram em uma mesa e pediram uma porção de batata para o garçom, Mel e Lucas pediram uma caipirinha. Ambos já tinha 18 anos e Mel queria comemorar bem os 18 anos. A porção chegou e eles se serviram rápido, logo depois Mel e Lucas foram para a pista de dança, a pequena pista que havia no bar.
— Não me deixe só. — Disse Alicia.
— Você vai desperdiçar toda essa produção aí sentada. — Bia fez bico.
— Vou. Não quero dançar.
— Mas vai sim. Vem comigo! — Bia puxou a amiga pela mão.
Alicia protestou um pouco, mas Bia conseguiu convencê-la e ambas foram para pista de dança. Dançaram umas três músicas, até Alicia se cansar e voltar a sentar na mesa. As amigas riram dela, mas ela não ligou, estava cansada. Ficou um pouco na mesa e depois foi ao banheiro. Viu seu reflexo no espelho, a maquiagem já havia saído um pouco, e o batom já não estava mais lá devido a comida. Pegou o batom da bolsa e retocou, ao guardá-lo de volta, viu a pulseira de ouro brilhando na bolsa pequena. A jovem pegou a pulseira e tentou colocá-la no pulso, não conseguiu muito e saiu do banheiro para pedir ajudar alguma amiga, mas elas continuavam na pista de dança.
Ela se sentou na mesa e ficou tentando colocar a pulseira.
— Posso ajudar? — Uma voz masculina perguntou.
Alicia levantou o rosto surpresa e viu um homem desconhecido a sua frente. Por um segundo seu coração pulou de alegria pensando que poderia ser outra pessoa.
— Precisa de ajuda? — O homem voltou a perguntar.
Alicia olhou para pulseira em seu pulso desabotoada e para o homem.
— Sim. — Forçou um sorriso.
O homem se sentou ao seu lado e pegou no pulso dela. Alicia recuou ao toque frio dele.
— Desculpa, estava mexendo com água. — Ele disse.
— Tudo bem.
Ele fechou a pulseira no pulso dela.
— Sou Pedro. — Ele sorriu e mostrou as covinhas.
Pedro era alto, de ombros largos e possivelmente tinha um corpo definido embaixo daquelas roupas. Seus olhos eram castanhos escuros, cor chocolate e seus cabelos castanhos bagunçados.
— Alicia. — Ela forçou um sorriso.
Ele era bonito, pensou Alicia.
— Sua pulseira é bonita, presente de namorado? — Ele perguntou.
Alicia analisou a pergunta dele. Ele era um cara bonito no meio de um bar, que quis ajudá-la involuntariamente e óbvio que ele tinha algum interesse nela. Ela mordiscou a bochecha, pensando se respondia ele educadamente ou se dava o fora e ia se juntar as amigas. Mas em meio aos seus pensamentos, ela procurava um bom argumento para dar o fora nele.
— Não. — Ela disse não encontrando nenhum bom motivo. — Só de um velho amigo.
— Ele tem bom gosto então. — Sorriu mostrando as covinhas.
Ao longe as amigas viram Alicia com um homem e sorriram. Elas sabiam que talvez um homem fosse ajudar amiga naquele momento a esquecer a tristeza que a consumia.
Eles começaram a conversar sobre a música que tocava, era algo do Jaymes Young, um cantor que Alicia gostava bastante e Pedro concordou com ela que ele cantava bem.
Alicia mordiscou a bochecha com a ideia que veio em sua cabeça. Ela tentava esquecer Matheus e a loucura que foi com ele e todo o lance de viagem no tempo, apesar de ser bem difícil esquecer tudo. As vezes ela deseja bater a cabeça e perder a memória, mas sabia que aquilo não ia acontecer. Mas vendo Pedro ali, se perguntou se ficar com outra pessoa, não poderia fazer ela esquecer ao menos o Matheus.
Ela arrumou a cadeira dela para mais perto de Pedro.
— E o que você gosta de ouvir? — Ela perguntou sorrindo.
— De tudo um pouco, sem nenhum gosto específico.
— Eclético então?
— Pode ser. — Ele deu de ombros sorrindo.
— E sobre mulheres? — A jovem sorriu maliciosamente.
— De você eu gosto. — Ele deu um sorriso de canto.
Alicia se aproximou dele, próximo a orelha.
— Há algum lugar mais reservado? — Ela questionou.
Pedro sentiu o hálito quente dela próximo a ele, o que fez os pelos de sua nuca arrepiarem. Mas por dentro ele sorriu a si mesmo, ao saber que estava dando certo.
Ele se levantou e pegou a mão dela.
— Vem comigo? — Questionou.
Alicia concordou com a cabeça e seguiu a ele. Deu uma olha para as amigas e piscou para elas sorrindo. Esperava está fazendo a coisa certa. Afinal ela não tinha certeza se aquilo realmente funcionaria.
Pedro a levou para dentro do carro dele.
Por um momento Alicia pensou se algo ruim não poderia acontecer a ela. Ouvia relatos de várias mulheres por aí, mas tinha uma força maior guiando ela. Ela queria esquecer o Matheus e esperava que aquilo a fizesse esquecer. Afinal Pedro não era de se jogar fora.
Eles entraram no carro no banco de trás. E antes que Lici pudesse pensar racionalmente e calcular suas ações, ela se jogou em cima de Pedro o beijando. Um beijo intenso, onde sua língua queria explorar cada parte da boca dele. A mão dele foi para em sua nuca a puxando para mais perto de si a cada beijo, até que ela deslizou pelo o corpo de Alicia e foi parar em seu peito.
Antes que Alicia pudesse protestar, Pedro alcançou o bico de seu seio e massageou, fazendo Alicia gemer em sua boca. Ela sentiu seu corpo vibrar a cada toque dele. E se separaram do beijo, a boca de Pedro deslizando pelo corpo da jovem até chegar ao seu seio que estava desnu agora. Sua mão foi parar na barra do vestido dela, subindo para cima e alcançando a lateral da calcinha dela, e a tocou.
Alicia gemeu baixo, mas ao sentir os dedos dele a tocando, seus gemidos foram ficando alto, até que ela mordeu os lábios para abafar. Mas ele não parava e cada vez mais a tocava intensamente, enquanto beijava o corpo dela. Antes que ela pudesse gemer alto e denunciasse o que faziam no carro, ela puxou o rosto dele para cima e o beijou e abafou o seu gemido no lábios dele.
Pedro a tocava e ouvia cada gemido dela como um louvor.
Os dedos dele foram mais intenso e Alicia começou a sentir suas pernas falharem. Mais rápido e Pedro sentiu ela se derreter em seus dedos. Alicia gemeu alto dessa vez sem abafar e ao olhar para o rosto de Pedro, aqueles olhos castanhos, viu Matheus e seus olhos cor de mel. Ela piscou e voltou a ver Pedro.
Os dedos dele foram mais rápidos. Mas a jovem se sentiu desconfortável.
— Pare. — Ela pediu. Pare!
Pedro a olhou confuso, mas parou e tirou os dedos.
Alicia se arrumou no banco do carro, cobriu o seio que estava nu e arrumou os cabelos. Tentando entender o que estava acontecendo. Como podia ter pensado nele, estando com outro homem? Droga!
— Está tudo bem, Alicia? — Ele olhou para ela confuso ainda.
— Esta. Desculpa, a culpa é minha.
Não havia dado certo.
— É alguém né? — Ele sorriu mostrando as covinhas.
— Alguém que já deveria ter desaparecido faz tempo. — Ela suspirou pesado.
— Não é assim que funciona.
— Infelizmente.
— Quer voltar para o bar com suas amigas? — Ele encarou os olhos verdes dela.
— Desculpa realmente. Me sinto uma idiota. — Ela olhou para ele forçando um sorriso.
— Está tudo bem, não precisa se desculpar. — Ele tocou uma mecha do cabelo dela o colocando para trás. — Vamos?
Ele arrumou a roupa e saiu do carro estendendo a mão para ela ir junto. Alicia pegou na mão dele e saiu do carro. Até o caminho de volta do bar eles foram de mãos dadas, Alicia não se perguntou porque ele não soltou, mas ela não importou de ir segurando também.
— Você é encantadora. E quem quer que seja que te perdeu, é um completo idiota.
— Obrigada. E acho que concordo com você. — Ela sorriu.
— Olha só, já está começando a odiá-lo. — Ele deu aquele meio sorriso.
— Aos poucos né. — Ela riu.
— Agora está melhorando, uma risada. — Ele riu com ela.
Alicia o olhou encantada. Ele era divertido e encantador também.
— Você é encantador também. — Ela sorriu.
— Assim fico convencido.
Eles riram um para o outro e olharam suas mãos entrelaçadas, ficaram alguns segundo encarando elas até soltarem.
— Me passa seu número. — Ele pediu.
Alicia anotou o número dela no celular dele e o devolveu.
— Até mais, Ali. — Ele deu um beijo na bochecha dela e foi embora.
Alicia sorriu consigo mesma. O que tinha acabado de acontecer? Ela voltou para dentro do bar e viu as amigas sentadas na mesa, se aproximou e sentou ao lado delas.
— O que aconteceu, Alicia Melo? — Bia perguntou assim que viu amiga.
— Nada demais, mas ele tem o meu número. — Ela contou contente.
— Ele? Por que você não pegou o dele? — Mel ficou intrigada.
— Algo me diz que ele vai me chamar. — Sorriu.
— Não acredito, que Alicia irá finalmente arrumar alguém! — Bia gritou, mas ninguém do lado ouviu por conta da música.
As amigas riram juntas. E Lici voltou a se lembrar de Pedro, poderia dar certo ou não. Não queria criar expectativas.
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