Bianca tinha chegado tarde naquele dia. Foi ao quarto, trocou de roupa, ficou se olhando no espelho, nada que não parecesse com ela, a não ser o fato de que os olhos estavam roxos de tanto chorar, imaginei. E eu? Eu tava lendo meu velho livro e escutando música

–Que foi Bi?-Me levantei da cama e fui até o espelho onde estava-

–Na — nada, K..-Bianca se vira pra mim com um sorriso montado e limpando as lágrimas-

–Como nada, cê ta chorando!

–Me deixa Karina, foi só um colírio que eu coloquei e ta ardendo um pouco

–Colírio..Sei bem o que foi-Saí do meu quarto e ela tentou me seguir, fui caminhando de leve a medida que fui chegando na sala-Pai a Bi..-Encontrei o mestre chorando, a cena era de arrasar-Pai você também?-Ele deu as costas como se tivesse evitando que eu o visse daquele jeito, mais era inevitável-

–Filha..Acho que a gente precisa conversar

pude escutar os passos da Bianca vindo na minha direção

–Não pai!-Ela gritou-

Ele fez um gesto impedindo a Bianca e eu me sentei ao seu lado

–O que houve pai?

–Karina..-respirou fundo-Eu não sou seu pai

–Co — como assim não é meu pai? De onde tirou isso, Pai?

–Parece que sua mãe teve um caso com um outro homem, artista enquanto estava na Ribalta

–outro homem?

–Pai..-Bianca tentou interver mais uma vez-

–Ela precisa saber da verdade-Ele ordenou-

–Se você não é meu pai, então..

–Eu não tenho certeza-Ele tentou responder, mais saí o quanto antes-Karina!

corri o quanto pudia e me tranquei no meu quarto, a dor e a revolta que estava em mim era muito maior, como falar uma coisa dessas pra alguém que já faz parte da sua vida a tanto tempo, e assim, do nada?