De tarde na sala, Dandara preparava o jantar e o maluquinho continuava me encarando

–Será que dava pra parar

–Ta desculpa..-Ele voltou pro celular e eu pro meu livro-

a campainha tocou

–Filho da pra atender a porta-João permanece em silencio e eu me levanto-

lá está ele, cabelo bagunçado, olho meio puxado, sorriso irritante

–Boa noite..

–Boa-Dei um meio sorriso-

–Então é verdade mesmo?-Ele foi entrando sem permissão-O João ta namorando mesmo, Tia Dandara?-Ele gritou querendo provocar o amigo-

–Não-ela sorriu-A Karina é minha Hóspede, vai passar uns tempinhos aqui em casa-

–Jura?-Ele ficou me analisando de cima a baixo-Seja bem vinda a família, Kah

–Karina, meu nome é só Karina-Fechei os olhos irritada-

–Ela é esquentadinha né..-Ele ficou rindo enquanto minha raiva só aumentava-

–Deixa a menina, Pedro..-Dandara saiu da cozinha enxugando as mãos-Deixa de briga e vem aqui me ajudar com os pratos

–Opa, Tia, só se for agora-Ele foi correndo lhe ajudar e eu me joguei no sofá irritada-

–Relaxa, ele não morde, não

–Te perguntei alguma coisa?

–Ta foi mal, só queria ajudar..Garota maluca-Ele se afastou-

Fiquei analisando aquele menino, o que ele tinha que me intrigava tanto, ele era tão estúpido e ao mesmo tempo inofensivo..Tinha alguma coisa nele que parecia que ia fazer sentido na minha história.

–Crianças, o jantar ta servido-Dandara anunciou-

Pedro saiu da cozinha e ficou parado na porta

–Vai ficar, ou vai embora?-João perguntou-

–Não sei..

–Fica Pedrinho, aqui tem comida pra mais de um-Ela foi simpática e ele se sentou ao meu lado-

–Sendo assim eu fico-Ele me olhou e sorriu com os olhos-

depois do jantar todos descemos até a praça e ela foi me mostrando os principais pontos do bairro

–E que prédio é aquele-Apontei-

–A Famosa Escola de Artes e Música, Ribalta-Ela despertou meu interesse-

–Ah, então essa é a Ribalta..

–Isso mesmo, onde sua mãe brilhou como Atriz por anos e anos até você nascer

–Até ela morrer você quer dizer né..-Caminhei um pouco para o lado-

–Não fala assim Karina, não foi sua culpa..-Não dei ouvidos e continuei caminhando-

–Como assim, culpa dela?-Pedro perguntou-

–A mãe dela morreu durante o parto...

–Então foi mesmo culpa dela

–João! Não fala essas coisas filho-Ela foi caminhando e brigando com o filho enquanto notava os passos "dele" se aproximar. ele Sentou — se ao meu lado e ficou calado até sair tudo de uma vez

–Não acho que seja sua culpa

–Você nem me conhece, como pode achar alguma coisa sobre mim

–Sei la, eu só acho..Eu sei que você não foi com a minha cara mais é que..Sei la você triste assim

–Olha, tudo que eu menos quero é pena, a minha vida já ta muito bagunçada pra ouvir essas coisas

–Não tenho pena de você-Ele chamou minha atenção-Compaixão é diferente de pena..-Trocamos olhares naquele momento, ele tentou se aproximar e foi fechando os olhos, já sabia o que ele queria e o que ia acontecer então me levantei-

–Também sei que o que você queria era outra coisa..-Saí de perto e ele tentou me seguir-

–Espera Karina, não é nada disso..Droga!-Ouvi seus gritos da pracinha, mais não dei ouvidos a ele-