Seu Anjo
8 Capítulo 08
Notas iniciais
Pov. Bella
Rose me encarava, vez ou outra pelo retrovisor enquanto dirigia rumo a Forks. Eu ainda estava encolhida no banco de trás, totalmente pasmada com o que aconteceu.
Minha irmã quase surtara quando me viu sair do banheiro pior do que fui, com o rosto banhado em lágrimas. Me acompanhando até o carro, Rose me pediu para acalmar-me enquanto digitava uma mensagem a Emmett dizendo que iria para casa. Eu não queria ter feito isso com a minha irmã. Rose não merecia isso de mim, sua irmã. Que impressão eu dei a Emmett? Óh Deus, eu era realmente uma maldição para Rose e todo o resto.
— Bella? O que houve?- ela disse assim que acelerou para fora do restaurante e, aos plantos, contei o que ouve no banheiro.
Beijar Edward tinha sido a consumação de um sonho bonito para mim. Eu o amava. Ele era minha alma gêmea, eu sempre soube. Nada se comparava ao amor que me enlaçava e me trazia a borda. Fazia-me viva e feliz.
Porem, era uma felicidade errada. Enganosa. Uma farsa. Edward não me amava de verdade. Sentia desejo por mim, mas seu coração, não era e nem nunca seria meu. Sua alma não era minha.
Podia eu suportar a ideia de ter só seu corpo, uma parte tão... Mundana?
A quem eu quero enganar?
É claro que eu ficaria se isso significasse tê-lo só pra mim.
Eu não podia negar que ele me atraia. Que meu corpo estremeceu com o contato do seu corpo másculo desenhando as curvas do meu em um abraço intimo. Suas mãos em minha cintura e seus lábios juntos aos meus. Senti pela primeira vez, ficar excitada. VERDADEIRAMENTE EXCITADA. Como se as roupas que usávamos fosse um empecilho para a perfeição que existia entre nós.
Mas no fundo eu sabia, eu era a única a sentir aquele fogo intenso de paixão. Aquele amor louco.
— Bella, você sempre me falou que amava Edward- disse Rose, quebrando o silencio de repente- Você o beijou, o que há de mal?
— Não é bem assim Rose. Eu sei que Edward tem... Desejos...
— Bella, eu sinceramente não te entendo! Você chora sempre por ele, e agora que teve uma chance de ficar com ele, chora como uma louca e o deixa lá, sozinho?
— Rose, Edward AMA a Victória.
— Não Bella! Não AMA- frisou também a palavra- E para de achar isso, droga! Você tinha que ver a cara que ele fez quando viu que você ficou mal. Ele mesmo quis te ajudar no banheiro.
— Eu não sei, Rose...- então minha irmã me ignorou e estacionou. Já havíamos chegado em casa e eu mal tinha visto o trajeto.
Desci do carro da minha irmã e vi Jasper na varanda de casa. Lendo um livro
— Meninas! Que bom que chegaram!- então ele viu nossas caras e mudou as feições de feliz para confuso- O que houve?
— É a Bella...
— Rose, por favor, não incomode Jazz com isso!
— É Edward Cullen de novo, não?- disse me olhando profundamente
— Como você...
— Sabia?- completou- Bom Bella, além do fato de você ser a minha irmã, eu me preocupo com você! Eu vi uma noite você chorar repetindo o nome dele enquanto Rose te ninava. É claro que eu perguntei a ela no dia seguinte- Então ambos trocaram um olhar.
Jazz sabia. Rose sabia.
A quem eu queria enganar?
— Eu... Eu vou subir- então eu subi para meu quarto como uma louca, tirando o lindo vestido e todo o resto e indo em direção ao banheiro. Eu precisava de um banho. Precisava esquecer essa noite. Precisava esquecer Edward.
A agua morna tirava algumas das tensões em meu corpo, mas não a maior delas: a dor em meu coração. Lembrei novamente do meu momento com Edward e por um instante, gemi com a lembrança. Tentando conhecer meu corpo humano, vi o quanto certo ponto da minha anatomia parecia excitado e o toquei, pensando nos lábios suaves e doces do meu Edward em mim, sua língua desvendando todos os segredos e todos os cantos da minha boca e me ouvi gemer sobre a ducha, tocando meu centro pulsante e excitado. Pensei em meu sonho e logo me vi aumentando a fricção do meu próprio toque e gemi por meu amor
— Edward... Edward — De olhos fechados e boca aberta em um silencioso grito mudo, imaginei ele a minha frente, com seu corpo colado ao meu, despido de roupas em toda sua perfeição- Por favor, meu amor- choraminguei excitada- Seja meu, Edward. Preciso tanto de você- eu falava entre ofegos, sentindo minha liberação me alcançar e enfim, imaginando ali comigo, tão excitado quanto eu.
Depois que terminei o meu banho e percebi o que fiz, me senti estranha. Era bom, mas ter meu toque parecia tão... pouco. A verdade é que fantasiar ter Edward ali comigo me afetou demais. Ele me afetava demais. Aquilo era errado? Desejar um prazer carnal desmedido com quem não era nem meu? Bom, em meus sonhos, pelo menos, ele me pertencia.
Deitei em minha cama e logo desejei que o sonho me levasse logo. A realidade, como diria Rose, era uma puta.
— x –
Na manhã seguinte, tudo o que eu tinha vivenciado no dia anterior pareceu um passado muito longe e doloroso do qual nem Rose nem Jazz queriam me lembrar. Tomamos o café da manhã juntos, todos em silencio, o que era estranho entre nós.
Sai pra trabalhar e o dia foi normal. Até um pouco sem graça já que Jéssica havia faltado e eu estava sozinha atendendo as mesas hoje.
Quando o turno acabou, fui para a escola, tive minhas aulas, mas o que me surpreendeu foi quando sai e vi uma imagem esquisita.
Victória estava na praça, conversando com um homem loiro de cabelos meio acinzentados. Os dois pareciam estar em uma discussão acalorada.
Refleti por um momento: eu devia vigia-la? Poderia ver o que estava acontecendo? Balancei a cabeça por um momento; eu não era mais a anjo da guarda de Edward, mas mesmo assim meu instinto de proteção gritava para eu ir ver o que estava acontecendo com Victória.
Ela e Edward terminaram, mas aquilo não significava que eles não fosse voltar. Talvez ela e este homem fossem apenas amigos.
Gritando contra meu senso de auto preservação, me escondi atrás de uma das arvores da praça, onde dava pra ouvir e ver a conversa sem ser vista. Era errado, mais algo me dizia que eu devia fazer isso.
— Você é um idiota!- Ela murmurou para o loiro- Eu tinha te falado que isso ia dar problema e olha no que deu!
— Eu já resolvi isso, Vic.
— Resolveu?- perguntou irônica, franzindo as sobrancelhas perfeitas- Você acha que isso foi a solução mais inteligente?
— Foi a mais rápida- ele contra argumentou.
— Não importa. Você se meteu nessa- apontou o dedo no peito dele, rudemente- E adivinha só? Veio pra cá pra estragar com a minha vida, como sempre faz.
— Vic, não fala assim...
— Não fala assim? Droga James, você não devia ter vindo pra Forks!- bufou
— Eu sei...- ele disse e a encarou profundamente- Mas eu estava com saudade, e precisava de você...
— Mentiroso. — acusou- Você só está aqui porque está enrascado lá em Seattle.
— Amor...- ele a chamou meio dengoso e eu paralisei com o apelido, arregalando meus olhos- Eu estava mesmo com saudade. Você sabe os meus motivos e sabe porque eu fiz aquilo. Fiz isso por nós. Para o nosso futuro. Era esse o nosso plano.
— SEU plano.- frisou- Seu e da minha mãe.
— Renée só quer o melhor pra você, amor.
— Eu sei disso- suspirou- Só que ela está me pressionando.
— Como assim?
— A porcaria do herdeiro Cullen. Aquele bastardo miserável me largou.
— Te largou? Isso não faz sentido Vic.
— Não, não faz. Mas eu sei que no fundo isso tem a ver com rabo de saia- murmurou ferina e raivosa- Edward Cullen não perde por esperar. Ele vai ser meu.
— Gosto da sua obstinação, querida, mas o que pretende fazer?
— Dar o golpe da barriga, é claro- murmurou e eu senti cada pelo do meu corpo se eriçar ao ouvir aquilo. Que tipo de pessoa minha irmã era? Deus, ela era um monstro- Tentei empurrar um noivado e até ofereci sexo pra ele.
— Você fez isso?- perguntou o tal James, espantado.
— Claro! Disse pra ele que queria que ele fosse meu primeiro.- James gargalhou alto e Victória o olhou meio irritadiça.- Ri baixo, idiota.
— Relaxa amor, não tem ninguém aqui perto. Essa é uma cidade “morta”.
— Morta e chinfrim. Credo, aqui é praticamente uma selva. Sem nada bom.
— Você devia voltar pra Seattle comigo...- disse sedutor
— E encarar sua “noiva”?
— Porra, você não vai esquecer isso, né?- revirou os olhos.- Não importa, ok? Consegui com que ela assinasse uns papéis e “Voilá”, a herança inteira dela está na minha conta bancaria.
Victória gargalhou maldosa e meus olhos começaram a ficar cada vez maiores e meu assombro era sem tamanho. Como esta criatura horrível podia ser a alma gêmea do meu Edward? NÃO. ELE NUNCA SERIA DELA!
Mesmo que eu morresse tentando, eu ia separa-los, estava decidido!
Victória era uma criatura desprezível e este homem com ela era um canalha da pior espécie e ainda seu cúmplice e de Renée
Saindo dali sem fazer barulho algum, corri para minha casa e abri meu computador.
Precisava pesquisar na mídia se havia algum escândalo envolvendo uma jovem herdeira de fortuna que perdeu tudo em Seattle.
Não demorou muito para eu achar uma matéria em “O diário de Seattle” de uma linda moça que havia perdido toda sua fortuna vítima de um golpe. Na foto, ela estava abraçada ao mesmo homem que estava na praça com Victória, e ele era o principal suspeito da investigação. A única diferença do homem da praça e o cara da foto era a cor dos cabelos, que estavam mais escuros na foto, mas era nítido que era o mesmo homem.
Era um criminoso nojento e a moça, em entrevistas parecia desconsolada.
Pobre coitada.
Como um anjo dos céus, sempre senti essa necessidade de ajudar as pessoas que quebravam seu coração devido as desilusões amorosa, o que era uma ironia já que eu vivia agora uma desilusão amorosa. Porem, essa jovem e bonita moça merecia ajuda e eu poderia a ajudar e recuperar seu dinheiro.
Então uma ideia me surgiu na mente.
Pov. Rosalie
— Você o que? — falei para Bella a olhando estranhamente
— Eu quero ir para Seattle esse fim de semana!
— Pra que, Bella?- perguntei espantada.
Bella estava passando por uma fase muito difícil e eu a amava muito. Sabia que Edward Cullen a afetava muito e que ela ainda estava abalada pelo encontro recente que tivemos nós quatro: Emm, Edward, eu e ela.
— Eu preciso de você Rose. Sei que está de folga do salão esse fim de semana, e desde já peço desculpas pra você se tiver algum compromisso com Emmett pendente.
— Não tenho, mas...
— Me ajude Rose, por favor?- pediu com aquela carinha de anjo irresistível dela e então eu aceitei.
— X –
— Vai me contar o que está acontecendo? — perguntei e Bella assentiu meio confusa
— É complicado Rose, mas preciso conversar com uma pessoa que mora aqui e tem que ser rápido. Urgente!
— Isso tem a ver com seu passado?- perguntei duvidosa. Jazz tinha me falado que no primeiro dia que conheceu Bella ela lhe falou que vinha de Seattle.
— Não exatamente. É mais para ajudar uma jovem moça que precisa de mim.
— De você? Por que você especificadamente? Bella, eu estou confusa, irmã!
— Você irá entender. Eu prometo.- então ela me entregou um papel- Sabe aonde fica esse bairro?
Olhei para a folha e percebi que se tratava de um endereço na parte central de Seattle, em uma área nobre.
— Sim, conheço!
—Ótimo. Me leve até lá.
Andamos com o carro mais uns 15 minutos até pararmos em frente a uma belíssima mansão vitoriana, toda branca e com um lindo jardim a frente.
Bella respirou fundo e saiu de dentro do carro. Confusa, eu a segui até que ela apertou a campainha e uma mulher de meia idade atendeu.
— Por favor, eu poderia falar com a Srta. Mary Alice Brandon?
Pov. Bella
Eu estava nervosa, era verdade.
Quando era um anjo, esses sentimentos conflitantes eram, para mim, apenas frescuras humanas, mas agora eu os entendo e vivencio e poxa... Eu estava inquieta.
— Por favor, eu poderia falar com a Srta. Mary Alice Brandon?
— E as Senhoritas são quem?
— Sou Isabella Hale, e esta é minha irmã Rosalie. Queremos falar com a Srta. Brandon um assunto de interesse dela.
— Que tipo de interesse?- perguntou a mulher meio confusa e Rose intercedeu por mim, como sempre.
— São alguns negócios que nossas famílias têm em comum, poderia chama-la, por gentileza?
— Ah, entendo! Um momento. Por favor, entrem!
Adentramos a enorme mansão e sentamos nos sofás cor creme da sala de entrada.
— Obrigado Rose!- eu disse assim que a mulher se afastou.
— Por nada irmã- sorriu
Assim que terminamos nossa breve conversa, uma mulher pequena de cabelos negros curtos até os ombros apareceu, no topo da escada. Seu rosto de boneca de porcelana alquebrado devido as olheiras e a vermelhidão dos olhos. Parecia estar chorando.
— Bom dia!- disse em voz baixa e delicada- Desculpem meus trajes- apontou para o pijama que vestia.
— Não há problema!- me levantei
— Sou Isabella, e esta é Rose, minha irmã.
— Claro- sorriu um pouco- Sou Alice. Anne me disse que vocês querem falar comigo sobre os negócios de meu pai.
— Na verdade Alice, peço desculpas pela minha mentira, quero na verdade, te ajudar.
— Ajudar? Como assim?
— Este homem- disse mostrando uma imagem que imprimi no notebook, nela estava o homem que vi abraçado a ela na internet, o mesmo homem que estava com Victória na praça
— Riley?- perguntou confusa
— Sim. Sei que ele lhe deu um golpe e eu...
— Olha Isabella, eu sei que pra vocês da imprensa isso deve ser um assunto interessante, mas eu...
— Não somos da imprensa- Rose a interrompeu.- Somos de Forks e eu e minha irmã viajamos muito para vir falar com você- Rose me olhou e percebi que aquela era a hora de falar os motivos.
— Olha, esse Riley que você falou, era seu noivo?
— Sim- concordou Alice.
— Eu sei onde ele está. Eu o vi com...
— COM QUEM? ONDE? ONDE ESTÁ ESSE MONSTRO?- Gritou Alice descontrolada, chegando perto de mim, balançando meu corpo- ELE ACABOU COM A MINHA VIDA! ARRUIMOU TUDO! ME MACHUCOU, LUDIBRIOU E ROUBOU TUDO O QUE ERA MEU! EU QUERO MATAR ESSE DEMONIO! FILHO DA PUTA!- Então atirou um vaso de cristal contra a parede e Rose a segurou, tentando a acalmar.
— Alice, calma!- eu disse me aproximando dela e segurando seus ombros. Alice já chorava, desconsolada.
— Creio que o nome real dele não seja Riley. Vi ele com... Uma moça na praça da minha cidade, conversando, e sem querer, ouvi que conversavam sobre uma noiva na qual James deu um golpe.
— James?- perguntou Alice- O nome dele não era James, era Riley
— Eu entendo, mas o homem que eu vi era esse- mostrei a imagem
Alice me olhava duvidosa. Também pudera, invadi sua casa e falei coisas absurdas no seu ponto de vista.
— Por favor Alice, confie em mim! Eu não quero a enganar. Eu nunca faria isso.
— Por que devo confiar em vocês?- olhou para Rose e depois pra mim- São duas estranhas!
— Eu faço isso porque quero salvar o homem que eu amo!- eu disse lentamente e Rose me olhou
— Edward?- perguntou Rose e eu assenti, me sentando perto delas.
— Sim. Victória e esse tal James planejam dar um golpe em Edward também, assim como fizeram com Alice.
— Como descobriu isso irmã?- disse Rose boquiaberta
— Como disse a Alice, os vi na praça, conversando.
Alice nos olhava entre duvidosa e chorosa, totalmente confusa.
— Alice- segurei em suas mãos e olhei em seus olhos- Por favor, venha comigo.
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