Seu Amor É Uma Mentira!
20 Capítulo 19
Notas iniciais
"A Meretriz e o Governador"
"Governador de Tokio anuncia noivado com uma prostituta de luxo."
Era a matéria que estava no jornal, estampado em letras grandes e negras, na primeira capa. Ela gelou, como? A principal qualidade de se trabalhar com Tsunade era a descrição, nem seus clientes tinham como provar seu trabalho, então como publicaram aquilo? Não podia acreditar.
– Eu não sei quem inventou isso sobre você, querida. – disse Kurenai, conhecia a morena há muitos anos, sabia que aquilo não passava de uma invenção de gente ruim, que não aprovava seu relacionamento com o loiro. – Mas isso não vai ficar assim! Vão pagar por essa mentira! – a mais velha acariciava o rosto assustado de sua menina. Tinha certeza que aquilo não ficaria assim.
– O-O-Obrigada, Kurenai-chan. – a morena estava assustada, como aquilo foi parar nos jornais? Era a pergunta que não saia de sua cabeça. Estava espantada! Surpresa! Sem saber o que fazer, sentia lagrimas pesando em seus olhos, temia que aquilo lhe tirasse o loiro, mais uma vez.
...
– O que é isso Naruto? – gritavam do outro lado da conferencia por telefone. – O que significa essa matéria?
– Eu não sei. – ele segurava o jornal do dia nas mãos, com uma força além da necessária, sentia raiva por qualquer pessoa que tenha feito aquilo. – Isso não passa de uma mentira. – disse confiante, apesar de saber que era de fato verdade, mas uma verdade que ninguém podia provar.
– Não nos interessa Naruto! – disse seus superiores, até mesmo Bee dessa vez parecia bravo com o escândalo. – Peça uma retratação pública, uma demissão, um processo por calunia e difamação, por parte de sua noiva. Não nos interessa como, entendeu? Só resolva! – ele assentiu, esquecendo-se de que eles não o viam. Respirou fundo e fechou os olhos, bem, até que aqueles velhotes imprestáveis o tinham dado uma boa idéia.
– Isso será resolvido. – disse, desligando a conferencia. – Anko! – chamou, vendo-a se aproximar da porta imediatamente.
– O que deseja? – perguntou educadamente. Ela vira o jornal e sabia que o humor de seu chefe não seria dos melhores.
– Eu quero, pra ontem, o telefone desse jornal. – respondeu bruscamente, jogando o jornal que acabara de amassar na lixeira ao lado de sua mesa, para a jovem que saiu de sua sala para cumprir a ordem, não era um bom dia para não obedecer cegamente tudo que o Sr. Uzumaki mandasse.
Ligaria imediatamente para o Jornal local, ou resolveria seu problema por bem ou usaria sua influencia para fechar o local, sem pensar duas vezes.
...
Shino chegou ao trabalho, amava seu trabalho, mas esses 5 dias de folga o fizeram muito bem, ser dono fundador e editor-chefe de um jornal que crescera tanto de uma hora para outra podia ser bem cansativo mais do que um dia ele esperou. Com paciência, assim como tudo que fazia,abriu a porta e viu a maior correria, pessoas correndo de um lado ao outro atendendo telefonemas que deveriam ser exclusivos para contato com os outros jornais.
Parou, olhando para a bagunça, tudo bem que ele mesmo acabara de confessar que seu jornal crescera mais que o esperado, mas, também, não era pra tanto. Viu sua secretaria pessoal correr para atender um telefone que ninguém podia, por não estar disponível e só uma coisa rondava sua mente: O que, raios, estava acontecendo ali?
...
A Hyuuga voltara para a cama, não tinha coragem de fazer nada que tinha que fazer naquele dia, na verdade, nem lembrava o que tinha que fazer. Algumas horas tinham se passado desde que lera aquilo e Kurenai se encarregava do almoço enquanto ela estava deitada na cama, não conseguiu impedir as lágrimas. Tinha medo, muito medo de perder o Uzumaki, de a julgarem sem sequer saber de sua verdadeira história. Não sabia como seguiria com sua vida se levassem aquilo a serio.
O celular gritava sobre o criado mudo, mas não queria ouvir nenhuma palavra de conforto e muito menos alguma recriminação. No momento, só queria ficar sozinha e depois falar com Naruto, saber o que ele pensava sobre isso. O som de punhos na porta a fez interromper um soluço para ver o que era.
– Hinata, querida? – Kurenai abriu, após bater, na porta. Não conseguia imaginar o que a morena estivesse sentindo, não conseguia mesmo, era algo horrível o que estavam dizendo, mas sua amiga se encontrava tão desesperada que insistira sem parar em falar com ela. Apesar de não querer perturbar a menina que tanto amava, Kurenai não soube dizer não a suplica insistente de Sakura.
– O que foi, Kurenai-chan? – falou, a voz estava rouca e falha pelo choro que não cessava.
– Querida, Sakura está ai para lhe ver. – a morena semicerrou os olhos, surpresa. Sakura não estava falando com ela, então por que fora ali para lhe ver num momento desses? – Posso deixá-la entrar? – sem pensar muito a morena respondeu que sim, ficara curiosa, a rosada devia ter um bom motivo para ter ido até ali.
Kurenai saiu do quarto informando a Sakura que ela poderia entrar, mas que não se demorasse, pois a Hyuuga não estava bem. A rosada senti-a mau pelas coisas que dissera as amiga. Depois de ler a matéria e depois da conversa com Sasuke sabia que havia errado. Abriu a porta e se deparou com a morena limpando o rosto avermelhado pelas lagrima, sentada a borda da cama.
– Você está bem? – perguntou.
– O que acha? – perguntou irônica. Estava realmente curiosa para saber o que a rosada tinha a dizer, mas sem paciência para se explicar ou coisa do tipo.
– Pergunta idiota. – confessou, sentando-se ao lado da amiga.
– O que quer? – perguntou indo direto ao ponto. – Se veio pedir explicações sobre Sasuke ser meu cliente, sinceramente, não as terá. Eu não lhe devo explicações sobre isso, não sabia de seu sentimento por ele, não sabia do envolvimento de vocês e, também, mesmo que soubesse não faria diferença, não é mesmo? Eu, em respeito a você, recusaria, mas teria milhões de meninas para o servir, então devia conversar com ele e, talvez até se zangar, não comigo. – Sakura abaixou a cabeça envergonhada, a morena tinha razão, mas fora necessário ouvir as mesmas palavras do Uchiha para se tocar.
– Eu concordo, Hina. – disse. – Eu conversei com o Sasuke e ele me disse a mesma coisa que você e foi então que percebi que eu agi errado, muito errado. Não devia ter falado com você daquela forma e muito menos desfazer você. – ela sorria, queria o perdão da amiga. – Você foi guerreira e muito mulher, inclusive eu, não conseguiria passar por metade do que passou.
– Está mesmo falando serio? – relutante ela olhou para Sakura, não queria ver acusação em seus olhos como das ultimas vezes que estiveram juntas.
– Sim, estou. – sorriu, acompanhada por Hinata, ela pode ver sinceridade nas palavras, podia dizer que sua vida estava perfeita se não fosse pelo jornal. – Eu ia deixar pra conversar com você depois, mas quando vi aquela matéria eu senti que você precisava de mim. Vão pagar por aquilo. – conhecia Naruto, há muitos anos, e sabia que ele não deixaria que falassem de Hinata daquela forma, mesmo que fosse verdade, sabia que ninguém poderia afirmar aquilo e, sem provas, aquela matéria saia da liberdade de expressão para um processo de calunia e difamação, Naruto os faria pagar e ajudaria sua amada.
...
– Mas que palhaçada é essa? – perguntou furioso, batendo em sua mesa, quando sua secretaria mostrou o motivo de tantas ligações de outros jornais, a matéria que saíra no jornal do dia, que ele ainda não havia tido chance de ler, bem, até agora. – Quem publicou isso?
– Ouvi que foi Genma que mandou para a edição, senhor. – respondeu. – Quer que eu mande chamá-lo?
– Imediatamente. – confirmou. Tiraria aquela história a limpo, conhecia a mulher citada na matéria, era sua amiga de curso, que resolvera fazer para melhor as fotos que raramente tirava para alguma matéria que achava interessante, e sabia que era uma ótima pessoa. As duas amigas que fizera lá eram assim, mas Hinata ainda era mais tímida e dócil que qualquer pessoa que conhecia. Sentou em sua confortável cadeira, bufando. Queria todas as fontes de Genma e as provas, nem que fosse mínimas, daquilo que ele publicara. O homem de nariz em pé atravessou a porta de sua sala. Ele o olhava de cima e isso o irritava, apesar de calmo gostava que respeitassem sua posição e ele era o chefe ali e Genma nunca o tratara dessa forma, não gostava dele, nem sequer se lembrava o porquê de tê-lo contratado. – Sente-se.
– O que quer comigo? – perguntou superior, como sempre, ele era o melhor jornalista dali, tinha ciência disso e gostava de provar isso com suas atitudes, que, certamente, não era bem aceita por seu chefe.
Shino empurrou pela bancada, o jornal que sua secretária o havia entregue, até que se tornasse visível para Genma.
– Quero saber o que tem a dizer sobre essa matéria. – disse, a voz repleta de cinismo. – Que, por sinal, foi para na primeira página, do meu jornal sem que eu soubesse e aprovasse.
– Ué, é exatamente o que ta vendo aí. – respondeu ainda mais cínico. – O governador e sua namorada prostituta.
– Sim, isso eu posso ver. – disso Shino. – Mas o que quero são suas fontes, as provas, cadê?
– A matéria veio de uma fonte anônima.
– Eu quero o nome. – disse firme. Shino estava cansado das ironias de Genma.
– Por quê? – disse Genma. – Os jornais venderam milhares de copias, não é isso que importa?
– Eu não criei esse jornal para difamar as pessoas. – Shino se levantou, furioso. – Não temos processos de calunia, nem de invasão de privacidade e mesmo assim estamos indo bem. Você conhece essa mulher, para acusá-la sem provas de algo tão terrível? – o viu negar. – Eu conheço, e sei o suficiente para saber que isso não passa de mentiras.
– Mas...
– Sem “mas”. – Shino o interrompeu. – Eu não quero ouvir o que tem a dizer, eu quero um retratação imediata no site do jornal e uma matéria se retratando na edição agora para amanhã. – foi direto, vendo Genma se levantar para sair de sua sala. – E amanhã eu quero sua carta de demissão em minha mesa. – viu os olhos do moreno se arregalar e voltou a se sentar satisfeito. Sua assistente e amiga entrou em sua sala logo que o outro saiu. – Chame o editor dessa matéria? Ele também está no olho da rua.
– Vou chamar.
...
O Uzumaki estava furioso, o numero do jornal estava demorando mais que o esperado. Ele queria ligar e resolver aquilo de uma vez, mas o principal motivo de sua irritação era a falta de noticias da Hyuuga, imaginava que ela não estava bem com aquilo e adoraria dizer que tudo se resolveria, mas ela não atendia a porcaria do celular. Bufou.
– Senhor Uzumaki. – disse Anko abrindo a porta de sua sala. Ele olhou imediatamente queria a informação que ela iria lhe dar. – O número do jornal. – estendeu o papel em sua mão para o loiro, podia ver em seu rosto uma ira que há muito não via.
– Obrigado! – ele pegou o papel e ela sabia que o agradecimento era a forma de dispensá-la, se precisasse de algo mais a chamaria. Olhou para o papel e o numero estava lá, mas, sem dúvidas, deveria se acalmar antes de ligar, não queria arrumar uma confusão ainda maior, só queria e iria resolver o problema da Hyuuga. Pegou o telefone de sua mesa, que quase nunca era usado, e discou deixando chamar.
– Alô? – disse Shino, era difícil o telefone de sua sala tocar sem que passasse pela secretária. Respirou fundo, mesmo antes de ouvir qualquer resposta sabia que seria algo relacionado a matéria enganosa que saíra essa manhã.
– Aqui é Uzumaki Naruto. – disse autoritário, o loiro sabia que seu nome fazia as pessoas temerem e desejava isso.
– Sou Aburame Shino, dono do Jornal. – respondeu, a voz falha e nervosa, imaginou a repercussão, mas nunca, nem sequer por um momento, passou em sua cabeça que o próprio governador o ligaria.
– Gostaria de uma explicação sobre a calunia publicada sobre minha noiva. – disse. – Imediatamente.
Shino respirou fundo e então lhe contou o ocorrido com um jornalista nada confiável que publicara algo sem sua autorização e sem provas, contou também que conhecia a jovem Hyuuga de um curso que fazia e, pessoalmente, queria pedir desculpas a ela, e ao governador, nunca deixaria aquilo ser publicado. Ele temia, sabia que o Uzumaki tinha poder suficiente para fechar seu jornal e apesar de querer um descanso de alguns dias, amava seu trabalho.
– Senhor Uzumaki, o erro já está sendo resolvido. – disse para finalizar. – Uma retratação está sendo publicada no site do jornal e amanhã, também, estará no jornal. Ligarei pessoalmente para meus colegas de outros meios de comunicação e os informarei do erro e isso não seguirá.
– Posso contar com isso?
– Sim. – disse firme. – Eu resolverei e se o Senhor desejar eu informo o nome do jornalista para que Hinata possa abrir um processo contra ele.
– Conversarei com ela, e entro em contato. – Naruto deixou a satisfação vazar em sua voz, não esperava que fosse tão fácil lidar com jornalistas, talvez o fato de ele ser colega de sua noiva tenha ajudado, estava satisfeito, seus superiores não o perturbariam mais e dependendo do que usassem para retratar talvez até o ajudasse nas próximas eleições.
...
O moreno estava furioso, mas sob controle. Agora que conversara com o governador sabia que escapara de um processo. Respirou fundo antes de sair da sua sala, pensava em algo para falar na conferencia que pedira a sua secretária. Sim, ele pedira uma conferencia com todos os representantes de jornais conhecidos que ligavam incessantemente. Precisava pensar em algo muito bom e que justificasse o que Genma fez.
Levantou apressado de sua mesa e fora ao cubículo que os jornalistas chamavam de sala. De longe pode ouvir a voz do moreno abusado que reclamava com os antigos colegas sobre sua demissão injusta.
– Acha mesmo que é uma demissão injusta? – perguntou Shino quando se aproximou a ponto de olhá-lo nos olhos.
– Sim. – respondeu.
– Então me processe! – respondeu. – E veremos quem ganha. Você está demitido, porque mereceu por isso. Mas eu tenho um acordo para lhe fazer. – Genma o olhou, prestava atenção no que ele falaria, quem sabe pudesse ganhar algo. – Se me informar qual a sua fonte, eu retiro a demissão por justa-causa e pelo menos receberá algum dinheiro. – o ex-chefe fora direto, precisava da informação e sabia que não conseguiria por bem, pelo menos assim, se lembraria antes de contratar alguém em que não confiava, outra vez.
Genma mordeu os lábios antes de responder. Denunciar que fora Shion, por sua rescisão? Tinha certeza que a loira não o daria nada, como das outras vezes que pediu algum favor e estaria desempregado, sem dinheiro e sem mulher. Pensando bem, que se danasse ela, tudo isso era por sua culpa.
– Shion. – respondeu. – Fujimura* Shion. – Fujimura? Shino conhecia aquele sobrenome. Uma importante empresa da cidade carregava esse nome.
– Fez um bom negocio. – disse antes de sair. Olhou para sua secretaria que o seguiu até aonde seria a conferencia. – Pesquise essa empresa, veja o que ela tem contra o mandato do governador, pra ontem. – bateu a porta antes de entrar e o notebook ligado ao Skype o esperava. – Bom dia, senhores.
– Bom dia. – responderam todos juntos. – Gostariamos de informação sobre essa matéria e se pode divulgar os detalhes. – estava ferrado, não tinha nada.
– Tudo isso não passou de uma enorme confusão. – enrolei até sua secretaria voltar, pressentia que tinha algo por trás daquilo. – O jornalista além de publicar sem meu consentimento, ainda foi sem provas.
– Mas tem algum fundo de verdade? – perguntaram.
– Não, de maneira alguma. – fora rápido.
– Então tem algum motivo para inventarem tamanha mentira? – puxou o colarinho da camisa branca, nervoso. E ai, qual seria o motivo? Olhou para a porta, podia sentir o suor começar a se formar na pele de sua testa, mas como para o salvar a secretaria ruiva adentrou a sala segurando nas mãos o papel que o salvaria. Ela só o entregou e saiu, sabia que a conversa era particular. – E então Shino? – ele olhou pro papel e sorriu ao achar tudo que precisava.
– A fonte que mandou a história fajuta é da família Fujimura, principal patrocinador do partido adversário do governador Uzumaki Naruto. – respondeu satisfeito. Era isso mesmo que pensara, tudo não passava de um golpe político. Uma interjeição espantada foi ouvida de todos os representantes. — Foi um golpe pra difamar o governador.
– Mas ele tem feito o melhor mandato entre todos. – disseram. – Irá publicar uma retratação?
– Sim. — confirmou, estava aliviado. – E que publicassem, também.
– Com certeza. – responderam. – Mas e sobre a noiva, sabe algo real sobre ela?
– Ela se chama Hyuuga Hinata. – queria dizer que só sabia aquilo sobre ela, mas seria uma mentira. – herdeira das empresas Hyuuga, apesar de não trabalhar em nenhuma das filias. Seu primo quem dirige tudo, ela faz fotografia. – sim,ele sabia tudo de cabeça, nas primeiras aulas quando conversou pela primeira vez com a morena se deixou encantar, então usou os benefícios do trabalho para descobrir algumas coisas sobre ela.
– Colocaremos as informações nas matérias de amanhã. – disseram antes de desligarem a conferencia. Sorriu, pronto, agora estava tudo resolvido.
...
O céu já estava escuro e sentia suas lagrimas completamente secas, não conseguia mais chorar, por mais que ainda desejasse. Olhava pela janela de seu quarto, o rosto encostado no batente, não sabia dizer o que via, pois não prestava atenção. Seu coração estava inquieto e apertado, nunca pensara em prejudicar Naruto com seu passado, mas sabia que aquela matéria teria feito isso. Estaria ele a odiando agora? Talvez.
Piscou os olhos perolados, eles ardiam pela vontade de chorar, mas só confirmara que não conseguira mais. Talvez fosse a hora de fazer algo, sair da cama, quem sabe falar com o loiro ao atender o telefone que tocava incessantemente desde que amanhecera o dia. Abriu a gaveta do criado mudo branco – fechada para abafar o som irritante do aparelho – e viu a tela piscando e o tremor que indicava a chamada. Respirou fundo e leu o nome de Tsunade na tela, sem pensar muito para não desistir, atendeu.
– Menina! – disse aliviada a loira. – Por que não atendeu antes?
– E-eu não q-queria.. – pigarreou, sua voz estava grave e presa por passar tantas horas em silencio. – Eu não queria falar com ninguém, Tsunade. – a loira assentiu, apesar de saber que a morena não veria.
– Eu consigo te entender. – disse compreensiva, não podia imaginar como sua menina sentia-se, estava passando por um momento tão feliz de sua vida e, de repente, vê uma bomba dessa caindo sobre si. – Sabe que eles não conseguirão provar isso, não sabe? – ela esperava uma resposta que não veio. Hinata sabia que os jornalistas não teriam prova, mas Naruto sabia que aquilo era verdade. E só a reação do loiro a importava. – Eu vou dar um jeito no jornalista que publicou isso, não se preocupe, pois não sairá mais nada desse tipo sobre você.
– Arigatou. – a Hyuuga sussurrou. Sabia o que significava o dar um jeito de Tsunade e apesar de não desejar o mal de ninguém, nem mesmo do monstro que publicara sobre ela, não queria mais ser envolvida a isso. Quem sabe em outra época, não ligaria de ter seu nome em um ‘escândalo’, mas agora só queria poder ser feliz com o homem que amava. Desligou o telefone e olhou todos que ligaram durante o dia: Kiba, Shino, Temari, Neji, Tenten e Naruto, as chamadas eram antigas e parecia que há muito o loiro desistira de falar com ela. Suspirou e voltou a guardar o celular. Retornaria as chamadas amanhã. Deitou-se na cama e sentiu o calor de seu cãozinho na pele de sua barriga, aconchegou a mão sobre o corpo peludo e quando finalmente seus batimentos normalizaram o bastante para que seus olhos começassem a pesar, a campainha soou, alta e insistente. Sorriu minimamente ao lembrar-se que Kurenai estava ali e que a havia pedido para não deixar ninguém entrar.
Há muito já acabara o horário de serviço da mais velha, mas não encontrava em si forças para deixar a morena sozinha na situação que estava, não podia. Quando a campainha tocou foi abrir imediatamente, esperava pelo Uzumaki, só ele seria capaz de melhorar os ânimos da menina que tanto amava.
– Posso vê-la? – sorriu aliviada ao se deparar com o sorriso forçado de Naruto. – Eu só consegui sair do trabalho agora e ela não me atendeu o dia todo.
– Ela não atendeu ninguém. – abriu a porta o dando passagem, sabia que o pedido não se aplicava a ele. – Achei que o Senhor não viesse, então fiquei para lhe fazer companhia.
– Obrigado por cuidar dela. – disse, realmente, agradecido, mas apressado. Jogou no sofá o blazer anteriormente preso ao braço e correu ao quarto da Hyuuga. Kurenai o olhou, sorrindo sabia que agora sua menina estaria bem e que ele não a deixaria sozinha, pegou a bolsa e com suas chaves trancou a porta antes de ir para casa. Naruto ouviu as chaves na porta e diria que Kurenai só o estava esperando para ir. Respirou fundo, ele devia ter ido mais cedo. Colocou o ouvido sobre a porta de madeira e não ouviu nada, girou a maçaneta lentamente para não fazer barulho e sorriu ao ver sua amada dormindo. Sua mão repousava sobre a orelha de Akamaru, onde antes ela fazia carinho e as linhas de sal na delicada pele de seu rosto mostravam o quanto ela havia chorado. Sentiu um aperto no coração devia ter jogado todos os papeis pra o alto e vindo ficar ao lado dela. Sentou ao lado de onde o corpo da morena repousava e beijou-lhe a testa acariciando os cabelos azulados. – Eu te amo, Hime. – sussurrou esperando que as palavras rompessem as barreiras do sono. – E nada vai conseguir me separar de você. – tirou os sapatos e virou-se de lado abraçando o corpo feminino. Imaginava o que ela estivera pensando o dia todo, mas ele não deixaria nada os afastar, nem o passado, nem nada que o futuro colocasse em seus caminhos.
...
Olhou para o relógio, bufando, já passavam das meia noite e eu ainda estava ali. A matéria de retratação para a manhã seguinte o fizera perder o dia todo e não podia estar mais irritado. Recebera um telefonema de Shion que confirmara o que pensava, ela não lhe pagaria nem com sua companhia nem com dinheiro nenhum por ter publicado o que ela pedira, nem mesmo tendo perdido seu emprego para isso. Pelo menos, fora esperto o bastante para aceitar a proposta de Shino. Pegou o pequeno peso de papel que ganhara de uma secretária quando começou a trabalhar ali, guardando-o na mochila antes de fechá-la. Não iria sentir falta daquele emprego, podia mesmo trabalhar em um lugar melhor. Passou as alças da bolsa pelos ombros, estava pesada, mais do que normalmente.
– Posso trancar Senhor? – perguntou o segurança alto e estrangeiro. O jornal funcionava no terceiro e quarto andar de um prédio que era fechado ao ficar vazio.
– Pode sim. – respondeu. – Eu sou o ultimo. – sua voz soava grosseira, como sempre. Ajeitou a bolsa para que se alojasse melhor ao seu corpo e olhou para as ruas desertas. Talvez devesse tomar um taxi, deu de ombros, fazer isso só o faria gastar um dinheiro que não tinha sobrando. Passara por aquelas vielas todos os dias e nada jamais tinha acontecido, não aconteceria hoje. Da lateral da bolsa puxou os fones de ouvido, mas antes que pudesse encaixar ambos no ouvido sentiu uma mão firme contra seu ombro empurrando para um beco no caminho. Assustado arregalou os olhos e viu três homens, identificáveis com capuz e roupa preta. – O que vocês querem? – perguntou.
– Te ensinar uma lição. – respondeu um deles, a voz fria lhe correu a espinha o estremecendo. Morria, não tinha dúvidas disso, quando sentiu um soco forte ser desferido em seu rosto.
Os homens sorriam ao ver sua vitima reconhecida facilmente de uma foto cuspir sangue com os golpes que lhe era dado. Socos na boca do estomago e no rosto eram a preferência dos homens encapuzados, mas quando os joelhos do moreno cederam e seu corpo foi levado ao chão úmido e cuspindo o sangue acumulado na boca, pelos lábios cortados, eles lhe puxaram o fone trazendo consigo seu celular e correram entrando secretamente no carro parado duas quadras dali.
Genma então percebeu o que havia acontecido, tinha sido roubado, pelos bandidos mais violentos que poderiam ter cruzado seu caminho, não devia ter pensado em poupar dinheiro. Apoiou-se com as mãos no chão para se levantar, tossindo. Sentia-se sem fôlego e precisava chegar a uma cabine de telefone publico, sabia que não tinha condições de chegar ao hospital sozinho. Os mesmos homens que o havia agredido ainda o olhava de dentro do carro, não receberam ordem de o matar, a apesar de mau conseguir andar estava vivo. Deram partida no carro e acionaram o celular, o ultimo numero da discagem rápida.
– E então? – atendeu Tsunade já esperando uma resposta.
– Serviço feito. – responderam juntos. – Ele não vai mais se meter com suas meninas, Tsunade-sama.
– Bom trabalho. – respondeu desligando o telefone e apagando o número de sua discagem. Levantou apagando a luz do escritório, agora podia ir dormir. Seu serviço estava feito, o recado havia sido dado, ninguém, não importasse o quão famoso fosse tirava a descrição de seus serviços, tinha influencia o suficiente com os clientes para que até eles a ajudassem nisso.
...
O dia amanhecera, o sol brilhava e junto com ele um par de olhos azuis também. Os olhos de Naruto brilhavam ao admirar uma Hyuuga sonolenta ao seu lado. Como uma criança, ela esfregava os olhos para despertador. Tocou os cabelos azuis em uma caricia e lhe beijou a pele alva do pescoço. Hinata se remexeu em meio a um suspiro e abriu os olhos.
– N-Naruto-kun? – perguntou surpresa. Tivera um sonho onde ele estava abraçado ao seu corpo após sussurrar que a amava, mas sabia que fora só um sonho. – O que faz aqui?
– Eu cheguei ontem a noite. – respondeu. – Você já estava dormindo. – ele a olhava serio e, apesar de, contente por saber que ele realmente passara a noite consigo temia o assunto que viria agora com ambos acordados, ainda mais com a seriedade tão estampada nos olhos azuis.
– Vai brigar comigo, não vai? – perguntou piscando os olhos, já sentia novamente a vontade de chorar presente. Ele assentiu. – Gomen Naruto-kun. – ela fechou os olhos,sentindo gotas de lagrimas molhar seu rosto. – Eu não queria que meu passado te prejudicasse.
– Ou. – ele disse a segurando pelo queixo. – Abra os olhos. – ela negou com a cabeça, não queria ter que ver a decepção em seus olhos quando ele terminasse com ela. Vendo que ela não abriria os olhos, deitou seu corpo sobre o dela, vendo-a corar e abrir os olhos. – Abriu os olhos. – disse sorrindo e lhe beijou o rosto para secar as lagrimas que ali estavam. – Eu vou brigar com você por ter me matado de preocupação quando não atendeu o celular ontem. – Hinata piscou, uma, duas, três vezes e, também, pensou em se beliscar, não tinha raiva, nem decepção no Naruto sobre seu corpo. Ele sorria, um sorriso gentil e apaixonado.
– Não está chateado comigo? Pela matéria? – perguntou surpresa, vendo sorrir.
– Que culpa você tem dela? Sem falar que eu já resolvi tudo. – respondeu fechando seu rosto com selinhos carinhosos. Ela não podia acreditar, então ele não estava chateado e, também, resolvera tudo? Tocou o rosto bronzeado com as mãos ganhando a atenção dele.
– Você? É verdade, Naruto-kun? – ele assentiu.
– Eu não vou deixar que nada, nada hina, seja capaz de nos separar. – respondeu olhando em seus olhos perolados, passando toda certeza que sabia que ela precisava para acreditar que aquela história não os incomodaria mais. – Eu te amo, Hina. – disse.
– Eu também te amo Naruto-kun. – roubou os lábios masculinos e carnudos para si, o beijando apaixonada e grata, não imaginava que ele fosse mesmo ficar ao seu lado dessa forma. Agarrou os cabelos loiros e apertou mais seu corpo de encontro ao dele intensificando ainda mais o beijo, exploravam toda a boca do outro, dançavam com a língua já tão conhecida por si, mas ele encerrou o beijo se levantando da cama. Ela o olhava confusa, queria o agradecer e ele fugira? Sorriu abertamente ao ver a pergunta clara nos olhos perolados, ela queria saber por que ele estava negando fogo.
– Eu adoraria ficar, mas temos que primeiro tomar nosso café e depois ir na guarda da criança para vermos os papeis da adoção. – respondeu vendo-a se levantar imediatamente para o acompanhar. Sairam de mãos dadas no quarto, ele lhe sorria e ela não podia estar mais feliz, não importava como ele houvesse resolvido, ele tinha e ainda marcara tudo para que pudessem adotar a criança que seria filho dos dois.
– Bom dia Hinata-chan. – disse Kurenai sorridente, ela estendia o jornal. Sabia que aquela injustiça contra a Hyuuga não ficaria daquele jeito. Receosa a morena estendeu a mão e pegou o jornal o desdobrando-o.
“Vitimas de um Golpe Político”
“Governador e Jovem Herdeira das empresas Hyuuga sofreram com um golpe, principal patrocinador da campanha de seu principal adversário político, paga repórter para difamar Hyuuga Hinata e prejudicar a imagem do melhor governador que Tokio já teve”
– Estamos na primeira capa Hina. – ouviu Naruto dizer ao seu lado e via o sorriso no rosto de sua governanta, então fora assim que ele resolvera, essa matéria vinha com as fontes e também dizia sobre a demissão do tal repórter. – Ah e esse mesmo repórter está numa outra matéria, ele foi internado vitima de uns assaltantes. – ela revirou o jornal e estava lá, sabia que aquele assalto fora obra da Tsunade, mas não sentia pena dele. Respirou fundo, agora livremente.
– Então?
– Sim, minha Hime. – respondeu Naruto a impedindo de continuar a pergunta. – Ninguém mais falará ou acreditará naquelas coisas sobre você. – respondeu. A Hyuuga sorriu, Naruto havia mesmo feito com que fosse resolvido, ele não a deixaria e se voltaria contra seu passado, eles ficariam juntos. Ela largou o jornal e agarrou em seu pescoço, um abraço feliz e aliviado. – Ah, e não saiu só nesse não, foi em todos os jornais da cidade, graças ao seu amigo Shino dono do jornal, que lhe pediu desculpas pessoalmente. – ele sentiu seus lábios serem roubados e foi guiado pela felicidade da Hyuuga a beijando avidamente antes de arrastá-la para a avaliação necessária para poder fazer a adoção. Ela se lembraria de agradecer a Shino por isso.
Eles saíram de casa rumo a reunião, as pessoas na rua falavam com os dois, diziam não terem acredito nem por um momento na noticia do dia anterior e estavam certos e que votariam em Naruto nas eleições seguintes. Hinata estava feliz, andava de cabeça erguida ainda mais ao sentir o braço de Naruto sobre o seu, lhe dando forças e mostrando que ela nunca mais estaria sozinha.
...
– Shion! – gritou saindo de sua sala. A loira sentada no sofá esticou o corpo preparada para qualquer que fosse a bronca de seu pai em relação a divida do cartão de credito, o que podia fazer? Quando o homem que se ama, acha que vai casar com outra comprar ajuda a aliviar o estresse. – Agora você passou de todos os limites! – Gritou, cada vez mais próximo de onde a loira estava.
– O que foi que eu fiz dessa vez? – perguntou entediada.
– Eu nunca pensei que você fosse chegar tão longe com essa sua obsessão pelo governador. – ralhou. – Não a ponto de colocar o nome da família num escândalo. – a loira arregalou os olhos, não sabia do que ele falava e nem nunca vira o pai tão irado. – O que tem a dizer sobre isso? – jogou três jornais que recebera pela manhã em seu colo.
Assustada Shion abriu os jornais e para sua surpresa apesar dos títulos diferentes, a noticia era a mesma, sobre a família Fujimura ter pago para difamar Hyuuga Hinata e envolver o governador num escândalo. Ela atentamente cada palavra, então aquelazinha era herdeira de uma empresa? Não prostituta? Aquele investigador barato mentira para ela.
– Otou-san.. – disse calma, só faltava sair fogo de seus olhos que pareciam realmente querer queimá-la. – Um investigador disse que ela era e eu mandei publicar.
– Um incompetente te fala qualquer coisa e você acredita? – continuo a gritar andando de um lado a outro do tapete da sala, ele conhecia muito bem as meninas da Tsunade e não imaginava que sua filha fosse fazer ou impediria, sabia que acabaria voltando a eles, era o serviço mais famoso de acompanhantes, todos os clientes, inclusive ele, presavam e faziam de tudo pela discrição prometida. – Eu sei que isso tem a ver com a sua obsessão por Naruto e isso acaba hoje, estamos entendidos? – ela engoliu a seco, assentindo. O Pai nunca falara serio com ela antes. – Já passou da hora de ter responsabilidade, ou você vai trabalhar e aprender como levar aquela empresa comigo ou não terá mais nada. Você não vai mais gastar um centavo do meu dinheiro.
– M-Mas.. – ela não sabia levar uma empresa, nunca trabalhara antes e estava acostumada a ter tudo o que desejava.
– SEM MAS! – ralhou, respirando fundo para se acalmar. – Já chega de você ter tudo o que quer, acabou! Ou trabalha ou aprende a viver sem dinheiro. – com passos firmes ele deixou na sala a filha assustada, mas não se importava. Ela havia passado todos os limites e pagaria.
...
Sábado
Ajeitava a renda do vestido preto que parecia ter ficado amassada ao sentar no carro, deixara Naruto escolher seu vestido e não se arrependeu, com bojos e tela nos seios fartos, o tecido claro era trabalhado em renda preta e nada melhor para completar do que um salto, maquiagem forte nos olhos e os cabelos presos, mesmo que tê-los prendido desagradasse o loiro que insistira tanto para que usasse solto.
Ela o olhava conversando com Kakashi mais ao canto da sala e esperava um tanto impaciente pelas amigas, achava que aquele jantar seria um saco até que Naruto a confidenciou que Sasuke viria com Sakura, Temari com seu noivo Shikamaru, Ino com o irmão da Tema e até Neji. O que ele não contara é que não ficara nada feliz em lembrar-se que Itachi também estaria lá, ainda lembrava-se do beijo dos dois e o irritava saber que eles estariam pertos. Sim, ele tinha ciúmes. Caminhou até a portaria e acenou para Shino que estava lá, conversara com o amigo e ele a salvara com tudo que tinha acontecido. Graças a ele isso só repercutia bem para Naruto nas próximas eleições. Olhava alguns carros parando e torcia para que fosse alguma de suas amigas.
– Hime? – chamou o loiro, ela piscou e virou-se em sua direção. – Os reportes perguntaram algo?
– Não, só fui ver quem chegava e Shino. – voltou até o loiro pegando sua mão, sabia que em segundos os convidados começariam a chegar.
– Já demos uma exclusiva para ele. – ela assentiu, sorrindo. As bochechas rosadas ao lembrar que ele anunciara o casamento que aconteceria dentro de 4 meses para Shino. Ele sorriu a vendo corada, a cada dia que passavam juntos como um casal encontrara mais o lado tímido e adolescente da Hyuuga. Olhou para a porta ao ouvir o seu barulho e sorriu ao ver Sasuke Uchiha com Sakura ao seu encalço.
– Hina! – disse a rosada sorrindo, ela a tinha visto ontem com as meninas, mas era sempre bom relembrar que a amizade delas estava forte, como se nunca tivesse sido abalada. Abraçaram-se enquanto os amigos se cumprimentavam. – Vamos ao banheiro comigo? – pediu. A morena sorriu e se deixou ser puxada.
– Parece que elas se entenderam mesmo. – comentou Naruto.
– Sim. – respondeu Sasuke. – Conversei com a Sakura, o que ela estava fazendo com Hinata, era sem cabimento. – o loiro concordou e as esperaram voltar. Quando isso aconteceu o assunto de casamento invadiu o jantar.
As meninas uma a uma chegavam e só acrescentavam ainda mais o assunto, os homens pareciam entediados, menos Naruto, que nunca pensou que pudesse achar um casamento tão empolgante. Temari perturbava o Shikamaru, algo sobre já estarem indo morar juntos, por que casar? Ino não pensava em casamentos ainda, agora que se entendera com seu ruivo queria aproveitar muito o namoro fogoso que tinham, Tenten conhecera Neji a pouco tempo, mas em seu intimo assumia que adoraria casar-se, mas, claro, não iria força-lo a tal coisa.
Hinata se surpreendera positivamente, o jantar de negócios parecia mais um jantar com amigos, ria, conversava e se divertia. Até que Kakashi chamou Naruto para dizer as palavras devidas aos patrocinadores mais antigos e seus amigos dançavam, que ficou sozinha. Andava pela festa esperando poder logo ir dançar junto com o loiro, mas sentiu seu rosto abrir-se em um sorriso ao ver seu antigo cliente e amigo Itachi.
– Hinata! – disse sorridente ao lhe ver.
– Itachi. – sorriu. – Que bom vê-lo.
– Fiquei muito feliz ao ver que você se entendeu com o Uzumaki. – ele era seu amigo, sentiria falta das noites com ela? Sim, sentiria, mas era seu amigo e o admirava ver a felicidade da morena.
– Obrigada! – respondeu corada, era bom saber que ele continuava seu amigo. – Espero que vá ao meu casamento.
– Eu vou, Hina. – respondeu, vendo-a passar os braços em seu pescoço em um abraço amigável. Sempre pode conversar com o moreno e lhe considerava um grande amigo de anos, seria importante tê-lo em seu casamento.
– Hinata! – Naruto chamou de longe se aproximando a passos rápidos de onde eles estavam. – Está tudo certo?
– Sim, Naruto-kun. – respondeu ao desfazer o abraço. Controlou-se internamente para não rir do rosto enciumado do Uzumaki.
– Naruto! – cumprimentou Itachi.
– Olá. – respondeu seco.
– Vim dar os parabéns pelo casamento de vocês. – disse Itachi. O moreno não era idiota, assim como Hinata ele conseguia ver o ciúmes estampado no rosto do Uzumaki, mas achava graça. Não queria tirar a morena dele. Hinata notou que Naruto não responderia e cutucou suas costelas com cotovelo.
– Seja educado, Naruto-kun. – sussurrou.
– Obrigado! – respondeu vencido, o rosto retorcido de ciúmes enquanto os outros dois não conseguiam segurar o riso suave por isso.
Uma mulher se aproximou deles e Itachi lhe estendeu o braço a segurando-a junto a si. Aquilo aguçou a curiosidade da morena, Uchiha Itachi com uma mulher que não fosse contratada? Sabia que aquela não era uma das suas antigas colegas de trabalho.
– Essa é minha acompanhante e amiga. – a palavra amiga vinha carregada, já que ele se descobrira encantado pela ruiva que hoje o acompanhava. – Shizuka.
– Prazer em conhecê-los. – a voz doce e com sotaque marcante, mostrava que assim como Hinata e Naruto ela vinha do interior do Japão.
– O prazer é meu. – Hinata lhe estendeu a mão, sorrindo. – Espero que vocês sejam muito felizes.
– Arigatou. – respondeu timidamente.
– Vamos Hina! – Naruto quebrou o silencio. – Kakashi está me chamando. – ela assentiu e mandou uma piscadela ao novo casal que ficara muito feliz em conhecer. – Não quero você sozinha com ele. – esperou estarem longe o bastante para dizer. Ela riu.
– Ele é meu amigo!
– Eu vi vocês se beijando, Hina. – parou, ficando em sua frente. – Eu não gosto de vê-los juntos. Imagino ele tocando em você e você é minha, só minha.
– Não precisa se sentir assim Naruto-kun. – respondeu colocando a mão sobre seu rosto. – Eu serei pra sempre sua. – o beijou os lábios e senti o flash em seus olhos, a imprensa responsável pelo jantar não podia deixar escapar aquele beijo, que mostrava o quanto eles se amavam.
...
Um mês depois...
A Hyuuga estava tão cansada, nunca pensou que um casamento pudesse cansar tanto, tinha prova de roupas, ensaio de dança e sempre se esquecera de escrever os votos. Hoje acabara de sair de uma prova de roupas, com as meninas, seu vestido estava perfeito, como Sai – o maior organizador de casamentos de Tokio – dissera que estaria. Ele mesmo tinha desejado o vestido perfeito para ela, e, realmente, estava perfeito.
Estava feliz, hoje a prova das roupas fora perfeita, o que era bom, já que faltava só 3 meses para o casamento. Hoje vira também um modelo de da decoração que Sai, também, desejara. A morena estava convencida de que o que o transformava no melhor era o dom de desenhar e transformar seus desenhos em realidade através da confecção de cada detalhe.
– Como foi? – perguntou Naruto, quando viu sua amada sentar ao seu lado no carro.
– Otimo, Naruto-kun. – respondeu.
– Parece cansada. – ele retrucou. – Quer mesmo terminar de entregar os convites hoje? – ela mordeu os lábios, pensando. Olhou para o porta luvas do carro e o abriu pegando os poucos convites que faltava entregar.
– Sim, Naruto-kun. – disse vencida, a vontade de descansar era tamanha, mas sabia que se não entregasse agora não iria ter tempo. – Amanhã tenho que voltar com Konohamaru para provar a roupa de cavalheiro. – sorriu, iria sair pela primeira com seu filho amanha, quando o tirasse do orfanato.
– Está feliz? – perguntou o loiro. Ele podia ver no rosto, mesmo que cansado, da esposa o quanto aquilo tudo a agradava e isso o tornava um homem realizado. Ela assentiu, ele a olhava sorrindo, olhou para as pernas amostras com o shorts que ela usava e as tocou, a correria estava tanto que sentia falta do corpo de sua Hyuuga. Ela cobriu a mão bronzeada com a sua e sorriu.
– Vamos, amor. – pediu, se ele a olhasse por mais um segundo que fosse desistiria de entregar o que quer que fosse, sentia falta de ter momentos a sós com ele. Ele assentiu e focou na estrada, sabia bem onde era a primeira parada. A morena abriu a porta quando o viu parar em frente ao abrigo de animais. Há quanto tempo não ia até lá, sentia saudades dos animais, mas tinha ficado pouco tempo até com Akamaru que agora se mudara com ela, permanentemente para casa de Naruto. Abriu a porta e sorriu ao ouvir o sino familiar. – Boa tarde! – Kiba reconheceu aquela voz e se virou para a porta, sorriu, desde que viu aquela escândalo mentiroso sobre a Hyuuga não a tinha visto, então caminhando até a porta a capturou em um abraço.
– Hina, há quanto tempo. – disse. – Eu sinto muito pelas coisas que disseram sobre você.
–Tudo bem Kiba-kun, já passou. – ele coçou a cabeça envergonhado.
– É que eu não tinha te visto ainda. – ela sorriu.
– Tudo bem. – respondeu. – Eu vim rápido, só lhe trazer isso. – estendeu o convite.
– Kiba-kun. – a voz soou do fundo do abrigo antes da menina aparecer, Hinata lembrava de Kiba já tê-la a apresentado. – Oh, desculpe, eu não sabia que estava acompanhado.
– Que isso Hana, venha aqui. – chamou. – Hina, não se lembra da Hana, ela é minha namorada!
– Que bom que eu reservei dois convites então. – estava feliz pelo moreno, sabia da sua queda por ela, e era bom ver que fora superada. – Conto com a presença de vocês, agora tenho mesmo que ir. – correu de volta ao carro enquanto Naruto dava partida ao segundo destino.
Em uma conversa casual com o primo descobrira que seu pai agora vivia em Tokyo, e depois de muita insistência Neji lhe dera o endereço e era pra lá que iria agora. Faria questão de convidar o pai, pessoalmente. Naruto a olhava durante todo o caminho, tinha medo dela não estar preparada para encontrar o velho Hyuuga, de novo, mesmo depois tantos anos, mas ela parecia disposta, totalmente disposta. Não iria desistir e não importava o que seu pai lhe faria, daria a outra face, entregaria o convite e iria embora. Ela não era como Hiashi, o amava apesar de tudo, e ainda o considerava seu pai.
A rua era um pouco longe, junto com todos os outros casarões da cidade, protegido com seguranças até os dentes. Respirou fundo quando viu que o Uzumaki havia encontrado o número.
– Quer que eu vá com você? – perguntou o loiro.
– Sim, Naruto-kun, eu quero. – a voz saíra baixa e sussurrante. Tinha coragem até chegar, lembrava perfeitamente do olhar duro de seu pai e das palavras sempre amargas. Respirou fundo e saiu do carro pegando a mão de Naruto já estendida para si. Naruto tocou o interfone ao lado dos portões de ferro. E uma voz perguntou o que desejavam. – Desejo falar com Hyuuga Hiashi.
– E quem deseja?
– Hyuuga Hinata. – respondeu vendo o portão abrir simplesmente. Entraram receosos e lentamente, o gramado era extenso, mas puderam ver quando a grande porta se abriu e um homem com ar superior saiu de lá, vindo na direção deles.
– Quem é vivo sempre aparece, não é? – disse em tom debochado. – Não fui claro o suficiente anos antes?
– Foi o suficiente. – respondeu Hyuuga, a cabeça baixa para fugir daquele olhar frio. – Não vim pedir para voltar, não vim lhe pedir desculpas. – ela levantou os olhos, encarando o pai de igual para igual, pela primeira vez. – Não vim implorar seu amor, porque você nem tem isso. Mas como Kami-sama ainda assim te fez meu pai, devo o mínimo de respeito de chamando para meu casamento. – Hiashi riu.
– E por que acha que eu iria? – disse áspero. – Há muito tempo não lhe considero minha filha e nem sequer aprovei Neji ter permitido usarem meu sobrenome naquela matéria de jornal para limpar sua imagem. – ele cuspia as palavras. – Você nem sequer devia usar mais o meu sobrenome.
– Eu nunca iria deixar seu sobrenome para trás. – a varanda da porta que os separava era formada por três grandes escadas que mesmo contra a vontade do loiro ela começou a subir. – Não importa o quanto seja rude, o quanto me ofenda, ou o que fez, você sempre será o meu pai, então se pensa que assim vai conseguir me fazer te odiar, está errado! Eu nunca vou te odiar e nem ter vergonha de usar seu sobrenome. – ela chegou até a frente do mais velho e ficando na ponta dos pés lhe beijou a testa. – Eu te amo Otou-san e conto com sua presença. – colocou o convite em suas mãos e desceu as escadas para ir embora. O velho não tinha reação, sua filha era como sua esposa, não importava o quanto ele fosse rude e sem amor para com ela, não tinha medo de dizer que o amava. Fora pego de surpresa e pela primeira vez desde a morte da amada – a qual ele nunca dissera amar – se pegou com os olhos repletos de lagrimas.
Hinata saia de cabeça erguida e as mãos dadas com Naruto, o loiro a olhava orgulhoso, sabia da força da Hyuuga, mas nunca imaginou que fosse tanta. Ela o enfrentara, derrubara suas defesas e o deixara sem falas, e olha que ele nunca ouviu sequer uma história onde Hyuuga Hiashi não tivera uma resposta na ponta da língua. Abriu a porta do carro para ela e sentou ao lado do motorista.
– Você me surpreendeu Hina. – disse enquanto voltavam. – Nunca imaginei que diria aquelas coisas. – ela sorriu.
– Eu fui sincera Naruto-kun. – disse. – Eu já não tenho mais medo dele e nem rancor, eu o amo e sei que nada que ele possa fazer vai me afastar de você.
– Nem ele, nem ninguém Hina. – respondeu. – Vamos estar juntos sempre. Logo eu, você e nosso filho. – ela sorriu com lagrimas aos olhos, tocou a mão dele que estava sobre o volante. Naruto a olhou e os olhos perolados revelavam o amor que ela tinha por ele. Parou o carro numa rua fechada e a puxou para seu colo. Ela se surpreendeu sorrindo, mas deixou-se levar, o amava e o desejava tanto que não via problemas em se amarem aonde estavam, mesmo que fosse no carro. Ele passou a mão sobre a blusa da mesma tocando os seios fartos que tanto o agradavam. – Eu te amo! – sussurrou contra seu ouvido após um beijo.
– Hoje eu acredito que sim. – respondeu segurando o rosto do loiro para olhar em seus olhos azuis tomados pelo desejo. – Durante anos me enganei pesando que seu amor era uma mentira, mas não é e eu sei que vamos viver isso por toda nossa vida. – ele a puxou pelas costas, prendendo-a em seu corpo e selou os lábios como quem selasse uma promessa.
Continua...
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