Seth is a Good Boy
13 Capítulo 13 - Roar está com dor de dente
Notas iniciais
"Clair resistiu firmemente, endireitou-se no banco do carro e bateu a porta. O táxi arrancou na maior velocidade para a Avenida Principal." Era só o que Seth conseguia recordar da noite anterior. Depois, ele lembra vagamente de ter ido jantar com Savannah e, como de esperar, em um restaurante chique onde um filé com fritas custa mais do que um salário mínimo.
– Tá no mundo da lua, é? Coloca 'enter' logo, na boa. Quero jogar. — Kyle já estava sem paciência com as ‘viagens’ de Seth. Ele ficava tempos pensando na vida e se esquecia de tudo, literalmente tudo, ao seu redor. Segundos depois, o polegar de Seth tocou na tecla que indicava o 'enter'. "Foi mal", pensou Seth.
Os personagens do Mortal Kombat do Playstation 4 de Kyle estavam cada vez mais bregas. Ele escolheu um que considerou "melhor", que usava um colã cor azul-gelo e um capacete ridículo e certamente desnecessário que estragou toda sua performance. Seth apertou "O.K." no botão do controle quando viu um lutador chamado "Roland Furacão". Parecia bom.
Os dois se derramaram nos controles, mexendo freneticamente seus dedos sob os botões que indicavam, no canto inferior da tela plana da televisão, chute, soco, golpe especial, entre outras baboseiras de jogo virtual. Seth berrou quando percebeu que o jogador azul-gelo de Kyle estava caído no chão do ringue e a tela anunciou que "Roland Furacão" havia vencido a partida.
– Calma! — Kyle caiu nas gargalhadas. — Por acaso é a primeira vez que você ganha um round?
– Não. — na verdade, ele nunca tinha jogado de verdade Mortal Kombat. Então nunca tinha vencido uma luta. Ele riu e admitiu: — Quer dizer, é a primeira vez que ganho, sim.
Os dois pararam de rir. As covinhas de Kyle desapareceram rispidamente. O silêncio era o único som emitido.
Kyle e Seth estavam olhando para alguém parado na soleira da porta. O sol da manhã invadia o quarto e refletia no rosto do tal indivíduo, fazendo com que os dois permanecessem com os olhos semicerrados, quase inteiramente fechados.
Kyle arremessou um travesseiro em direção à janela, para impedir a entrada do sol e fazer uma espécie de cortina improvisada. Funcionou. Seth virou novamente para a porta, deparando-se com Savannah. Que droga! Agora ela só chegava aos lugares de surpresa? Além do mais, ele estava um trapo, vestia as suas velhas calças largas de moletom do Ravens Side, o antigo time de futebol da escola, uma camiseta roxa manchada de ketchup e seu cabelo estava jogado para trás, incrivelmente desarrumado. Kyle olhou no imediato para Seth, desesperado. Seth ainda não havia contado para ele sobre a volta de Savannah na noite anterior, então ele tinha total razão de estar confuso.
– Oi, meninos. Desculpa, achei que Seth estava sozinho. – ela explicou, voltando a encostar a porta.
– Ei, espera. Você ainda nem viu Kyle direito! – Seth interrompeu a porta de se fechar com o chinelo Havaianas de Kyle. Savannah colocou a cabeça pra dentro e disse:
– Oi, Kyle. – ela sorriu. – Tudo bem? – animado, Seth olhou para seu melhor amigo esperando por uma resposta gentil.
– Savannah? O-o que você...? Eu não... não...
– Kyle, eu já ia te contar. Savannah chegou ontem à noite. – Seth explicou à Kyle, que o olhou com desapontamento. – Desculpe.
Em seguida, Savannah anunciou que já ia embora, afinal, ela não queria atrapalhar o jogo deles, que por sinal ainda anunciava a vitória de "Roland Furacão". Os dois ouviram o salto de Savannah bater pelo corredor até a porta de entrada se fechar bruscamente. Kyle roubou o controle remoto da boca de sua gata, Roar. Ela estava mordendo as pilhas e apertando aleatoriamente com suas afiadas garras de gato os botões do controle desde que eles começaram a jogar, provavelmente seus dentes estavam doendo ou algo do tipo. Kyle desligou a televisão plana de quarenta polegadas e comentou:
– Nunca imaginei que ia ver a Savannah de novo. Cara, ela está bem mais bonita, mais bronzeada. O que achou? – Kyle não parecia estar furioso por Seth não ter lhe contado sobre a volta de Savannah. Em seguida, ele arrancou suas Havaianas que estavam presas na soleira porta e as calçou.
– É, pode ser. – Seth respondeu por sílabas.
– Como assim “pode ser”? Sua namorada é gata, cara, acorda! Afinal, vocês estão ou não estão namorando?
– Não sei. Realmente não sei. – Seth suspirou e encostou sua cabeça no travesseiro de Kyle, acariciando Roar com uma mão e tapando os olhos com a outra. Mais dois suspiros se foram. Neste momento, Seth se lembrou que Kyle não sabia de nada sobre Clair. Kyle não sabia que ele estava confuso se estava realmente apaixonado por Clair ou não. Kyle estava por fora de tudo. Então, ele resolveu abrir logo o bico: — Acho que não estou namorando Savan. Estou com a Clair.
Kyle virou rapidamente seu pescoço para Seth, ignorando totalmente seu iPhone vibrando de mensagens. Ele semicerrou os olhos, procurando desconfiança no olhar do amigo. Ele retrucou:
– Você está brincando.
– Não estou, não. – sibilou Seth.
– Clair? Clair... Whitte? Não é possível, duvido.
– Duvide. Que seja. Acho que ela está puta comigo neste exato momento. Ontem Savannah chegou de surpresa no Harley’s, que era o local onde eu ia encontrar Clair. Inicialmente Clair demorou para aparecer, eu estava prestes a desistir quando Savannah chegou. Nós conversamos, apesar de eu não ter dado a mínima. Depois de um tempo, Clair foi ao meu encontro, mas eu estava com Savannah. Ela interpretou tudo errado e eu... – Kyle o interrompeu.
– Peraí! Que droga é essa? Quando aconteceu essa zoeira toda?
– Ontem à noite.
– Tá. E por que você ia se encontrar com Clair? Vocês, por acaso, já tinham tido alguma coisa antes?
– Já. Faz tempo.
– Saquei. Não sabia de nada disso. Achei que estava tudo o.k. entre Savannah e você. – A atenção de Kyle voltou para seu iPhone. Seu polegar deslizava pela tela touch.
– Não está nada bem, cara. Ainda não sei e nem sequer perguntei por que ela mentiu para mim e estava indo para China.
– E o que você está esperando?
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