Seth is a Good Boy

8 Capítulo 8 - Nunca confie em Hot Vailers


Notas iniciais
Chegou o capítulo 8, boa leitura!

Todos dizem que o amor nos desliga do mundo, nos fazem dormir feito anjo. Mas quem fez isso com Seth foi a bebida. A noite anterior no Harley’s Bar foi absolutamente... Na verdade ele não se lembrava de absolutamente nada. Seu relógio devia marcar cinco da tarde e suas pálpebras nunca estiveram tão pesadas. Seu travesseiro tinha cheiro de cigarro, o que era estranho por que ele não fumou. Ou será que fumou? Mas de uma coisa ele tinha certeza: aquele não era o seu travesseiro e nem o seu relógio. Finalmente seus olhos se abriram e uma luz desconhecida bateu em seus olhos. Ele os esfregou com as mãos, embaçados até então. Sua perna direita conseguiu se posicionar no chão. Tudo bem, agora ele estava de pé. Mais um passo e ele cairia duro no chão.

Seth cambaleou um pouco e ficou parado por alguns segundos no meio do quarto com cheiro de framboesa. Framboesa? Onde diabos ele estava? A resposta estava no criado-mudo. Um porta-retrato tinha a foto de quem ele menos esperava. Na verdade, ele esperava, sim. Era Clair Whitte. Ele estava na casa de Clair.

Posicionando-se mais um pouco, Seth abriu a porta do quarto, que por acaso ele dormira sozinho lá, e procurou por um banheiro. A primeira porta que ele abriu continha produtos de limpeza. A segunda, um outro quarto. A terceira porta dava para um banheiro de ladrilhos brancos, tamanho médio. Ele se trancou lá e lavou seu rosto. Ele olhou o chuveiro e pensou em tomar uma ducha. Mas ele nem sabia por que estava na casa de Clair e ia tomar uma ducha no chuveiro dela? Ele nem hesitou. Seu corpo estava muito cansado e melado.

Cinco minutos se passaram e lá estava ele, se esfregando num chuveiro na casa de alguém que ele nem sabia por que estava lá. Mas Clair não era “um alguém”. Era provavelmente a principal companhia dele na festa anterior. Seth puxou uma toalha cor creme felpuda na porta do box e se secou. Vestiu sua calça, mas recusou-se a vestir sua camisa. Nunca esteve mais suja. Ao abrir a porta do banheiro, ele passou correndo pelo corredor da casa e se trancou no quarto com cheiro de framboesa. Uma camisa cinza estava jogada na cadeira. Estava limpa, e ele resolveu vestir. Provavelmente era de Ian, o irmão mais velho de Clair.

– Minha irmã chegou às cinco da manhã do bar com um carinha. Acho que já o vi no treino de natação com Clair – a voz de Ian ecoava pelo corredor. Seth olhou pela fechadura e ele estava falando ao telefone. Ele e Clair haviam chegado às cinco da manhã? Meu Deus, ele precisava ouvir o resto da conversa. Colocou o ouvido pela porta e Ian continuou:

– Pois é, ela não tem idade para isso. Além do mais, o menino que veio com ela ainda deve estar aqui em casa. – Seth pensou em gritar “Sim, eu ainda estou aqui.”, mas não veio ao caso. Logo, Ian desceu as escadas e Seth o viu pela janela batendo a porta da frente da casa. Ótimo, agora ele precisava achar Clair e pedir para que ela explicasse tudo. Foi o que ele fez. Ajeitou seu cabelo e, na maior rapidez possível, pulou a janela e desceu até o jardim pela trepadeira que contornava a parede da casa. Depois que chegou ao canteiro de rosas, pensou que poderia ter simplesmente saído pela porta. A bebida afeta nosso cérebro? Pelo menos o de Seth, sim.

Ao chegar no meio fio, Seth percebeu que estava frio demais para vestir uma camisa de lycra e uma calça jeans. E sem sapato. Mas mesmo assim ele precisava achar Clair. Olhou para os dois lados da rua e atravessou. Na esquina, Ian estava parado falando ao telefone. Ou seja, mudança de rota. Ele atravessou a rua mais uma vez e continuou andando depressa pelo lado oposto. Um cachorro Hot Vailer latiu alto para Seth, que pisava na grama da casa sem preocupações. O latido foi equivalente a uma bomba nuclear em relação ao silêncio da rua. Ian, da esquina, virou a cabeça e seu olhar cruzou com o de Seth.

– Ei, você! Você estava com a minha irmã ontem, não é? – ele gritava, apressando o passo. – Cadê ela? – finalizou gritando novamente.

Seth, por puro impulso, começou a correr. O Hot Vailer da vizinha se sentiu ameaçado e correu atrás de Seth. O cão latia, o irmão de Clair gritava. “Droga!”, pensou Seth, fazendo ziguezague nas moitas da calçada. Era uma situação embaraçosa. Ele queria parar e conversar com Ian, mas se ele fizesse isso, o cachorro o morderia. Ele não tinha medo de cachorro, mas poxa vida, era um Hot Vailer.

– Ei, garoto! Cadê a Clair? Estou preocupado! – Ian gritava, correndo e tentando agarrar a manga da camisa de Seth. Pensando por outro lado, era a manga da camisa de Ian.

Para sorte de Seth, Clair estava vindo em sua direção, caminhando e lendo um jornal. Ufa! Agora ela podia explicar que estava tudo bem para Ian e ela poderia segurar o cachorro e evitar que ele mordesse Seth.

– Clair! – Seth gritou e ela olhou assustada. Por um segundo, ela soltou uma gargalhada. Logo constatou que Seth estava correndo do cachorro, e logo o fez parar:

– Ei, Tobby! Venha cá, lindo Hot Vailer! – lindo nada. Clair segurou a coleira do cão, que parou em seguida. Ela jogou um pedra bem longe e ele saiu correndo para apanhá-la. Puxa, ela era boa com animais. Em seguida, Seth e Ian pararam de correr. Seth estava assustado e sem fôlego até para conversar. Ian trocou algumas palavras com ele e com Clair e saiu andando, parecia bravo. Clair sorriu e andou em direção a Seth.

– Oi! – ela parecia triste, mas ao mesmo tempo feliz. Seth a cumprimentou e discretamente leu a matéria do jornal que ela lia. O Daily News dizia: “O último sobrevivente do voo 923: Savannah Harold Chace.”.

Notas finais
O capítulo 9 não vai demorar!