Setevidas
33 Orphus
Neophina era apaixonada pelo príncipe Orphus. Ambos eram da mesma tribo, mas de classes diferentes.
Neo explicou que existiam cinco camadas (classes) diferentes na tribo dos Delphinidae e que quem nasce em uma classe, não pode mudar ou ser transferida para a outra. É como se fosse uma característica das pessoas. As camadas eram: A, Rastreadores, Réligius, Compus e Plebeus. Nas suas respectivas ordens. Os “As” eram na verdade, toda a realeza e majestade que dominavam a tribo. — O rei, a rainha, as gêmeas princesas e o príncipe. — Eram a classe mais rica, poderosa e dominadora sobre todas as outras. Os rastreadores, também conhecidos como boto-de-guarda, são os mais temidos, pois obedecem a ordem e a vontade do rei. São como uma espécie de guarda sendo que por trás dos panos são todos corruptos e pessoas de más índoles. São ricas, mas não tanto quanto os Réligius e nem chega aos pés dos “As”, mas em questão de poder estão logo abaixo da majestade e realeza. Os Réligius, são meus favoritos, pelo que ouvi falar, eles são responsáveis pela religião do povo (Quando eu digo povo, me refiro aos Compus e Plebeus), eles os obrigam pertencer à alguma religião para que assim possam ter o que preencher o vazio interior depositado dentro de si, enquanto esperam a chegada milagrosa do anteposto profetizado por Shat. As religiões são um meio de o povo manter a crença de que um anteposto realmente está por vir... Já que muitas pessoas perderam a crença nisso... (Só pra constar... A classe “A” também acredita na chegada do anteposto... Que sou eu!)...Os Réligius são ricos e interferem nas leis por baixo dos panos, são como o braço direito da classe “A” , mas em questão de poder, estão abaixo dos Rastreadores. Os Compus, são os responsáveis pela agricultura e o trabalho manual e os Plebeus são responsáveis pelos trabalhos mais árduos. Há também a classe dos Ouvidores que são os “mendigos e pobres que não tem ao menos moradia”, entretanto essa classe foi extinta pelos rastreadores.
Neophina era da classe dos Compus e o príncipe Orphus da classe A.
Quando Neo foi chamada para ser jardineira do castelo, sempre percebeu que estava sendo vigiada pela janela, mas nunca sabia por quem. No início ela ignorava e pensava que era apenas um dos rastreadores averiguando para saber se ela estava cumprindo de forma correta o seu trabalho. Mas depois de algum tempo, ela mesma percebeu que “não”. Dia após dia ela só via os olhos doces e frágeis seguindo e observando o seu trabalho de forma intensa. Ela queria saber quem era. Necessitava saber. Até que em um dia nublado, Neophina foi para o jardim do castelo e ao desviar a atenção para o castelo percebeu que aqueles olhos não estavam mais lá. Pensara que havia desistido, então continuou a trabalhar pelo resto do dia desanimada. Dias se passaram e o tempo continuava assim, nublado e sem olhares. Até que um dia, pronta para sair do castelo, a menina esbarrou com um garoto.
— O que fazes aqui?! — Ele disse.
— Majestade? — Neophina respondeu aflita. — Perdoe-me por tamanha falta de atenção. Não queria esbarr...
O príncipe pegou o queixo da menina e o levantou, fazendo a jovem loira olhar em seus olhos.
— Reconhece esses olhos? — Ele perguntou.
A menina balança positivamente e então ele se aproxima aos poucos, mas ela se afasta. — Não é certo, vossa majestade...
— Não me desejas?
— Não.
— Não queres estar comigo?
— Não.
— Não se importas?
— Não.
— Então me olha nos meus olhos... Nos mesmos olhos que te vigiaram todos esses meses e diga que é verdade tudo o que você negou até agora.
Neo tenta, mas logo desvia o olhar. — Não podemos ficar juntos.
— Isso depende de nós. Você quer?
Ela reluta. — ...Sim.
— Eu também.
E naquela tarde, ambos se beijaram no labirinto do jardim.
Os encontros eram sigilosos. Eles viviam um amor proibido: Pela majestade, lei, religião e sociedade. Mas se amavam e era isso que se importava.
Como tudo o que é bom, não dura para sempre... Um dos rastreadores descobriu o namoro entre uma compus e um príncipe da classe A, e foi direto contar para o rei. A coisa ficou séria a partir daí. Neophina ficou presa na masmorra por vários meses até que toda a tribo descobriu sobre o namoro proibido. À partir disso, os Compus e Plebeus se rebelaram contra a Classe A, o que resultou em uma guerra dentro da própria tribo. Semanas após semanas de guerras e conflitos, a tribo foi dividida em Delphinidae 1 e 2.
A Delphinidae 1 são: Classe A e os Rastreadores.
A Delphinidae 2 são: Compus e Plebeus que passaram a ser a classe dos Motins.
A classe dos Réligius passou a não existir mais e se tornaram rastreadores. Neophina foi liberta logo no inicio da rebelião, pois a realeza não queria destruir a própria tribo, mesmo assim a rebelião continuou e a separação de Delphinidae resultou no caos que é agora.
Neophina me disse que desde que saiu... Nunca mais teve notícias de Orphus e que o povo está sofrendo por sua culpa. Sua mãe diz isso todos os dias. No fundo, ela sabe que é a verdade... Mesmo assim, deseja poder algum dia olhar na cara de Orphus e perguntar por que permitiu que isso acontecesse... e porque não interviu.
...(POV Lupin)...
— Então, você não é dessa tribo? — O garoto com a barba por fazer, olheira nos olhos e cabelos curtos diz, enquanto me observa comer as frutas que há em cima da mesa de seu quarto.
— Sim. — Respondo mordendo a maçã. — Sou da tribo dos felídeos.
— E o que fazes aqui? Você surgiu do nada no meu quarto, com aquelas luzes e...
— Estava em... — pausa pra mastigar — Um treinamento... — pausa — ...com os meus amigos e meu irmão... — pausa — ...e acabei sendo transportado... — mastigo — para o lugar errado.
— Ah... sim... Então seja bem-vindo à nossa tribo. É uma pena, que eu esteja preso há meses no meu próprio quarto, porque se não eu lhe apresentaria tribo à fora.
— Preso com comida?! — Digo de boca cheia. — Não tem do que reclamar!
O jovem suspira... — Quem me dera se não tivesse.
— Esse suspiro... É igualzinho o que meu irmão faz quando briga com o namorad... ops, quando briga com a pessoa que ele gosta.
— Entendo. — Ele diz. — Seu irmão também sofre por amor?
— E como! — Digo pegando um cacho de uvas.
— É uma coisa terrível... — O menino diz aflito na cama. — ...Saber que sua amada sofre e não poder fazer nada para confortá-la. E o pior é saber que sou o culpado por tudo isso que acontece.
Que azar hein. — Penso, mas não me dou o trabalho de falar, por isso continuo comendo.
— Há meses estou preso no meu próprio castelo enquanto uma guerra ocorre lá fora.
— A tribo ta em guerra? — digo cuspindo o carroço de uva na mão.
— Sim. Uma guerra que foi gerada por minha culpa.
— E por que você não faz nada para impedir?
— Não posso fazer nada enquanto estiver preso aqui. As portas foram feitas de aço. Tentei fugir de todas as maneiras possíveis, mas meu pai pensou em tudo.
Suspiro.
— E quando você precisa ir ao banheiro? — Pergunto.
— Tem um atrás do armário.
— Um banheiro atrás do armário?! — Berro. — Mas...
— Não me faça perguntas... Meu pai é louco.
— E como. — digo — Mas agora temos que pensar em como sair daqui e resgatar sua amada do sofrimento.
— Não creio que ela queira me ver depois de todo o ocorrido.
— Você não tem muitas opções. — suspiro. — Ou arranja um jeito de fugir e encontra-la... Ou apodreça nesse quarto pelo resto dos anos.
— Mas você vai apodrecer comigo.
É... Nesse ponto ele é mais esperto do que eu pensava.
— Não até meus amigos vierem me resgatar.
— Ou... Até quando decidirmos fugir.
— Para de me embolar. — Digo.
O garoto sorri. — Pra alguém do seu tamanho, acho que você é esperto demais...
— Lupin.
— O que?
— Meu nome... É Lupin.
— Prazer. — Ele sorri — Eu sou o príncipe Orphus.
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