Setembro - Amores Improváveis, volume 2
2 Surpresa!
Notas iniciais
04/07/2022, às 09h:53min...
No dia seguinte...
P.O.V Da Sam
— A gente vai dar um jeito, filha. Farei de tudo, você terá um coração novo. Eu prometo. Você não precisa ter medo, mesmo que eu tenha que vender a casa e...
— Mãe! Chega, mãe! Não terá cirurgia. Não farei transplante algum. Nós duas sabemos que isso não é possível... Não é possível. Ainda mais na minha condição atual. O Dr. Palmer já explicou tantas vezes. E agora que os novos exames sairam. Nós só precisamos nos conformar. Tenho 30 anos, mãe... Superei as expectativas. Já que fui diagnosticada tardiamente e eu...
— A culpa é minha, Sam... Filha, eu devia ter te levado desde pequena ao médico... — Começou a chorar. — Se você tivesse tido o tratamento precoce, sua vida seria prolongada... — Lamentou se culpando ainda mais.
— Como poderia saber, mãe? Não é sua culpa. Nunca foi! Não quero que sinta essa responsabilidade, você esteve ao meu lado quando descobrimos o que havia de errado comigo. Você cuidou de mim durante o meu pós-operatório... Você até vendeu suas jóias para poder comprar os medicamentos mais caros. Por mais que seja difícil, a senhora precisa se conformar, mãe. — Fui consolá-la.
— Você é minha única filha, Sam... Ainda é tão jovem e linda... Tenho orgulho da mulher que se tornou. — Me deixou emocionada.
— Obrigada, mãe. Vai ficar tudo bem, eu prometo. — Ela era uma mulher forte, e ela ficaria bem, mesmo que fosse doloroso saber que eu partiria antes dela.
Os médicos descartaram a possibilidade de um transplante.
Eu já havia trocado as válvulas do coração aos 23 anos, por substitutas biológicas, o que já tinha sido uma cirurgia bem arriscada, o que acabou me proporcionando mais tempo de vida.
Após minha mãe se acalmar um pouco, conversamos por cerca de meia hora e ela foi embora, ainda abalada e completamente desolada, a tristeza em seu olhar me deixou mal, eu não suportava vê-la sofrer.
Eu tenho uma cicatriz no peito, entre os seios, que serve de lembrete... Por um tempo, tive vergonha dela e agora só tenho orgulho, eu sobrevivi naquela mesa de cirurgia mesmo quando meu coração demorou para voltar a funcionar.
E ele nunca mais foi o mesmo.
É uma cicatriz grande, ainda visível, e mesmo que me incomode às vezes, ela faz parte de mim, e eu aprendi a aceitá-la em meu corpo, parando de me sentir mal por carregar algo que arruinou minha vaidade por um bom tempo.
Sem decotes... Sem poder usar biquínis.
Tendo que fazer sexo no escuro... Com vergonha.
O que parece até bobagem agora, mas... Eu me importava demais à ponto de me esconder.
Passei anos me privando e perdendo tempo, já que não os aproveitei da melhor forma possível.
[...]
P.O.V Do Freddie
— Isso não pode ser possível... — Murmurei comigo mesmo sozinho após desembarcar em Seattle.
Aproveitei que entrei de férias e decidi fazer uma surpresa, voltando para a casa da minha mãe, e de quebra eu finalmente poderia conhecer a minha Web-namorada, Sam Puckett.
Que por coincidência mora em Seattle.
Não acredito que ela me bloqueou nas redes sociais, assim sem motivos, acredito que não fiz nada. Estávamos tão bem, reli nossas últimas mensagens.
Merda!
Eu nem mesmo sei o seu endereço.
Lembrei de sua melhor amiga, Carly Gibson, rapidamente procurei seu perfil no Instagram.
Decidi pedir ajuda pra ela, eu só queria encontrar a Sam e esclarecer as coisas com ela.
Sua amiga Carly não demorou para me dar retorno.
Peguei um carro por aplicativo e fui direto para casa da minha mãe, antes de ir procurar a Puckett, eu queria fazer tudo com calma.
Faz 1 ano e meio que nos conhecemos por um aplicativo, ela me ignorou no início, mas como não desisti, Sam acabou me dando atenção e desde então, criamos uma grande conexão.
Não foi fácil, ela é difícil.
Entre conversas banais e flertes, eu me apaixonei.
"Quer ser minha Web-namorada?"
Mandei quando estava bêbado, admito, só então tive coragem, e isso já faz meses.
"Já sou a sua Web-namorada, bobão!"
Foi a sua resposta.
Na manhã seguinte, após a ressaca, vibrei mais ainda.
E desde então, estamos namorando à distância.
Mando cartões, cartas de amor, presentes... E agora, tudo que eu quero, é vê-la pessoalmente.
Sam com certeza é ainda mais bonita, as fotos não devem fazer jus à sua beleza. Quero tocá-la, sentir seu cheiro e beijá-la até não poder mais.
[...]
— Isso é estranho, filho. — Minha mãe disse quando contei que Sam sumiu, me bloqueando em tudo.
— A amiga dela afirmou que ela têm um motivo. Não entrou em detalhes. — Falei desfazendo as malas.
— Você deve estar bem chateado, querido. — Me olhou até mesmo triste.
Ela sabia o quanto eu era louco pela Sam.
— É frustrante não saber o que houve... Ou o que anda rolando... Estou preocupado. — Desabafei.
— Vai atrás dela ainda hoje? — Perguntou.
— Com certeza. A amiga dela me passou o endereço. — Afirmei.
Eu estarei voltando para a Austrália apenas em Outubro, quando decidi pegar minhas férias em Julho, conversei com o meu chefe, já que acabei não entrando em férias no ano passado, por isso decidi tirar férias prolongadas este ano.
Esta seria a minha surpresa, passar esse tempo ao seu lado, mas do nada ela me bloqueou e sumiu me deixando completamente confuso.
[...]
P.O.V Da Sam
— Não acredito! — Exclamei diante da bagunça que o meu gato fez. — Jubileu! Seu danado! Como pode isso? Você é pior que um cachorro! Seu gato travesso! — Como uma criatura pequena conseguia ser capaz de bagunçar daquela forma?
Jubileu me ignorou, fingindo que não era com ele. Abriu a boca bocejando e deitou na tapete já sonolento, e dormiu em poucos segundos.
Gatos!
Ele gastou a ração toda, espalhando pelo piso e ainda teve a proeza de derramar a água da tigela dele. Enrolou os tapetes da cozinha, de alguma forma conseguiu arrancar minha cortina e ainda arranhou toda a portinha do armarinho abaixo da pia, além de morder meus chinelos.
Ele parece um cachorro às vezes.
Ri enquanto arrumava a bagunça do meu filho de quatro patas.
A campainha tocou.
Lavei as mãos antes de ir atender a porta.
Assim que abri, tive a sensação de que iria infartar.
E não estou brincando.
Meu coração nunca havia disparado tanto... Depois as batidas se tornaram quase doloridas.
O ar até me faltou.
— Meu Deus! Está passando mal? — Ele ficou alarmado.
— E-eu... Tô bem. — Minhas mãos tremiam e respirei fundo tentando me acalmar. — Como...? O que faz aqui? — O encarei ainda pasma.
— Surpresa! — Sorriu e depois cruzou os braços. — Por quê me bloqueou? — Perguntou indo direto ao assunto.
Freddie era mais bonito pessoalmente, e claro, mais alto do que eu imaginava, sempre achei que ele fosse mais baixinho.
— Vou matar a Gibson! — Só podia ter dedo dela no meio.
Ele não teria vindo até Seattle por outro motivo.
— A única coisa que sua amiga fez foi me passar o seu endereço. Estou de férias e decidi te fazer uma surpresa! Mas fui eu quem foi pego de surpresa quando desembarquei e vi que você tinha me bloqueado! E estou até agora tentando entender. — Me encarou. — Caramba! Você é tão linda! — Sorriu todo bobo.
Ele falava rápido demais e gesticulava bastante.
Que vergonha, meu Deus!
Eu estava usando um blusão surrado, manchado e com furinhos... Meu cabelo estava todo desgrenhado. Por baixo do blusão, usava uma calça legging velha e minhas pantufas cafonas.
E Freddie estava diante de mim, tão arrumado, cheiroso e exalando beleza.
— Surtei e bloqueei você porque sou uma idiota... — O que não deixava de ser verdade.
Ainda bem que Carly não contou o motivo.
— Não vai nem me dar um abraço? Não estou com raiva, Sam. — Droga.
Como ele podia ser tão... Freddie era super legal.
— Cara, que loucura! Ainda não acredito que você está aqui. — Eu ainda estava muito nervosa.
— Nem eu. — Riu. — Claro que um dia eu acabaria batendo na porta da minha Web-namorada! — Me puxou para um abraço.
Arfei.
— Sua Web-namorada? — Perguntei desconcertada.
Ele me apertou e inalou meu cheiro, seu nariz percorrendo o meu pescoço.
Eu estava de banho tomado e havia passado loção corporal.
Graças a Deus!
— Posso te beijar agora? Seu cheiro é tão bom! — Meu coração disparou ainda mais.
— Calma aí... Desde quando estamos namorando? — O afastei.
— Desde aquela noite... Fiz o pedido e você aceitou. — Respondeu sorrindo.
— Oi? Achei que fosse brincadeira. — Falei.
— Não! Foi algo sério. Nossa! — Ficou sem jeito.
— Desculpa, Freddie... Eu só achei que estávamos fazendo de conta...
— Nunca foi real para você? — Merda.
— Bom, eu... Nós flertamos. A gente... A gente têm uma forte conexão... Mas...
— Você não gosta de mim da mesma forma. — Ficou triste.
— Quer a verdade? Eu gosto mais do que deveria! — Admiti.
— Então, aceita ser minha namorada? Se a distância for um problema, daremos um jeito. — Aquilo ainda parecia surreal.
— Sim. — Pulei em cima dele o envolvendo com força.
Eu não tinha tempo para ficar perdendo.
Não mais...
Só precisava viver... Aproveitar o que ainda podia.
Amar antes de partir.
E Freddie Benson era tudo que eu queria... Quando chegasse a hora certa, eu contaria tudo a ele.
[...]
— Esse é o Jubileu. Ah, você o conhece por fotos. — Mostrei o meu gato.
— É muito fofo. — Tentou pegar o bichano que tinha pelagem escura e espessa, seus olhos eram amarelos e enormes.
Jubileu não gostou e Freddie o colocou de volta no chão.
— Ah, ele não gosta de... Não gosta de homens perto de mim... — Sorri sem jeito.
— Então, ele tá certo... Se eu fosse ele, também não gostaria de homens perto de você. — Fez uma cara engraçada.
— Você é ciumento? — Ri.
— Talvez. — Desviou o olhar. — Ele vai me atacar, né? — Apontou para o gato.
Jubileu estava sentado, o encarando.
— Mantenha o seu rosto longe das garras dele, só por precaução. — Recomendei.
— Uou! — Se afastou depressa quando o Jubileu caminhou cheio de si indo para perto dele.
Ele mordia quando se irritava.
— Ei, não ouse atacar o Freddie. Ele é bonzinho. — Fui para o lado do Benson.
O bichano nos olhou e ficou ainda mais incomodado.
— Ele não gosta mesmo de mim. — Apontou para o meu gato.
Jubileu estava o encarando como se o Freddie fosse um passarinho, ele queria mesmo atacar o moreno.
Às vezes o bicho surtava do nada.
Afastei o livrando da raiva do bichano, o puxei fazendo ele correr comigo e fomos parar rindo no corredor, ele ainda não conhecia o meu quarto.
Paramos ali no corredor e ficamos nos encarando após as risadas cessarem.
Freddie me puxou pela cintura e eu passei os braços ao redor do seu pescoço, ficando nas pontas dos pés.
Demos o nosso primeiro beijo.
Foi mil vezes melhor do que nos meus sonhos.
Me entreguei apreciando o momento.
Sua boca na minha e suas carícias.
Estar em seus braços era uma sensação que eu jamais poderia descrever com clareza.
Eu não conseguia pensar em mais nada.
E beijá-lo me fez sentir bem... Tão bem.
Perfeitamente bem.
Senti vontade de chorar quando nossos lábios se separaram e ele juntou nossas testas, ainda mantendo nossos corpos unidos.
E naquele instante, cada batida do meu coração pertencia a ele.
— Agora venha conhecer o meu quarto. — Segurei sua mão esquerda, por ele ser canhoto.
Abri a porta, ainda bem que meu quarto estava arrumado.
— Que lindo. — Admirou a decoração.
— Obrigada. Eu mesma o decorei sozinha. — Contei orgulhosa.
Ele olhou para a parede enfeitada com a bela pintura que pendurei.
— Obra minha. — Sorri para o desenho.
— Uou! Você é muito talentosa. — Se impressionou.
— E você é muito lindo. E fofo. — Lhe roubei um beijo.
Suas mãos rapidamente repousaram na minha cintura.
E eu estava feliz... Feliz de tê-lo comigo.
Mesmo tendo lutado contra meus sentimentos, não adiantou nada eu ter bloqueado ele, Freddie apareceu de surpresa e já me considerava como namorada, sendo que eu não imaginava que seu pedido de namoro meses atrás havia sido pra valer.
Ele gostava mesmo de mim e por isso nos dei uma chance.
Eu iria amá-lo até o meu último suspiro.
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