Notas iniciais
Essa história não foi betada, leia por sua conta e risco. Boa leitura.

Assim como hoje, o dia era sete de julho. Shino não conseguia recordar o ano exato, mas com certeza era sete de julho; pois marcava o início do Tanabata Matsuri e era o aniversário do Ômega mais esperto da Vila da Folha, o seu melhor amigo, Inuzuka Kiba. Outra certeza que tinha como lembrança desse dia, é que foi a partir dali que sentiu necessidade de se tornar um adulto notável, especialmente para que seu colega sentisse orgulho dele. Algo que também jamais esqueceria do festival das estrelas daquele ano, era que Kiba usava a yukata que ele havia lhe dado de presente. Seu companheiro de brincadeiras carregava, sob o traje e bem próximo ao coração, o outro aniversariante do dia, Akamaru, o ninken mais descolado do clã Inuzuka. Mas, de todas essas recordações, a mais vívida e significativa em sua mente, era o sorriso que Kiba lhe oferecia enquanto os dois, que ainda não dominavam totalmente a escrita, assinavam seus nomes em pequenas tiras de papel colorido que pendurariam em seguida nos ramos de bambu, na esperança que no futuro os sonhos que escreveram juntos naqueles tanzakus um dia se tornassem realidade…


Do fundão do salão de festa, acompanhado de Sasuke e Naoko, seu esposo e sua filhinha de quase um aninho, Naruto, o primeiro da turma a passar com a carroça na frente dos bois, ops! Estabelecer um vínculo, incentivou o melhor amigo:

— Joga logo isso aí, cachorrão!

Kiba xingaria todos os ancestrais do Uzumaki, por usar aquela alcunha pejorativa na frente de seus ilustres convidados, mas um Ômega gravidinho e muito bem acomodado nos braços de seu mozão top de linha, não quer guerra com ninguém, então, sem dar bola para o invejoso do loiro oxigenado, e com um sorriso gigante no rosto, ele não titubeou ao perguntar:

— É isso que vocês querem? — Kiba ergueu um lindo buquê de girassol que trazia em mãos, após dirigir um olhar cúmplice para Shino, que o incentivou de volta.

Os convidados do evento responderam em uníssono:

— Sim!

Sob aplausos e o som da bateria do grupo contratado para a celebração, além de um coro animadíssimo a apoiá-lo, Kiba começou a contagem de maneira a aumentar a expectativa de todos ao redor.

— Um…

Eufóricos, os presentes, principalmente aqueles que ainda não haviam encontrado um amor verdadeiro, ou não tinham oficializado o vínculo, se posicionaram de forma estratégica pelo espaço. Alguns casais que já viviam juntos há tempos, como Torune e Fuu, Kakashi e Iruka, Asuma e Kurenai-sensei, viam com muita diversão aquele mar de jovens prestes a começar mais uma guerra ninja por aquelas pequenas flores.

— Dois…

Os convivas, muitos que conheceram Shino e Kiba ainda na infância e acompanharam de perto sua linda história, não conseguiam esconder a felicidade de vê-los finalmente casados; principalmente o pai do Alpha, além da mãe e da irmã do Ômega, que perceberam que aqueles dois eram predestinados antes mesmo que o casal entrasse na alfabetização.

— Três!

O buquê do noivo, que muitos supersticiosos acreditavam trazer sorte para aqueles que desejavam encontrar sua alma gêmea, como os recém-casados haviam encontrado, foi lançado por Kiba e cruzou o salão em câmera lenta. Hinata, Sakura, Ino, Temari, amigas de infância dos noivos, além de outras jovens solteiras, estavam esperançosas. Até rapazes, como Neji, Chouji, Shikamaru, Gaara, Rock Lee, Kankuro, Killer Bee e Jiraiya-sensei, os dois últimos não tão rapazes assim, se envolveram na briga, ou melhor, na disputa; sob vaias dos que duvidavam que a dupla infiltrada juntos os mais novos iam conseguir desencalhar algum dia. No entanto, parecendo ter um destino certo e vontade própria, o cobiçado objeto cortou o ar e pousou no colo de Inuzuka Tsume, que conversava descontraída com seu colega de trabalho no canil da polícia militar, o capitão Yamato.

— Mamãe…— Kiba preparou-se para reclamar, visto que segundo a tradição quem pegava o buquê do noivo seria o próximo, ou a próxima a casar.

Sua mãe casando outra vez? Que absurdo!

Vendo a fumacinha pairando sobre a cabeça de Kiba, Shino, que o segurava carinhosamente há algum tempo, deu-lhe um beijo afetuoso sobre os lábios, fazendo-o se calar ao invés de pensar demais. Tsume, por sua vez, não querendo frustrar os jovens que quase foram de base para pegar aqueles girassóis, lançou as flores amarelas de volta ao centro do salão. Desta vez, o buquê foi parar nas mãos de Umino Iruka, outro que também não se esforçou nem um pouco na competição, mas que não foi tão generoso quanto a Inuzuka em compartilhar sua sorte, e Kakashi não julgou seu companheiro apenas sorriu.



*****



A festa prosseguiu de maneira alegre, tanto os noivos quanto os convidados estavam felizes e empolgados, mas os olhos de Shino estavam atentos em seu companheiro.

— Está tudo bem aí?

Kiba acariciou a barriga, que denunciava a gestação gemelar de seis meses, depois direcionou o olhar para seus pés inchados que a essa altura estavam longe dos sapatos sociais que ele havia removido fazia tempo. Neste momento, o Ômega estava sentado à mesa, segurando um prato cheio de delícias, enquanto dividia guloseimas com Akamaru, seu fiel amigo de quatro patas, que no momento lhe servia de banquinho para descansar os pés.

— Não. Juro que queria curtir um pouco mais nossa festa, mas… — Kiba fez uma careta sôfrega. Deixou de lado o pratinho com doces, e se ajeitou na cadeira, após sentir em simultâneo dois chutes certeiros em suas costelas que o fez ver estrelas. — Tá osso, marido!

Shino podia imaginar a dor que o outro sentia e não queria ser insensível, todavia, ouvir seu ômega o chamar de marido com tanta naturalidade pela primeira vez, depois de somente algumas horas de casados, o envaideceu.

— Creio que ninguém ligará se sairmos por alguns minutos, meu esposo. Que tal?

Imbuído de semelhante emoção, que ficou evidente através do vínculo, Kiba demonstrou que igualmente gostou do título recém-oficializado:

— Seria algo bem legal, nossos bebês iriam amar. Não é, Sora e Himeko? — O Inuzuka acariciou a barriga outra vez. Ainda faltavam algumas semanas para seus bebês nascerem e ele estava ansioso para ver os rostinhos de seu príncipe e de sua princesinha. Seus filhos que não haviam sido planejados para chegar tão cedo, mas que eram os presentes mais preciosos que o Alpha sentado ao seu lado havia lhe dado. — Mas antes de irmos…

Tendo a compreensão de Akamaru e a ajuda do Aburame, Kiba colocou-se de pé. Shino então, ficou descalço e lhe cedeu seus próprios calçados. O Ômega finalmente disse o que estava em sua mente;

— Obrigado por sempre cumprir suas promessas.

Os olhos, de aparência selvagem, brilharam não somente por lembrar de um passado não tão longínquo assim, mas em expectativa ao pensar na proposta do marido que beirava a indecência para um gestante.

— Uhum… — Shino deixou um beijinho na testa de Kiba, que sorriu e estendeu a mão para que ele o guiasse. — Feliz aniversário!

Akamaru latiu chateado. Por que sempre esqueciam que era seu aniversário também?

— Feliz aniversário para você também, amigão. — Shino dirigiu-se ao cão, que por fim o desculpou.

Após deixar o pratinho de doce aos cuidados do ninken, discretos, os noivos saíram à francesa para encontrar um lugar onde pudessem descansar, muitos pensando que fugiram para dar uma antecipada na lua de mel, contudo a verdade era que Kiba necessitavam de uns dez minutos para recarregar suas energias e esvaziar a bexiga, afinal, era o primeiro dia do Tanabata, dia do seu casamento; e o mais importante de tudo, era o dia de seu aniversário, logo ele não perderia tal festa por nada.

Um sete de julho perdido em algum lugar do passado.



Aquele sorriso aberto, com os caninos à mostra, o deixava ainda mais fascinado pelo Ômega de tez trigueira e bochechas rechonchudas à sua frente. Aquele sorriso tinha a capacidade de fazer com que Shino aceitasse qualquer promessa e assumisse qualquer compromisso.

— Casar com você? — Shino encarou o pequeno Ômega à sua frente.

— É, casar comigo. — Kiba, que já havia feito aquela proposta há alguns minutos, reiterou-a diante da confusão na face do Shino.

Na verdade, embora não soubesse o seu significado, o Aburame já tinha escutado sobre casamento. Normalmente os casados, além de caminharem juntos pelas ruas de Konoha com seus filhotes, viviam sob o mesmo teto e não precisavam se afastar ao fim do dia. Portanto, se casar com Kiba significasse ter filhotes e não se distanciar dele quando chegasse o anoitecer, como aconteceria dali um pouco, ele desejaria, sim, casar-se com o Inuzuka.

— Tá bom, vamos nos casar. — Shino determinou.

— Promete? — Kiba aumentou a voz consideravelmente.

Os dois garotos andavam pela rua de terra batida do parque arborizado da Vila da Folha enquanto conversavam. Alheios aos olhares dos transeuntes, mas chamando a atenção de todos por algo que às duas crianças ainda não compreendiam sua dimensão, tampouco o seu significado. Shino e Kiba exalavam uma gostosa e sutil energia que só almas predestinadas possuíam, e por serem tão novinhos aquilo era encantador na opinião das pessoas com as quais cruzavam pelo caminho.

— Prometo, mas... Você sabe o que é casar, não é?— Shino parou de súbito temendo que o outro não soubesse.

— É claro que sei! — Kiba estufou o peito. — Casamento é quando duas pessoas vivem juntas, daí elas cuidam uma da outra até que a morte os separe… Eu vi no filme que eu e Hana estávamos assistindo ontem. Você quer viver junto comigo para me cuidar até a gente ficar velhinho, né?

Era claro que Shino queria, logo, sem pestanejar gesticulou o sim, contudo…

— Será que não é preciso ter dinheiro e ser adulto para casar? — Shino ajeitou os óculos. Ele nunca tinha visto crianças casadas.

— É claro que é! Mas a gente já ‘tá quase grande, seu bobo. — Kiba parecia ter pensado em tudo. — Quanto ao dinheiro, vai ser moleza, assim como você economizou sua mesada durante esse ano para me comprar essa Yukata, eu também vou economizar todo o dinheiro que a mamãe e a Hana me derem a partir de hoje e quando nossos cofres estiverem bem cheios, a gente vai poder casar.

Shino pensou um pouco no arranjo sugerido pelo outro e ergueu os cantos dos lábios.

— Certo, então vou começar a economizar minha mesada amanhã, porque hoje ainda quero te comprar alguns dangos, podemos fazer assim?

— Tudo bem, então vamos?

Kiba, com Akamaru dentro da Yukata, estendeu a mão direita para Shino, guiando o alpha sob o céu de flâmulas e ramos de bambus rumo à barraquinha de dangos de Chiyo-san. Nenhum dos dois sabia o que o futuro lhes reservava, muito menos que ele não seguiria numa linha tão retilínea como os dois imaginaram naquele dia em específico, mas Alpha e Ômega tinham uma única certeza em seus coraçõezinhos pueris, queriam ficar juntos daquela forma para sempre; e nada no mundo os fariam mudar essa ideia.


Notas finais
Espero que tenham gostado
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!