Sete Vidas
1 Capítulo 1
Julia
Depois de alguns meses e tentativas falhas de tentar o relacionamento entre mim e Pedro dar certo, eu enfim desiste e aceitei que talvez não tenha sido por acaso o destino ter nos separados tantas e tantas vezes.
Faziam uns 3 meses que eu havia voltado a morar com Laila, não estava pronta para morar sozinha novamente, não agora nessa fase da minha vida.
Eu estava sentada na cama, lendo uma reportagem sobre restauração, respirei fundo, levantei para esticar um pouco meu corpo dolorido de tanto ficar na mesma posição. Decidi ir até a cozinha e pegar algo para comer, caminhei pelo apartamento pequeno em direção a cozinha, peguei uma maça na fruteira em cima do balcão e me escorei na pia para comer encarando a porta de entrada, alguns segundos depois e algumas mordidas na maçã, Laila entrou afobada no apartamento e se jogou no sofá.
— Decidiu levantar? já estava vendo a hora da sua cama criar vida e te jogar no chão. — Disse rindo.
— Não queira, mais a fome me obrigou, por que tão cedo em casa?
— Tenho que ir visitar uma pessoa no hospital, estou com pressa. -Disse se levantando. — Só vim buscar uma coisa e já estou saindo.
— Nesse caso, posso ir com você? — Perguntei jogando o resto de maçã fora. — Preciso muito sair desse apartamento um pouco.
— Júlia, acho melhor não. — Disse ela indo correndo para o quarto.
— Por favor Laila, prometo que vou ficar quietinha.
— Isso eu não tenho duvida, mais melhor não.
— Por que? é uma doença grave que não posso levar ninguém com você?
— Não, só não quero levar ninguém atras de mim.
— Laila, por favor... — Implorei para ela.
— Não, para você ta parecendo uma criança chata.
— Laila eu preciso sair desse apartamento um pouco me leva com você.
— Põe um tênis e vai caminha na praia. Não vou te levar.
— Qual o problema de me levar.
— Julia chega, a pessoa não quer te ver! — Gritou e depois colocou a mão na boca arrependida.
— O que? Laila quem é que esta no hospital?
— Ninguém importante, esquece, a pessoa não te conhece.
— Laila fala agora, ou eu vou seguir seu carro.
— Felipe, ele está no hospital, e não quer te ver.
— Como assim? Porque ele não quer me ver? O que ele tem.
— Não sei, acho que tem haver com você ter trocado ele por Pedro? — Ela disse irônica. — Mas fique tranquila não é nada sério.
— Preciso ir vê-lo. — Fui atrás da minha bolsa.
— Júlia, melhor não.
— Laila, deixa eu ir.
— Não, tchau Júlia. — Ela correu até a porta e saiu.
Corri atrás das minhas chaves do carro, mas não achei, Laila tinha levado. Peguei minha bolsa, entrei no elevador, tentei ligar mais ela não atendeu,mandei uma mensagem de texto, mas ela não respondeu.
Entrei no primeiro táxi que passou na frente do prédio pedindo para ir até o hospital. depois que paguei e desci do táxi, fiquei em frente do hospital encarando, pensado se eu devia entrar ou não. Depois de uns 10 minutos andando de um lado ao outro, vi Miguel, Laila e Bernardo sair do hospital, me escondi atras de uma arvore igual uma idiota, esperei eles irem embora, decidi entrar, fui até a recepcionista.
— Você pode me falar em qual quarto o Felipe está?
— Sim, no quarto 32,no terceiro andar.
Entrei no elevador, cliquei no botão do terceiro botão, comecei a me desesperar, talvez eu não devesse ter vido, já tinha me desesperado. sai do elevador e me encostei na parede, eu sem duvidas não devia ter vindo.
Olhei para o quarto dele, ele estava sozinho lendo um livro. Apertei desesperadamente o botão do elevador, até que ele me viu.
— Rúlia? é você? — Gritou sério. — Rúlia, espere. — O maldito elevador não chegava. — Rúlia. — Ele levantou e veio até mim.
Definitivamente, Laila estava certa, não devia ter vindo.
— O que faz aqui? — Ele me segurou impedindo de entrar no elevador.
Não respondi, nesse momento eu só queria entrar naquele elevador, e voltar para casa.
— Desculpa, eu preciso ir. — Me soltei e entrei no elevador. Senti as lagrimas escorrerem pelo meus olhos, quando a porta estava fechado ele impediu com o braço.
—Rúlia, o que faz aqui? — Ele ficou segurando o elevador esperando uma resposta.
— Felipe, desculpa, não devia ter vindo, fiquei preocupada quando Laila falou, mas sei que não me quer aqui, já estou indo. — Disse limpando o rosto.
Felipe colocou a mão do lado da barriga e gemeu, quase caindo, eu o segurei.
— Calma, deixe eu te ajudar, não devia ter levantado. — Ele se apoiou em mim.
— Você não devia ter vido aqui, não queria que me visse assim.
— Sei que não quer me ver, mais eu me preocupo com você. Você sabe muito bem disso.
— Sei muito bem disso, mais não queria ter ver, não assim. — Ele deitou na cama.
— O que houve, por que está aqui?
— Preciso fazer aquela cirurgia novamente.
— Por que não me avisou também, a quanto tempo você esta aqui? — Coloquei minha mão sobre a dele, mas ele afastou.
— Porque eu não queria te ver, Rúlia, você me magou, muito.
— Felipe, desculpa, mais foi você quem terminou comigo.
— Sério? Rúlia, você tem noção do quanto é ruim estar com uma pessoa e saber que ela gosta de outra? Pois foi assim que eu me senti.
— Felipe... eu...
— Agora acho melhor você ir embora.
— Felipe , só quero que você saiba que eu não quis te magoar de nenhuma maneira.
— Mais magoou. Muito. — Os olhos dele encheram de lágrimas. Resolvi ir embora.
— Fique sabendo, que você pode sempre contar comigo. — Sai da sala indo em direção ao elevador.
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