Sete Dias Para Viver
18 Capítulo 18 - final
Notas iniciais
O sol já estava surgindo no horizonte, e mesmo com o céu nublado, cheio de densas nuvens, os primeiros raios de luz fizeram com que Brian acordasse de seu sono solitário.
O fotógrafo estava sentado com a cabeça abaixada e apoiada nos joelhos. Seu pescoço estava doendo por ter dormido de maneira tão desconfortável.
Depois de um longo bocejo, Brian finalmente se deu conta de que já havia amanhecido. Ficou totalmente desnorteado. Seus olhos transpareciam uma grande confusão e tristeza.
-Droga... O sétimo dia já se foi, então isso quer dizer que... Ela não vai mais aparecer...? –disse ele com uma voz embargada, tentando convencer a si mesmo. –Não... Não pode ser, ela ainda está viva! Eu sei que está!
O rapaz permaneceu quieto por alguns minutos, tentando confortar a si mesmo e seguir adiante.
-Desde o começo, eu sabia que iria ser assim, afinal, ela só tinha sete dias de vida! –disse ele, controlando sua voz. –Eu tenho que seguir em frente! É melhor ir embora daqui! Acabou! Acabou!
Brian tentou se levantar, porém, suas pernas estavam tão fracas e trêmulas que ele apenas cambaleou e caiu de joelhos, apoiando-se com as mãos. Ficou parado nessa posição por alguns minutos.
Pingos começaram a cair sobre a areia. E não eram pingos de chuva, e sim as lágrimas de Brian. Lágrimas incessantes, que aos poucos, deixavam seus olhos vermelhos e inchados.
Seus soluços de choro ecoavam pela imensidão do mar a sua frente. Sentia falta de ar, e seu coração doía como se uma flecha o tivesse ferido.
-Toda essa cena é por minha causa? –minha voz soou em meio ao vazio e aos soluços de Brian.
Brian se virou rapidamente e, por um momento, parecia que estava vendo um fantasma.
-Kate? – disse ele, incrédulo, ainda com o rosto molhado de lágrimas.
-Desculpe o atraso, é que eu estav... –antes de continuar a explicação, Brian se levantou e correu em minha direção, abraçando-me tão forte que quase fiquei sem fôlego.
-Eu pensei... Eu pensei... –gaguejou ele, com uma voz trêmula e os olhos marejados de lágrimas.
Passamos alguns minutos abraçados, sentindo o calor e as batidas do coração um do outro, até que finalmente Brian resolveu me largar.
-O que aconteceu? E os sete dias? –perguntou Brian, ainda confuso, sem acreditar que eu estava bem a sua frente.
Respirei fundo e expliquei:
-Meus pais... Enquanto estavam de viagem, eles conheceram um médico muito prestigiado na Suíça, e quando eles falaram de mim para esse médico, o doutor disse que haveria uma grande probabilidade de que meu problema fosse resolvido com uma nova droga que ele estava desenvolvendo. Como ela ainda estava em fase de testes, só poderia ser usada em pacientes em estado terminal. Porém, meus pais insistiram até que finalmente conseguiram uma amostra dessa nova droga e a trouxeram junto com eles. Eu fui apenas uma cobaia, mas apesar de ser perigoso, aqui estou eu, me sentindo bem, e depois de fazer alguns exames ontem, foi comprovado que a toxina desapareceu do meu organismo completamente.
-Isso... Isso... É inacreditável! É maravilhoso! –disse Brian, com um largo sorriso estampado no rosto.
-Você tinha razão... Milagres podem acontecer! –falei animada, com lágrimas nos olhos. –Como eu fui boba! Eu, uma bioquímica, não deveria ter perdido as esperanças... Deveria ter pensado nessa possibilidade... Todos os dias novos fármacos são criados, eu deveria ter imaginado que um deles poderia simplesmente reverter os efeitos nocivos da toxina!
-O que importa é que você está viva! VIVA! –disse Brian, pulando de alegria, e eu comecei a rir.
-Brian...Obrigada! Se você não tivesse telefonado para os meus pais, eu não estaria viva agora, muito obrigada! Você me salvou! -falei, enquanto as lágrimas de felicidade continuavam a cair.
Brian olhou emocionado para mim e mais uma vez me abraçou, logo depois rodopiou comigo em seus braços e me beijou. Nossa felicidade era imensa naquele momento, e tudo que queríamos era estar perto um do outro.
-Quer ser minha namorada? –perguntou ele, surpreendendo-me.
-Hã? Assim, tão de repente? –perguntei com um sorriso matreiro, fazendo-me de difícil.
-Achei que você gostasse de mim, mas pelo jeito... –disse ele, com uma cara emburrada, fingindo estar zangado.
-Tá bem, tá bem! Eu aceito, mas com uma condição! –falei com um olhar de criança travessa.
-Lá vamos nós de novo! –resmungou Brian. –Que condição? –perguntou ele, desconfiado.
-Você tem que aceitar a minha proposta! –falei, e Brian me encarou com uma expressão confusa no rosto.
Peguei minha mochila e tirei um envelope de dentro dela. Abri o envelope e entreguei o conteúdo nas mãos de Brian.
-O que é isso? –perguntou ele, intrigado.
-Veja você mesmo! –ordenei com um sorriso orgulhoso.
Brian observou atentamente os papéis que estavam em suas mãos. E quando por fim se deu conta, ficou surpreendido. Eram duas passagens de avião para Paris.
-P-Paris? –gaguejou ele.
-Isso mesmo! –confirmei. –E então? Você aceita minha proposta de irmos juntos a Paris?
-Eu... Eu... –Brian não conseguia falar de tão surpreso que estava. Por isso resolvi provocá-lo.
-Se você não quer... Tudo bem, eu convido outra pessoa... –falei com uma expressão de deboche, tirando as passagens das mãos dele e fingindo ir embora.
Brian ficou com uma cara de bobo, e quando me viu ao longe, correu atrás de mim, inconformado.
-Ei! Espera! Quando foi que eu disse que não queria ir? –grasnou ele. –Volta aqui! Volta aqui!
Ambos começamos a correr. Brian tentava me alcançar e pegar de volta as passagens de avião. Enquanto brincávamos na praia, as nuvens do céu se dispersavam, e o sol, mais uma vez, brilhava imponente.
Semanas depois, estávamos fazendo turismo em Paris e passeando pelos lugares mais românticos da face da Terra. E tudo o que fizemos (bom... não exatamente tudo) foi registrado em lindas fotos e principalmente em nossas memórias.
Os grãos de areia levados pelo mar ainda podem ser trazidos de volta...
Fim
Notas finais
Confesso a vocês que quando comecei a escrever essa fic, o final que eu tinha em mente era bem diferente desse (era um fim trágico!). Porém, á medida que o tempo foi passando e eu continuei escrevendo,percebi que não teria coragem de fazer isso, pois já havia me apegado muito aos personagens e por isso resolvi dá-lhes um final feliz.
Espero que tenham apreciado essa fanfic. Agradeço de todo o coração aos leitores que comentaram (e agradeço também aos leitores silenciosos rsrs). Podem ter certeza que eu estou muito feliz por vocês terem acompanhado minha fic. Obrigada a todos!
Bye Bye!
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