Notas iniciais
Mais um capítulo, espero que gostem! ^^

-É esse o lugar? – perguntou Brian, com uma expressão enojada no rosto.

Estávamos em uma lanchonete infantil, onde diversas crianças costumavam frequentar, e nela havia um grande espaço para recreação, cheio de palhaços e brinquedos.

-Ah não, eu não vou entrar aí, está cheio de crianças! –disse Brian, enquanto já se preparava para fugir.

-É claro que vai! Volte aqui! –falei, segurando a gola da camisa dele, impedindo-o de correr de volta para o táxi.

Dez minutos depois, lá estávamos nós, sentados à mesa e rodeados por crianças, todos comendo pizza e se lambuzando, exceto Brian, que estava de cara feia.

-Hum... Não vai comer? –perguntei, enquanto lambia os dedos das mãos, que estavam sujos de molho de carne e ketchup. Brian apenas virou o rosto na direção oposta, ignorando-me. –Não sabe o que tá perdendo! –resmunguei.

- Olha, eu já tirei todas as fotos que você me pediu, podemos ir embora? –disse ele, zangado.

-Espere aqui, eu vou brincar um pouco com as crianças na sala de recreação! –falei apressada, e logo me levantei da cadeira, sendo levada pelas crianças, que seguravam firmemente minhas mãos.

-Ei! Não! Espere! Por que vai fazer isso? Vamos embora logo! –grasnou Brian, de forma impaciente.

-Esse é meu desejo número treze! –respondi, enquanto atravessava a lanchonete rumo à sala de recreação, de mãos dadas com as crianças.

-Como? Quem no mundo deseja brincar com um monte de pirralhos numa lanchonete? Aishh! –resmungou Brian, enquanto me via adentrando a sala de recreação.

As crianças disputavam minha atenção. Enquanto os garotos queriam que eu jogasse futebol com eles, as garotas queriam que eu brincasse de casinha. No fim das contas, acabamos desistindo dessas brincadeiras e começamos a pular e dançar todos juntos. O sorriso delas me contagiava, pois aquela pureza em seus rostos presenteava-me com uma alegria inexplicável, que se refletia em forma de risada, pulos, caretas e rodopios.

Brian, por curiosidade ou por medo de ficar sozinho em companhia de tantas crianças na entrada da lanchonete, resolveu ir atrás de mim. Ao se aproximar da porta da sala de recreação, era fácil identificar uma mulher adulta entre os meninos e meninas. Ele não entrou, apenas ficou observando de longe, e por um breve momento, pude ver um sorriso sincero esboçado em sua face. Um sorriso diferente de todos os que eu já tinha visto antes. Brian parecia feliz ao me observar, ou talvez ele estivesse apenas zombando de mim, rindo do meu jeito bobo, de minhas atitudes infantis. Mas... Aquele sorriso era tão puro, e seus olhos brilhavam de um jeito encantador. Quando percebeu que meus olhos também o observavam, ele se escondeu atrás da porta.

-O que está fazendo escondido aí? –falei em voz alta. –Esqueceu-se do seu trabalho? Precisa vir aqui e tirar fotos! Venha logo! Não fique se escondendo!

Brian esgueirou sua cabeça para fora de seu esconderijo e olhou para mim de um jeito constrangido. Logo depois, voltou a fazer aquela expressão enojada para as crianças e se aproximou, levantando a câmera na atura dos olhos e tirando diversas fotos.

Já eram quase duas horas da tarde quando saímos daquela lanchonete. Brian espreguiçava-se e parecia muito cansado.

-Tem certeza que pode fazer isso? –perguntei, encarando-o com uma expressão preocupada.

-Foi isso o que combinamos, não foi? Eu irei acompanhá-la nesses sete dias, e mesmo que seja cansativo, não vou reclamar, afinal, você está me pagando para tirar as fotos... –ele respondeu, tentando me tranquilizar.

-E os seus outros compromissos durante a semana?

-Eu cancelei todos! –respondeu Brian, de forma segura. – Agora, me diz uma coisa: Como você consegue pular e dançar por tanto tempo sem ficar cansada? Se fosse eu, estaria morto agora!

-Mas... Eu também estou cansada...

-Sério? Pois não parece! –retrucou ele de forma irônica.

Encarei Brian e mostrei-lhe um sorriso melancólico, respondendo:

-Acha mesmo que uma pessoa que só tem sete dias de vida se preocuparia com o próprio cansaço? Você acha que eu deixaria de aproveitar cada minuto que tenho só por que estou cansada?

Brian me encarou de volta, surpreendido.

-Tem razão, desculpe-me, às vezes eu esqueço que você vai... –disse ele, e não completou a frase, apenas desviou o olhar, que parecia cheio de pena.

-Tudo bem... É melhor descansar um pouco!

-Hã? Mas você acabou de dizer que...

-Estou indo para casa agora – falei, enquanto abria o bolso da mochila, retirando um pequeno pedaço de papel. –Nos encontramos daqui a quatro horas nesse endereço! –completei, entregando o papel a ele.

-Hã? Salão Fest Club? Que lugar é esse? –perguntou Brian, lendo o que estava escrito no papel. –E, além do mais, quatro horas de descanso não é muito tempo? Você mesma disse que queria aproveitar cada minuto...

-Quem disse que eu vou descansar durante essas quatro horas?

-Mas... Eu pensei...

-Vá para casa e descanse um pouco, eu cuidarei dos preparativos... –falei de um jeito misterioso. -E não se esqueça de me encontrar as seis em ponto no Salão Fest Club... Ah! E mais uma coisa, vá de terno e sapatos sociais!

-Terno? Sapatos sociais? –perguntou Brian, confuso.

-E dê um jeito nesses cabelos! –completei.

-O que tem de errado com os meus cabelos? –perguntou Brian irritado, colocando as mãos sobre a cabeça.

Ignorei suas perguntas e novamente estiquei o braço para chamar um táxi. Rapidamente um automóvel parou em minha frente.

–Ei! Espera aí! Ei, me explica isso direito! Por que eu tenho que ir de terno? –grasnou ele, enquanto observava-me entrar apressada no táxi. -Droga! Desse jeito sou eu que vou acabar morrendo nesses sete dias!

O táxi já estava longe quando Brian finalmente parou de resmungar, e depois disso, ele resolveu tomar o caminho de casa, andando lentamente com as mãos nos bolsos, soltando suspiros, com o vento batendo em seu rosto e os cabelos esvoaçantes.