Notas iniciais
Bem, essa é uma experiência para mim, espero bons resultados... Irei disponibilizar de uma vez os dois primeiros capítulos, porque tenho mais de 50 páginas já escritas. Embora claro, tenho tendência a escrever muito. De todas as formas, espero que gostem.

PS: Apesar do teor romance ao inicio, não é o foco principal da história. Fora uma breve introdução, apenas.

Seus lábios tocaram aos meus pela última vez naquelas férias e eu não fazia a menor ideia que seria tão doloroso. O cheiro intenso, porém discreto, que protagonizou meus devaneios por dois meses inteiros se via distante. O cabelo rubro sobre o sol, o sorriso torto aos lábios finos seria apenas memórias que deglutiriam com o tempo.

Seu olhar âmbar brilhou uma última vez para mim, fitando-me penetrante, quando suas mãos separaram nossos rostos.

— Se eu te ligar vai me atender? — James perguntou sério.

Mantive em silêncio por um instante, apreciando o dourado antes de gesticular positiva.

— É bom você me ligar — adverti torcendo o canto dos meus lábios para cima.

James sorriu automático, inclinando em minha direção pela última vez e tocando delicado e breve nossos lábios. Após, afastou, tornando a ficar de pé. Sua mochila verde musgo já estava escorregada apenas por um alça em seu ombro. Sentada sobre a rede e analisando-o de baixo, ele realmente parecia bem mais alto do que eu lembrava. Uma batida dolorosa cobriu meu coração em pensar que já começava a esquecê-lo antes mesmo de ir.

James ficou parado me olhando, em silêncio, como se quisesse guardar o momento. Demorou apenas segundo, mas eu conseguia ver que tão pouco ele parecia feliz com nossa despedida. Um lampejo resplandeceu sobre o olhar âmbar e ele sovou o ar, tirando o foco de mim e correndo o olhar em volta do hotel, como se procurasse as forças para ir.

Ao fim, acabou encontrando.

— Eu tenho que ir agora. Eu... Eu vou te ver de novo, Lissa. Um dia — a voz firme tão comum vacilou por um instante, mas a insistência parecia bem severa ao rosto. — Em breve. Eu realmente acredito nisso.

Por algum motivo eu não conseguia levar tão a sério suas palavras, mas deu-me uma efêmera felicidade. Não ousei levantar para lhe dar um último abraço; sabia que se fizesse, provavelmente desfalecia automaticamente após, de desgosto. Por isso apenas meneei em um breve aceno, desviando o olhar para a piscina em meu lado. Uma criança brincava com o pai, que parecia preocupado com as boais da mesma.

— Me ligue — fora à última coisa que disse ainda fitando a piscina quando ouvi o seu “sim”, e após, os passos se afastando cada vez mais.

Aquela havia sido a primeira noite que eu chorara por um cara. Depois daquilo, passei dois dias inteiros mergulhado em uma apatia cretina antes de minhas férias, dai então, dar-se por fim.

Mas a realidade é que elas já se viam findadas mesmo antes do meu pai anunciar que estávamos retornando porque ninguém mais suportava minha cara indiferente. Eu, francamente, não consegui tirar proveito de qualquer ofensa ou alfinetada vigente ali. Estava presa em meu próprio mundinho de pena porque o único rapaz que havia conseguido me fazer apaixonar por ele simplesmente morava no outro lado do país.

Francamente, até aquele ponto, eu realmente acreditava que era uma azarada.

Eu não fazia ideia de quão certa eu estava.

Notas finais
Lá vem outro...