Sete

4 Memórias De Um Passado Sombrio


Notas iniciais
Hey! Olha quem voltou com capítulo novo? Eeeeu! Que gostou, comenta!!

Capítulo 4 – Memórias de um passado sombrio

Uma garota caminhava em meio a um espaço completamente em branco.

Ela tinha um longo e belo cabelo castanho escuro, usava um vestido preto, aparentemente feito para dormir. Em seu pescoço, uma colar em incrivelmente parecido com a de Pedro. Uma corrente prateada com um pingente redondo de uma lua minguante.

— Ei! — Pedro tentou chamá-la, mas foi completamente ignorado.

A garota continuava a caminhar despreocupadamente, cantarolando uma linda melodia bem suave. Quanto mais Pedro tentava ir atrás desta menina, mais ela parecia distante.

Menos ele a ouvia cantarolar.

De repente, um garoto apareceu, ele tinha as feições idênticas as da menina. Eram aparentemente, gêmeos. Ele estava sem camisa e vestia apenas uma calça branca. Seus olhos e cabelo tinham o mesmo tom castanho dos da menina, porém, seu corte era mais curto.

Um homem apareceu atrás desta garota, ele tinha cabelos pretos batendo nos ombros e a pele incrivelmente pálida. Ele estava com uma calça social preta, camisa social, gravata preta frouxa, parecendo ter acabado de sair de uma reunião de universitários.

Ele estava com uma espada em sua mão esquerda, que deu na mão da garota e aproximou-se de seu ouvido.

— Faça. — Ele sussurrou, de forma serena, calma, e extremamente baixa, mas Pedro foi capaz de ouvir.

Uma lágrima escorreu dos olhos da garota, ela segurou a espada com as duas mãos e apontou para a barriga do seu — aparentemente — irmão.

— Desculpe... — Ela disse entristecida.

— Não... – Pedro disse, mas foi ignorado.

Ela enfiou a espada no estômago do garoto, fazendo-a atravessar seu corpo.

— Não! – Pedro gritou.

Assim que virou para o lado, viu Paulo sentado em seu colchonete no chão, apontando sua pistola nove milímetros pra ele.

— Você está bem? — Paulo perguntou.

— Sim, sim. — Pedro disse — Foi só um pesadelo... Nada fora do comum. – Ele disse um pouco sonolento.

Paulo transmutou a pistola, fazendo-a virar moeda novamente.

Pedro estava sem camisa, deitado em sua cama coberto por um edredom bem confortável. Seu cordão estava gelado em seu peito, o que era incomodo, mas ignorou a sensação.

Paulo o olhava de maneira estranha, coisa que assustou Pedro.

— Por que está me olhando assim? — Pedro perguntou.

— Onde você arrumou este cordão? — Paulo perguntou, ignorando a pergunta anterior.

— Essa coisa velha? – Pedro disse, ignorando o fato de ter perguntado anteriormente — É um presente que minha mãe me deu... — Pedro segurou o pingente — Ele é passado na minha família a gerações, sempre para as filhas – Ele deu um leve riso – Como minha mãe não tem irmãs e só teve filhos homens, ela me deu.

Paulo respirou fundo e levantou-se, dando leves tapas em sua calça para tirar a poeira.

— O que foi? – Pedro perguntou dentre um bocejo.

— Me deixa ver esse cordão mais de perto. — Ele se aproximou de Pedro e pegou no pingente do cordão.

Logo, ele fez uma expressão negativa, coisa que Pedro reparou no mesmo instante.

— O que foi? — Pedro perguntou preocupado — Algum problema?

— Você é parente dela...? — Paulo disse em tom triste. – Não, não tem como. Não é possível.

Pedro não entendeu as palavras de Paulo.

— Como assim? — Pedro perguntou. – Parente de quem?

Paulo pôs a mão por dentro da camisa e puxou um cordão que ele usava por dentro, um cordão que era parecido com o de Pedro, porém, seu pingente era o de um sol prateado.

— Isso não pode estar acontecendo... – Paulo balançou sua cabeça em sinal negativo.

Assim que Paulo aproximou os pingentes, os dois se grudaram, como ímãs. O sol tampando a parte preta do pingente da lua de Pedro.

— Nossa... — Pedro olhou para os pingentes.

— Eu quem dei esse cordão para ela... — Paulo disse — Ela o guardou por todo esse tempo... – Uma lágrima escorreu dos olhos do homem viril.

Paulo virou seu olhar para o outro lado, impedindo que Pedro o visse chorar.

— "Ela" quem? — Pedro perguntou tentando entendê-lo.

— Rafaela... — Paulo respondeu olhando nos olhos de Pedro. — Rafaela Dos Santos...

— Meu sobrenome... — Pedro disse.

Paulo ficou parado, olhando para ele.

— Rafaela?... — Pedro perguntou — Este nome não me é estranho...

— Agora que olhei bem... — Paulo respondeu, agora, em tom mais calmo. – Você se parece com ela. – Ele o fitou por um instante — O mesmo tom de pele, a mesma cor de cabelo... – Ele olhou nos olhos do mais baixo – Os mesmos olhos castanhos...

A chuva começou a cair do lado de fora novamente, o que fez uma gota cair na testa de Paulo, que não teve nenhuma reação.

— Aqui tem goteiras, desculpe... — Pedro passou o polegar na testa de Paulo, tirando a água que ameaçava escorrer para os olhos.

Paulo continuava a olhar para ele, até conseguir deixar Pedro sem graça.

Uma gota caiu nos pingentes que estavam grudados, chamando a atenção dos dois.

— Nossa, que engraça-... — Pedro parou de falar assim que sentiu o toque do mais alto.

Paulo o abraçou.

Ele envolveu Pedro em seus braços, o que o fez ficar imóvel, sem conseguir ter nenhuma reação.

— É incrível... — Paulo disse com serenidade enquanto o abraçava — Até mesmo o cheiro é o mesmo que o dela...

Pedro ficou sem jeito, completamente envergonhado e com as bochechas coradas. Paulo estava abraçando-o, relembrando coisas que ele nem fazia ideia do que eram.

Pedro começou a sentir as mãos quentes.

De repente, o quarto começou a ficar mais claro, quando Pedro olhou para as próprias mãos, viu que estavam emitindo um brilho suave que ficava cada vez mais intenso aos poucos.

Paulo percebeu o mesmo e se afastou um pouco.

— Essa luz... — Paulo disse pausadamente.

Pedro ficou sem expressão, como se estivesse em transe. Ele segurou os dois pingentes com sua mão direita, a mesma que emitia a luz branca.

— Os poderes de Rafael... – Paulo mal conseguiu gesticular de tão estupefato que ficara.

Logo, a luz branca e agora mais intensa começou a ganhar cor, transformando-se em uma luz roxa, quase negra...

Algo intimidador.

Paulo olhava para aquilo assustado, sem reação alguma, não conseguia se mexer, e aparentemente, não queria fazê-lo.

Pedro esticou a palma de sua mão esquerda na direção de Paulo, e de repente, a luz expandiu-se, impulsionando Paulo para trás fazendo-o cair no chão.

Logo após, a luz se extinguira.

Assim que Paulo conseguiu se levantar, Pedro estava deitado novamente, inconsciente. Deve ter ficado desmaiado devido com o que acabara de ocorrer.

— Inacreditável... — Paulo disse sem mudar o tom de surpresa — Os poderes dos dois... Renasceram nele...

Ele passou a mão no ombro de Pedro, por cima de sua marca.

— Esse garoto... – Ele não se permitiu terminar a frase.

Paulo pôs a mão em sua testa e respirou profundamente, expressando cansaço e nervosismo.

Ele pegou o cobertor da cama de Pedro e o cobriu novamente.

— Que droga, Rafaela... — Paulo sentou-se na cama de Pedro, olhando fixamente para ele. – Por que mesmo morta você insiste em me meter em confusão?

***

De manhã, Pedro acordou com um pouco de dor de cabeça, o sonho que ele teve com os gêmeos ainda não tinha saído de sua mente. Tentando esquecê-lo, lembrou-se de Paulo ontem à noite, lembrou-se de seu abraço, lembrou-se de tê-lo feito cair no chão...

Lembrou-se das luzes.

Ainda sonolento, sentou-se na cama ainda um pouco zonzo. Assim que virou para o lado, viu Paulo, que estava sentado dormindo no chão, com os braços e a cabeça apoiados em sua cama.

Vê-lo daquela forma o fez fitá-lo por alguns instantes, mas logo parou de fazê-lo. Olhou ao redor do quarto, vendo os dois colchonetes vazios.

André não estava mais em seu quarto.

— Merda! — Pedro disse – Paulo! Acorda! André sumiu! — Ele sacudiu os ombros de Paulo rapidamente se levantou e pegou uma camisa branca com estampa de guitarra que estava jogada no chão.

— O que? — Paulo acordou no susto — O que houve? — Ele se levantou da mesma forma que foi acordado.

Pedro pegou as chaves que estavam na cabeceira de sua cama.

— André sumiu — Pedro disse abrindo a porta do quarto — Se ele ainda estiver daquele jeito, vai ser um problema.

— Merda. – Ele sacudiu a cabeça tentando espantar o sono.

Os dois desceram as escadas o mais rápido que puderam.

— Pedro Dos Santos! — Sua mãe o chamou. — Pra cozinha, agora!

Pedro revirou os olhos em sinal de desgosto, respirou fundo e foi até a cozinha. Assim que abriu a porta, viu seu irmão tomando café com leite e biscoitos, sua mãe cozinhando e André, lavando a louça.

— Por que não me avisou que trouxe seus amigos para dormirem aqui? — Sua mãe perguntou – Não proíbo ninguém, sabe disso.

— Chegamos tarde, Dona Carla. – André respondeu sorridente. – A senhora já estava dormindo e não queríamos incomodá-la. – Ele virou-se para Pedro, dando um sorriso desconfiado – Não é verdade, Pedro?

O coração de Pedro se acalmou ao ver que André estava lavando a louça invés de comendo pessoas por aí foi algo que o fez respirar com tranquilidade novamente.

— Você é um amor, André. – Carla disse retribuindo seu sorriso – Pedro tem sorte de ter um amigo tão bonzinho como você. – Ela dirigiu-se a Pedro.

Paulo entrou na cozinha correndo com sua moeda em mãos já emitindo o brilho de transmutação, mas Pedro segurou sua mão antes que ele pudesse fazê-lo.

— Que isso Sra. Santos, não é pra tanto — André recusou gentilmente — Não precisa.

— É claro que é! — Carla apertou a bochecha de André com um bocado de força — Sabe que adoro quando você aparece aqui.

Carla olhou para Paulo surpresa, mas não demorou muito para dar um sorriso.

— Já você, nunca apareceu aqui antes, não? — Ela comentou simpaticamente.

Paulo ficou em postura, parecendo um mordomo.

— Sim. — Ele tomou a frente e foi até a mãe de Pedro, pegando sua mão e beijando-a. – Muito prazer. Eu sou Paulo. – Ele virou-se rapidamente para Pedro e sorriu de canto – Nunca me disse que tinha uma irmã.

— Nossa! – Carla riu — Que rapaz educado! Deveria aprender umas coisinhas com ele, Pedro.

Pedro revirou os olhos novamente.

— Ok mãe, ok. — Pedro concordou. — Paulo, André, vamos subir?

— Ah claro, podem ir — Carla disse — Obrigado por me ajudar com a louça, André.

André retribuiu a educação com um sorriso, coisa que não durou muito porque Pedro o puxou pelo braço junto a Paulo, fazendo-o ir mais depressa.

— E prazer em conhecê-lo... – Ela tentou lembrar seu nome enquanto o mesmo subia as escadas — "Paulo", não é? — Ela perguntou pra si mesma — Ah, que seja. Vão logo.

Assim que entraram no quarto, Pedro notou que a marca de André havia sumido de seu pescoço.

— O que houve com a marca em seu pescoço? — Pedro perguntou

— Eu a escondi. — Ele passou o dedo indicador em seu próprio pescoço, esfregou um pouco e parte da marca apareceu – Sua mãe tem muita maquiagem no banheiro. Peguei um pouco de base emprestado e...

— Você se lembra do que aconteceu ontem a noite? — Paulo perguntou, cortando-o. — Do que fez?

André sentou-se na cama de Pedro e ficou de cabeça baixa, desfazendo seu sorriso. Ficou em silêncio por alguns instantes até que resolveu falar.

— Sim... — André confirmou triste, como quem estava prestes a chorar. — Mas juro que não matei ninguém!

— André, você matou aquela mulher ontem. – Pedro disse nervoso.

— A mulher de ontem à noite já estava morta! – Ele retrucou nervoso. – Não fui eu quem fez aquilo!

— Se não foi você, quem a matou? — Paulo perguntou calmamente.

André olhou para ele.

— Havia um homem. – André começou a explicar – Muito, mas muito branco mesmo. Ele tinha o cabelo bem preto que chegava nos ombros. – Ele o descreveu — Ele atravessou aquela mulher com uma espada, eu vi a situação, mas quando cheguei perto, ele já não estava mais lá. – Ele esfregou a mão em sua cabeça – Ele se desfez no ar!

Paulo começou a andar pelo quarto. Ele estava preocupado, nervoso.

— Consegue lembrar como ele se vestia? – Paulo perguntou de forma analítica. – Descreva-o melhor. — Ele pediu.

— Deixe me lembrar... — André coçou a cabeça. — Ele tinha cabelo preto, mas bem preto mesmo. Ele era pálido...

— Magro, alto... – Pedro olhava para o chão enquanto falava. — Estava com uma calça social preta, camisa social, gravata preta frouxa...

— Como você...? – Paulo estranhou o fato de Pedro conseguir descrever o sujeito mas, antes que pudesse completar, André o cortou.

— E ele tinha uma tatuagem parecida com a nossa, Pedro. – André disse.

— Você quis dizer marca? – Paulo perguntou, ignorando a pergunta sobre Pedro — Ele tinha uma marca?

— Ele tinha um número – André levantou a cabeça, apontando para seu pescoço – Igual aos nossos.

Paulo ficou assustado, congelado nesta expressão.

— Paulo, você está bem? — Pedro perguntou preocupado.

— Não pode ser... Não pode... — Paulo repetia. — Não pode ser ele...

Pedro ficou assustado.

— "Ele" quem? — Pedro perguntou elevando um pouco seu tom de voz.

— Qual era? — Paulo perguntou com tom de voz mais alto, como se exigisse uma resposta. – Qual era o número, André? – Ele quase gritava dentro do quarto.

André e Pedro ficaram assustados, o que fez o clima ficar pesado no local.

— Quatro. – André respondeu sutilmente, com medo de Paulo. – Ele tinha o número quatro na parte lateral do pescoço.

Paulo sentiu seu corpo gelar assim que ouviu a resposta.

— Quatro? — Pedro perguntou — Paulo, qual é o pecado número quatro?

Ele demorou a dar a resposta, mas logo, o fez.

— Você conhece o cara? — André perguntou num tom menos tenso que o de Pedro.

— O conheço... — Paulo respondeu cabisbaixo, como se não quisesse ter respondido daquele modo — O conheço bem...

— Paulo, quem é esse cara? — Pedro perguntou mais autoritário.

— Gabriel... — Paulo disse baixo, quase audível só para si mesmo – Quarto pecado, Ira...

Notas finais
Repetindo o que falei no inicio do capitulo: "Que gostou, comenta!!"