Set of Capitalism
1 O estranho de olhos roxos
Notas iniciais
Miharu Haruke, apenas um estudante qualquer da escola interna para garotos Sci-Life. No entanto, acho que possuo uma qualidade que me difere da maioria dos demais alunos, sou um típico garoto racionalista, considero a sociedade atual hipócrita desde que sei o que é hipocrisia. Sou uma pessoa um pouco imprevisível, do tipo que desafiaria a lei da gravidade em nome de Albert Aistein pelo orgulho da ciência e da física.
Hoje é meu primeiro dia de terceiro ano de ensino médio, enfim o último ano escolar. Meu pai quer me obrigar a estudar advocacia na Priceton Tókio Universit, mas eu gostaria de fazer astronomia, então, estamos em uma relação complicada, transformamos a mesa refeições em: uma hora um Campo de Batalha, outra hora um Tribunal. Um ano atrás aconteceram algumas poucas vezes de nós discutimos sobre meu futuro e minhas decisões, mas agora que está no último ano ele fica pegando no meu pé TODOS OS FINAIS DE SEMANA achando que pode mesmo controlar minha vida. As vezes, eu gostaria de soca-lo no estomago e dizer: "Você não vai mandar na minha vida para sempre, velho idiota!". Aliás, eu e meu pai nunca nos damos muito bem, sempre ficamos "testa á testa" e minha mãe...Coitada, não pode fazer nada. Nos últimos anos minha mãe andou muito doente, desenvolveu câncer de pulmão, e nos últimos três meses ficou debilitada e agora reside no hospital. Todos os finais de semana, quando fico em casa com meu pai, sou obrigado a cozinhar para esse velho preguiçoso, aturar os amigos bêbados dele e seu poker para otários cujo as mulheres provavelmente são traídas.
O alarme soou. Seis da manhã de segunda-feira, 1° de Março de 2020, meu último ano letivo. Como sempre, eu estava sozinho no quarto, até porque alguns dormitórios são para apenas uma pessoa, e meu dormitório é um desses.
– Miharu. — Um dos meus colegas de classe bateu na porta chamando meu nome, o reconheci pela voz — Hora de acordar, a primeira aula começa as sete e quinze, é química! -
Me desembrulhei do cobertor e sentei na beirada da cama e comecei a fitar meus pés. Ao me levantar, liguei o som do meu rádio que estava tocando meu cd de Black Veil Brides, Knives And Pens. Não sou um super fã da música oriental, sempre gostei muito do rock ocidental.
" Alone at last, we can sit and fight.
And I've lost all faith in this blurring light,
But stay right here we can change our plight.
We're storming through this despite what's right. "
Música aqui é proibida. Mas sempre fui daqueles de fugir de vez enquando das regras. Me levantei, fui tomar banho. Vesti o uniforme: Camiseta social branca, calças negras e tênis preto. Peguei meu óculos de grau de cima da cabeceira e coloquei-o. Me olhei no espelho e tive a " leve " sensação de parecia aqueles nerds que ficam jogando Rpg's nos porões da casa das mães que são separadas dos pais (Nesse ponto, considero eles sortudos) e não tem de forma alguma uma vida social além de bom relacionamento com os professores.
" — Você vai fazer advocacia, Haruke! -
– Já disse que pra você é " Miharu ", velho estúpido. -
– CALE-SE! -
– Não vou deixar você mandar em mim, irei fazer dezoito anos. Vou sair de casa, posso fazer o que quiser de agora em diante. E minha primeira decisão é fazer astronomia."
Tive pensamentos rápidos da última conversa que tive com o Gabe, digo, meu pai. Aquele velho é mesmo irritante, sabendo que vou sair de casa e ser maior de idade fica pegando no meu pé pra que eu seja um advogado bem sucedido e possa sustentar minha família para ele nunca mais trabalhar. Minha mãe um dia ainda irá larga-lo e conhecer um cara de verdade.
...
– Certo, Alunos. — O professor virou-se para nós — Como vamos começar o ano letivo hoje, gostaria de dizer o que iremos estudar nessa primeira unidade. Bem, vamos começar hoje a estudar Eletricidade e após encerrar os assuntos, o que eu daria mais ou menos um ou dois meses, iremos começar Óptica. Por fim, para encerrar o semestre, iremos estudar Ondas Sonoras. Agora, abram o livro da página 12 e leiam em silêncio. Repetindo, em silêncio. Daqui há vinte minutos irei explicar-lhes.
Peguei o livro e abri na tal página. Me ouvi suspirar, talvez eu não estivesse preparado psicologicamente para o terceiro ano, ou estou apenas sem vontade de estudar. Olhei para os lados e vi na carteira a minha direita um garoto diferente. Diferente, digo, ele não tinha um físico comum para os garotos de dezessete anos, ele tinha um físico de doze só que com um peitoral forte. Ele tinha olhos roxos e uma orelha um pouco pontuda, me lembrei dos dias em que fiquei até quatro da manhã jogando The Legend of Zelda.
– Ahn, alunos — O professor levantou da sua cadeira com um caderno em mãos — Desculpem-me. Esqueci de fazer a chamada. Portanto, pausem suas leituras e prestem atenção. — Ele abriu o caderno e começou a leituras dos nomes e pedindo que os garotos que se apresentem para os novatos. — [...] Certo... Miharu... Haruke Miharu? -
– Presente! — Levantei-me da carteira e tirei uma mecha dos meus cabelos louros do rosto — Podem me chamar de Miharu, pessoal! -
– Certo... — Sentei-me de novo e o professor continuou a falar — Por fim, Hinata Kisuke, está presente?
O garoto estranho se levantou, tirou uma mecha do seu cabelo louro tom de terra da frente do seu olho roxo e começou a falar — Presente! Podem me chamar de Hinata. — e ele sentou.
...
Fiquei cansado, as aulas foram entediantes e fariam qualquer pessoa dormir, até mesmo alguém que tomou dois copos de café. Ao entrar no dormitório, abri minha mochila para fazer os deveres. Ao abrir, percebi que havia esquecido o livro de química.
– Droga. Deve ter ficado debaixo da carteira da sala! — Resmunguei.
Fechei a mochila e coloquei-a devolta no ombro, sai do dormitório e caminhei em direção à sala de química. Ao sair da sala, ao caminho do dormitório, ouvi vozes vindo do corredor ao lado, resolvi espiar. Pois que eu soubesse, ligações era proibidas à não ser que você use o telefone da escola com a permissão da direção.
– Não tem problema. — Era o tal do Hinata no telefone, sua voz parecia um pouco feminina. — Certo, certo. Bem, irei desligar.
Ele enfiou o telefone no bolso, revirou os olhos e veio em minha direção. Fingi estar distraído e fui em direção dele assobiando, até que nos esbarramos.
– Oh — ele esfregava a testa — Desculpe!
– Não... — Sorri nervoso — Tudo bem!
– Sou o Kisuke, Hinata Kisuke — Ele disse em tom sério, mas me parecia amigável.
– Sobre aquela ligação de celular... — Respirei fundo e enfim olhei diretamente em seus olhos que agora estavam em um tom avermelhado — Não direi nada à ninguém.
– O que ouviu sobre a ligação — Ele olhou pra mim com um olhar variado de amedrontador para desprezível — Filho do Gabe?
– Como sabe o nome do meu pai?
Continua...
Fale com o autor