Notas iniciais
Minha primeira songfic! espero que gostem!^^' A música selecionada é a mesma do título. "Set me free", do cantor cingapuriano YiDA. A letra sempre me emociona muito! Vale a pena ouvir! Usei a versão em inglês da letra porque o original está em mandarim e ia ficar um pouco complexo...XDD Aqui está o link da música, se alguém quiser ler ouvindo....^^ http://www.youtube.com/watch?v=VSFsa1NQvrk&feature=channel_page A escolha do casal fica a critério de vocês! ^^

Set me free

“I feel like I can\'t even breath

because every beat of my heart...is for you...”

- Eu... não sinto o mesmo...me desculpe....

Porque de tempos em tempos aquela frase voltava a minha mente, eu não sei dizer. Mas doía como o inferno a cada vez, e a dor não parecia diminuir nem um pouco com o passar do tempo. A única coisa que mudava era a facilidade com a qual eu lidava com a lembrança. Eu fingia que aquilo não me afetava de forma alguma. E eu fingia cada vez melhor.

Sempre foi complicado pra mim... dizer o que eu sinto de forma totalmente honesta. Me abrir com alguém. Eu e meus problemas com intimidade. Mas não me arrependo de ter dito o que disse em um surto de coragem. Nem foi muito. Nem significou muito. Mesmo que às vezes a ilusão de não saber o que ele sentia e ter uma chance, uma chance apenas, parecesse a melhor opção. O conforto da possibilidade.

“All i can do is hide...

in those memories all night...”

- Eu gosto de ficar com você...

- Eu também gosto. — ele sorria despreocupado. E eu acreditava em suas palavras. Não porque eu sentisse algo dentro de mim me dizendo que era verdadeiro. Não. Eu acreditava.... porque eu queria acreditar. Simples assim. Ele sabia que eu o amava. Mas eu nunca dizia nada. Eu não dizia “eu te amo” porque achava brega e ...eu não dizia “eu te amo” porque tinha medo. Porque eu sabia que ele me diria a verdade nua e crua quando eu precisasse ouvir. Sempre foi assim. Ele me dizendo a verdade e eu me magoando só um pouquinho... porque eu não conseguia me magoar demais. Não com ele. Mas quando o assunto era aquele...eu tinha pavor de ouvir suas palavras sinceras... porque não eram palavras de amor verdadeiro...

-...eu não sinto o mesmo...

“You didn\'t even give me a chance, you just turn around and left

Can you understand how hurt I am..”

Lembro que a dor daquele instante foi a pior de todas. Até hoje, ainda é a pior. Porque eu me recusei a derramar uma única lágrima. Me guardei naquele tipo de dor silenciosa que vai destruindo o coração bem devagar. Mas eu não chorei. Nem mesmo quando ele continuou.

- Eu não queria que você sofresse... mas eu não posso mentir pra você...me desculpa?

Desde quando alguém pode desculpar uma rejeição? O máximo que eu poderia fazer era dizer que tudo bem, que eu entendia... que nós ainda éramos amigos sim....o que ele queria que eu dissesse?

- Claro, claro...não tem problema...não é culpa sua...

Claro que não...a culpa é minha... eu não consigo ser a pessoa que você quer que eu seja... e realmente não importa o que os outros digam agora. Sentimentalismo exagerado...drama sem sentido. “Pare de sentir pena de si mesmo!” E toda aquela ladainha de quem nunca sentiu dor assim. Não importa agora...que eu tenha pensado nas razões mais ridículas e auto-depreciativas.... Eu tinha que achar uma resposta praquilo. E ela foi das mais patéticas. Foi minha culpa.

- Você tá bem mesmo?

E se eu não estiver? O que você pode fazer a respeito?

“You\'re gone...and that hurts so much..

You\'re gone..and all I can do is run after you...”

Eu perdi você ali. E mesmo que nós nos víssemos praticamente todos os dias depois daquilo, eu sabia que estava perdido pra sempre. Não se pode forçar alguém a sentir algo tão forte quanto amor. Eu odeio o amor. E ainda assim te amo. E sempre me sinto ridículo dizendo isso assim sem metáforas pra disfarçar...mas....você nem vai ouvir, não é mesmo? Você teve que ouvir minha declaração tola uma vez só. E eu me pergunto porque eu tenho que continuar ouvindo sua resposta. De novo e de novo e de novo....ecoando na minha mente...

E como eu odeio te ver sorrindo agora....e te ver feliz....

Mas que tipo de amor é esse, afinal? Amor verdadeiro não é aquele no qual a única coisa que importa é a felicidade da outra pessoa? Não é isso? Bem... então meu amor não é verdadeiro. Mesmo que ele me tire o ar....mesmo que ele me encha de sentimentos avassaladores... eu nem posso dizer que é amor de verdade.

Porque eu quero que você seja feliz sim... mas comigo!

Mas eu finjo bem. É uma habilidade que fui desenvolvendo... porque eu me recuso a chorar. Pra que você não precise conviver com isso. Com a minha dor. Porque é um desejo egoísta de que você saiba o quanto me machuca ser seu amigo que me faz dizer tudo isso. Como se você fosse ouvir...

Você não vai. Não porque você não liga. Eu sei que você se importa. Mas porque não há razão pra nada disso....você não sente... o que eu sinto.

“This story cannot end like this..

I\'m still waiting for love to continue...”

E eu costumava desprezar as pessoas que se faziam de vítimas do amor. Acho que ainda desprezo. Porque eu não sou uma vítima do amor. Não se pode responsabilizar um sentimento tão etéreo quanto esse por todas as dores sentimentais do mundo. Eu sou uma vítima de mim mesmo e das minhas próprias fraquezas. E você é meu vilão. Seu sorriso, suas piadinhas sem graça e a forma como você me dizia pra eu não me preocupar tanto com o amanhã. Eu ainda me preocupo. Sinto pena de mim mesmo de vez em quando e conservo todas as manias de sempre. E eu ainda não choro pensando em você. Nem uma única vez.

“Is it possible to return to the past?

And have that last embrace last forever?”

Mas você ainda senta ao meu lado, não com tanta freqüencia agora, e me conta sobre o seu dia, como costumávamos fazer. E ainda me diz as mesmas coisas, tira sarro das minhas reações e passa os dedos pelos fios da franja quando vai me contar alguma história interessante. E quando eu faço uma careta, escuto o familiar “Hey! Não fique pensando tanto nisso! E para de ser tão neurótico! Nós podemos sair um dia desses e você me diz o que anda passando por essa sua cabecinha...”

“Sim, sim...fazemos isso um dia desses...” E eu me divirto muito... mas não consigo me libertar totalmente. Eu sorrio de volta pra você e não consigo deixar de pensar naquela última vez em que eu te tive, ou pensava que te tinha, e você me abraçou e pediu desculpas por não me amar daquele jeito.

Eu só queria me livrar dessa lembrança. E poder te abraçar mais uma vez e sorrir de forma honesta ao seu lado. Mesmo que você não sinta o mesmo. Eu só queria ser livre...pra poder te amar sozinho...e me sentir satisfeito com isso. Com meus próprios sentimentos... e com a falta dos seus.

Notas finais
Essa fic é dedicada à Patrícia... uma das poucas pessoas que conhecem esse meu lado sentimental...^^ Espero que ela tenha realmente gostado!^^ Agradecimento especial à Nanda-chan por ter me apresentado o YiDA! ^^ Reviews? ^^'
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!