Sesshomaru - Luz E Escuridão
37 Capítulo 36 - Vivo ou Morto
Notas iniciais
Mariah já tinha posto Rin na posição para o ritual, Hikari continuava inconsciente, agora num futon no chão e Sesshomaru estava à porta do quarto com o filho a observar cada passo de Mariah.
No entanto, ficaram todos chocados quando ela pegou num punhal e cortou-se, fazendo o seu sangue começar a correr rapidamente. Sesshomaru deu um passo em frente mas Mariah limitou-se a levar um indicador ao sangue que lhe escorria pelo braço e a começar a desenhar símbolos na pele de Rin como se fosse tinta.
Como não parecia incomodar Mariah de todo, Sesshomaru manteve-se onde estava e continuou a observar cada passo do ritual.
–Eu já lhe expliquei isto, Rin-sama. — disse Mariah depois de se ajoelhar ao lado da cama onde Rin estava deitada — Mas o procedimento vai doer um bocado.
Rin olhou para Sesshomaru, mas este ficou calado. Rin estava à espera que ele dissesse que não era preciso e que ele ficaria bem sem ela quando ela começasse a envelhecer. Mas ele parecia apoiar aquele ritual com toda a sua força, por isso Rin decidiu fazer o seu melhor e fechou os olhos.
–Vou começar. — avisou Mariah, fechando os olhos também.
Sesshomaru deu dois passos em frente quando ouviu Rin gritar mas Yoru parou-o. — A bruxa avisou que ia doer. Não podemos parar o ritual a meio. Não sabemos o que pode acontecer.
Quando o coração de Rin parou e ela deixou de respirar, Mariah começou a proferir algumas palavras em latim repetidamente, enquanto levava as mãos ao peito de Rin.
Tudo o que Rin era antes daquele ritual. Todas as suas memórias e sentimentos. Tinha de ficar tudo na mesma. Por isso, Mariah tinha de se concentrar, não só para não a matar, mas também para não danificar nenhuma das suas memórias.
…
Alguns anos atrás
–Porque é que eu não posso ir com o Sesshomaru-sama? — perguntou Rin, na noite do seu 15º aniversário — Porque é que não me deixam?
–Deves aprender o que é estar rodeada por um hambiente normal, primeiro. — respondeu Kagome — Estiveste com ele desde pequena. Sê paciente. Vais-te habituar à aldeia eventualmente.
–Sim. — concordou Inuyasha — Podias começar por fazer amigos.
–As crianças não querem aproximar-se de mim. — amuou Rin — Porque veem o Sesshomaru-sama a vir-me visitar constantemente. Eles pensam que ele é mau e têm medo de estarem perto de mim.
–Bem, ele é mau. — murmurou Inuyasha.
–Ele não é mau. — protestou Rin — Nem todos os demónios são maus. O Sesshomaru-sama não é mau.
–Como é que sabes? — perguntou Inuyasha — Como é que tens tanta certeza?
–Porque ele salvou-me quando mais ninguém o fez!
–O que é que está a dizer, Midoriko-sama. — perguntou um dos seus ajudantes, surpreendido.
Ela olhou em voltou e reparou que estava num Templo, com a armadura vestido.
–Do que é que estávamos a falar? — perguntou ela, levando uma mão à cabeça.
–Eu perguntei porque é que acha que o demónio que tem percorrido esta aldeia não é mau. — lembrou o ajudante — Às vezes acho que é demasiado boa para a sua própria segurança.
–Midoriko...? — ela olhou para a mão com as sobrancelhas franzidas mas depois sorriu — Eu sou forte. Mesmo que seja demasiado boa, ninguém me vai deter por essa razão.
–Não pretendia mencionar isto, Midoriko-sama. — continuou o ajudante — Mas, ontem, quando estava a dormir, murmurou "Sesshomaru-sama".
–Sesshomaru-sama? — perguntou ela, pegando na espada antes de sair do Templo — Eu não conheço nenhum Sesshomaru.
No entanto, quando abriu a porta do Templo, deparou-se com um rio a brilhar com a luz do sol, olhou para baixo e viu Kagome a lavar a roupa.
–Afinal porque é que estás sempre a falar no Sesshomaru? — perguntou Kagome, enquanto Rin ajoelhava-se vagarosamente ao lado dela — O que é que sentes mesmo por ele?
–Bem... — Rin corou — Não sei.
–Devias começar a considerar casamento daqui a um par de anos. — disse Kagome — Parece que por estes tempos as pessoas têm de se casar cedo.
–Eu não quero casar-me com ninguém. — disse Rin, levantando-se — Porque eu amo o...
Chocada, uma onda de areia passou pela sua frente e o rio desapareceu.
–Midoriko-sama, afaste-se do demónio! — disse um dos aldeões armados que estavam à sua frente — Não pode protegê-lo! Ele vai matá-la!
–Ele não vai matar-me! — gritou Midoriko, esticando os braços — Ele é bom!
–Midoriko, já chega. — pediu o demónio que ela estava a proteger — Não me podes proteger para sempre.
Com as lágrimas nos olhos, Midoriko ficou a ver a pessoa que ela amava a ser assassinada pelos aldeões da vila que achavam que estava em perigo. Quando ele caiu ao chão e olhou para ela com um sorriso suave, ela pegou na espada, correu até ele e espetou a lâmina no seu coração.
–Midoriko-sama! — exclamou um dos aldeões, insatisfeito — Ele merecia sofrer mais um pouco. Porque é que o matou assim?
Ela virou-se e afastou-se dos aldeões sem dizer nada. Não ia voltar à aldeia deles. Só parou no meio de um floresta.
Encostou-se a uma árvore e levou as duas mãos gentilmente à sua barriga. A criança que carregava dentro de si era o produto do seu amor por aquela pessoa e, agora, a única prova que existia.
Não ia deixar que lhe fizessem mal. Até ter esta criança...
–Então, o que é que sentes realmente por ele? — perguntou Kagome.
Ela virou-se com as lágrimas a cobrir o rosto, ainda com as duas mãos na barriga. — Eu amava-o.
…
As mãos de Mariah tremiam sob o corpo imóvel de Rin. Finalmente, quando acabou de falar, levou uma mão à testa de Rin e suspirou, ainda com os olhos fechados. Só os abriu quando ela começou a respirar outra vez.
Mariah levantou-se e só entou limpou o sangue do seu braço.
–Correu tudo bem. — disse Mariah, ouvindo os suspiros de alivio de Yoru e Sesshomaru — Ela só está a dormir agora porque o ritual deixa-a exausta. Deve acordar não tarda nada. Daqui a uma ou duas horas...
–O que é que se passa?
Surpreendida, Mariah virou-se e viu Rin com os olhos abertos.
–Rin-sama! — Mariah correu para ela, um pouco aliviada — Como é que se sente?
–Bem... — Rin sentou-se devagar e olhou para o que estava a vestir — Eu...foi o ritual...não foi?
–Não se esforce, Rin-sama. — pediu Mariah — O ritual correu na perfeição.
–E o meu bebé? — perguntou Rin, levando as mãos à barriga -O meu bebé não foi prejudicado durante o ritual, pois não?
–Bebé? — perguntaram Mariah e Sesshomaru ao mesmo tempo.
–Sim. — confirmou Rin — Eu disse-lhe que estava grávida, não disse?...não estou?
Mariah olhou para Sesshomaru, esperando desesperadamente ouvir que eles estavam à espera de um terceiro filho, mas ele abanou a cabeça. Isso significava que ela tinha mexido nas memórias de Rin sem se aperceber. Mas porque é que ela pensava que estava grávida?
–Rin. — Sesshomaru aproximou-se — Nós já temos dois filhos. — ele apontou para Yoru e depois para Hikari que estava a dormir no chão — Lembras-te?
–E porque é que eu teria um filho contigo? — perguntou Rin, chocando Sesshomaru que depois olhou para Mariah com as sobrancelhas franzidas.
–O que é que se passa? — perguntou Yoru, aproximando-se também.
Mariah estava a ficar nervosa.
–Rin-sama, do que é que se lembra? — perguntou Mariah, rezando por uma resposta positiva.
–Eu lembro-me do ritual. — respondeu Rin, com uma dor de cabeça horrível — Ele morreu. A pessoa que eu amava. Fui eu que o matei. E esta criança que carrego. — Rin olhou para a barriga e sorriu — Vou contar-lhe tudo sobre a pessoa que amei.
Sesshomaru começava a ficar cada vez mais irritado.
–Rin-sama, reconhece esta criança? — perguntou Mariah, apontando para Yoru. Rin abanou imediatamente a cabeça. A suar, Mariah apontou para Sesshomaru — E aquela pessoa?
–É um demónio, não é? — perguntou Rin — Não, não sei quem ele é.
–O nome Sesshomaru não lhe diz nada? — perguntou Mariah, sentindo o olhar de Sesshomaru em si — Nada de nada?
–Sesshomaru...sama. — murmurou Rin — A Kagome-san falou-me dele.
–Sabe quem é a Kagome-san? — perguntou Mariah, vendo uma luz ao fundo do túnel.
–Sim, ela foi a pessoa que cuidou de mim quando mais ninguém... — Rin fechou os olhos — Não. Não foi ela. Foi outra pessoa. Uma pessoa parecida com o Inuyasha-san.
–Uma pessoa parecida com o Sesshomaru-sama? — perguntou Mariah, com cuidado.
Rin olhou para Sesshomaru fixamente e corou sem saber porquê.
–Sim. — respondeu Rin, desviando os olhos — Uma pessoa parecida com ele. Para quê tantas perguntas? Eu só perguntei se o meu bebé estava bem.
–Porque, Rin-sama, o bebé que tentou proteger é ele. — disse Mariah, apontando para Yoru — Quase morreu para que ele sobrevivesse.
–Mas...isso quer dizer que ele é o filho daquela pessoa? — perguntou Rin, confusa — Já dei à luz?
–Duas vezes. — confirmou Mariah, apontando para Hikari — Aquela é a sua filha mais velha.
Rin abriu a boca. Queria negar. Dizer que aquilo era impossível. Mas, quando Hikari começou a abrir os olhos, não conseguiu dizer uma palavra. Não queria negar que aquela era sua filha, apesar de não ter a certeza se aquele tal de Yoru era.
–Os meus filhos... — murmurou Rin, com um sorriso — Com aquela pessoa.
–Sim. — Mariah apontou para Sesshomaru — Com a sua pessoa amada.
Rin olhou para Sesshomaru outra vez e abanou a cabeça.
–A minha pessoa amada já morreu. — insistiu Rin — Fui eu que o matei.
…
–O que é que se passa!? — exclamou Sesshomaru para Mariah, enquanto Rin falava com Yoru e Hikari.
–Parece que as memórias da Rin-sama foram misturadas com as memórias da Midoriko-sama. — explicou Mariah, a medo — Apesar de parecer lembrar-se que viveu na aldeia com a Kagome-san e o Inuyasha-san, e se lembrar que alguém parecido consigo a salvou quando ela era pequena, recusa-se a acreditar que você é o parceiro dela. Em vez disso, acredita que o pai da Hikari e do Yoru são do demónio que a Midoriko-sama amou.
–E está morto. — concluiu Sesshomaru — Os sentimentos que ela tinha.
–Ela não se lembra que o ama. — disse Mariah, sinceramente — Não tem quaisquer sentimentos por si. Peço imensas desculpas. Mas a alma dela é imortal. Isso correu bem.
Sesshomaru queria matá-la!
Numa situação daquelas, o que é que podia fazer.
…
–Ela parece ter amnésia seletiva.
No final, tinha decidido levar Rin aos curandeiros do tempo da mulher do cachorro e era aquilo que um deles tinha dito. Kagome tinha ido com eles, não só porque estava preocupada com Rin, mas também porque tinha quase a certeza de que Sesshomaru não ia perceber o que o médico ia dizer-lhe.
–Isso quer dizer que ela esqueceu-se apenas de certas partes da sua vida. — explicou o médico — Mas não de todas. Já fizemos alguns exames e o cérebro está completamente bem.
–E então? — perguntou Sesshomaru, fazendo o médico suspirar.
–Bem, é óbvio que você é o marido dela, certo? — perguntou o médico, mas não obteve resposta — No entanto, a Rin-san pensa que o seu amante já morreu há muito tempo. Não pode forçar as memórias dela. Ela deve ter escolhido esquecer-se de si por alguma razão. Basta descobrir porquê e pode ser que isso ajude a que a Rin-san melhore.
Kagome sentou-se, deprimida.
Sentia-se mal por Sesshomaru.
Ele não chegaria à razão sozinho, mas ela também não sabia exatamente porque é que Rin tinha escolhido esquecer Sesshomaru, já que o amava tanto.
Se estivesse a mentir para saber se Sesshomaru realmente a amava, seria bom. Mas, enquanto estavam a ir para o hospital e ela tinha-lhe dito que Sesshomaru era mesmo a pessoa que ela amava, Rin tinha-a olhado com puro ódio. Disse simplesmente que era impossível apaixonar-se por outra pessoa a não ser o pai dos seus filhos. O demónio morto.
Sesshomaru, que estava com elas na altura, devia ter ficado destroçado mas não o tinha mostrado de todo.
Devia estar destroçado agora, depois de ouvir que Rin lembrava-se de toda a gente menos dele, mas continuava sem o mostrar.
E isso deixava-a destroçada.
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