Será que o amor é capaz de salvar?

1 No começo, ou no fim de tudo


Antes de tudo, gostaria de me apresentar, me chamo Heitor, tenho 24 anos, apesar da pouca idade, já sofri muito. Bom, não gosto de falar do meu passado porém é inevitável. Namorava uma garota desde os meu 15 anos, mas a mesma morreu de câncer há um ano atrás. É difícil superar, e eu não consigo.

Por isso estou aqui, na beira desse precipício, a ponto de me jogar, a ponto de me livrar de toda essa dor e angústia que tenho dentro de mim. Eu fui um covarde, um lixo, não mereço estar nessa vida. E mesmo que eu tivesse a certeza que tudo vai melhorar, não iria adiantar. Eu não suporto mais.

POV Clarice

Acabei de largar o trabalho, preciso mesmo chegar em casa e relaxar. Está chovendo muito e eu ainda tenho que pegar estrada, ah, não mereço isso. Estava tudo tão bem, quando de repente, meu carro quebra e eu me vejo aqui na estrada, toda ensopada esperando algum socorro.

Fiquei de plantão no hospital, há dois dias não durmo e nem como direito, estou exausta. Resolvi andar um pouco mais á frente para ver se consigo avistar algum carro ou uma casa, quando me dei conta, eu estava na beira de um precipício. Era tudo tão lindo, uma brisa maravilhosa, um silêncio perturbador e eu estava lá, de olhos fechados, apenas sentindo aquela tranquilidade que eu tanto precisava.

...

- Saia do meu caminho. — falou um homem, que pelo tom da voz estava irritado. Fiquei com medo de virar para trás, poderia ser um mal feitor, ou sei lá. Mas eu não resisti..

- Ham, porque está falando assim? — perguntei, assustada. Não dava para ver sua expressão pois estava escuro.

- Não interessa, apenas peço que saia da minha frente. — falou ignorante.

- E se eu não sair? — confesso que, naquele momento, eu já não estava com paciência.

Ele não fez o esperado, simplesmente me empurrou para o lado e caminhou diretamente para frente.

- Ei, você está louco? Isso é um precipício, cê ta caminhando para o "nada". — falei, indignada.

- Ah, jura que isso é um precipício? — falou com expressão de ironia.

- Deixa de ser idiota, vai viver sua vida.

- Não. — falou, de costas para mim.

- Não o quê? — falei, meio confusa.

- Eu não suporto mais viver. — falou com sua voz falha e cabeça baixa.

- Olha...- eu não sabia o que dizer.

- Você pode economizar suas palavras, ok? É totalmente previsível e idiota o que você vai falar.

- Desculpe, mas sinceramente, eu não iria te pedir para continuar a viver ou falar que vai dar tudo certo. Eu nunca faria isso, pois acho que cada um é dono de sua razão. Apenas iria te pedir para esperar eu me retirar daqui pois acho muito covarde e medíocre uma pessoa tirar a própria vida, e eu não quero ser testemunha de tal atitude. E, além do mais, está chovendo, não to afim de ficar doente.

- Sua sinceridade me espanta. — falou surpreso.

- Tanto faz. Falo o que penso, certa ou errada, gosto de expressar minhas opiniões. Não me leve a mal.. — quando ia terminar essa frase, ele se virou, e pela luz do luar eu finalmente consegui ver seu rosto. Era lindo.

- Não, mas eu não estou reclamando. Até gostaria de agradecer pois você foi a única pessoa que conseguiu ser sincera comigo. — interrompeu-me, sem graça por ter percebido que eu ficara observando cada detalhe de seu rosto.

- Ham, então...- falei envergonhada.

- Então...

- Ah, como uma defensora nata da vida, não resisto, só queria te pedir para pensar melhor.

~depois de uns minutos~

- Por que você está aqui mesmo?

- Ah, é que meu carro quebrou e..ei! Não muda de assunto, prometa que vai pensar.

- Mas eu nem te conheço, você nem conhece. Que motivo eu teria para prometer? Que motivo eu teria para pensar melhor, se eu não tenho nada mais para viver?

- Ai, mas como você é idiota. Acha mesmo que Deus iria te colocar no mundo pra você fazer essa besteira? E, tá bom que eu não te conheço, mas já tirei minha primeira impressão de você.

- Não, não acho. Mas o que eu posso fazer? E outra, primeiras impressões são totalmente irrelevantes para mim.

- Você poderia tentar parar de ser egoísta e pensar na sua família. E eu não estou nem aí para o que é ou não relevante para você. Enfim...- puxei ele pelo braço, e saí andando.

- Pra quê isso? — falou, confuso.

Por sorte, estava passando um carro naquele momento. Dei a mão, e o carro parou. (Deus me ouviu, ah, que alívio!)

- Vamos! — falei e o encarei.

- Eu me recuso. — falou emburrado.

Porém, não houve tempo para discussões, a pessoa que estava no carro, se retirou do mesmo e gritou:

- Para onde vais?

Olhei para o rapaz, e ele ignorou meu olhar, o que me fez ficar puta.

- Ah, desculpe, é que meu carro quebrou e eu estou sem saber o que fazer. Vou para Raleigh. — falei, torcendo para ser o mesmo caminho daquele senhor.

- E ele? — falou o senhor, fazendo sinal com a cabeça para o rapaz que estava ao meu lado.

- Ele..- olhei-o -...ele é meu namorado, também vai para Raleigh.

O rapaz olhou incrédulo para mim, sem saber o que fazer. Eu quis rir, rir muito, mas eu não podia então segurei.

- Ah, então tudo bem, na ida a gente para em algum posto policial e avisa do seu automóvel, ok? — falou o senhor com um tom agradável.

- Com licença, vou apenas pegar minhas coisas no carro. — falei apressada.

Joguei tudo na minha bolsa, a chuva tinha aliviado, e fui para o carro. O rapaz ainda estava do outro lado da estrada, me olhando, acho que com raiva, mas aquilo não me importava.

- Vamos amor! — falei e sorri.

Ele ainda olhou para trás, pensou por alguns segundos, olhou para o senhor que já estava no carro, e caminhou..porém, não caminhou em direção ao carro em que eu estava.

Indignada, pedi ao senhor que esperasse um pouco e fui atrás dele.

POV Heitor

Eu não sei o que estava pensando na hora em que dei papo para aquela moça. Pelo amor, o pior é que ela conseguiu, conseguiu me fazer deixar de querer estar morto. Agora eu quero estar muito vivo para ferrar com ela.

Notas finais
Bom, peço desculpas sobre qualquer erro. É a minha primeira fic, enfim..qualquer crítica será bem-vinda.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.