Será?
33 Tempestade
Notas iniciais
— Oi! — Falou Daniel. — Sorrindo para mim ao me ver na porta. — Belo pijama! — Completou
Eu estava usando um shorts curto vermelho de pijama e uma blusa de alças branca com joaninhas. Até então não tinha me dado conta de que estava usando o pijama que Eduardo dizia não ser nada atraente.
— Obrigada! — Sorri tímida. — Entre, por favor! — Abri mais a porta.
Daniel entrou, me deu um beijo no rosto e foi até o sofá.
— Aqui está nossa felicidade da madrugada! — Disse Daniel levantando o saco de papel do McDonald's e os copos de refrigerante.
— Hmmmmmmm, até que você salvou minha noite! — Exclamei indo me sentar ao seu lado.
— Espero ter acertado, mas creio que ninguém em sã consciência odeia o tradicional Big Mc e Coca — Cola. — Falou ele tirando os lanches do saco e me entregando um.
— Acertou! Esse é o que mais gosto e nunca enjoo, sem falar que Coca é universal. — Respondi.
Daniel estava sentado no sofá do meu quarto de hotel, usando calça de moletom cinza e camiseta branca, seu cabelo estava levemente bagunçado e seus olhos me hipnotizavam. Ainda não tinha entendido como havíamos chegado a esse ponto.
— Bem grande seu quarto. — Comentou ele, me tirando de meus devaneios.
— Sim, realmente não tenho o que reclamar e o hotel é ótimo. — Falei.
— É sim, um dos melhores daqui. — Disse Daniel. — Você não disse ao certo o que veio fazer aqui. — Completou ele.
Senti o gosto do sanduíche ficar azedo em minha boca, seria mais uma pessoa que ouviria a mentira.
— Estamos fazendo um edital sobre pontos turísticos. — Menti.
— Vou te levar em alguns então, para quando for escrever pensar em mim. — Falou ele acreditando em minha mentira.
— Pontos turísticos noturnos, mas eu super aceito uma companhia para ir ao Ibirapuera. — Falei.
— Posso te levar para balada também, não seja por isso. — Disse Daniel sorrindo. — Aliás, eu lembro do dia em que te vi cantando naquele restaurante. — Completou ele.
Sorri tímida.
— Que lanche delicioso! — Falei mudando de assunto.
— Estou falando sério! — Disse Daniel, no mesmo momento em que ouvimos um trovão forte.
— Acho que vai chover, não seria melhor você ir embora? Não quero te prender aqui. — Falei sem pensar.
— Eu aceito ser preso aqui se você quiser! — Falou ele.
— Bobo! — Falei sorrindo. — Bom, obrigada pelo lanche, estava muito gostoso. — Falei.
— De nada! Quer mesmo que eu vá embora? — Perguntou ele.
— Eu disse isso porque não quero te atrapalhar, já são quase 4 da manhã. — Respondi.
— Relaxa, não tenho nenhum compromisso cedo, posso ficar mais um pouco. — Disse Daniel.
— Ok, o que quer fazer? — Perguntei.
Ouvimos outro trovão e uma forte chuva começou logo em seguida.
— Podemos assistir um filme?! — Disse ele, mais perguntando do que sugerindo.
— Pode ser, mas minha cama está bagunçada. — Falei.
— Como se assistir fosse precisar de uma cama arrumada. — Falou ele.
— Ok, vou jogar isso no lixo e lavar as mãos. Venha! — Falei pegando nossa sujeira, jogando no lixo e indo para o banheiro.
Daniel me seguiu até o banheiro e também lavou as mãos.
— Nossa, realmente grande! — Disse ele se referindo ao quarto.
— Sim! — Concordei. — O que vamos assistir? — Perguntei.
— Quais são as opções? — Respondeu ele com outra pergunta.
— Não sei, nunca nem liguei essa TV. — Respondi sorrindo.
— Meu Deus Betina, como assim? — Perguntou ele fingindo espanto.
Olhei para e revirei os olhos.
— Ei, não faz isso para mim! — Falou Daniel me pegando em um abraço inesperado.
Lá fora a chuva só aumentava.
— Se quer ser meu amigo terá que se acostumar com o meu revirar de olhos. — Falei ainda em seus braços.
— Quem disse que quero ser só seu amigo? — Perguntou ele.
Eu estava encostada em seu peito e podia sentir seus batimentos acelerando após a pergunta. Levantei a cabeça para poder olhar em seus olhos, ainda incerta com o que responder, apenas devolvi o abraço, sorri tímida e me afastei.
— Vamos escolher um filme então! Senta aqui. — Falei indicando para que Daniel sentasse ao meu lado na cama.
— Vamos de filme de terror? — Perguntou ele.
— Não, nada de terror, por favor! — Respondi.
— Vamos ver esse! É divertido e nunca envelhece. — Falei colocando Gente Grande para assistirmos.
— Ótima escolha! — Disse Daniel.
***
Eu devia estar louca. Era a única opção sensata para o que estava acontecendo.
Sinceramente não sei se queria parar meus pensamentos "nada inocentes" enquanto olhava Daniel, quando os flashes dos raios iluminavam o quarto.
— Perdeu o sono? – Perguntou ele.
— É... – Comecei a falar, mas sem sucesso para terminar minha linha de raciocínio.
— O que foi? – Perguntou Daniel ajeitando meu cabelo atrás da orelha e passando a mão em meu rosto.
Fechei os olhos enquanto sua mão deslizava por meu rosto e involuntariamente sorri.
— Gosta disso? – Perguntou ele descendo a mão para meu pescoço.
— Não sei se devemos continuar... – Protestei ainda sem abrir os olhos.
— Se quiser que eu vá embora é só falar! – Disse ele.
— Não! – Falei abrindo os olhos e abraçando Daniel.
Nossos corpos se grudaram ao mesmo tempo em que o trovão mais alto até então ecoou pelo quarto. Não havia mais aquele espaço todo nos separando, agarrei Daniel bem apertado.
— Tudo bem, eu ficarei. – Falou ele.
Fui afrouxando os braços, mas sem me distanciar muito. Estávamos frente a frente, apenas 1 centímetros de distância entre meu nariz e o dele. Eu conseguia sentir sua respiração irregular e seus olhos encarando-me, esperando que eu tomasse alguma atitude.
Continuei ali, parada, apenas observando Daniel no escuro. Alguns segundos se passaram até Daniel voltar a passar a mão em meu rosto. Mais um raio clareou o quarto e pude ver Daniel sorrindo para mim ainda alisando meu rosto. Sua mão foi deslizando até minha nuca e quando chegou lá ele impulsionou minha cabeça para frente fazendo nossos lábios tocarem-se.
Foi apenas um selinho, suave e doce.
— Desculpa, não consegui contro... – Começou a dizer Daniel.
Antes que terminasse a frase colei nossos lábios novamente, mas dessa vez por mais tempo e dando o beijo que meu inconsciente já pedia a muito tempo.
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