Será?

12 Medo de arriscar


Notas iniciais
Heey, boa leitura!

Proposta? Eu acabei de ser promovida, o que será que ele quer?

Kelvin percebeu que fiquei confusa e se mexeu desconfortável em sua cadeira.

— Qual proposta? – Perguntei com um pouco de relutância alguns segundos depois.

— Bom, você ainda não tem um setor exato para trabalhar, ao longo desses 4 meses você trabalhou em todos e percebi que se encaixa muito bem no entretenimento. Você seria muito feliz fazendo uma resenha sobre livros ou filmes, indo em eventos de literatura e coisas do tipo... – Kelvin enrolava para chegar no ponto principal.

Sim, tudo que ele estava falando é verdade. Eu seria muito feliz cobrindo eventos para o jornal.

— Você tem uma ótima comunicação e carisma Betina, isso é raro atualmente. Enfim, eu poderia colocá-la no setor de entretenimento, porém isso é pouco para você. Sei que pode crescer muito mais, sei que é esperta e adora uma investigação. Por isso quero que você faça parte da minha equipe de investigação! – Disse ele sorridente, porém com receio. – Você conhece todos lá e sei que terá muito mais chances de crescer naquela equipe. – Completou ele.

— Nossa! Obrigada por todos os elogios... – Falei ainda sem entender muito bem tudo.

— Mas ainda não acabei! A proposta é justamente sobre o setor de investigação. – Falou ele e como eu não disse nada prosseguiu. – Estávamos investigando um caso sobre sequestro de menores para aliciar na prostituição. É algo sigiloso, mas mesmo assim acabaram pegando os infiltrados da cidade e colocaram tudo a perder. Essa investigação estava na mão de outro líder, mas como eles perderam os informantes, foi passada à mim. E eu sei que você é a pessoa certa para esse caso.

— Uau! Você quer que eu investigue um caso? – Perguntei sem jeito, mas lisonjeada.

— Sim! Porém existe certos cuidados e algumas mudanças. Vou entender caso você não queira. – Falou ele com um pouco de preocupação.

— Tudo bem, diga. – Falei.

— Como a investigação daqui foi descoberta, pensamos em infiltrarmos de outro lugar. As meninas são escolhidas aqui e levadas a São Paulo, em algum lugar da Augusta. O novo plano é ir direto ao covil. Claro que tem coisas a serem conversadas e mudadas, mas de imediato você terá que ir a São Paulo... –Kelvin falou e buscou meus olhos para saber minha reação.

— São Paulo?! Mas e a faculdade? – Perguntei.

— Iremos enviar um comunicado à reitoria explicando. Uma amiga pode te ajudar com a matéria e você poderá estudar no tempo livre. – Disse ele.

— Mas por quanto tempo seria isso? – Perguntei.

Faltam menos de dois meses para o semestre acabar e perder tudo que já consegui até agora não me parece legal.

— Ainda não sei. Tudo irá depender de você. – Falou Kelvin.

— Ok. Me fale mais sobre o caso. – Falei.

— Então, a quadrilha que pega as meninas aqui é a ralé. Quando chegam lá elas são levadas para um alojamento que ainda não sabemos aonde é, depois colocam elas para trabalhar na Augusta. São disponibilizadas para empresários, políticos entre outros caras da alta sociedade. Você terá que se infiltrar de alguma forma nesse meio. – Disse ele. – O jornal te dará toda assistência necessária, você poderá escolher quem vai querer trabalhando com você nesse caso, ficará em um hotel e terá um carro a sua disposição, se for necessário terá documentos falsos e claro, o apoio total da polícia. – Completou ele.

Sinceramente não sabia o que pensar, talvez fosse muita informação para uma manhã só. Eu já não sou acostumada a acordar cedo, vir trabalhar então... Talvez tudo não tivesse passado de um sonho.

Me dei um beliscão discreto por baixo da mesa e nada mudou, pisquei algumas vezes para tentar focar os olhos, já não ouvia mais nada a não ser o tic tac do relógio na parede atrás de mim.

Kelvin me encarava esperando uma resposta.

— Pode repetir a pergunta? – Perguntei.

— Você quer um tempo para pensar? Posso te dar o dia todo de folga, você pensa e à noite me diz a resposta. Até amanhã cedo eu resolvo tudo que falta e você vai para São Paulo. – Falou ele.

— À noite... Ok. Vou pensar na proposta! – Falei me levantando.

Acho que fiquei mexida com tudo isso e um dia de folga seria maravilhoso para me recuperar.

— Pense com carinho, pois essa pode ser a oportunidade da sua vida! – Falou ele quando abri a porta.

Não respondi, apenas me virei para ele, fiz sinal de afirmação com a cabeça e sai da sala.

— Você está bem Betina? – Perguntou Mariana ao me ver sair da sala de Kelvin.

— Estou sim! – Respondi sem saber se era verdade. – Bom, tenho que resolver umas coisas. Qualquer coisa você me liga. – Completei.

— Tá bom! Ah, parabéns pela promoção! – Disse ela.

— Obrigada! Até depois. – Falei.

Fui na direção dos elevadores, mas sem paciência de esperar ele chegar. Abri a porta da escada de incêndio e desci por ela.

Meus olhos involuntariamente encheram de lágrimas, não entendi o que estava acontecendo comigo. Corri os degraus para chegar o mais rápido possível na garagem e entrar em meu carro.

Quando cheguei no último lance de escada diminui os passos e sequei os olhos, pois sabia que poderia haver alguém na garagem.

Entrei no carro e joguei minha bolsa no banco do lado, sai da garagem sem rumo e fui dirigindo pelas ruas secundárias da cidade para não ser parada no trânsito da manhã.

Quando me dei conta já tinha estacionado o carro em frente a casa de Eduardo.

Peguei meu celular, sai do carro e o tranquei. Fui em direção a porta me perguntando se teria alguém em casa e se Eduardo estaria acordado.

— Betina? Bom dia, no que posso ajudar?! – Dona Helena, mãe de Eduardo disse ao abrir a porta após o segundo toque da campainha.

— Bom dia dona Helena! O Edu está? – Perguntei.

— Está sim. Entre. – Respondeu ela fazendo gesto para que eu entrasse.

Entrei e percebi como a casa é silenciosa pela manhã.

— Ele deve estar dormindo ainda. Você sabe o caminho do quarto, pode ir lá! – Falou dona Helena.

— Tá bom, obrigada! – Falei dando um beijo em seu rosto.

Subi a escada em direção ao quarto de Edu que fica no fim do corredor.

Pensei em bater na porta, mas achei melhor abrir direto.

O quarto dele é grande, tem uma cama King Size, um guarda roupas maior que o meu, uma das paredes tem várias prateleiras repletas de livros, em outra uma escrivaninha, mais perto da cama tem outra prateleira, mas essa com uma coleção de carrinhos em miniaturas. A decoração é de papel de parede azul escuro com um azul mais claro e cortinas preta.

Entrei no quarto e fiquei com um pouco de receio de acordá-lo, mas preciso de alguém e ele é meu amigo, é obrigado a me ajudar!

— Edu, acorda! – Falei em seu ouvido assim que me sentei em sua cama.

Ele resmungou algo que não consegui entender e se virou para mim.

— Vamos Edu, acorda! Preciso de você! – Falei.

— Beh! O que faz aqui? – Perguntou ele.

— Preciso de alguém para me ouvir, me abraçar e me ajudar! – Respondi com voz de choro.

Eduardo levantou num pulo e me abraçou. Senti seu peito quente em minha pele e era reconfortante.

— Calma meu amor, me conta o que aconteceu. – Falou ele me abraçando.

— Eu recebi uma ótima proposta de trabalho. – Falei.

— E você está triste por isso? – Perguntou ele.

— Eu não estou triste, estou com medo! –Respondi.

Só agora atendi o porque fiquei tão afetada com a proposta.

— Me explica. – Pediu Edu.

— Você sabe que eu sou toda complica, que adoro perigo, mas tenho medo de arriscar, que sou independente, mas gosto de ter alguém perto, quero ir, mas quero ficar... Essa proposta é tudo o que eu sempre quis, mas eu terei que ir para São Paulo passar alguns dias ou quem sabe meses lá. – Falei.

— E você não quer deixar sua vida aqui e se arriscar né? – Perguntou ele.

— Eu quero, mas eu não quero perder você, as meninas e tudo que tenho aqui. – Respondi.

— Betina, para de drama! Você vai ficar pouco tempo fora, as únicas coisas que podem acontecer são minha barba crescer, a Clarice mudar a cor do cabelo e a Raissa cortar o cabelo dela. – Falou ele tentando ser autoritário.

— É... talvez seja drama demais. Vou embora! – Falei tentando levantar.

— Não, você não vai! – Falou Eduardo me puxando de volta. – Beh, presta atenção. Se essa é tua chance por que jogar no lixo por um medinho bobo? Vai ser bom para você ir e eu posso te ajudar em relação a matéria da faculdade, assim você não perde nada. – Completou ele.

— Você promete que vai falar comigo sempre? Que não vai me esquecer? Que não vai fazer besteira enquanto eu estiver fora, se eu for? – Perguntei.

— Eu prometo Betina Linhares! – Respondeu ele com a direita levantando para firmar a promessa.

Eduardo secou meus olhos e me deu um beijo na bochecha.

— Então, vai aceitar? – Perguntou ele.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comente o que achou. Até sábado!