Será?
18 Contatos
Notas iniciais
— Recepção. No que posso ajudar? – Falou a recepcionista assim que atendeu o telefone.
Eu estava deitada na cama com o telefone no ouvido.
— Sabe me informar como eu faço para pedir comida? – Perguntei.
— Na primeira gaveta da mesa de cabeceira que estava o telefone tem uma agenda, lá tem todos números de telefones do hotel. Só ligar na cozinha e eles irão levar o pedido da senhora. – Falou ela.
— Ah sim, obrigada! – Falei.
— De nada, qualquer coisa é só ligar. – Falou a recepcionista.
Desliguei e peguei a agenda na gaveta.
— Cozinha, cozinha, cozinha... – Falei procurando pela lista o número. – ACHEI! – Dei um grito de comemoração.
Parando para prestar atenção no meu estômago protestando de fome, percebi que a última vez em que comi foi às 06:40 da manhã no café.
— Cozinha! – Falou um homem com voz rouca ao atender o telefone no terceiro toque.
— Boa tarde, eu gostaria de fazer um pedido. – Falei.
— Pode falar. – Disse o homem.
— Um sanduíche natural de peito de peru e queijo Minas, pão integral e suco de laranja sem açúcar. – Falei.
— Só? – Perguntou o homem.
— Sim. – Respondi.
— Qual o andar, o número do quarto e o nome da senhora? – Perguntou ele.
— 15° andar, quarto 104 e meu nome é Betina. – Respondi.
— Ok. O tempo máximo de espera é de 15 minutos. – Falou ele.
— Tá bom, obrigada. – Falei e desliguei.
Coloquei uma música para quebrar o silêncio e abrir os arquivos da investigação para tentar encontrar um jeito de começar a investigar.
Ao som de “Me Too” de Meghan Trainor, li novamente sobre como acontece o sequestro e para aonde eram levada as meninas.
O momento não era alegre, mas a música me deixou feliz e com vontade de cantar.
“...If I was you, I'd wanna be me too
I'd wanna be me too
I'd wanna be me too
If I was you, I'd wanna be me too
I'd wanna be me too...”
Levantei da cadeira e comecei a dançar e cantar.
Meu telefone tocou assim que começou a tocar “Mom” também da Meghan.
Por ironia do destino era justamente minha mãe, abaixei o volume e atendi.
— Bênção mãe! – Falei.
— Deus te abençoe! Já chegou na Capital? – Perguntou ela.
— Já sim mãe. Minha madrinha ligou, pensei que ela falaria que já tinha chegado. – Respondi.
— Ela não disse nada. Tá bem minha filha? – Perguntou ela.
— Estou sim mãe e a senhora? – Falei.
— Estou bem também. – Falou ela.
— E o papai e as crianças? – Perguntei.
— Estão bem. O Júnior fica perguntando quando você volta. – Falou ela.
— Diz que não sei mãe, vou ter muito trabalho aqui, mas quando der eu irei vê-los novamente. – Falei.
— Muito bom, minha filha já estamos com saudades! – Falou mamãe.
— Eu também mãe! – Falei.
Ouvi alguém bater na porta.
— Mãe, minha comida chegou. Preciso ir abrir a porta, depois nos falamos. – Falei.
— Tá bom minha filha, beijos. – Falou ela.
— Beijos mãe. – Despedi-me e desliguei.
Abri a porta e do outro lado estava um cara de quase 1,90 cm, cabelos escuros, olhos azuis e corpo malhando, aparentava ter no máximo 25 anos, usava uniforme e estava encostado em um carrinho com uma bandeja onde estava meu pedido.
Ele sorriu e eu retribui o sorriso.
— Senhora Betina? – Perguntou ele e identifiquei sendo o portador da voz que falou comigo no telefone a uns 8 minutos atrás.
— Senhora não, Betina sim. Pode entrar. – Respondi.
Ele entrou empurrando o carrinho.
— Posso ajudar a senhorita em mais alguma coisa? – Perguntou ele.
Ri mentalmente por imaginar Raissa e Clarice comigo e respondendo essa pergunta. Podemos até ser taxadas como imaturas, mas quando estamos juntas tudo vira palhaçada e um homem gato assim perguntando se pode ajudar não escaparia de nossas brincadeiras.
— Hmmm, só isso. Qual seu nome? – Falei sorrindo.
— Pedro. – Falou ele um pouco tímido.
— Prazer Pedro. – Falei esticando a mão.
Ele me cumprimentou.
— Bom, vou deixar a senhorita comer em paz, logo mais alguém virá buscar as coisas. – Falou ele apontando para o carrinho.
— Ok. Por favor me chama de Betina ou usa o você, senhora ou senhorita me deixa velha e isso eu não sou. – Falei.
— Tá bom, Betina. Não foi essa a intenção. – Falou ele indo em direção a porta.
— Tudo bem, eu entendo. – Falei enquanto ele saía. – Ah, Pedro sabe onde eu posso fazer impressão aqui? – Perguntei quando ele já estava do lado de fora do quarto.
— Perto da recepção tem uma placa escrito executivo, lá tem máquinas de impressão e computadores. – Respondeu ele.
— Obrigada! – Falei sorrindo.
Ele acenou e foi na direção dos elevadores, fechei a porta e fui comer. Não sei se era a fome ou quem fez o sanduíche é expert, mas o sanduíche e o suco estavam divinos.
Terminei de comer e voltei para mesa do notebook, ouvi o barulho do meu celular avisando que tinha chegado mensagem.
Um amigo meu, de Rai e Clari havia mandado mensagem.
“Betinaaa, Clarice me contou que está na cidade! Nem me falou nada né?! Me liga!”
Liguei para Lucas que atendeu no segundo toque.
— Lucaaaaax! – Falei usando o sotaque carioca de Clari.
— Lembrou que eu existo? Nossa, tá falando igual sua amiga! – Falou ele.
— Estou bem, obrigada por perguntar e você? – Falei.
— Aff, que idiota. – Falou ele rindo do outro lado da linha. – Vamos jantar hoje? – Perguntou ele.
— Opa, vamos sim. Para onde vai me levar? – Falei.
— Surpresa! Quer que eu te pegue de carro aí no hotel? Aliás, por que não veio para minha casa? – Perguntou Lucas.
— Isso, vem me buscar que estou sem carro hoje. Como é trabalho a editora pediu para que eu fique no hotel, mas pode deixar que irei na tua casa. – Respondi.
— Acho bom! Então te pego as 20:00 horas, ok? – Perguntou ele.
— Ok, esse horário está ótimo! – Respondi.
— Olha, são 15:30 ainda, nada de atrasos. Se você começar a se arrumar agora não irá se atrasar. – Falou Lucas rindo.
— Engraçadinho, eu estarei pronta! – Falei.
— Tá bom, vou voltar para o meu trabalho que ainda falta muito para a minha hora de ir embora. – Falou Lucas.
— Ok, gato. Até depois, beijos. – Despedimo-nos e desliguei.
Aproveitando que já estava com o telefone na mão liguei para Kelvin.
— Oi chefinho! – Falei quando ele atendeu.
— Pela alegria está tudo bem né?! – Perguntou ele em tom de afirmação.
— Por enquanto está tudo uma maravilha. Só liguei para avisar que já cheguei, estou estudando melhor o caso e pretendo começar a investigação logo. – Falei.
— Se for investigar na rua deixa para amanhã, nada de ficar seguindo bandidos sozinha. – Advertiu ele.
— Pode deixar, vou esperar a equipe chegar para fazer o trabalho de rua. – Falei.
— Ótimo, gostou do hotel? – Perguntou ele.
— Não tem aquele mar lindo de vista igual o de Recife, mas é bom. – Respondi.
— Não se pode ter tudo. – Falou Kelvin rindo.
— Infelizmente. Bom, vou desligar e ir imprimir algumas informações sobre o caso. Beijos. – Falei.
— Vai lá, beijos e qualquer coisa liga! – Falou ele e desligou.
Peguei um Pen Drive na mochila e coloquei algumas imagens de fotos das meninas sequestradas que estavam nos arquivos e fui onde Pedro indicou para fazer as impressões.
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