Será?

20 Castanho escuro


Notas iniciais
Eae, tudo bem? Eu estou ótima, obrigada por perguntar! Brincadeiras a parte, a coisa é séria!! Divirtam-se com o novo capítulo. Boa leitura!!

Laura sentou ao meu lado e de Lucas, estávamos perto do palco, mas ainda na parte do restaurante. Pedimos alguns petiscos para comer e refrigerante.

— O que veio fazer por aqui? – Perguntou Laura colocando seu copo na mesa.

— É uma conferência, várias editoras e tals. Eu fui selecionada à participar, amanhã vem mais um pessoal de lá. – Respondi desconfortável com a mentira.

Se tem uma coisa que aprendi trabalhando com o pessoal de investigação quando eu era estagiária é que não se pode dizer a verdade sobre uma investigação, principalmente se for para algum conhecido. É uma forma de proteger quem amamos e não prejudicar o trabalho.

— Entendi. Parece legal! – Falou Laura.

— É sim, mas mudando de assunto... as músicas do Karaokê são atuais? – Perguntei enrolando para mudar o foco da conversa.

— Sim, tem de tudo. – Falou ela.

— Vai cantar Bee, sei que está louca de vontade. – Falou Lucas.

— Não sei... sozinha é complicado. – Falei.

— É nada, tu está acostumada com atenção! – Falou Lucas piscando.

Sorri e empurrei seu ombro em protesto do que disse.

— Ok, eu vou! Mas você vai ter que ir junto! – Falei para Lucas.

— Vamos! – Falou ele, mais animado do que esperava.

— Espera aqui, já volto. – Falou Laura e saiu em direção ao bar.

Dois minutos depois Laura reaparece com dois shots da cor vermelha.

— Não perguntem, só virem! – Falou ela percebendo minha cara de quem não estava colocando fé no que estava vendo.

Fizemos o que Laura mandou, viramos tudo de uma vez só. Senti o gosto do morango e cheiro de vodca.

— Agora que a coragem foi injetada é só cantar! – Falou Laura rindo.

— Gostei! – Falei.

— Então vamos! – Falou Lucas.

Levantamos e fomos em direção ao palco. Laura foi conosco e nos ajudou a escolher uma música.

Depois de quase 5 minutos de discussão para saber qual música cantar, escolhemos Colors da Halsey.

Laura tirou a música de fundo e pegou o microfone.

— Boa noite pessoal! – Falou ela que recebeu cumprimentos das pessoas que estavam lá. – Vamos abrir nosso karaokê. Para começar Lucas e Betina! – Completou ela.

Houve alguns aplausos e Laura passou o microfone para nós.

O toque da música começou e logo Lucas começou a cantar:

"Your little brother never tells you but he loves you so

You said your mother only smiled on her Tv show

You're only happy when your sorry head is filled with dope

I hope you make it to the day you're 28 years old"

Eu cantei a outra parte:

"You're dripping like a saturated sunrise

You're spilling like an overflowing sink

You're ripped at every edge but you're a masterpiece

And now I'm tearing through the pages and the ink"

Cantamos o refrão juntos:

"Everything is blue

His pills, his hands, his jeans

And now I'm covered in the colors

Pulled apart at the seams

And it's blue

And it's blue

Everything is grey

His hair, his smoke, his dreams

And now he's so devoid of color

He don't know what it means

And he's blue

And he's blue"

E assim sucessivamente.

Quando acabamos fomos aplaudidos pelas pessoas que estavam lá.

De cima do palco vi Steve ao lado de Laura perto de nossa mesa, agradeci os aplausos junto com Lucas e descemos do palco.

Lucas foi em direção a Laura e Steve e eu fiquei um pouco para trás porque um grupo de pessoas que estava saindo de sua mesa bloqueou minha passagem.

Tentando me desviar um dos homens do grupo que estava saindo esbarrou em meu ombro e nos entreolhamos.

Não sei por quando tempo encarei ele, mas me perdi em seus olhos castanho escuro que transbordavam paciência e suavidade.

Ele sorriu e falou:

— Desculpa, Betina!

Continuei encarando ele sem dizer nada e o cara saiu porta a fora com os outros.

Olhei em direção a mesa e vi Steve abraçando o Lucas e sorrindo a minha espera, segui em direção a ele e sorri.

— Steve, quanto tempo! – Falei abraçando-o assim que cheguei ao seu lado.

Steve de longe com os seus quase 2 metros de altura e músculos grandes pode até assustar quem se aproxima, mas depois que o conhece percebe que a altura e o músculo é só fachada para um cara culto e sensível. Laura ao lado dele parece uma criancinha e mesmo assim formam um casal lindo.

— Que saudades Bee! – Falou ele retribuindo o abraço.

— Está bem? – Perguntei saindo de seus grandes braços.

— Sim, e você? Quando a Laura mandou mensagem avisando que tínhamos visita não imaginei que fosse você. – Respondeu ele feliz. – Cadê as outras? – Perguntou ele.

— Estou bem também. – Falei me sentando. – Clari e Rai não puderam vir. – Respondi.

— Ah sim, já jantaram? – Perguntou ele se sentando ao lado de Laura e dando a mão para ela.

— Ainda não. – Respondeu Laura.

— Estávamos cantando. – Disse Lucas.

— Eu vi o finalzinho. – Falou Steve.

Uma garçonete anunciou a próxima pessoa à cantar e aplaudimos.

— Vou buscar a janta para vocês. – Falou Steve.

— Tá bom amor. – Falou Laura dando um selinho nele.

— O que aquele cara queria com você? – Perguntou Lucas enquanto Laura e Steve se despeiam.

— Só esbarramos, ele pediu desculpa e foi embora. –Respondi.

— Nossa, você quase comeu ele com os olhos. – Falou Lucas.

— Está louco? Eu nem olhei para ele direito. – Omiti.

— Me engana que eu gosto... – Falou Lucas.

— O que aconteceu? – Perguntou Laura assim que Steve saiu.

— O Lucas de loucura aqui. – Respondi olhando para Lucas e revirando os olhos.

Laura riu.

***

Jantamos e ficamos batendo papo, por volta da 01:00 hora o restaurante já estava praticamente vazio.

— Preciso ir embora gente. – Falei.

— Está cedo Bee. – Falou Laura.

— Preciso acordar cedo e começar a trabalhar. – Falei.

— Ah, então tá bom. – Falou ela.

— Vai comigo Lucas? – Perguntei.

— Vou sim, mas vamos de táxi. – Falou ele. – É perto, mas já bebi umas... – Completou ele.

— Pode deixar o carro no estacionamento daqui, temos segurança 24 horas. – Falou Steve.

— Tá bom. – Falou Lucas.

— Adorei reencontrar vocês e antes de ir embora volto aqui. – Falei me levantando.

— É para vir mesmo. – Falou Laura vindo me abraçar.

Despedimo-nos e eu e Lucas fomos embora.

***

Estava escuro e eu andava sem rumo e sem conseguir ver um palmo a minha frente. Ouvi passos me seguindo e comecei a andar mais rápido e mais rápido. Cai.

As lágrimas escorriam por meu rosto e meu soluço era abafado por um barulho horrível de passos, não era mais só um e sim vários agora.

— Quem está aí? – Gritei apavorada.

Não houve resposta e os passos pararam, porém as lágrimas ainda não tinham cessado. Passei mais de 5 minutos jogada no chão chorando sem saber o porque daquilo tudo, sem saber aonde estava e sem ouvir nada mais que minha respiração e o soluço do choro.

Fechei os olhos para conter as lágrimas e um par de olhos castanho escuro apareceu em minha mente me fazendo arrepiar. Abri os olhos e assustei-me ao me ver jogada na areia de um deserto e com um sol tão brilhante que doía meus olhos.

— O que está acontecendo? – Perguntei olhando de um lado para o outro.

Ao longe vi um rapaz de costas usando calças jeans rasgada pela velhice e blusa de manga comprida cinza. Ele se virou, mas seu rosto estava escuro.

Na parte da frente em sua blusa perto do peito tinha um desenho de um sol negro que me chamou atenção.

Ele se virou novamente e continuou andando para longe.

— Ei, me espera! – Gritei. – Quem é você? – Perguntei correndo atrás dele.

O rapaz estava cada vez mais longe e quanto mais eu corria mais longe eu ficava.

Cai e o cenário mudou novamente.

Eu estava de volta ao escuro.

— Arrisque Betina! Mudanças sempre são bem-vindas! – Falou uma voz conhecida no escuro.

— Quem é você? Aparece! – Falei.

Eu conhecia aquela voz, mas de onde? Por que a pessoa não aparecia? O que estava acontecendo comigo? Eu já não estava arriscando? O que tudo isso queria me dizer?

***

Notas finais
Obrigada por ler, conte-me se você acha que Betina tem problemas mentais, ou se você conhece algum par de olhos marcante... Até quinta, beijos!