Será ?
1 Eu e você (?)
Notas iniciais
Como eu não tinha uma Marlene X Sirius aqui eu não sei.
Legião Urbana grita esse casal, eu acho.
Eu estou achando muito.
Ela não aguentava mais ele tentando controlá-la, com medo de que algo fosse acontecer de novo. Claro que fora perigoso ela tentar lutar ao lado da família quando os Comensais os atacaram durante uma viagem, mas era a sua família.
O que ela deveria ter feito?
[NADA].
Bem, foda-se, agora ele queria guiar seus passos, dizer o que ela podia e o que não podia fazer.
Mandar nela. Marlene não era comandada – jamais.
– Sirius, eu preciso ficar sozinha! Não aguento mais você me seguindo pra todo o lado. Eu preciso pensar, filosofar sobre o que aconteceu.
– Você não me quer mais por perto ? Que merda é essa Mar–
– Sirius, – ela tentou novamente – eu tenho que passar por esse luto, e é bom você estar aqui, me ajudando, mas eu preciso de espaço. Eu preciso sair na rua e respirar ar puro sem a sua paranoia de que tem alguém por perto.
– Não é paranóia. – o cenho franzido, os braços cruzados – É cuidado. Não quero que nada aconteça com você.
– Mas, pelo amor de Merlin, eu quero que aconteça algo comigo. Qualquer coisa que não seja ficar trancada em casa. – ele simplesmente não entendia.
– Então me ajude a entender – ele pedia.
– Minha família não morreu para eu ficar aqui, vendo o relógio passar e sem viver.
– Eles iriam querer que você estivesse segura.
– Mas é minha decisão: foda-se o que ele iriam querer! – ela estava se exasperando – O que importa é o que eu quero.
– Tipo ficar e lutar uma batalha que você sabe que estava perdida. – ele falou baixinho.
– Quer saber? – ela perdeu a cabeça – Não é minha culpa se eu não tenho uma família horrível como você, eu tenho, que merda, eu tinha que me preocupar com a minha. – ela sabia que tinha sido um pouco dura e que aquilo era uma verdade jogada na cara, ela sabia, mas ele tinha que entender, porra.
Infelizmente, Sirius odiava verdades na cara.
– Eu posso ter uma família horrível, – o tom era venenoso – mas pelo menos eu não fui o responsável pela morte dela. – ela empalideceu – Não fui eu que esqueci de por o Abaffiato ao redor do acampamento. Não fui eu que cometi um erro e matei aqueles que mais me amavam.
Marlene não chorou. Com um elástico de cabelo no pulso, ela prendeu seu curtos cabelos loiros em um rabinho de cavalo. Ficava feio, ninguém gostava, mas ela não ligava, aquilo ajudava a pensar melhor.
– Então, da próxima vez que você vier comigo com lágrimas nos olhos depois de brigar com Regulus, eu não vou dizer que não foi sua culpa. Enfia a sua tristeza no cu, porque eu vou te mostrar o outro lado: Regulus te ama, e você notou isso tarde de mais. Antes ele procurava se espelhar em você e você o negligenciava, egoísta, porque queria ser o único diferente na merda da sua família. E agora que ele desistiu, que ele aceitou que não pode ser diferente, você tenta mudá-lo porque não quer ser o assassino de seu irmão.
"Eu esqueci de por o Abaffiato, foi um erro, um erro grotesco que não tive tempo de concertar. Porém, você, oh, coitadinho, você errou repetidamente, uma cagada em cima da outra, e teve todo o tempo do mundo para concertar cada uma delas. Mas agora a guerra chegou e os times foram divididos. O quão hipócrita você é, hein? Jogou seu irmão pro time contrário, e agora que tem as varinhas apontadas um para o pescoço do outro, quer concertar o monstro que criou. Se olhe no espelho: qual a sua desculpa, Black?”
Os dois choravam silenciosamente por dentro, olhando um nos olhos do outro – preto no preto, como seus corações.
– Eu te amo.
– Eu também.
– O nosso conceito de amor é diferente do dos outros.
– Talvez não seja amor.
– Eu acho que é maior que amor. Amor não tem verdade, e nós odiamos mentiras.
Ele não ousou responder. Ela olhou pela janela.
– Mas isso é bom, sabe? Nunca seremos um casal clichê. Eu odeio coisas clichês.
E ela odiava mesmo.
– Nunca vou ser "a moda antiga", você sabe. Minha família já é a moda antiga de mais. – foi a resposta dele.
Marlene sorriu para ele, abriu a porta e saiu para o dia de verão. Tinha que arejar as ideias.
Sirius foi para o quarto que dividiam e abriu a gaveta da cabeceira, pegando um camarão de maconha. Ele se sentou na cama, colocou o seu CD do Motor Head pra tocar e começou a desfazer o montinho de erva, retirando as sementes.
[Tire suas mãos de mim
Que eu não pertenço a você
Não é me dominando assim
Que você vai me entender
Eu posso estar sozinho
Mas eu sei muito bem onde estou
Você pode até duvidar
Acho que isso não é amor]
Quando a loira chegou em casa, estava chorando.
Procurando Sirius, ela subiu para o quarto deles, onde encontrou Ace of Spades tocando e um baseado pela metade.
Ele olhou para ela e sorriu.
Ela simplesmente arrancou o baseado dele e se deitou ao seu lado, as pernas se enroscando.
– Você tem chiclete?
Ele gargalhou.
– De tuti-fritti, e você?
– Que gay, Black. — ela retirou do bolso um pacote avermelhado – Canela!
Eles dividiram os chicletes em dois e cada um pegou uma metade, mascando até eles se misturarem ao gosto de maconha na boca.
Era bom. Era o passatempo preferido deles. Claro, eram "heróis", não deveriam usar drogas, mas já havia sido pior – porque Sirius era rico e drogas de rico são piores, felizmente ele era pobre de alma.
E nenhum deles eram heróis. Eles eram sobreviventes, não estavam lutando apenas pelos trouxas e nascidos-trouxas, agora eles tinham que ganhar essa guerra por suas próprias vidas. Eles eram os primeiros na lista de morte.
Era tanta pressão e emoção e medo que mal se aguentavam.
– Sirius, você já pensou em como isso tudo é loucura? – ele sabia do que ela estava falando – Quer dizer, ele é mestiço, está matando da própria espécie. – ela parou, pensou e se corrigiu – Não, todos somos a mesma espécie: trouxas e bruxos, sempre estaremos matando pessoas da mesma espécie.
"A pior parte é que isso faz com que nós matemos da mesma espécie.”
– Isso é tudo que eu penso, Lene. O cara não podia ficar quieto com as suas calúnias em casa que nem a minha família fez por séculos? Aparentemente, ele quer ser importante. A loucura dele não é o preconceito, é a fome por fama.
“E talvez isso acabe bem. Se ganharmos, eliminaremos e descobriremos os que estão contra nós, não haverá nenhum preconceito.”
– “Se” o caralho, Black. Quando.
Marlene tinha razão – e quando ela não tinha? – eles iriam ganham.
Eles tinham que ganhar.
Ou os pescoços rolariam.
(Mas eles já estavam rolando montanha a baixo, será que poderia ficar pior?
Sim.)
– Essa guerra é estranha, não acha? Normalmente guerras dividem países, nações. A nossa apenas dividiu famílias, divii o sangue.
– Por isso essa guerra vai demorar à terminar. Quando você coloca a família no meio, as coisas pioram. A honra entra em jogo, o orgulho quer o sangue dos nossos primos para provar à eles quem estava certo. É uma brincadeira de criança com Maldições Imperdoáveis. – ele falava com todo o conhecimento vasto que tinha sobre assunto – Ela pode parar, a guerra, mas Voldemort vai precisar de muito mais do que nós para ser destruído, quando a próxima geração vier, Lene, via ser tão dividida quanto a nossa.
– Eu acho que não vou sobreviver. – o baseado tinha acabado, o sabor do chiclete também e ela soltou o que pensava faziam meses – Não estou sendo pessimista, sabe? Só não acho que vou conseguir. Já perdi de mais.
– Eu também. Perdi de mais. – ele não queria viver num mundo sem ela.
– Não, Sirius. – ela sorria gentilmente para ele – Você nunca perdeu ninguém. Você apenas abandonou.
“Apenas foi perdido.”
Marlene se virou, olhando para o relógio. 19:30. O sol de verão recém havia se posto. Ela olhou para o moreno, que encarava o teto, o cenho franzido. Ela sabia que seria mais uma noite horrível, em que eles ficariam deitados, tentando dormir entre os pesadelos que os atormentavam acordados.
Os pesadelos que lhe diziam que não havia um jeito daquilo acabar bem.
As vezes, quando tinha sorte, Sirius lhe dizia o contrário.
– Você acha que ele foi abandonado ou abandonaram ele?
– Os dois.
– É. Eu também.
“Os vilões sempre tem a ilusão que tudo foi jogado para cima deles de propósito e que estão sozinhos. Eu quase me tornei um vilão. Não, eu me tornei um vilão, mas ao contrário: eu sou uma vilão para a minha família.”
A loira assentiu, perguntando-se como ele deveria ter se sentindo em meio a sua família – um ET, praticamente.
– Que bom que você não se perdeu.
Os olhos negros encontraram os olhos negros.
– Quer dizer- Ah, qual é Sirius? Você sabe que é igual ao Patinho Feio.
– O que?
– É uma história trouxa. O patinho foge por ser diferente, e acha que isso é algo ruim. No final, ele só era incompreendido. E não era nada feio. – ela encostou a boca na orelha dele, sorrindo divertida. – Ele era um cisne.
– Que outras histórias você conhece?
Ele virara a cabeça, os narizes se roçando.
– Já ouviu falar de O Cão e a Raposa?
[Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação?
Serão noites inteiras
Talvez por medo da escuridão
Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução
Pra que esse nosso egoísmo
Não destrua nossos corações
Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?]
Sirius cutucava Marlene.
Marlene fingia que não sentia.
Até que ela parou de sentir e sorriu.
Então um cachorro lambeu a sua cara.
– Black!
O cachorro negro latiu, divertido, balançando o rabo.
Ela riu também, mostrando os caninos salientes – se transformando em uma raposa. (Você realmente achava que os Marotos teriam conseguido ficar com uma folha de mandrágora na boca por um mês sem ajuda?). Aquilo era como um ritual para os dois, ficar assim, logo de manhã, para tentar construir um bom dia.
Não importava muito, na verdade, porque eles moravam juntos, quase confinados, e brigar era algo que marcava ambas personalidades. Não havia porquê, era apenas um habito. Nunca era real.
Eles ficaram dessa forma, correndo um atrás do outro pela casa, como duas crianças, até Marlene sentir fome. Quando ela voltou a sua forma normal, seu cabelo parecia uma juba e seus olhos pareciam mais aguçados, ao passo que Sirius parecia malandro com seu cabelo bagunçado.
Talvez eles não brigassem naquele dia.
Os dois estavam felizes até o café da manhã, quando chegou uma carta de Olho Tonto – dedicada a sua aluna preferida.
[Desgraçada Cabelo Arrepiado,
Triste a meu modo, venho por meio desta dizer que a soldado McDonald foi assassinada depois de sofrer de uma Impérios imposta por Greyback.
Não entrarei em detalhes.
A proteção dos Prewett não foram o suficiente, mas eles estão bem.
Por pouco.
Se eu ainda sentisse a essa altura eu diria que sinto muito.
Mas eu não sinto.
Ao menos sei que você sente por mim.
Estou atualmente sem parceiro.
Sim, isso é um convite, não posso mais protegê-la dessa guerra soldado.
Atenciosamente (por que isso não é um sentimento),
Olho Tonto.]
– O que ela diz?
– Mary se foi.
– Marlene. Não.
Ela levantou os olhos da carta. E estava chorando.
– Olho Tonto disse que não pode mais me proteger da guerra. Ele quer que eu lute. Você sabe o quão acabado, desesperado e insensível com si mesmo ele deve estar para me pedir isso?
O Black chorava. Ele sabia. Mas aquilo era um erro.
E eles ja haviam cometido erros de mais.
– Você é quase filha dele.
– Eu sou filha dele a dez anos, Sirius.
– Ele não quer que você vá. Ele quer que você diga não.
– E quando é que eu fiz o que ele queria?
– Nunca desde que ele te chamou de filha no primeiro dia de escola.
– Meu pai nunca me entendeu.
– Olho Tonto sim. Ele vai entender se você disser não.
– Você vai?
– Você já errou de mais. Não diga isso.
– Black, você está falando de eu ou você.
– Por que eu ou você, McKinnon?
“Não era eu e você?”
[Brigar pra quê
Se é sem querer
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter
Que responder
Pelos erros a mais
Eu e você?]
[– Era.
“Sirius? Mais tarde, responda as perguntas que fizerem sobre eu, por favor? Proteja a minha memória, meus erros.”
“Mas também meus acertos. Quando falar sobre eu, não se esqueça de você.”
Ela nunca disse isso à ele, apenas saiu da sala e chorou em seu quarto. Eles deram apenas um beijo e trocaram um olhar antes dela sair para o que os dois sabiam ser sua ultima missão.
Eles não brigaram.
Mais tarde, Sirius achou o pacote de chiclete de canela no travesseiro dele.
Um dia depois, uma carta chegou.
Regulus haviam morrido.
E Marlene também.]
Notas finais
A Marlene definitivamente era uma Grifinória, mas eu tenho teorias interessantes para ela, só não sei ao certo como desenvolver.
O que vocês acharam?
PS.: Gostaram do Olho Tonto?
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