Servos de Deuses
19 Capítulo 19 - Minha égua Gwen
A
minha pequena Lana era a coisinha mais linda desse mundo! Ela era
loirinha, tinha os olhinhos azuis e as bochechinhas rosadas como eu.
Era corajosa, teimosa e brincalhona como o pai. Ela adorava brincar
na floresta comigo e tinha uma risada gostosa.
Sua
primeira palavra foi 'grego', o que soou muito estranho e complexo
para uma criança de apenas um ano. Ela era muito inteligente,
aprendia tudo rapidinho. Aos 3 anos, já sabia tudo sobre os deuses
olimpianos e a cultura do meu planeta. Ela dizia que queria servir a
Apolo, assim como eu. Ela dormia embalada pelas histórias dos
semideuses gregos que haviam salvado milhares de pessoas apenas
usando a habilidade, a força e a inteligência que eles possuíam.
Ela morria de medo das tempestades que de vez em quando castigavam a
nossa cidade.
Uma
dia, quando a Lana tinha 3 anos, caiu uma tempestade terrível sobre
a cidade de San Francisco. Eu estava deitada na cama, ao lado de
Ryan, que por um milagre havia conseguido dormir. Acho que ele estava
muito cansado! Eu me remexia na cama, mas não conseguia dormir. Foi
quando ouvi pequenas batidas na porta do meu quarto. Levantei com
cuidado para não acordar o Ryan e abri a porta. Lana estava de
camisola e agarrava o seu ursinho de pelúcia com uma mão e com a
outra, esfregava os olhos, cheia de sono.
Oi
meu amor. O que foi? Está com medo dos raios? — eu perguntei
docemente
Ela
assentiu. Eu a peguei no colo. Ela estava mais pesada do que eu me
lembrava, mas tudo bem.
O
Zeus feio está jogando seus raios bobos e assustando a minha
filhota, é? — eu perguntei brincando
Nessa
hora, um raio caiu com toda a força perto da minha casa. Eu tomei um
susto e Lana enfiou seu rosto no meu peito. Ryan continuava dormindo.
Nota: nunca mais repetir isso, ainda mais se for lá fora.
Mamãe.
Posso dormir com vocês? — Lana perguntou
Claro
meu amor! Acho que essa tempestade não vai acabar tão cedo.
Deitei
a Lana na nossa cama e cantei uma musiquinha em grego para ver se ela
dormia. Ela dormiu como um anjinho.
No
dia seguinte, quando Ryan acordou, se assustou ao ver Lana ao seu
lado. Ele não percebeu que eu havia colocado a Lana para dormir com
a gente. Ligaram para ele do trabalho e ele correu para o computador.
Eu preparei o nosso café da manhã e esperei a Lana acordar. Ela
desceu as escadas ainda de camisola e tomou seu café da manhã.
Filha,
vamos a floresta dar um passeio? — eu perguntei
Fazia
um tempo que não íamos a floresta, pois da última vez que havíamos
ido, Lana se machucou em um espinheiro.
Vamos!
Vamos! Vamos! — Lana disse toda animada
Vem,
vamos falar com o seu pai primeiro! — eu disse rindo da empolgação
da Lana
Entramos
no escritório do Ryan para falarmos com ele.
Toc!
Toc! — ambas dissemos brincando
Ryan
virou-se com um sorriso e disse:
Olá,
amores da minha vida! Bom dia!
Ryan
levantou-se da cadeira e veio em nossa direção. Deu um beijinho na
testa da Lana e um selinho demorado em mim.
Acordaram
cedo! Hoje é sábado! É dia de dormir até mais tarde! — Ryan
disse fazendo cócegas na barriga de Lana, e ela caiu na risada
Viemos
perguntar se você não quer ir dar um passeio na floresta com a
gente. — eu disse
Desculpe,
meus amores! Não vai dar agora! Estou superocupado! Mas, daqui a
pouco eu encontro vocês lá! Prometo! — Ryan disse
O
senhor não pode ir com a gente agora não, papai? — Lana disse
fazendo biquinho
Desculpe
meu amor! — Ryan disse abaixando-se para ficar do tamanho dela –
Não posso ir agora! Mas, eu prometo que daqui a pouquinho eu
encontrarei vocês lá. E levarei uma surpresa!
Lana
pareceu conformada, pois ficou toda animada novamente. E bastante
curiosa para saber sobre que surpresa o Ryan havia falado.
Filha,
por que você não vai se arrumar? Daqui a pouco estaremos partindo.
— eu disse
Está
bom! Já estou indo! — Lana disse subindo as escadas correndo
Outro
alienígena dando trabalho? — eu perguntei ao Ryan
Sim,
e bastante! — suspirou Ryan – Ninguém conseguiu pegá-lo ainda!
Estou tentando ver se consigo ao menos achá-lo. É um tal de
Ragnarok.
Boa
sorte! — eu disse, e mudando de assunto – De que surpresa você
estava falando para a Lana?
É
surpresa! Eu não posso revelar! Senão vai deixar de ser surpresa!
— Ryan disse brincando
Eu
tenho que admitir que eu também fiquei curiosa. Do que será que o
Ryan estava falando? Lana desceu as escadas correndo, quase
tropeçando na barra de seu vestidinho azul de alcinhas.
Vamos
mãe? — ela perguntou
Peguei
sua mão e fomos correndo para fora de casa. Ela ria feito louca.
Tomamos banho de rio, chutamos folhas secas e subimos em árvores.
Parecíamos duas crianças que nunca haviam se divertido antes.
Quando cansamos, nós duas deitamos na relva macia para descansar.
Foi aí que eu ouvi um som estranho vindo dos arbustos perto da
gente. Levantei em um sobressalto e pedi para Lana fazer silêncio.
Segui o som e encontrei uma égua alada branca com a crina loira.
Quando ela me viu, empinou-se e relinchou assustada. Lana também se
assustou e escondeu-se atrás das minhas pernas. Eu dei um passo a
frente e acariciei o focinho da égua, tentando acalmá-la.
Calma!
Eu não irei machucá-la! — eu sussurrei
Aos
poucos, ela foi se acalmando e eu percebi que uma de suas patas
estava machucada. Lana também percebeu e tocou a pata da égua de
leve. Ao contrário do que eu pensei, a égua não reclamou e apenas
observou o que a Lana fazia. Lana fechou os olhos e um brilho dourado
apareceu em suas mãos. Eu jurava que a Lana era uma humana comum.
Nunca passou pela minha cabeça que ela poderia ter herdado os meus
poderes. Ela soltou a pata da égua (que havia sido curada) e abriu
os olhos lentamente. Ela virou-se para mim, sorriu e disse:
Me
ensina a cavalgar, mamãe?
Eu
assenti feliz e nada comentei sobre o que ela havia feito. Achei
melhor que ela descobrisse os seus poderes por si mesma. Eu olhei
para a égua. Ela parecia calma. Acariciei a sua crina e retirei a
sua cela. As celas geralmente machucavam e eram pesadas, por isso que
as tirei. Porém, quando tirei a cela, percebi um nome escrito em um
saco vazio. O nome era Gwen.
Seu
nome é Gwen? — eu perguntei a égua e ela relinchou – Eu acho que
é.
Eu
fiz que ia montar nela e ela nada fez. Lana lhe deu uma maçã e ela
comeu rapidamente. Lana sorriu e foi pegar mais maçãs para dar a
ela. Quando ela voltou, eu estava em cima de Gwen. Ela perguntou se
podia subir também e eu lhe dei a mão para ela subir. Cavalgamos um
pouquinho e resolvemos descer. Acariciamos o focinho de Gwen e lhe
demos mais algumas maçãs.
Lana?
Rose! Onde vocês estão? — ouvi Ryan chamar
Ambas
tínhamos esquecido da surpresa. Deixamos o resto das maçãs no
chão, perto de Gwen e corremos ao encontro do Ryan. Ele havia armado
um piquenique para nós! Haviam biscoitos, muffins, doces, nachos,
pizza e refrigerante, tudo em cima de uma toalha quadriculada
vermelha e branca. Lana soltou gritinhos de alegria quando viu e
correu para os braços de Ryan, que riu bastante.
Gostaram
da surpresa? — ele perguntou – Estava com essa ideia há um
tempão!
Eu
caminhei até ele e o beijei. Lana nos olhou com uma carinha de nojo
e nós rimos. Sentamos no chão e comemos do delicioso piquenique que
Ryan havia preparado. Eu ainda não sabia o que faríamos com a Gwen,
eu decidiria depois.
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