Notas iniciais
OOOWN!! Eu ganhei uma recomendação, tô emocionada! *-*
Obrigada, muito obrigada ^3^

Esses dias tem se espalhado por todo o reino uns boatos de um tal de “Jack, o Estripador”. Também tem acontecido uma terrível onda de assassinatos. Nas ruas canso de ouvir diferentes histórias sobre como Jack estripador mata suas vítimas. Ouvi que a polícia já recebeu várias cartas de pessoas que dizem ser o tal assassino, que besteira.

-Quem você acha que é o assassino, Dawari? –Larian me perguntou, enquanto eu a servia o café da manhã.

-Não faço idéia. –respondi- E você?

-Hum... Sei lá. –ela riu- Mas é alguém bem perturbado, disso eu sei.

-Credo gente, não falem disso no café da manhã. –Juan disse, naquele tom fresco de sempre.

Tenho que admitir que a busca ao Jack estripador me interessa. Quem será o culpado por tantas mortes? Larian pegou o jornal que Juan havia trazido e rapidamente buscou algo sobre os assassinatos.

-Aqui! –ela apontou- Nessa semana foram assassinadas duas mulheres. Uma chamada Mary Ann e a outra Annie Chapman. Uma foi na sexta e a outra, no sábado. As duas foram encontradas mortas do mesmo jeito e...

-Ah, chega. –Juan se levantou- Não quero ficar ouvindo vocês falarem de assassinatos. E aconselho vocês a não meterem a fuça nesse assunto. –e se retirou.

-Nossa, que stress. –eu disse, apoiando o cotovelo na mesa.

-Parece que o irmãozinho está com medo do Jack estripador. –Larian riu.

-Dizem que ele só ataca prostitutas. –olhei no jornal- Que estranho.

Ficamos a conversar por mais um tempinho sobre o estripador, o melhor é que esse assunto é como um repelente ao Juan, ele parece não gostar nada disso. Foi divertido incomodá-lo com isso.

Foi um domingo bem agradável. Como muitas pessoas tinham medo do Jack estripador, ficavam muito em casa e não saíam por nada, deixando as ruas vazias em bem calmas.

A tarde voou e quando me dei conta já eram oito e meia da noite. Eu estava na cozinha, vendo Merie preparar o jantar com cuidado. Ela cozinhava tão bem! Totalmente ao contrário de mim. Ela batia a massa para o bolo enquanto olhava no forno um corado empadão. Quando voltou para a mesa, vasculhou algo entre os ingredientes.

-Oh, não. –ela deixou a massa na mesa- Esqueci de comprar os morangos!

-Faz o bolo de outra coisa.

-Não dá. –ela suspirou- Já usei quase tudo e prometi para as visitas do rei que faria bolo de morango.

-Eu posso ir ao mercado buscar se quiser, ainda deve estar aberto.

-Não, não! –ela me olhou assustada- E o Jack estripador...? É melhor não sairmos de noite.

-Não se preocupe. –coloquei a mão no ombro de Merie- Ele só ataca mulheres. E eu sei me defender.

Mentira, não sei não.

-Está bem... –ela hesitou, mas falou por fim- Mas tome cuidado.

-Pode deixar.

Saí pelas portas dos fundos só por precaução, não queria que o rei me visse “escapando” há essa hora, principalmente com ele tão psicótico com esse negócio de Jack estripador.

Fui bem rápido até o mercado e peguei os morangos. Deviam ser umas nove horas quando eu estava parto do castelo. Faltavam só algumas ruas e... Estranho, ouvi um som esquisito vindo de um beco. Devia ser um gato revirando latas de lixo, só isso.

Mas então, ouvi outros sons, gemidos de agonia e uma voz fraca suplicando pela vida. Não pude deixar aquilo passar e rapidamente parei na boca do beco, afinal, até onde eu saiba gatos não falam. É, realmente não eram gatos.

Adentrei aquele beco escuro e arregalei os olhos ao ver uma cena perturbadora em minha frente. Uma mulher estava estirada no chão, havia uma insisão em seu pescoço, que fazia muito sangue jorrar no chão. Não demorou muito para seu cadáver anêmico estar deitado em sua própria possa de sangue.

Nesse instante, meu corpo se paralisou. Não consegui mover nenhum músculo, só olhar aquilo sem nem mesmo piscar. O que me fez ficar sem ar foi quando um vulto negro apareceu no meio daquela escuridão.

Foi tudo muito rápido, quando me toquei, já havia levado um golpe na nuca e estava caindo no chão desacordado.

Puta merda, que dor desgraçada na cabeça eu senti ao acordar. Tentei levar minha mão á cabeça, mas nenhum músculo do meu corpo queria se mover. Eu olhava para baixo e só me via deitado naquele chão ensanguentado, ao lado do cadáver assustador da mulher.

-Ah, bom dia. –retardado, ainda estava de noite.

Busquei com os olhos de um lado ao outro, procurando quem havia dito aquilo. Logo o vulto negro se mostrou na minha frente. Usava uma capa escura que não me deixava vê-lo direito e seus olhos estavam tapados por uma máscara macabra de carnaval. Ele sorria cinicamente para mim, segurando um facão a poucos palmos de meu peito.

-Sabe, você atrapalhou minha diversão. –ele fez uma cara tristonha- Não costumo matar homens, mas seus órgãos só vão aumentar minha coleção, então não faz mal.

Meus órgãos? Ele queria me dissecar, porra!

-Vamos ver... –ele passou a ponta dos dedos pelo meu peito, desabotoando minha camisa- Primeiro vou retirar seus pulmões, depois o coração. Mas primeiro, quero brincar um pouco com você.

O que ele pensa que estava fazendo? Droga, não consigo me mexer! E agora?

Com um olhar desesperado, vi ele aproximar o facão de meu peito nu. Ele fez um corte longo que descia em meu abdômen. Só consegui soltar um gemido de dor enquanto ele sorria.

Ele fez mais alguns cortes na região entre meu pescoço e minha cintura, rindo toda vez que eu reagia. Merda, aquilo doía muito!

Eu estava perdendo bastante sangue, quando ouvi um som alto de gritos. Fortes luzes de lanternas invadiram o beco. Jack estripador olhou para as luzes se aproximando e sussurrou em meu ouvido:

-Volto para terminar com você depois, ok? –ele passou a mão em uma das minhas feridas.

O estripador se levantou e sumiu na escuridão. Só vi vários policiais correndo atrás dele e gritando. Senti algo me segurar e olhei pelo canto do olho, já que não conseguia me mexer.

Juan estava com lágrimas nos olhos e me levantou as costas gentilmente. Tocou meu rosto quase sem ferimentos e me abraçou.

-Eu disse para você não se meter nisso! –ele chorou em meu ouvido- Disse que era perigoso!

Não consegui ver mais nada, já que apaguei por completo.

Eu estava sentado na cama da enfermaria – que era menor do que eu me lembrava. Merie terminava de cobrir meu peito com aquele monte de ataduras. Várias das feridas ainda doíam, então eu reclamava bastante.

-Pronto, acabei. –ela disse, amarrando o fim da atadura com um nó frufru.

-Obrigado... –agradeci meio envergonhado e ela riu.

Eu estava cheio daquelas fitas brancas de pano pelo corpo. Do meu pescoço até o começo da cintura só tinha atadura. Meu antebraço direito estava todo enfaixado e perto do meu queixo tinha um esparadrapo. Eu estava um verdadeiro caco.

-Posso ficar um pouco sozinho...? Só eu e... As ataduras? –eu disse a Merie, forçando um sorriso.

-Claro. –ela sorriu e saiu silenciosamente.

Olhei para a grande janela da enfermaria que tinha uma bela vista do jardim. O sol brilhava calmo e um beija-flor passou pela janela, me fazendo sorrir. Adoro animais.

De repente, o som da porta abrindo me chamou a atenção. Juan entrou com um maravilhoso buquê de rosas e um radiante sorriso.

-Como está se sentindo o acidentado da casa? –ele disse, deixando o buquê do meu lado.

-Bem. –olhei as flores- São lindas, mas eu não morri não, ok?

-Graças a quem? –ele bagunçou o meu cabelo rindo.

-Não tenho nem como te agradecer, Juan. –eu disse.

-Não precisa agradecer — ele se sentou do meu lado.

-Claro que preciso. –eu disse surpreso.

Ora, o cara me salvou de um psicopata que queria brincar de colecionar meus órgãos. É claro que preciso agradecer.

-Ahn, tem uma coisa. –ele disse, desviando o olhar para o lado.

-O quê? Pode dize... –fui interrompido.

Interrompido por um ato que eu nunca pensei que aconteceria. Juan estava me prendendo em um caloroso e aconchegante beijo. Não, eu não interrompi. Não interrompi porque, de alguma forma... Eu havia gostado.

Notas finais
Hmmm, finalmente hein Juan? ;D

A parte da história sobre o Jack Estripador é baseada em fatos reais o/