Servo da Família Sazawori
3 História Que Tento Esquecer!
Aquela manhã realmente parecia nunca acabar. Nem deviam ser onze horas e o sol já batia forte. Eu estava ali, em pé do lado de uma mesinha de chá a mais de duas horas, assistindo Juan na sua aula de hipismo.
A única coisa que me dava animação para ficar ali de pé, perto daquele treinador irritado, ouvindo os escândalos das adoradoras de Juan, era quando o rei caía do cavalo. Eu mordia meu lábio inferior, comprimindo uma risada. A esta altura eu quase cortava meus lábios, me forçando para não rir. Mas acabava sempre sobrando para mim ir ver se estava tudo bem com o ruivo fresco quando ele caía do “fiel” cavalo.
Por algum motivo ele sempre parecia melhor quando eu ia ver como ele estava. Realmente, não entendo o que se passa na cabeça dele... Ficamos aproximadamente por mais uma hora ali. Juan não parecia nem muito disposto a ficar de pé quando desceu do cavalo.
Enquanto Juan e o treinador pavio-curto entravam no castelo, fui levar o cavalo ao estábulo. Era um cavalo realmente lindo, alto, branco, com bastante pelo preto perto dos cascos, que por pouco não arrastavam no chão. Tinha uma mancha grande que estava quase no traseiro. Era realmente como diziam: uma mancha negra que parecia ter a forma de estrela. Daí o nome do cavalo, Black Star.
Sempre me disseram que Black Star nunca foi sociável com nenhum empregado do castelo, nem com Juan. Mas me pareceu tão manso ao relinchar quando toquei seu pescoço. Acariciei-o e conduzi o cavalo até o grande estábulo perto da casa onde eu e Merie ficávamos.
Fala sério, aquele lugar devia ser dez vezes o meu quarto! Cada espaço fechado cabia uns três cavalos, mesmo tendo só um em cada espaço. Cada portinha de madeira baixa tinha uma plaquinha com o nome do cavalo. Andei bastante até chegar à plaquinha com o nome do cavalo branco.
Entrei junto do cavalo e arrumei-lhe a comida e a água que já estavam por acabar. Black Star parecia feliz em me ter ali, relinchando e deitando-se perto de mim. Acariciei-o e sorri, seu pelo era incrivelmente macio.
-Parece que ele gosta de você.
Virei-me para trás para ver quem havia dito aquilo. Ao ver Larian apoiada na portinha de madeira, suspirei de alívio. Que susto ela me deu...! Parece que a garota percebeu isso, pois riu e se desculpou por não ter avisado ao chegar.
-Que bom que Black Star gosta de você, Dawari. –ela sorriu- Ele é um ótimo cavalo, só é meio teimoso de vez em quando.
-É uma pena ele não se dar com Juan, poderiam formar uma boa dupla. –eu disse, olhando os negros e profundos olhos do cavalo.
-O irmãozinho também não tem muita paciência pra isso. –Larian deitou a cabeça nas palmas das mãos e suspirou- Desde que o papai e a mamãe morreram... Ele não foi mais tão paciente quanto era.
Ah, ela mencionou dos pais! Queria realmente saber o que aconteceu com eles, mas tinha que arranjar um jeito indireto de perguntar sobre eles sem abrir um clima pesado e...
Ah, que se dane, minha curiosidade não é delicada.
-O que aconteceu com seus pais? –perguntei, sentado perto de Black Star- Não me contaram até agora...
Larian parecia triste, então me calei. Ok, não foi o melhor jeito de perguntar isso a ela. É como chegar e dizer “Oi, seus pais morreram, né? Legal.”.
-Desculpe, eu não...
-Ah, tudo bem. –ela interrompeu, com um pequeno sorriso meio forçado- Foi a quase três meses atrás... Haviam vários empregados aqui no castelo, todos de alta confiança. Pelo menos é o que sempre pensamos.
Senti que a história estava ficando interessante. Minha maldita curiosidade me impedia de dar qualquer reação que não olhar Larian e esperar pelo resto.
-Nosso país estava a pé de guerra com o país vizinho e nossos pais estavam conversando conosco sobre a viajem que nós realizaríamos até uma base segura. –ela continuou- Então de repente nós já estávamos cercados de pessoas armadas. Quando vimos, já estávamos sendo traídos por todos os empregados, menos por Merie.
A garota estava de cabeça baixa, mas eu não consegui escolher nenhuma palavra que pudesse consolá-la, então fiquei quieto.
-Não vimos direito o que aconteceu depois, pois Merie levou a mim e Juan para o porão, onde ficamos seguros até o som de tiros parar... Quando voltamos estava tudo uma bagunça e nossos pais... Estavam mortos no chão...
Larian estava com os olhos cheios d’água. Ah, não! Não chora, pelo amor de deus, não chora!
Levantei-me e abri a portinha de madeira, saindo e ficando ao lado da ruiva.
-É por isso que só tem você e a Merie de empregados por aqui. Ficamos a procura de pessoas realmente de confiança... –a garota completou, enxugando as lágrimas que por pouco não escorriam em seu rosto- Juan gosta muito de você, sabia?
-Uhn... Eu? –eu disse, afastando meus pensamentos em que estava mergulhado.
Ela esboçou um pequeno sorriso e riu daquele jeito doce. Ah coitada, tão ingênua, não sabe o quanto Juan gosta de mim. Bem, nem eu queria saber mesmo, então dane-se.
Sorri de volta para ela. Uma voz chamava do lado de fora do estábulo. Saímos e encontramos Juan, que chamava por Larian. Quando nos viu, sorriu e veio até nós.
-Que bom te achar, Larian! –ele disse, puxando-a para um abraço- Logo o almoço vai estar pronto, venha se arrumar.
Rico tem a mania esquisita de se arrumar pra qualquer coisa que forem fazer. Nunca vi alguém se arrumar para um simples almoço.
-Então até depois, Dawari! –Larian me afastou mais uma vez os pensamentos, abraçando-me.
Quando os dois foram andando na direção do castelo, olhei-os. Pareciam falar de alguma coisa engraçada, pois riram juntos.
Já devem ter passado por um monte de coisas pro serem filhos de rei, mas mesmo assim estavam sempre sorrindo. Animador, não?
Notas finais
Dawari estava meio ignorante também. Ficou de tpm! xD
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