Servo da Família Sazawori
19 Abram Alas Para a Corte Real!
Notas iniciais
Capítulo escrito com -risca-toda a safadeza-risca- todo o carinho para vocês meu leitores. Tem uma parte bem ~~tensa~~ nesse capítulo. Mesmo que eu não quizesse, deixei o mais implícito que pude, porque eu prometi essa fic implícita.
Mas enfim o3o
Sei que demorei, sei que mereço apanhar por causa disso -teehee
Nem se Annemarie tivesse dez gêmeas fariam mais barulho do que aqueles sete membros da nova corte principal do Rei Juan. Havíamos chegado jaziam poucas horas na Inglaterra, estávamos eu, Merie, Lowei e Juan tendo que aguentar aquela faladeira sem fim na sala principal de discussões da corte.
Lowei estava a umas duas horas tentando me ensinar o nome de todo mundo.
-Então, deixe-me ver... –murmurei baixo para o conselheiro ao meu lado- Em ordem de intimidade com o rei... O Duque Hanberg, Marquês Sir Peter, Conde Spence, Visconde Handersburg, Barão Bilmore, Baronete Jancke Van Dour e finalmente a Cavaleira Merine...?
-Exatamente, até que você aprende rápido. –ele respondeu baixo com um sorriso- Agora sabe o nome de seus carrascos.
-O quê!?
-Silêncio, silêncio. –Juan fez um pequeno gesto com a mão e todos ficaram calados, olhando-o- De que se trata afinal essa discussão.
Também me pergunto.
Quem respondeu foi homem gordo de rosto redondo e poucos cabelos sentado ao meio da mesa, Visconde Handersburg.
-Não sejamos precipitados... er... “Vossa Majestade”. –o que ele quis dizer com o tom irônico?- Somente que ainda estamos a discutir sobre sua liderança no trono de seu pai. Não achas que ainda és uma decisão de liderança precoce? Sem faltar em respeito com o senhor vosso pai, mas não acho certo que...
-Detalhes, detalhes, meu caro Visconde. –quem interrompeu foi o Conde- Devo lembrar-lhe de que Vossa Majestade o falecido rei começara seu semi-reinado aos quatorze anos?
Conde Spence tinha uma aparência jovem. Seus cabelos grisalhos iam até um pouco depois dos ombros, presos em um rabo-de-cavalo. Seus olhos negros eram profundos, ele mantinha o discreto sorriso no rosto, que lhe proporcionava um ar tranqüilo e despreocupado.
-E que fez um ótimo trabalho em seu tempo de reinado. –o Conde fez um gesto de cumprimento ao rei, que assentiu.
-Não creio que o problema seja a liderança de Sua Majestade –agora quem disse fora o Barão Bilmore- O problema é a sede. A casa me parece pequena, e com somente três empregados, este lugar está imundo, e a cozinha não tem o cheiro das delicias inglesas que outrora teve.
-Está difícil de achar bons empregados hoje em dia, poucos confiáveis. –Juan falou com certa melancolia.
Os presentes se calaram, entendendo a visão do jovem rei, com seu passado conturbado de traições. Baronete cutucou o braço do Barão com o cotovelo, censurando-o com o olhar. Este encolheu os ombros, entendendo que falara merda.
O que me encaixava ali era somente olhar e ouvir tudo, e torcer para não ser reprovado pela suposta corte esquisita de Juan. Por falar nele, estava com seu rosto perfeito esboçando um sorriso triste enquanto olhava para baixo. Minha imensa vontade era de correr e abraçá-lo, mas era óbvio que agora não era a hora.
-“Vossa Majestade”? –o Visconde falou- Poderia perguntar-lhe quem é seu novo empregado? Pelo que me lembro ele não trabalhava aqui antes.
Mas é claro. Será que eu não posso nunca passar despercebido, como uma simples poeirinha?
Juan sorriu naquela hora, e olhou-me com olhos radiantes.
-Este é Dawari, fora treinado pelo tão conhecido professor de mordomos de Paris, Atos Endrels. –disse ele explicando como se eu fosse um objeto de propaganda. Mas de certa forma gostei de ser apresentado, fiquei até meio vermelho de nervoso com aqueles olhares mirando-me. Curvei-me ligeiramente para frente, em cumprimento aos membros da corte.
Uma voz bela e melodiosa soou em forma de uma risada baixa. O Duque, que até agora estava calado, falou.
-Ele é uma graça. Já ouvi de Atos ter muitos aprendizes novos, mas este é quase uma criança.
Criança? Eu tenho dezesseis anos, não sou criança! Mas foi estranho ele dizer assim sobre mim. O Duque Hanberg tinha os cabelos loiros incrivelmente claros e olhos azuis escuro. Era jovem, pelo que Lowei dissera devia ter somente dois anos a mais que Juan.
Ele me olhava fixamente enquanto falava. Seu olhar azul era penetrante e quase hipnotizante, até um pouco... Sedutor. Depois de me assustar olhando-me assim, lembrou-me de quando conheci Juan, ele me olhava da mesma forma.
-Pare de assustar o menino, Hanberg, seu pedófilo. –O Barão zombou, sabendo que o loiro não era muito mais velho que eu.
Sinceramente não achei a piada engraçada, mas Juan esboçou um sorriso para mim, rindo baixo. Forcei-me muito para dar uma risadinha, então todos voltaram a conversar – ou brigar, não sei ao certo, era muita voz junta.
-Eu não aguento mais Black Star... –confessei tampando meu rosto com as mãos- Quase não consigo ver o Juan, nós dois andamos muito atarefados com esse negócio de corte. Eles não calam a boca por um segundo, e vivem exigindo o máximo de todos. Eles já deviam agradecer de estarem morando aqui, não é verdade?
O cavalo relinchou, enquanto abaixava a cabeça para me deixar fazer carinho nele. Seu pelo estava macio e até um pouco úmido ainda, já que só devia fazer uma hora desde que eu o dei banho e deixei-o no estábulo – estou com tanta preguiça que até acabei ficando ali do lado dele por mais tempo.
A barriga de Black Star servia de apoio para as minhas costas cansadas. O animal também parecia exausto, e eu sentia sua barriga crescer e diminuir com sua respiração. O feno em meus pés descalços era agradável, assim como o doce calor da vela brilhante que iluminava o local.
-Quando será que eu vou poder ficar junto dele? –murmurei abraçado no pescoço do cavalo.
-Junto de quem? –uma voz nem tão desconhecida falou.
-Hein? Que... Quem está aí? –olhei para trás, mas estava escuro demais para eu ver alguma coisa além de um vulto se aproximando.
-Calma, cachorrinho assustado. –o Duque entrou pela portinha de madeira no espaço de Black Star- Sou só eu.
-O que você está fazendo aqui a essa hora? –falei me arrastando discretamente para trás.
Aquele espaço para o cavalo, que sempre me pareceu grande, agora parecia mais um cubículo, cujo nem cabiam eu e o Duque ao mesmo tempo. Ele deu mais um passo na minha direção.
-Ora ora, mas que grosseria para com um oficial de maior nível, não é, garoto? –ele sorriu sarcasticamente, olhando-me nos olhos penetrantemente.
Mesmo eu odiando admitir, eu devia desculpas para ele. Afinal, nem no quinto dos infernos um mero servo poderia falar assim com um Duque, até então o posto mais alto de proximidade com o rei.
Mas mesmo assim, a minha maldita chama de orgulho prendia as palavras em minha boca, me recusando a me desculpar. Ele se aproximou mais, até ficar bem na minha frente, me olhando de cima – já que estava de pé. Pude perceber seus quentes olhos azuis percorrerem pelo meu corpo como se me examinasse. Senti meu rosto ficar corado com isso, mesmo que eu não quisesse. Ele viu minha vergonha e sorriu de canto.
-Você é um cachorrinho muito valioso. –ele se ajoelhou entre as minhas pernas, adorando ver a expressão de medo que eu devia estar fazendo agora. Que merda ele pensava que estava fazendo?
Tentei ir para trás, mas as minhas costas já batiam na divisória de madeira que tinha de uma cela pra outra. Hanberg tentou aproximar-se mais de mim, mas levou um tapa no rosto. Opa. Acabei dando-lhe um tapa automaticamente, foi culpa do pânico!
E que senhor tapa, ele ficou até com uma marca de dedos no belo rosto, que agora estava ficando vermelho de raiva.
-E-Eu... Perdoe-me, eu... –tentei falar alguma coisa, mas antes que eu pudesse me levantar, ele agarrou os meus ombros e os empurrou com força, me fazendo bater na madeira atrás de mim. Doeu.
-Já é tarde para desculpas. –logo um sorriso se formou no rosto dele, só que agora era assustador.
É, era tarde demais.
-D-Duque Hanberg, eu... Ahh! –ele apertou a minha coxa por cima do short desgastado.
-Que bonitinho. Você é uma graça, bem como ouvi falar. –ele disse enquanto levantava o meu rosto incrivelmente vermelho e me roubava um beijo.
Agora ele já passou dos limites! Só o Juan pode me beijar! Largue de mim, seu... Seu loiro pervertido!
-Nhh... Mnnhh! –é claro que eu não conseguia dizer nada, além disso, ele estava me sufocando com um beijo!
Quando ele finalmente parou, eu só consegui apoiar a cabeça na madeira para recuperar o fôlego. Enquanto isso, o maldito Duque se ajeitava melhor entre as minhas pernas e deslizava as mãos quentes pelas minhas coxas por dentro dos shorts, me fazendo sentir malditos arrepios.
Com a boca aberta e a respiração ainda descompassada, eu me amaldiçoava por baixos gemidos que saiam da minha boca. Tentei abafá-los tapando meus lábios com as mãos, mas eu sentia meu rosto ficar mais vermelho a cada segundo –se é que isso era possível- e a respiração pesada de Hanberg no meu pescoço.
-Você é lindo, Dawari. –a voz baixa e rouca dele soou ao pé do meu ouvido.
Mas então uma das mãos dele apertou entre as minhas pernas por cima do pano da roupa, fazendo-me arregalar os olhos. O que estava pensando!?
-S-ai... Ah! M-Me larg... Ahhh..! –eu tentei empurrar-lhe o peito, mas ele nem se moveu.
Quando abri a boca senti um pouco de baba escorrer no canto da minha boca. Meu rosto não podia ficar mais corado do que já estava. Meu orgulho idiota estava ferido enquanto sua mão entrava na minha calça e ele me tocava e ria baixo disso, se divertindo comigo.
Eu tinha vontade de fazê-lo parar de me fazer sentir aquele maldito prazer, mas eu não conseguia nem abrir a boca, com medo de soltar mais gemidos.
Não demorou para meu corpo estremecer numa corrente de prazer que quase me fez gritar. Logo eu estava todo melado, com baba escorrendo da boca, suando e tremendo, com o rosto completamente corado e respiração descompassada.
-Que cena linda. Olhar-te assim em deixa excitado. –o Duque riu enquanto roubava o que me restava de fôlego num beijo quente.
Eu não conseguia fazer nada além de tremer e olhar arregalado para Hanberg, que colocou a mão suja com o meu sêmen na minha própria boca, me fazendo lamber aquilo.
-Parece que descobri como se adestra esse cachorrinho, não é? –ele disse passando a mão babada no meu rosto- Agora espero que você me obedeça como um cãozinho bem comportado, ou vou ter que sempre te forçar.
Como assim “sempre me forçar”? Nem fudendo que ele iria me tocar de novo!
O Duque se afastou, tirando do bolso um paninho branco que ele usou para limpar as suas mãos, e depois o jogou em mim. Eu estava encolhido e tentando parar de tremer, lágrimas se formavam nos meus olhos.
Ouvi então Black Star puxando a corda que o prendia no estábulo, como se tentasse vir me consolar, ou pisotear Hanberg. Os dois seriam uma boa idéia. O cavalo estava agitado, relinchando e erguendo-se para puxar a corda com força, mas essa não soltava de jeito nenhum.
Quando o Duque me deu boa noite e saiu com um sorrisinho no rosto, não pude me segurar e comecei a chorar.
Que diabos ele tinha feito comigo!?
-Dawari. Dawari, acorde. –ouvi uma voz preocupada me acordar enfim.
Pisquei várias vezes até conseguir enxergar direito e ver Victory na minha frente, sacudindo a mão na frente do meu rosto.
-Vi... Victory...? –falei baixo, perguntando-me se era ele mesmo.
-Ah, graças aos céus, eu achei que você não iria acordar mais! –ele avançou em mim e me abraçou com força. Ele tinha um pouco de cheiro de álcool, já que trabalhava num bar.
Sentindo meus braços fracos, demorei para retribuir o abraço.
Mas o que ele estava fazendo aqui? E olhando em volta... O que eu estou fazendo num quarto que não é meu?
-Victory, onde eu estou? Ah, minha cabeça dói... – toquei-me e olhei para o alemão, que mantinha o olhar preocupado.
-Eu é que lhe pergunto. Ontem de noite você chegou no bar correndo no meio da chuva, mancando, chorando, todo sujo e desarrumado. Desmaiou logo depois que entrou e eu tive que te dar um banho e te trocar. Você está no meu quarto, é dentro do bar. –o loiro disse enquanto me soltava e voltava a ficar ajoelhado do lado da cama macia.
-E-Eu vim pra cá...? –perguntei confuso ainda entendendo as informações- Sozinho?
-Isso, exatamente. Não sabe o quanto me deixou preocupado, o que aconteceu com você garoto? –Victory voltou a falar.
Mas então eu recebi vagas lembranças da noite passada. Depois de ser abusado por aquele Duque pervertido, eu não sabia o que fazer, não sabia com quem falar ou em quem confiar. Não podia me aproximar de Juan e tinha medo daquele castelo agora. Tinha medo de encontrar com Hanberg de novo. Então, no desespero e nas lágrimas, fugi para encontrar alguém em quem confiava, alguém que cuidaria de mim.
Lembrando-me de tudo isso, olhei para Victory, que segurava meus ombros com cuidado como se eu fosse uma peça de porcelana. Desabei em choro mais uma vez, deixando a minha cabeça cair no peito de Victory, molhando seu uniforme de lágrimas.
-Dawari...! –o alemão falou sem entender nada.
Segurei na manga de seu uniforme, como uma criança que não quer se separar da mãe. Chorei com vontade, descarregando toda raiva, medo e frustração nas lágrimas grossas que deslizavam pelo meu rosto.
Fiquei por um tempo indeterminado chorando. Victory pareceu não se importar, ele até ficou a afagar os meus cabelos enquanto me ouvia quase gritar no meio do choro.
Depois de chorar tudo o que tinha para chorar, aos poucos as lágrimas foram parando de cair e meu choro foi ficando mais baixo, até só sobrar meus soluços e fungadas. Afastei-me um pouco e fiquei olhando pra baixo, com vergonha de olhar para Victory depois de bancar a criança chorona na frente dele. Sua mão forte afagou meus cabelos e ele abriu um sorriso calmo para mim.
-Está mais calmo agora? –ele perguntou tranquilamente.
Assenti com a cabeça e parei de soluçar.
-Obrigado... –murmurei.
-Não tem problema. Todo mundo tem que desabafar de vez em quando. Agora, que tal me explicar com calma o que aconteceu?
-Tudo começou por causa daquela corte idiota do rei e a mania que todo mundo tem de mandar em mim. Tá certo que eu sou o servo do rei, mas não quer dizer que-...
-Dawari.
-Hum?
-O Juan te fez alguma coisa? –levei um susto com a pergunta, me recordando do que Alain perguntara- Digo, ele... Ele fez alguma coisa com você?
-Não, de forma alguma foi culpa dele, mas... –tampei o rosto com as mãos sentindo as lágrimas voltarem- Ele disse que sempre ia me proteger e que sempre estaria lá quando eu precisasse, mas... Ele nunca está! Ele nunca está quando eu preciso dele! Tudo acontece debaixo do nariz dele, mas ele não faz nada!
-Dawari...
Aos poucos, eu consegui explicar tudo para Victory. Nunca vou esquecer o rosto espantado dele enquanto ouvia o que eu contava, e do jeito calmo que ele me consolou.
Eu me sentia muito bem desabafando com Victory, ele era como o irmão que... Bem, que um dia eu já tive. Ele me ouviu e também falou. Foi bom falar com ele, mas como tudo que é bom, acabou rápido.
Eu tinha que voltar para o castelo. E se eu não o fizesse, será que viriam atrás de mim? Ou será que me considerariam morto e me deixariam por aí?
O alemão se levantou e me deu a mão para me levantar também. Eu gostava das roupas que Victory me emprestou, eram muito confortáveis e quentinhas. Tinham o cheiro dele.
-Muito bem, agora... Deixe que eu te acompanho para o castelo. Você parece meio febril, então...
-Não quero. –eu o interrompi.
-Como? –ele pareceu meio confuso.
-Eu não quero mais voltar para o castelo.
Notas finais
Pois é, drama e sexo. Que feliz, né?
Bem, agora que eu já sei(mais ou menos, cof) como vou acabar a fic, fica mais fácil de caminhar sem enrolações. Daqui a pouco SFS vai estar em estado de término de fic (aaaaww D:) Mas não chorem!(e quem estava chorando?) Ainda falta pra fic acabar. Afinal, eu ainda nem falei do ~~passado~~ do Dawari!
Espero que estejam gostando! Com um Duque safado no castelo e Dawari se recusando a voltar pra casa, o que poderá acontecer? Ta-da-dãããã~~
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