Notas iniciais
Depois de um longo e tenebroso inverso... Foi tenebroso de verdade, gente. ª-ª Eu nunca mais vou conseguir cumprir o meu prazo. Sorry, guys. Pra compensar, taí um capítulo imenso pra vocês. A melhor parte, não fui eu que escrevi, óbvio. Foi a Chulle unnie/Tokie/como quer que vocês a chamem. Por isso, esse capítulo é pra ela. Unnie, você é demais. Um dia serei como você. Ele também é pras Kawani unnirs, que são umas fofas. Na verdade, o mais lógico seria dedicar só pra Dani unnie, mas já que elas são uma pessoa só... E é pra SunKyu também, que me aguentou por tanto tempo.

Cho KyuHyun estava apaixonado.

Aquela seria a notícia da década para seus amigos, e isso sem incluir o detalhe de que era por um homem. Exceto para Summer, que diria “Meu Deus, finalmente!”.

E ele finalmente admitiu a si mesmo. Naquele fim de tarde, quando a voz de Zhou Mi soou um pouco mais seca e rude do que o murmúrio suave foi.

— Eu devo ir, agora. — levantou a cabeça do ombro dele.

KyuHyun apertou instintivamente a mão que estava em cima do pulso do maior, fazendo-o rir.

— Kui Xian, há meia hora você me queria longe, agora quer que eu fique? Eu realmente não te entendo. Acalme-se, você me terá pela manhã inteira se quiser, amanhã. — disse com um tom sugestivo e já familiar.

KyuHyun revirou os olhos e se afastou para o canto do sofá, apoiando-se em um dos braços e o fitando com indiferença.

— Você vai porque quer. Não está tão tarde e eu estava me lembrando daquele vinho muito bom que o marido da minha irmã trouxe pra mim semana passada. — quase sorriu em triunfo ao ver a expressão desapontada de Zhou Mi. — Mas tudo bem, deixa pra próxima. Vamos, eu te levo até a porta. — se levantou com um sorriso cordial e gesticulou para que ele passasse. Resistindo à tentação de voltar atrás, obedeceu, passando os braços pelas mangas do casaco quando este lhe foi estendido. Colocou a bolsa no ombro e atravessou a porta que lhe foi aberta. Já estava contentado quando se virou para se despedir.

— Bem... boa noite. Até amanhã e... Você vai trabalhar, né? A queimadura não deve ter sido muito séria, e você precisa ir porque nós precisamos ver as coisas pro festival... — suspirou, não sabendo mais o que dizer para prolongar aquela conversa. KyuHyun riu.

— Boa noite, Zhou Mi. — revirou os olhos e fechou a porta. Zhou Mi entrou no elevador que o esperava, e ao mesmo tempo em que apertava o botão do térreo, algo foi jogado em si. Mal teve tempo de assimilar o que acontecia.

— Eu quase esqueci. — KyuHyun disse, fazendo-o perceber ao mesmo tempo a camisa cor de ameixa que lhe fora atirada, um sorriso sarcástico e uma visão rápida do torso definido e agora nu de KyuHyun, antes das portas do elevador se fecharem.

Zhou Mi olhou frustrado para o visor de seu relógio de pulso. Suspirou. Não estava tão tarde assim.

=^^=

KyuHyun detestava luvas. Quase nunca cumpriam direito a função de aquecer os dedos e tiravam toda a sensibilidade táctil, e como KyuHyun via o tato como o paladar da pele, era absurdo um chef com um paladar falho. Por isso mesmo ele fazia questão de gastar vários minutos lavando as mãos várias vezes ao dia para que não tivesse que usá-las no trabalho.

Mas naquele dia a temperatura caíra vertiginosamente, e KyuHyun tinha que calçar as malditas luvas os seus dedos virariam gelo.

Esquadrinhou cada canto do closet à procura do outro lado da luva cor de caramelo, mas quando viu que estava ainda mais atrasado, encerrou sua procura e jogando a luva sem par no chão, pegou suas coisas e saiu. Esperou impaciente o elevador e foi direto para a garagem, onde por força do hábito tirou as chaves da bolsa e apertou o botão para desativar o alarme do carro que não estava ali. Levou alguns segundos para se lembrar que deixara de novo o automóvel no estacionamento do restaurante e contou até dez para se acalmar. O dia começara péssimo.

Caminhou a passos pesados até o hall do edifício, amaldiçoando o céu nublado e o vento cortante. Pegou seu celular e já digitava o numero do taxi quando uma Ferrari de fibra de carbono parada na frente do prédio lhe chamou a atenção, e semicerrou os olhos, com um meio sorriso e cruzou as portas de vidro, se aproximando do carro ao mesmo tempo em que a janela do motorista se abaixava.

— Minha intuição diz que alguém vai ficar muito mal humorado pelo resto do dia se chegar atrasado. E nós não queremos um chef irritado, não é? — Zhou Mi sorriu, gostando do quanto KyuHyun ficava bonito no frio com aquele sobretudo e as bochechas coradas.

KyuHyun sorriu de volta, contornando o carro e entrando para se sentar ao lado de Zhou Mi.

— Como você sabia? — KyuHyun perguntou, colocando o cinto.

— Eu lembrei que você tinha deixado o carro lá e queria assegurar que você chegasse no horário porque se não você ia ficar irritado e eu tenho medo de você quando fica irritado. — justificou, dando a partida.

— Bem pensado. — KyuHyun disse, esfregando as mãos uma na outra, para aquecê-las no ar morno do carro.

— Ficou frio de repente, né? Tomara que neve logo. Eu adoro o frio. — disse casualmente.

— Eu odeio o frio porque é no frio que eu fico doente, meus lábios ressecam, eu tenho que trocar o cardápio e usar luvas.

— Por isso você tem que se cuidar pra não ficar doente, como usar luvas, por exemplo. — observou, em tom de repreensão. — Eu admito que trocar o cardápio é meio complicado mesmo, mas sobre os seus lábios, eu acho que posso fazer algo. — disse marotamente, parando o carro e se inclinando para aproximar o rosto do de KyuHyun, que recuou imediatamente.

— O que você tá fazendo? — perguntou, com o coração descompassado. Zhou Mi olhou-o, confuso, mas voltou a se acomodar em seu lugar e deslocou o carro a um pouco mais à frente.

— Seu pedido? — a moça simpática do drive-thru da cafeteria perguntou sorridente para o motorista.

— Dois mocaccinos. — Zhou Mi respondeu num tom melancólico.

— E um croissant. — KyuHyun completou, se inclinando para que pudesse ser ouvido.

Ficaram em silêncio, esperando os pedidos, que foram pagos e entregues. Um silêncio triste, frio como o tempo, completamente oposto do ao dia anterior, que era aconchegante, confortável. Consumiam o café da manhã enquanto Zhou Mi dirigia e tudo o que se podia ouvir era o ronco do motor potente e o ruído dos carros do lado de fora.

KyuHyun se lembrava de tudo o que acontecera no dia anterior e no que havia determinado na noite anterior, antes de dormir, que faria naquela manhã. Esperou até Zhou Mi estacionar o carro na vaga oposta à sua para falar.

— Eu acho... que nós temos que conversar. — KyuHyun disse delicadamente, o que provocou uma reação enérgica em Zhou Mi, que se jogou em cima dele e o abraçou, já tomando o ato como habitual.

— Ah, não Kui Xian, não, conversar não, por favor, conversar não! — apertou-o em seus braços e o sacudiu. — Por que nós não podemos ficar só assim, sem conversas chatas e complicadas? — começou a beijar o rosto dele, para mostrar seu ponto. KyuHyun suspirou e o empurrou delicadamente.

— É exatamente isso, Zhou Mi, isso não é fácil pra mim, e eu não sei quais o que você realmente quer!

— Tá, que você quer? Um pedido de namoro, uma aliança, um encontro com um jantar à luz de velas, um buquê de flores, chocolates, uma almofada de coração... — disse com ansiedade crescente na voz.

— Eu só quero... saber. Quais são as suas intenções? O que acontece agora? O que nós somos? É só isso, Zhou Mi...

Zhou Mi se virou de lado no banco, de modo a ficar de frente para ele, que o imitou e segurou suas mãos.

— Olha, eu sei que você ainda não confia muito em mim e eu entendo os seus motivos. Mas Kui Xian, eu gosto de você, gosto dessa sua personalidade confusa, mas eu não posso deixar de lado o fato de que você é lindo também e.. — disse a última frase num tom mais baixo e desviou o olhar, pensativo, mas logo voltou a falar. — O que nós somos? Namorados? Acho que não, isso é coisa de adolescentes. Amantes, talvez? Tanto faz, o que eu quero dizer é que eu gosto da sua companhia e quero você por perto, comigo, e que nós possamos passar os dias frios como esse tomando um bom conhaque e assistindo a filmes de romances idiotas com finais clichês naquela sua sala maravilhosa. — a última frase fez KyuHyun gargalhar.

A risada dos dois deixou o ar mais leve, mas logo KyuHyun ficou sério e voltou a se manifestar.

— Viu? A Conversa não é tão assustadora. Vem cá. — puxou o maior pelo pescoço e pressionou seus lábios contra os dele demoradamente. Assim que Zhou Mi recuou, olhou para a boca de KyuHyun e comentou:

— Seus lábios estão ressecando.

=^^=

Mandou enfileira-los. Lado a lado. Como num quartel onde KyuHyun era comandante. Andou de uma ponta a outra da fileira lentamente, com as mãos para trás. Parou na frente dos chefs de partie.

— Como está indo o que eu pedi?

— Nossos melhores fornecedores garantiram o primeiro carregamento da manhã no dia do festival. — começou DongHo.

— Você tem uma visita marcada a qualquer horário com aquela designer alemã para escolher as toalhas de mesa e guardanapos. Você tem prioridade. — JinYoung continuou.

— E você tem garantida a melhor porcelana chinesa pra baixela nova, só tem que ir escolher os modelos. A visita está marcada pra sábado, às nove. — MinHyun completou.

— Alexander?

— O conjunto novo de panelas chega hoje à tarde, e são do mesmo modelo que as atuais.

— Ótimo, são as melhores. Chansung?

— O conjunto de utensílios de mão é da última coleção que vai ser lançada mês que vem, mas que vai estar aqui no fim de semana.

— Os talheres são de prata e projetados por um designer japonês. — JunHo disse.

— Siwon já tem as amostras para o layout do cardápio.

— E a vidraria chega quinta-feira. — RyeoWook completou assim que HeeChul terminou de falar.

KyuHyun assentiu.

— Ótimo, perfeito. Podem voltar para seus postos e continuem o bom trabalho. — viu-os fazerem uma reverência e obedecerem à ordem e seguiu para falar com o resto da equipe. Olhou demoradamente para cada um deles antes de começar:

— Vocês se lembram de quando começaram a trabalhar aqui? Vocês se lembram do porquê de terem vindo trabalhar aqui? Todos vocês, sem exceção, vieram depois que o Maison Seoul ganhou a terceira estrela no Michelin. Eu, e mais 9 cozinheiros — gesticulou para os que agora estavam compenetrados em suas atividades e incluiu Summer mentalmente — conseguimos essa estrela com muito esforço e dedicação. O que vocês fizeram? Vieram exibindo suas fitinhas azuis pra poderem dizer que trabalham num restaurante conceituado. O que aconteceu ontem, senhores, foi a gota d’agua. — começou a andar por trás da fileira, e conforme ia passando por eles, desatava o nó de seus aventais e jogava seus chapéus no chão, enquanto falava. — Vocês se aproveitaram do meu esforço e dedicação para elevarem seus status. E o que eu ouvi de vocês ontem, senhores, foi uma decepção pra mim. Vocês cuspiram no prato em que comeram. São desprezíveis. E não merecem o uniforme que vestem. — ao terminar, voltou a fita-los de frente, estavam nervosos, engolindo em seco, e aqueles olhares de arrependimento só deixavam KyuHyun mais irritado. Olhou com classe para o relógio em seu pulso. — Vocês têm quinze minutos para esvaziarem os armários e deixarem os uniformes no lugar de sempre para irem para a lavanderia. Foi útil trabalhar com vocês. — concluiu friamente, deixando todos chocados, sem reação e saiu em direção à sala de Siwon, que estava parado ao lado da porta, com uma expressão preocupada. Entrou na sala e foi seguido por ele, que logo perguntou:

— Será que essa é a melhor decisão? Eu não sei não, Kyu...

— Relaxa, Siwon. Eu sei o que eu tô fazendo. Além disso, não dá pra voltar atrás. Que horas a minha equipe chega?

— Eles estão em reunião com o chefe do departamento de RH e...

— Nós temos um departamento de RH? — KyuHyun se surpreendeu.

— É, Kyu, nós temos. Nós temos até publicitários, assessores de imprensa, economistas...

— Uau. Impressionante. Mas ok, continue.

— Eles estão em reunião pra serem apresentados aos cardápios, métodos de trabalho, como tudo funciona aqui, esse tipo de coisa. Vão chegar prontos pra trabalhar, com a frigideira e a espátula na mão daqui a exatos... — olhou no relógio e fez uma subtração rápida. — 12 minutos. E ah, desde hoje até o dia do festival nós só vamos funcionar de terça a sexta pelo turno da noite. Pra você poder usar a cozinha em paz pra fazer seus experimentos.

— Essa é a melhor notícia do meu dia. Você merece um beijo, Siwon. Mas não meu. Até depois, tenho muitas coisas a fazer. — saiu agitado, e assim que cruzou a porta, sentiu seu celular vibrar no bolso. Era uma mensagem de Siwon. Olhou confuso em direção à porta atrás de si, mas leu a mensagem mesmo assim.

““Você merece um beijo, Siwon” *le sai saltitando like a gazela* Nada contra, mas acho que você anda passando muito tempo com o chef da cozinha oriental XD”

KyuHyun revirou os olhos e abriu um sorriso perverso que assustou Zhou Mi ao ver o chef se aproximar de si e lhe puxar sem motivo para algum lugar.

— Ei, ei, ei! O que você tá fazendo, pra onde tá me levando? — perguntou, sem receber uma resposta. Foi puxado e empurrado para dentro da câmara refrigerada, e estava começando a ficar assustado quando KyuHyun trancou a porta.

— Kui Xian, o que v– — foi interrompido por lábios vorazes sobre os seus e uma mão que apertava seus cabelos insistentemente. Puxou KyuHyun pela cintura e começava a aproveitar o beijo quando um clique foi ouvido e KyuHyun se separou dele de repente, virando de costas para si, prestando atenção em algo em suas mãos. Zhou Mi se inclinou para olhar por cima dele e ainda conseguiu ver o relatório de entrega da mensagem na tela do celular antes dele voltar ao bolso de seu dono.

— Kui Xian, dá pra me explicar...

— Espera. — KyuHyun levantou um dedo, interrompendo Zhou Mi pela enésima vez e atendeu ao celular que tocava. Teve que afastar o celular do ouvido para não ficar surdo com o “QUE PORRA É ESSA, KYUHYUN?!” de Siwon que foi audível a vários metros dali. KyuHyun soltou um risinho agudo.

— Depois eu conto pra você, agora eu tenho uma cozinha pra comandar. Tchau tchau, querido. — disse num tom doce e desligou o celular.

— Você contou pra ele?! — Zhou Mi exclamou, chocado.

— Na verdade, eu mostrei pra ele.

— Você ficou louco? Ele pode ser seu amigo, mas ainda é meu chefe!

— Ele não pode te demitir. Uma hora dessas ele já deve ter sacado que se ele te despedir, eu vou junto.

— Você faria isso, Kui Xian? — perguntou delicadamente, emocionado. KyuHyun tocou os lábios com o celular, um olhar pensativo.

— Hmm... Acho que não. — concluiu, destrancando a porta do compartimento e saindo. Andou de volta até a cozinha, desviando propositalmente de Siwon que vinha em sua direção com um olhar chocado.

— E então? São dez horas, cadê a minha equipe? — perguntou, deslizando uma faca de lâmina comprida pelo amolador repetidas vezes, ao mesmo tempo em que um homem bem vestido com uma prancheta na mão, de cabelos castanhos bem claros cheios de gel com um permanente passado da validade que havia se tornado um ondulado artificial entrou pelo corredor dos fundos, seguido de 20 figuras brancas que se enfileiraram lado a lado exatamente como a anterior. O homem da prancheta de prostrou ao lado de Siwon, que havia assumido uma posição no meio da cozinha. O dono do restaurante disse:

— Chef KyuHyun, esse é o diretor do nosso departamento de RH, Kris. — disse, dando ênfase ao setor em que o outro trabalhava. KyuHyun abaixou a cabeça ligeiramente em resposta à mesura de Kris, que começou a dizer:

— Chef, — ele tinha uma voz grave que não condizia com o rosto de boneca — como você pediu, essa é a sua nova equipe, eles já foram apresentados aos cardápios, informados sobre o festival e sobre o nosso método de trabalho.

— Perfeito. — se voltou para os cozinheiros, que o fitavam com empolgação no olhar. — Primeiramente, sejam bem-vindos à cozinha ocidental do Maison Seoul. Sim, porque nossa cozinha é bipolar e daquele outro lado ali, tudo o que vocês precisam saber é que aquele — gesticulou em direção ao chinês, que sorriu e acenou brevemente. — é o chef Zhou Mi e que junto com a equipe dele, são quem fazem o arroz grudento com molho de soja do restaurante. — debochou, citando os principais ingredientes de qualquer prato oriental.

— Ei! Nós sabemos fazer Peixe Sichuan também! — Zhou Mi protestou, fazendo os espectadores rirem.

— Só... finjam que ele não existe. — gesticulou com desdém para o outro, ignorando a provocação — Como vocês já sabem, estamos perto do festival gastronômico e temos que aproveitar cada segundo pra que tudo saia perfeito, então, tudo o que acontece aqui dentro é segredo de estado. O nosso concorrente direto é o Le Han, que por pouca coisa a mais ficou com o título ano passado, mas esse ano, nós temos que nos recuperar. Mesmo que o restaurante só esteja funcionando no turno da noite, de terça a sexta, eu vou pedir pra vocês que venham nesses dias, às dez e meia da manhã, para testarmos os pratos e para eu poder avaliar o desempenho de vocês. Eu faço rondas a cada hora e meia e corrijo o que for necessário. Se for o caso de ter que começar tudo de novo, estejam avisados que assim será, se acostumem logo. Pra começar, eu vou pedir que vocês escolham cada um uma bancada e se instalem...

KyuHyun apresentou cada uma das estações dos chefs de partie para que todos se localizassem de acordo com suas especialidades, e pediu que fizessem um reconhecimento do lugar. Onde poderiam encontrar cada ingrediente, utensílios, ou qualquer instrumento que pudessem precisar, tudo lhes foi mostrado. Eram em geral adultos, homens e mulheres num número equilibrado e pareciam todos dedicados e profissionais, o que agradou ao chef. Por fim, pediu que cada um fizesse duas porções de algum prato do cardápio, o que achasse mais difícil, para treinar, e advertiu que o fizessem bem, pois aqueles seriam seus almoços. O próprio KyuHyun fez Coq au Vin, um clássico, e ele seria a refeição de quem, segundo seu julgamento, obtivesse o melhor desempenho na tarefa.

Deu-lhes duas horas e meia para cozinhar, e ao final disso, KyuHyun pediu que colocassem cada um os pratos em uma bancada só e o responsável por cada um deles atrás dela. Provou cada um dos vinte pratos, comentando os acertos e erros e dando dicas sobre como aquela receita poderia ser preparada.

Um dos últimos pratos lhe chamou a atenção. Era um Ravióli de escargots com molho de ervas, que fora complementado com uma espécie de ninho de legumes à Julienne em cima.

— Isso não faz parte da receita. — KyuHyun observou, apontando com o enfeite com o garfo e levantou o rosto para ficar quem preparara o prato. Ele de jeito nenhum parecia ser mais velho que KyuHyun, tinha os cabelos negros que chegavam à nuca e um rosto extremamente infantil que apresentava uma expressão de expectativa e apreensão.

— É... bem... é que... — hesitou. — Eu achei que o prato estava sem textura e sem cor, então...

KyuHyun levou uma garfada à boca e analisou, não deixando transparecer nenhuma emoção e pousou o talher de volta no prato.

— Qual é o seu nome?

— Lee SungMin, chef.

— Qual é a sua especialidade?

— Massas.

KyuHyun sorriu. De jeito nenhum aquele garoto tomaria o lugar de Summer na sua vida, mas bem poderia ocupar o lugar dela na cozinha. Tinha talento e coragem, duas virtudes que ele admirava.

— Lee SungMin — começou, num tom que fosse audível a todos na cozinha que estava consideravelmente silenciosa — Meus parabéns, você é o primeiro dos chefs de massas provisórios do Maison Seoul.

O garoto ficou sem reação. Parecia querer bater palmas e pular de emoção, chorar e abraçar KyuHyun tudo ao mesmo tempo, mas conseguiu se controlar a tempo e apenas fez uma reverência de noventa graus.

Um posto provisório era quase tão bom quanto um permanente, a única diferença era a realmente a duração.

— Você vai supervisionar e organizar a estação de massas por uma semana e eu verei o seu desempenho para uma possível promoção permanente. — esclareceu e seguiu para avaliar o resto dos pratos.

Pararam para o almoço e KyuHyun, que havia comido mais que o suficiente, sentou-se em uma bancada e ficou olhando a outra cozinha, que também fazia uma pausa. Passou os olhos por todas, e percebeu que Zhou Mi não estava entre elas e estranhou o fato.

Foi até as câmaras refrigeradas, mas ele não estava em nenhuma delas. Entretanto, ao passar pela frente da sala do staff, ouviu um par de vozes pela porta entreaberta e se aproximou para ver se Zhou Mi estava ali, mas a conversa murmurada o parou no batente da porta.

— Espere mais um pouco, EunYeon, eu não sei se ainda podemos fazer isso. — a primeira voz era de Zhou Mi.

— Como assim? Nós temos que fazer! Foi pra isso que viemos pra cá!

— Não faça nada agora, por favor. Eu preciso de mais um tempo.

Houve vários segundos de silêncio, e por fim, a conclusão.

— Tudo bem. Mas seja rápido, nós não temos muito tempo.

KyuHyun ouviu passos em direção à porta e correu para uma das câmaras, espionando pela janelinha da porta até que a cuisinier loira voltou para a cozinha. Saiu de lá como se nada tivesse acontecido e encontrou Zhou Mi saindo da sala com uma feição meio preocupada.

— Aí está você! — sorriu, se aproximando dele. — Aconteceu alguma coisa? — perguntou sério, e ele tratou de mudar a expressão e esboçar um sorriso.

— Não, Kui Xian, nada. Você estava me procurando? — parecia ansioso para trocar de assunto. KyuHyun desconfiou.

— É, queria te ver antes de enfrentar o interrogatório do Siwon. — disse, com meiguice proposital, para deixar a entender que ele não havia percebido ou ouvido nada. Zhou Mi sorriu e levou-o consigo de volta para a sala, fechando a porta e encostando-se a ela, puxando as mãos do outro para circundarem sua cintura, e assim KyuHyun fez.

— Você está ficando muito manhoso, sabia Kui Xian? — acariciou o rosto dele e beijou seus lábios delicadamente.

— Culpa sua. Tudo é culpa sua. — acusou, envolvendo os lábios dele com os seus e acariciando-os com a língua rapidamente antes de mordiscá-los e afastar o rosto. Umedeceu os lábios, pensativo. — Como eu disse, agora eu tenho que ir enfrentar o interrogatório do Siwon antes de voltar pra cozinha. Deseje-me sorte... — deu-lhe um último beijo antes de puxá-lo da frente da porta e sair. Foi direto para a sala de Siwon, que se levantou imediatamente e bateu a porta atrás dele, trancando-a.

— Cho. KyuHyun. — disse, segurando-o pelos ombros.

— Esse sou eu. — zombou.

— O que diabos foi aquela foto?! — ele soava confuso e meio desesperado.

— A que eu estou beijando o Zhou Mi? Ah, nela eu estou beijando o Zhou Mi. — explicou, com um sorrisinho implicante.

— POR QUÊ?! — começou a sacudi-lo, impaciente.

— Por que eu gosto dele, oras. — era a primeira vez que ele dizia aquilo em voz alta. — Apesar dele ser irritante, e não confiar nele e eu me sentir incrivelmente vulnerável perto dele, eu gosto da companhia dele, do sorriso dele e de quando ele me abraça. — disse, sem perceber a repetição frequente da palavra “dele”, bem mais para si mesmo do que para Siwon que o olhava escandalizado.

— Isso é algum tipo de piada? Ou... ou uma vingança? É por causa do que eu disse antes? — Siwon considerou, tentando achar uma explicação mais provável, mas pela expressão de KyuHyun, não parecia ser uma brincadeira. O chef atravessou a sala e sentou-se na cadeira de Siwon, recostou-se e pôs os pés em cima da mesa como sempre quisera fazer.

— Por que é tão difícil pra você aceitar? Não era o que você sempre dizia? Que eu era imprevisível? — rodou uma caneta nos dedos, tombando a cabeça pro lado distraidamente. Siwon suspirou e foi até ele, sentando-se na mesa ao lado dos pés repousados ali.

— Eu sei, mas é que... foi tão de repente! Quer dizer, eu te vi aos amassos com a Jung MinAh na formatura do colégio, e depois disso eu...

— Espera. — KyuHyun interrompeu, tirando os pés de cima da mesa e se inclinando na direção de Siwon, alarmado. — Você sabe disso?!

— É claro que eu sei, Kyu, todo mundo soube. Vocês não foram muito discretos em cima da mesa do ponche.

— Aish... — KyuHyun baixou a cabeça nas mãos, incomodado. — Eu não lembro, ok? Eu devia estar bêbado. — justificou.

— Eu lembro e nem tente usar a sua amnésia pós-álcool comigo. Ela era bonita, até. Ouvi dizer que virou enfermeira. Mas o que eu quero dizer é que... desde o ensino médio eu não ouço nem rumores de algum namoro seu, ou qualquer coisa desse tipo, e agora você chega e me manda uma foto sua beijando um homem na câmara frigorífica? É difícil acreditar, sabe? Cho KyuHyun... gay. Sua irmã já sabe?

— Não...! — gemeu, nem querendo pensar sobre. — Eu ainda vou achar um jeito de contar pra ela, e pros meus pais. Mas acho melhor esperar eles voltarem da Rússia. E você vai ficar calado. — disse, em tom de ordem. Levantou-se e começou a ajeitar a roupa. — Bom, agora eu tenho que voltar. Temos um longo dia pela frente. — passou por Siwon que parecia meio hesitante, e estava a um passo da porta quando foi parado pela mão dele em seu ombro de novo.

— Kyu... só me diz uma coisa... — chegou mais perto, murmurando como se não quisesse que as paredes ouvissem o que ele iria dizer, já que estavam sozinhos na sala. — Você... e o Zhou Mi... Vocês... já... — parou, deixando um tom sugestivo nas reticências. KyuHyun demorou um segundo para entender o que ele queria dizer, e se afastou dele dando um tapa em sua mão.

— SIWON! — gritou, com uma expressão tão escandalizada quanto a de Siwon instantes atrás, corando fortemente — Como você pôde pensar numa coisa dessas?!

— Eu não sei, ok? Mas tem certeza que não aconteceu nada naquela vez em que você “dormiu“ com ele? — formou as aspas com os dedos para ficar bem claro, claramente implicando com KyuHyun, que travou o maxilar e o pegou pela lapela do paletó.

— Como ousa insinuar uma coisa dessas?! — exclamou, mas logo o largou e abriu um sorriso malicioso. — Yah... Por que você quer tanto saber?

Siwon que arrumava o paletó levantou a cabeça, e foi a sua vez de corar. Não encontrando nada para dizer que não o “incriminasse”, preferiu ficar calado.

— Hmmm... Já entendi, Sr. Choi Siwon. — sacudiu um dedo no rosto dele, com um sorriso insinuante e saiu da sala ignorando os argumentos indignados dele.

Voltou para a cozinha onde os cuisiniers já recebiam instruções de seus chefs de partie. Bateu palmas para chamar a atenção para si e disse:

— Muito bem, é bom começarmos logo os pratos para deixá-los prontos para serem montados no jantar. Preciso dos suflês e toda a parte de pâtisserie e boulangerie pronta. As saladas também já podem ser adiantadas. Molhos e pratos frios, desde que não levem ovo ou atum, também devem ser adiantados. Hoje eu vou fazer rondas constantemente, mas não se incomodem, vocês vão ter que se acostumar. Qualquer dúvida, venham até a mim ou a algum dos chefs de partie... — ao dizê-lo, percebeu que um deles não estava presente. — Aonde o legumier foi? — Nesse exato momento, MinHyun reapareceu com uma expressão preocupada e o celular em uma mão. Chegou perto do chef e murmurou sigilosamente:

— Lee DongHae pediu exatamente a mesma baixela e as mesmas toalhas de mesa, já fechou negócio e pagou o dobro com a condição de que não vendessem mais para ninguém.

KyuHyun baixou a cabeça e suspirou, aflito.

— Como ele soube? Nós pedimos sigilo, não foi?

— Sim, chef. Eu realmente não sei como ele descobriu, e pelo que parece, ele fez o mesmo com os guardanapos, então a sua visita foi desmarcada.

KyuHyun bateu na bancada com força, furioso, assustando MinHyun, que não sabia o que fazer.

— Quer compartilhar as novidades com a gente? Estamos nos sentindo meio por fora. — Zhou Mi bradou, de longe.

KyuHyun se ergueu e foi para o meio da cozinha.

— Quero a atenção de todos agora. De algum jeito, Lee DongHae descobriu alguns dos nossos preparativos para o festival. E é claro que está usando isso contra a gente. Ainda não sabemos como ele descobriu isso, então de novo eu peço sigilo total sobre qualquer coisa que aconteça nessa cozinha. Se eu descobrir que qualquer um de vocês deixou vazar a menor pista que seja, diga adeus ao seu certificado. Estão avisados. — voltou para a sua bancada e pensou no que fazer primeiro.

Mas estava preocupado demais para se concentrar em qualquer coisa. Como DongHae obtivera aquelas informações? E se elas tivessem sido reveladas por alguém daquela cozinha mesmo? Aquela conversa de Zhou Mi com a cuisinier na sala do staff fora realmente suspeita e ele esperava mesmo que não tivesse nada a ver com aquilo.

Pelo resto do dia, KyuHyun tentou se distrair, e acabou se sentindo mais um professor que um chef, sempre corrigindo e ensinando os integrantes da nova equipe. O garoto de mais cedo, Lee SungMin, parecia ter um talento natural e conseguia fazer pratos impecáveis, e logo conseguiu a admiração do chef.

Mas sempre tinha alguma coisa que o incomodava. Tentava ocupar sua mente com outras coisas e acabou se distanciando de Zhou Mi por todo o período de trabalho, só conseguindo vê-lo direito no final do expediente.

Desabotoou o dólmã preguiçosamente, e se sentou na ponta do banco comprido que ficava no corredor entre os armários. Deixou os ombros caírem e esfregou a têmpora com os dedos.

Assustou-me quando um par de mãos começou a massagear seus ombros, e um beijo estalado foi dado em sua bochecha.

— Você precisa relaxar, Kui Xian...

KyuHyun suspirou.

— Como eu posso relaxar quando o meu maior concorrente pode ter uma fonte direta de dentro da minha cozinha?

— Você acha, Kui Xian? — por alguma razão, KyuHyun achou o tom de Zhou Mi meio vacilante e desconfiou novamente. Ele admitia que aquilo devia ser meio paranoico, mas na situação em que estava, devia desconfiar até de si mesmo. Virou-se para olhá-lo e viu nele um olhar um pouco preocupado.

— Não sei, pode ser qualquer coisa. Aish, eu só queria esquecer isso por ora, chegar em casa, tomar um banho demorado, e dormir. É tudo o que eu preciso.

— Ah, então eu não estou na lista das coisas que podem te fazer bem hoje? — o ruivo perguntou, manhoso, e afastou as mãos dele. KyuHyun se voltou para ele e sorriu.

— Não seja bobo. — puxou o rosto dele pelo queixo e beijou-lhe os lábios com delicadeza; havia aprendido a amar aquele ato carinhoso. — E nesse caso, por que você não vem comigo e nós podemos relaxar juntos na minha sala maravilhosa?

— Você não poderia ter tido ideia melhor.

Tiveram apenas uma breve argumentação onde Zhou Mi conseguiu convencê-lo a irem em carros separados para que KyuHyun não tivesse depois o trabalho de ir leva-lo de volta depois. Isso só fez com que, a cada sinal vermelho, ficassem fazendo gracinhas. Se Zhou jogava um beijo, KyuHyun mostrava a língua, mas se ele lhe exibia um daqueles sorrisos cheios de carinho, KyuHyun sentia sua pulsação dobrar de ritmo por alguns segundos e acabava retribuindo o ato sem nem perceber.

Assim que chegaram, Zhou Mi fez questão de sair de seu carro rapidamente e abriu a porta do carro de KyuHyun para que ele saísse, e assim que o fez, puxou-o pela cintura e atacou seus lábios com sofreguidão. Seus lábios se encaixavam perfeitamente, e suas línguas deslizavam uma contra a outra em sincronia. Aquele momento era sublime, feérico, perfeito... Até o celular de KyuHyun começar a tocar. Zhou Mi tentou aprofundar o beijo, com a intenção de fazê-lo ignorar a ligação, mas KyuHyun insistia em tentar afastar o corpo.

— Zhou Mi... espera... espera! — Zhou Mi soltou um gemido frustrado, mas não recuou, apenas baixou a boca para a tez clara do pescoço dele.

Mesmo com certa dificuldade, KyuHyun conseguiu atender. Era MinHyun, o que o preocupou ainda mais.

— Alô?

“KyuHyun-ssi, não foi DongHae quem fez os pedidos. Foi uma mulher. À uma hora da tarde de hoje. Quem me disse foi a própria Eva Kempfer.”

­— Você tem certe... Ai! — foi pego de surpresa pelos dentes de Zhou Mi se afundando em seu pescoço. Deu-lhe um tapa na cabeça e sentiu, pela respiração em seu pescoço, que ele riu. — Você tem certeza? — até onde KyuHyun sabia, DongHae não trabalhava com mulheres, como si mesmo até um dia atrás.

— Absoluta, chef. — garantiu. KyuHyun suspirou pesadamente, e percebendo isso, Zhou Mi apertou-o mais contra si.

— Tudo bem. Obrigado por avisar. Se souber de mais alguma coisa, não hesite em me ligar. — disse, melancólico.

— Pode deixar, chef. Boa noite.

— Boa noite, MinHyun. — Desligou o celular e baixou a cabeça para apoiá-la no ombro de Zhou Mi, visivelmente chateado.

— O que foi? — o ruivo perguntou baixinho, correndo as palmas pelas costas dele lentamente.

— Era o MinHyun. Ele disse que não foi o DongHae quem fez os pedidos. Foi uma mulher. Mas... DongHae não trabalha com mulheres. Ele costumava me copiar em tudo o que podia, até nisso. — cingiu o tórax do outro com os braços — Que droga. Isso nunca aconteceu antes.

— Calma, calma. Esquece isso por ora, você não vai conseguir resolver nada agora. Vamos subir, e nós achamos algo pra fazer você esquecer isso por enquanto, ok? — propôs. KyuHyun parecia aborrecido, mas conformado, e assentiu, se afastando do mais alto para pegar seu estojo de facas e ativar o alarme do carro. O tempo ainda estava frio, mas não nevava mais e a maior parte da neve derretera ou fora retirada pelo serviço de limpeza pública.

Seguiram em silêncio para o elevador, onde, uma vez sozinhos, Zhou Mi segurou a mão de KyuHyun, entrelaçando os dedos e recebendo um sorriso, que retribuiu com um afago na bochecha. Enquanto esperavam o elevador chegar ao último andar, KyuHyun percebeu Zhou Mi passar uma mensagem de texto pelo celular discretamente, mas ignorou o ato.

Uma vez dentro do apartamento, Zhou Mi acomodou-se no sofá da sala e esperou KyuHyun voltar com uma garrafa de vinho e duas taças. Usou o saca-rolha do canivete para abrir a garrafa e entregou o pedaço de cortiça para Zhou Mi, que o aproximou do nariz rapidamente, aspirando o buquê.

— Maravilhoso. Foi desse vinho que você me falou? — perguntou, pegando a taça que lhe fora servida e realizando o pomposo ritual de degustação do vinho.

— Foi. Châteauneuf-Du-Pape. Kevin foi à Suíça à trabalho e trouxe pra mim. Por mais que eu ame a ideia de coloca-lo num molho por cima de uma costela de cordeiro com salada de rúcula, acho que toma-lo com você é ligeiramente mais prazeroso. — disse e sorriu, acomodando-se ao lado de Zhou Mi com uma taça com metade da quantidade de vinho que servira para o outro. O chinês passou o braço livre pelos ombros dele e o puxou para recostar-se a si.

— Pronto, Kui Xian. Agora aproveite... e relaxe. — deixou um beijo na têmpora dele antes de começar a conversa — Eu acho que não sei quase nada sobre você. Por que não me conta como você decidiu que queria ser chef de cozinha? — KyuHyun pareceu entusiasmar-se com o assunto.

— Não é uma história muito incrível. Eu só estava no fim do meu ensino médio sem a menor ideia do que queria fazer da vida quando numa tarde eu me peguei assistindo a um daqueles reality shows de competição gastronômica. Acabei gostando sem nem perceber. No meio da temporada eu já assistia à televisão na cozinha e preparava os pratos como se estivesse lá, de acordo com o que eles deveriam fazer. Minha crítica gastronômica era a minha irmã, que já estava na faculdade, na época. Ela sempre dizia que o que eu havia preparado estava melhor do que qualquer um daqueles da televisão. Eu sabia que era só pra me bajular por estar cozinhando pra ela, mas acabei gostando de verdade de fazer isso e decidi que era o que eu queria fazer. Fui pra Paris, apesar de ter uma Cordon Bleu aqui em Seoul, e foi lá onde tudo começou.

— Se você tivesse estudado aqui, nós provavelmente teríamos nos conhecido antes. Eu estudei lá e dei aulas por um tempo antes de voltar pra China e depois... pra cá de novo, e aqui estamos nós. — Zhou Mi comentou, já com sua taça pela metade enquanto a de KyuHyun permanecia intacta, ele reparou.

Conversaram por um bom tempo, e a garrafa já estava na metade, com KyuHyun ainda em sua segunda taça, quando o coreano se virou e perguntou, repentinamente:

— Como você conheceu o DongHae? Siwon me disse que você estava prestes a assinar com ele antes de ir pro Maison.

— Ah, DongHae? — Zhou Mi passou a mão pela nuca, hesitante, e mordeu o lábio. — Ei, por que estamos falando dele? Eu sei que você está preocupado, mas você tem que entender que você não vai conseguir resolver isso hoje, Kui Xian! Amanhã você tenta, hoje, só... relaxa. — deixou sua taça na mesinha de centro e pegou a de KyuHyun das mãos dele. — Vem cá. — puxou-o e deitou a cabeça dele em seu braço, tal como faria com um bebê. Pediu que colocasse os pés em cima do sofá e, com a taça na mão livre, virou um pouco do líquido púrpura em seus lábios. O coreano não entendeu exatamente qual era a intenção dele, mas sorveu o vinho e passou a língua nos lábios para evitar que uma gota da bebida escorresse por seu queixo. Zhou Mi afastou a taça e inclinou-se para beijar-lhe os lábios com carinho.

Passaram um bom tempo daquele mesmo jeito, Zhou Mi alternando carinhos e pequenos goles de vinho e alguns assuntos sussurrados. “Eu conversei com o Siwon hoje. Sobre nós.” “É verdade, o que ele disse?” “Ele não acreditou, fez questão de me lembrar do meu passado amoroso sombrio do ensino médio e por fim...” Ele odiava aquela reação de seu corpo, mas corou violentamente quando se lembrou do que Siwon lhe perguntara por último.

— E por fim o quê, Kui Xian? — perguntou, curioso para saber o que Siwon perguntara que o fizera ruborizar daquele jeito. KyuHyun só desviou o olhar.

— Nada de mais... Ele continua não acreditando, eu acho. — disse, nada convincente. Sentiu sua cabeça tombar um pouco e bocejou, aconchegando-se no corpo de Zhou Mi.

— Hm, acho que está na hora de alguém ir dormir... — o chinês reparou, dando-lhe um beijo na ponta do nariz.

KyuHyun levantou-se num salto. Esfregou o rosto e olhou em volta, procurando algo.

— Já volto. — Sumiu no corredor e voltou minutos depois, com uma toalha e uma muda de roupas na mão. Jogou tudo em cima de Zhou Mi, que o olhou confuso e puxou o mesmo do sofá, guiando-o pelo o apartamento ao mesmo tempo em que falava:

— Você bebeu três vezes mais vinho que eu, eu não vou te deixar dirigir. — pararam em frente a uma porta, que KyuHyun abriu e empurrou Zhou Mi para dentro do banheiro.

— Aposto que isso é só uma desculpa pra me fazer ficar. — provocou. KyuHyun lhe mostrou a língua.

— Acertou. — ele disse, antes de fechar a porta.

=^^=

Zhou Mi tomou um banho não muito longo e vestiu-se com as roupas que KyuHyun lhe entregara. Uma camiseta cinza um pouco longa, e uma calça de moletom, por sua vez, um pouco curta para si. Secou os cabelos com a toalha e saiu, seguindo pelo corredor em direção à única porta entreaberta por onde passava um feixe de luz. Empurrou-a e entrou no quarto. Passou pouco tempo prestando atenção nos detalhes, na parede de vidro igual à da sala, na escrivaninha organizada no canto e por fim, na cama king-size onde KyuHyun repousava confortavelmente com apenas uma camiseta branca e uma calça também de moletom preto. Falando ao telefone.

— O que você acha? Você já pensou em alguma coisa? Siwon, eu preciso disso pra ontem. — viu Zhou Mi parado na porta do quarto com uma expressão não muito satisfeita e gesticulou para que se aproximasse, indicando a cama. — Mas dessa vez não deixa ninguém saber. Se você quiser, eu te ajudo, mas não vamos contar pra absolutamente ninguém.

Zhou Mi revirou os olhos e suspirou, enfadado. Aproximou-se e tomou sem cerimônias o celular das mãos de KyuHyun, e levou-o ao ouvido.

— Boa noite, Siwon-ssi. Eu prometo que o KyuHyun-ssi não vai mais incomodá-lo hoje. — E desligou-o, ignorando os protestos de KyuHyun. Colocou o aparelho em baixo do travesseiro do outro lado da cama e se voltou para o outro, que ainda reclamava. Ajoelhou-se por cima dele, com uma perna em cada lado de seu quadril, o que o fez calar-se e olhá-lo confuso, e abaixou-se para sussurrar no ouvido dele:

— Eu acho que disse pra você relaxar. — O maior riu soprado em antecipação na orelha alheia, vendo alguns pelos de sua nuca se arrepiarem. Mordeu seu lóbulo, ficando altamente feliz em ver suas reações. Ergueu-se um pouco para tocar a coxa dele, primeiramente apenas percorrendo-as com as palmas, mas logo pressionou-as com força, apertando-as e espremendo-as por entre seus dedos, enquanto sustentava um olhar fixo tão sedento de desejo, de luxúria, que o coreano jurou poder tocá-los se esticasse as mãos.

KyuHyun jogou a cabeça para trás rapidamente, permitindo-se sentir mais daqueles toques tão maravilhosos. O modo como o chinês lhe acariciava a pele, ainda que por cima do tecido o extasiava. Na verdade, tudo que vinha do outro lhe deixava em êxtase. KyuHyun não sabia mais de nada, não queria saber mais de nada. Ali não existia EunYeon, não existia DongHae, muito menos Maison Seoul ou até mesmo suas dúvidas e inseguranças no que dizia respeito a estar apaixonado por aquele ser que julgara tão irritante e prepotente.

O desejo começava a dominá-los com tamanha precisão que ambos sabiam que algo intenso aconteceria ali.

Em seguida as mãos do ruivo escorreram para o pescoço de KyuHyun, espalmando-se por baixo da blusa que ele vestia, erguendo-a lentamente, exibindo sua pele alva e linda. Assim que seu peito estava totalmente exposto, o chinês tombou a cabeça para o lado, sorrindo enquanto inclinava-se um pouco para frente, pondo-se a dedilhar o abdome alheio, sentindo-o contrair-se, deixando-o mais animado para prosseguir.

Suas mãos foram de volta até o rosto macio de KyuHyun, tocando-lhe levemente os olhos, então o nariz, fazendo enfim o contorno dos lábios, que agora estavam ressecados em expectativa e entreabertos de pura ansiedade. Tais mãos finalmente encontraram o pescoço e sem demora decidiram descer lentamente até o cós da calça.

Ao sentir o trajeto que os dedos dele estavam percorrendo, as palavras de Siwon voltaram à mente do mais novo.

Você... e o Zhou Mi... Vocês... já...

KyuHyun arrepiou-se tanto por isso quando pelas mãos que arranharam delicadamente seu tórax.

Será?, KyuHyun se perguntou apenas subconscientemente, porque o desejo no momento nublava qualquer pensamento coerente que ele pudesse vir a ter. Se for, que seja, foi a única coisa coerente que conseguir responder.

A cada local que as elegantes unhas tocavam, era um suspiro, um gemido baixo, uma contração que o corpo do coreano fazia. Ao chegar até a calça do mais novo, Zhou Mi refez o caminho todo, ainda mais forte e mais lentamente. Após a quarta “caminhada”, a barriga de KyuHyun já estava toda vermelha e demonstrava pequenos poros beirando ao sangramento.

O ruivo empinou seu corpo de volta a cima, ficando próximo do rosto de KyuHyun mais uma vez e beijou-o. Os lábios que há minutos gritavam pela necessidade de se tocarem, agora gritavam por arrego, juntamente da consciência de ambos. Tudo porque os dois homens ali se esqueciam por completo de respirar enquanto as duas línguas travavam mais uma dança esbelta do que uma guerra.

Era como uma competição. Quem ganharia espaço e dominaria. Felizmente todos sabiam que não haveria ganhador. Eles poderiam continuar naqueles toques pelo resto da noite. Apenas o extremo do prazer de seus corpos os fariam parar.

Enquanto ainda se beijavam, explicitando todas as vontades, as mãos de Zhou Mi começaram a fazer o mesmo caminho de antes, até chegarem novamente ao cós da calça. Ali, os dedos brincaram com o princípio de excitação do coreano, que suspirava arduamente, como se estivesse entrando em uma zona onde o ar era rarefeito.

O chinês desceu o rumo de seus beijos, para o peitoral avermelhado de KyuHyun, que o encarava sedento. O mais velho distribuiu então beijos, mordidas e chupões por toda a extensão do torso de KyuHyun, que apenas segurava-lhe os cabelos, puxando-os sem a menor delicadeza.

Zhou Mi desceu seu corpo, até dar de cara com o sexo – agora necessitado de atenção do mais novo, – pondo-se a segurá-lo com precisão e alisá-lo de forma lenta e provocante. O urro baixo e rouco que o coreano soltava era totalmente enlouquecedor para Zhou Mi. Este abaixou a calça do mais novo devagar acariciando a roupa íntima – um pouco úmida, que revelava um relevo um tanto quanto delicioso no ponto de vista do chinês.

Retirou enfim o pedaço de pano que faltava e voltou a tocá-lo a epiderme, masturbando-o vagarosamente. Os gemidos alheios que se faziam presente eram como música para os ouvidos do ruivo; saber que era a fonte de prazer daquele coreano tão orgulhoso.

— Pelo amor de Deus, Zhou Mi!

O ruivo agora olhava para KyuHyun, enquanto segurava o membro rijo deste, que praticamente suplicava por atenção com um sorriso lascivo no rosto, o que ajudava no delírio do próprio coreano. Aquela era uma cena realmente excitante e nada que dissessem o convenceria do contrário.

— Peça.

O mais novo tombou a cabeça para trás, suspirando derrotado. Sabia o quanto queria aquilo, por mais que houvesse todo aquele grande receio, havia muito mais desejo do que ele pudesse aguentar. Deu de ombros, suspirando uma última vez antes de se render aos argumentos daquele que recentemente, descobriu-se amando.

— Chupe-me. — Olhou nos olhos daquele que estava parcialmente sobre si, puxando-lhes as madeixas ruivas e dando-lhe um sorriso que fez suspirar. — Agora.

Nada mais era preciso ser dito. Zhou Mi simplesmente acatou o pedido – que mais soara como ordem – e passou a tocar-lhe a glande com a ponta da língua, recebendo um grito sôfrego de prazer como resposta.

Tal som fez o ruivo sorrir e colocar mais precisão em seus movimentos. Passou então a masturbar o mais novo vagarosamente enquanto o alisava com a ponta da língua, sentindo-se embriagado com o gosto que emanava de KyuHyun.

O mais novo começou a se irritar com a lerdeza proposital de Zhou Mi, fincando com mais força os dedos nos cabelos do chinês, puxando-os e depois fazendo força para que ele movesse a cabeça para frente. Consequentemente, a boca de Zhou Mi tocou mais do sexo rígido de KyuHyun, que gemeu seu nome, em puro deleite.

Tal som provocou arrepios em todos os cantos do corpo do ruivo, que prosseguiu com as sucções fortes da glande do menor, enquanto com as mãos ainda o masturbavam.

KyuHyun retirou forças para despender a cabeça do travesseiro para olhar Zhou Mi e assim que o fez, sentiu seu baixo ventre latejar completamente. Semicerrou os olhos, sentindo seu ápice próximo graças aquela cena maravilhosa: Os cabelos de Zhou Mi por entre seus dedos, enquanto a cabeça deste fazia movimentos de vai e vem em seu falo. Sentia a língua do ruivo brincando com sua parte sensível e aquilo era indescritível.

De repente os movimentos foram ficando mais fracos e KyuHyun gemeu em protesto. Quando abriu os olhos, viu Zhou Mi o encarando com malícia; este apenas respirou fundo, antes de afundar seu rosto nas partes íntimas de KyuHyun novamente e voltar a sugá-lo, agora com mais precisão e vontade do que antes.

As mãos ardilosas de Zhou Mi desceram para os testículos de KyuHyun, onde ali acariciaram enquanto desenhava com a língua cada veia saltada do membro do mais novo, que continuava a soltar pequenos gemidos desesperados.

Assim prosseguiu Zhou Mi pelos seguintes minutos. Deliciava-se com os pedidos de que ele deveria ir mais rápido que saíam sôfregos da boca entreaberta de KyuHyun.

— Mi... — o gemido ao mesmo tempo manhoso, deleitoso e desesperado avisou que estava perto do limite, e o chinês voltou a sugá-lo com força e velocidade, masturbando-o na mesma intensidade.

Não demorou muito para que KyuHyun soltasse um último grito, clamando pelo nome do chinês, ao respirar pesadamente, buscando todo o oxigênio que parecia-lhe pouco, para então encarar o sorriso sensual do ruivo, que continuava ali, entre suas pernas, com a mãos ainda em seu sexo. KyuHyun não soube a cara que fez ao olhar para Zhou Mi, mas pelo visto, tal expressão agradou ao ruivo.

O mais novo pensou no quão delicioso seria fazer mais do que aquilo com Zhou Mi e ele não ajudava a moderar seus pensamentos. Este estava com as mãos no falo de KyuHyun, e mordia levemente os lábios. Os resquícios do ápice do mais novo ainda permaneciam na boca de Zhou Mi, que percebera uma gota ameaçar escorrer pelo canto direito de seu lábio e ali passou a língua, impedindo de eu chegasse ao colchão, ou à sua roupa.

Sorriu após lamber os lábios, levantando-se levemente até ficar na altura do rosto de KyuHyun, onde selou seus lábios com os dele levemente, fazendo-o sentir seu gosto com o dele mesmo, colocando as roupas do menor de volta no lugar.

Entreolharam-se, lentamente se dando conta do que acabara de acontecer. Zhou Mi pigarreou incomodado e foi o primeiro a desviar o olhar, deitando-se ao lado de KyuHyun.

— Agora vê se dorme, está tarde. — disse. KyuHyun queria argumentar e dizer que ele não era mais uma criança para falarem assim como ele mas preferiu encerrar logo aquela conversa. Abraçou-o pela cintura e encostou a cabeça no ombro dele.

— Boa noite, Mi. — KyuHyun disse, sonolento. Zhou Mi sorriu para si mesmo. Era um pequeno gesto, mas o modo como ele passara a lhe chamar mostrava que um grande passo fora dado aquela noite. O ruivo deu um beijo de boa noite no topo da cabeça dele e murmurou:

— Boa noite, Kui Xian.

Quando KyuHyun fechou os olhos, nem se lembrava mais do que havia acontecido mais cedo.

Notas finais
O finalzinho foi MUITO fail. Mas quando eu boto uma ideia na cabeça... Enfim, aplausos para a linda diva e maravilhosa Tokie, foi ela quem salvou o capítulo. Eu só espero que a transição não tenha sido muito brusca, era uma das coisas que me preocupavam. Ah! Saudações, EXOtics. KDHASKLDHGASKDGASDKGASJKDASGHD KRIS DKAJSHDKLJASHGDKAHSDKHASKDJ ok, parei. SungMinnie, pra quem queria. Não sei que relevância ele vai ter. SIWON DLAKSHDKAJSHDKJASDALHDKDAJS Eu sempre morro com o Siwon. Mas dessa vez o Kyu meio que se vingou. Tava na hora, né? Eu achei que ficou um capítulo grande, porém rápido. Eu espero que vocês tenham gostado. O próximo é provavelmente o penúltimo capítulo. Não sei quanto tempo vai demorar, mas não vou mais me fixar no prazo. Até mais! Chu~ Com certeza eu esqueci de alguma coisa.