Notas iniciais
Atualizando a fic com os capítulos que foram postados no blog e no Spirit, mas eu gosto mais daqui ♥ Missed you, Nyah ♥

KyuHyun rolou na cama o suficiente para desligar o despertador na mesinha de cabeceira do outro lado, estendendo a mão e apertando o botão por força do hábito. Só percebeu a relevância de estar sozinho na cama quando se lembrou do dia anterior, e em especial, da noite. Levantou a cabeça meio grogue, olhando em volta. O quarto estava tão vazio quanto ele estava acostumado a ver. Havia apenas um pedaço de papel debaixo do despertador que lhe chamou a atenção. Pegou e o leu:

“Bom dia, Kui Xian! Eu juro que preferiria muito mais acordar ao seu lado, mas eu tinha um compromisso urgente. Juro que vou compensar, se você quiser, é claro. Fiz café e torradas, algumas com açúcar e canela, outras com manteiga, não sabia exatamente quais você gostava. Até mais tarde.”

Amassou o bilhete e sentou-se sobre as pernas, tentando encontrar disposição para enfrentar mais aquele dia. Depois de vários minutos, perigosamente perto de se atrasar, se levantou e foi para a cozinha, servindo-se do que Zhou Mi preparara. Ele não parecia ter saído há muito tempo; as torradas ainda estavam mornas. Pegou algumas de manteiga e o pote de geleia de uva na geladeira, já que o chinês não acertara seu gosto em nenhuma das duas.

Terminou de se arrumar e estava pronto para sair, quando sua irmã irrompeu pela porta da frente, apressada e com uma menininha toda agasalhada ao seu lado.

Ah não. KyuHyun previra. Boa coisa não era, as duas nunca apareciam naquele horário. Ahra estava arrumada e pronta para o trabalho, equilibrando a bolsa num ombro e a filha no braço oposto.

— Kyu, você vai salvar a minha vida hoje. A professora da SunKyu adoeceu, eu tenho uma reunião importantíssima e o Kevin tem quatro cirurgias marcadas pra hoje.

— Ahra... — KyuHyun suspirou e apertou a ponte do nariz com os dedos, fechando os olhos. — Eu tenho que ir trabalhar também, você não pensou nisso?

— Eu sei, mas... Não tem como o Kevin levar ela, e nem eu, ela não vai ficar quieta e você sabe que ela tem medo de hospital. É sério, Kyu, você precisa fazer isso por mim, a minha promoção pode ser decidida hoje e... — respirou, tomando fôlego. As palavras saíam em torrentes, e a agonia estava visível em sua face. KyuHyun se comoveu e acabou aceitando.

— Tá bom, eu levo ela pro restaurante, eu deixo ela com o Siwon, ou sei lá. Zhou Mi cuida dela, pronto.

— Quem é Zhou Mi?

— Ssef Mimi! — lembrou a pequena, animada.

— Noona, você não estava com pressa? Vai logo, se não você vai perder a reunião. — disse, empurrando-a e direção à porta.

— É verdade. Tchau bebê, mamãe ama você, se comporta! — se abaixou para beijar a filha e logo se ergueu para abraçar o irmão. — Obrigada, Kyunnie, você é o melhor. Vou levar seu carro, leva o meu e bota ela na cadeirinha. Deseje-me sorte, tchau tchau! — disse, saindo apressadamente, parando apenas para pegar a chave do carro que KyuHyun sempre deixava na mesinha de canto da sala, e deixou a chave do próprio carro.

KyuHyun olhou para SunKyu que parecia um ursinho, com o casaco rosa felpudo, luvas e um gorro com orelhinhas, e riu. Abaixou se ao nível dela e lhe disse:

— Você vai pro restaurante comigo hoje. Você vai se comportar? — ela assentiu. — Você quer levar alguma coisa? — ela assentiu de novo, não estava tão comunicativa quanto nos outros dias. — Então vamos.

Primeiro passaram no apartamento de baixo, onde a menina morava, ela pegou uma chupeta e uma fralda de flanela rosa com bonequinhas, e só depois seguiram para o restaurante. KyuHyun perdeu algum tempo a mais tentando acertar prender todas as fivelas do cinto de quatro pontas da cadeirinha no banco de trás, mas saíram com um tempo restante razoável.

Na sala do staff, tentou argumentar com a criança que se recusava a tirar o gorro rosa de orelhinhas, mas foi vencido quando SunKyu apontou para seu chapéu e disse “Mas tsio Kyu, você também tem um!”. Suspirou e fechou seu armário, já vestindo do dólmã. Sentou-se com ela em um dos bancos e começou:

— SunKyu, hoje você vai conhecer onde o tio Kyu trabalha. É uma cozinha bem grande, e você sabe que na cozinha tem coisas quentes e que machucam. Então você não pode correr nem tentar pegar coisas que você não alcança, ok? Se você quiser algo, tem que me dizer, tá?

SunKyu assentiu, compreendendo. KyuHyun pegou-a pela mão e saiu, em direção à cozinha. No final do corredor, carregou-a e foi direto em direção ao lado que pertencia a Zhou Mi, que parecia entediado e distraído sentado em uma das bancadas enquanto algumas de suas cuisiniers adiantavam parte dos pratos. KyuHyun gesticulou com um dedo em frente à boca, demandando silêncio da pequena, que imitou seu gesto e se aproximaram sorrateiramente do chinês, que estava de costas para eles. A cerca de um metro de distância, KyuHyun perguntou:

— Você sabe quem é esse, Sunny? — a menina meneou a cabeça, negando.

— É o Chef Mimi, você se lembra dele? — ao ouvir, SunKyu abriu um sorriso e assentiu. — Vamos fazer uma surpresa pra ele? — ela assentiu novamente. Se aproximaram ainda mais e KyuHyun colocou-a sentada ao lado de Zhou Mi, que logo percebeu a presença e olhou pro lado, sendo surpreendido pela garotinha vestida num conjuntinho rosa e gorro com orelhinhas de urso olhando para si e balançando as pernas.

— SunKyunnie! — olhou para trás e viu KyuHyun lhe sorrindo ternamente. Deslizou para o chão e pegou a menina em seus braços, girando o tronco de um lado para o outro, embalando-a.

— SunKyunnie, você veio me visitar? — perguntou, e a garotinha respondeu com um sorriso que fez seus olhinhos se tornarem apenas riscos em seu rosto.

— Minha irmã acha que eu tenho cara de babá, só pode. — KyuHyun reclamou. Zhou Mi riu.

— Eu te ajudo a cuidar dela.

— KyuHyun! — Siwon chamou com meio corpo para fora da sala, como sempre. O chef já sabia o que era, revirou os olhos e murmurou um “já volto” para os dois.

Deixou de Siwon fizesse a pergunta quando entrou na sala.

— Quem é essa criança? — KyuHyun fez uma expressão de desdém.

— Minha filha com o Zhou Mi. — disse, impassível. Siwon ficou boquiaberto, olhando pasmado para KyuHyun, que começou a rir.

— Sério que você acreditou? Ela é minha sobrinha, filha da Ahra-noona e do Kevin, quantos anos fazem que você não vê eles? 5? 4? Acho que eles não eram nem casados da última vez que vocês se viram.

— Kyu, vindo de você, eu não sei mais o que esperar, então... E ela vai ficar aqui? — perguntou, preocupado.

— É só por hoje, vai dar tudo certo, Zhou Mi vai me ajudar a cuidar dela.

Siwon assentiu, e acabou por se lembrar de algo ao ouvir o nome do chinês. Chegou mais perto de KyuHyun e murmurou:

— Kyu... Onde vocês estavam ontem à noite quando você me ligou? — perguntou cautelosamente, e KyuHyun se afastou um passo com a lembrança, corando levemente, mas não deixando isso atrapalhar a sua oportunidade de ver a expressão chocada de Siwon novamente.

— No meu apartamento. No meu quarto. Na minha cama. — KyuHyun sussurrou sugestivamente no ouvido dele, e sentiu que ele tremeu antes de repelir KyuHyun andando alguns passos para trás, no rosto a exata expressão que KyuHyun esperava. — Por quê? — o chef perguntou com a maior naturalidade.

— Nada. — Siwon se apressou em dizer. — Ei, eu conversei com os nossos fornecedores e já fechei todos os negócios, e eles me prometeram sigilo. Eu acho que você vai gostar dos que eu escolhi.

— Tsc. Tanto faz, agora. — KyuHyun colocou uma mão na cintura e apertou a ponte do nariz, cabisbaixo. — Quando chegam os pedidos?

— Até sexta que vem, no máximo.

— Alguma pista de como o DongHae descobriu?

— Nenhuma, mas de algum jeito pode ter sido uma coincidência infeliz... — foi interrompido por um KyuHyun explosivo.

— Coincidência p... — respirou fundo para se recompor — Como coincidência, Siwon? Ela é alemã, novata e desconhecida, quais são as possibilidades do DongHae escolher uma novata inexperiente que mora do outro lado do mundo? Além disso, é ele mesmo quem faz os pedidos. Por que ele quis se esconder por trás de uma mulher? Você sabe que ele não trabalha com mulheres.

— Por trás de uma grande mulher, sempre há um grande homem, meu caro. — recitou, fazendo KyuHyun bater com a palma da mão na própria testa.

— Vou deixar essa passar porque enfim. — revirou os olhos. — Agora deixa eu voltar, tenho uma cozinha e uma criança pra cuidar. — disse, indo até a porta

— E um marido. — debochou Siwon, recebendo um tapa no ombro.

— Idiota. — KyuHyun disse, e saiu.

Procurou por Zhou Mi e SunKyu, e avistou-os vindo em sua direção, de mãos dadas e a menina com um pirulito verde na boca. KyuHyun aspirou em falsa surpresa e perguntou, inclinando o tronco:

— Quem te deu esse pirulito?

— Shesh Mimi — respondeu, para só então tirar o doce da boca e estendê-lo ao tio — Té?

KyuHyun olhou com clara repulsa para a saliva que escorria pelos dedos dela.

— Não. Obrigado. — se ergueu para falar com Zhou Mi. — Não fique dando essas porcarias pra criança a essa hora da manhã, Mi, aish...

Zhou Mi abriu um sorriso enorme. Olhou para os lados e para baixo, onde estava SunKyu.

— SunKyunnie! — Se abaixou e puxou KyuHyun junto, como se estivessem se escondendo na lateral da bancada. O chef coreano fez uma cara confusa, mas antes que pudesse perguntar alguma coisa, Zhou Mi puxou seu rosto pelo queixo e lhe deu um beijo rápido nos lábios, fazendo o coreano se sobressaltar, e fitou-o, incrédulo, se levantando imediatamente e sendo seguindo por Zhou Mi, que sorria abertamente.

— Você ficou louco? — gritou num sussurro.

— Desculpa, mas eu não aguento quando você me chama de Mi. — ele não parecia nem um pouco arrependido. KyuHyun olhou para SunKyu, que olhava os dois com curiosidade, e lançou um olhar acusatório ao chinês.

— O quê? — fez-se de desentendido.

— O que ela vai pensar? E se ela contar pra mãe dela? Você pensou nisso? A mãe dela por sinal é minha irmã, sabe? — perguntou, preocupado.

— De qualquer jeito, uma hora ela vai ter que saber, Kui Xian... — disse Zhou Mi sério, segurando discretamente a mão de KyuHyun, por um rápido instante.

— Aish...! — sibilou. Um “hmm, hmm!” chamou sua atenção e ele virou a cabeça para ver o palito do pirulito que SunKyu lhe dava enquanto mastigava o que restara do doce. Pegou-a cautelosamente, mantendo as mãos pegajosas dela a uma distância segura de seu dólmã, e foi até a pia mais próxima para limpá-las.

Zhou Mi se aproximou e murmurou:

— Ahm, eu já vou começar a adiantar as coisas, mas se você precisar de alguma coisa, me chama, tá? — inclinou-se como se fosse beijar o rosto de SunKyu, mas virou a cabeça e beijou o canto dos lábios de KyuHyun discretamente antes de se voltar para a menina. Recebeu um tapa e um olhar de advertência antes de voltar para sua cozinha com um sorriso no rosto.

O dia não correu como um pesadelo como KyuHyun previra. SunKyu ficava quieta sentada na bancada desde que tivesse algo para entretê-la, que no caso foi a colher do jogo de jantar das crianças, que tinha o cabo de plástico transparente cheio de bolinhas coloridas que faziam barulho de chocalho quando sacudida. Zhou Mi e KyuHyun se revezavam para cuidar dela, e o chinês preparou sua tão amada yakissoba, o que deixou a menina com um humor alegre, e no final da tarde, quando ela começou a dar sinais de sono, KyuHyun deixou-a deitada no sofá do escritório de Siwon, que parecia meio perdido por ter uma criança pequena perto de si. KyuHyun apenas riu, e com a chupeta na boca e a fralda entre os dedinhos, SunKyu caiu no sono rapidamente, tranquilizando Siwon.

A interação frequente dos chefs não passou despercebida pelos olhos de ambas as equipes. De um lado, a cuisinier que atendia por nome EunYeon apenas mantinha um olhar semicerrado numa expressão de desaprovação.

Do outro, HeeChul e DongHo cochichavam:

— Você viu como aqueles dois ficaram próximos assim, do nada? — DongHo sussurrou, dourando algumas cebolas num canto da cozinha.

— Verdade! E essa menina aí? — HeeChul cochichou de volta — Parecem um casalzinho cuidando da filha. — acrescentou, com um sorriso sarcástico sugestivo. Soltaram um risinho conspirador mas logo ficaram sérios ao verem o referido chef se aproximar para fazer sua habitual ronda.

— DongHo-ssi. — KyuHyun chamou, autoritário.

— Sim? — respondeu, receoso.

— Cebola queimada não consta na lista de ingredientes de nenhum de nossos pratos.

DongHo olhou incrédulo para a frigideira, onde os pedaços marrons grudavam.

— Me desculpe, Chef KyuHyun, eu...

— Refaça. — interrompeu. DongHo assentiu e se retirou. KyuHyun apenas olhou para HeeChul e cumprimentou-o com a cabeça antes de dar meia-volta.

No fim do dia, KyuHyun pediu a atenção de sua equipe para falar:

— Vocês foram muito bem hoje, os clientes elogiaram bastante, continuem assim. — começou, falando rápido como se não fosse necessário. — Como vocês sabem, daqui a menos de um mês, nós vamos participar do Festival Gastronômico, e por isso eu vou precisar de vocês no sábado no mesmo horário de sempre. Bem, essa semana eu quero que vocês me tragam exemplos de sopa que vocês acham que seria apropriado para apresentarmos no almoço do festival. É, é pra tomar isso como um dever de casa. — finalizou, sendo retribuído com risadas baixas em uníssono. Percebeu que SungMin bateu palminhas de entusiasmo. Dispensou-os e foi para a sala de Siwon, ver SunKyu, que continuava dormindo. Colocou-a em seu colo e sentou-se no sofá. Conversou em tom baixo por alguns minutos com Siwon a respeito do Festival, e ajustou alguns pontos antes de ir para a sala do staff, onde, no meio do caminho, encontrou Zhou Mi, que já estava preparado para ir embora.

— Ei, deixa que eu te ajudo. — Pegou cuidadosamente a garota, que se remexeu com o movimento, mas se acalmou quando Zhou Mi começou a embalá-la em seus braços.

— Obrigado. Eu já volto. — KyuHyun disse, e entrou na sala, onde ficou por alguns minutos e saiu, já com suas roupas casuais e a bolsa de trabalho no ombro. Pegou a garota e foi em direção ao carro de Ahra, no estacionamento, sendo seguido por Zhou Mi.

Após acomodá-la com sucesso na cadeirinha, Ergueu-se para fechar a porta, mas sentiu seu corpo se recostar, no que ele deduziu ser Zhou Mi assim que um par de braços circundou sua cintura e mechas ruivas roçaram seu queixo. Os lábios quentes e úmidos começaram a acariciar suavemente seu pescoço, causando-lhe arrepios.

— Mi, para... — murmurou, rindo fracamente. Virou-se de frente para ele e selou seus lábios rapidamente antes de murmurar:

— Obrigado por me ajudar a cuidar da SunKyu.

— Foi divertido, eu gosto de crianças. — Zhou Mi respondeu, dando um beijo na testa dele e o abraçando. — Você vai pra casa agora? — perguntou.

— Vou, tenho que ir deixar a SunKyu. E você?

— Também. Preciso de banho e comida.

— Aish, nem me fale. Só de lembrar que eu vou ter que cozinhar e lavar toda a louça depois... — KyuHyun suspirou. Zhou Mi riu e soltou-o.

— Agora você não tem mais quem cozinhe pra você...

— É verdade. Agora deixa eu ir, quanto mais cedo eu entregar ela pra Ahra, melhor.

— Tudo bem, boa noite. — Zhou Mi se abaixou para dar-lhe um beijo de despedida, que foi prontamente retribuído por KyuHyun.

— Ah, pelo amor de Deus, arranjem um quarto. — a voz de desgosto de Siwon chegou a eles, que se separaram para olhá-lo. Ele vinha em direção ao seu carro, estacionado ao lado do do chinês. KyuHyun abraçou Zhou Mi pela cintura, implicante.

— O quarto mais perto está longe demais. Mas se você estiver incomodado, eu acho que o sofá do seu escritório está de bom tamanho. Ou a mesa... — provocou, e recebeu um olhar chocado de Siwon, que balançou a cabeça e disse:

— Nunca mais vou ver aquele escritório do mesmo jeito... — refletiu, com repulsa na voz.

— Isso porque você tem imaginação o suficiente pra ficar imaginando coisas que não deve. Pervertido. — KyuHyun acusou.

— O que... não...! Eu...! — se perdeu nas próprias palavras. KyuHyun riu e se aproximou a passos macios dele, com um meio-sorriso e um olhar divertido. Parou em sua frente, e o considerou de cima a baixo.

— Ou você só está com... — projetou o rosto para frente rapidamente, como se para beijá-lo, mas Siwon se esquivou com um arfado. — inveja? — sorriu, sarcástico, e voltou para perto do carro, parando para falar com Zhou Mi.

— Eu já vou, tá? Boa noite. — segurou sua mão por um momento, sorrindo ternamente. Zhou Mi ergueu sua mão livre para lhe acariciar o rosto.

— Boa noite, Kui Xian. — disse, e esperou KyuHyun entrar no carro para só então entrar no seu próprio.

KyuHyun fez questão de parar o carro perto de onde Siwon estava para dizer:

— Pervertido.

=^^=

Pensando seriamente em ir dormir sem comer, KyuHyun vestiu seu pijama cinza e se sentou no sofá, a procura de algo para assistir até sentir sono. Distraiu-se pela vista da cidade através da parede de vidro de seu apartamento. Admirava os pontos luminosos das casas, prédios e carros quando a campainha soou.

Estranhou, pelo horário. O provável seria que fosse Ahra, mas ela não tocaria a campainha. Abriu a porta e se surpreendeu com Zhou Mi parado em seu batente, segurando duas caixas. O ruivo sorriu e perguntou:

— Eu presumi que você iria ficar com preguiça de cozinhar pra si mesmo, então...

— Acertou em cheio. — KyuHyun disse, puxando-o para dentro e fechando a porta.

KyuHyun tirou um par de pratos, um par de copos e um par de cada talher e os pousou na mesa. Era uma cena rara, uma vez que passava a maior parte do tempo sozinho. Sentiu-se bem em ter mais um lugar cheio na mesa. Sentaram-se um de frente para o outro e abriram os pacotes que Zhou Mi trouxera, sem nem prestar atenção de onde ele os havia comprado. Frango frito, salada quente de repolho, um pouco de arroz branco e molho rosé.

— Não sabia o que você gostaria de comer, então, escolhi algo que acho que todo mundo gosta. — Zhou Mi explicou.

— Está ótimo. Melhor do que sujar um monte de coisa e ter que lavar depois. — respondeu, levando o garfo cheio à boca.

— Eu pensei em te ligar, mas não queria te dar a opção de dizer não. — KyuHyun riu.

— E por que você achou que eu diria não? — perguntou.

— Porque você deve estar achando que eu sou um namorado muito grudento. — brincou, ao que fez o coreano quase se engasgar com a própria comida com a menção da palavra “namorado”. Ainda não estava completamente confortável com a ideia e quase nunca se sentia emocionalmente sensível pra se portar como tal.

— Bem... Talvez. Mas... é bom te ter por perto. — disse, relutante em admitir.

— Há algumas semanas você me queria o mais longe possível, e hoje... — sorriu. Pousou o garfo no prato e perguntou, calmamente — Eu estou muito curioso pra saber o que te fez mudar de ideia, Kui Xian.

KyuHyun travou. Zhou Mi iria mesmo fazê-lo confessar todos os seus sentimentos? Não sabia se conseguia fazer isso, não tinha tanta sensibilidade.

— Ahm... O que exatamente você quer saber?

— Tudo, Kui Xian. Vamos ver. Você começou a me odiar menos antes ou depois daquele dia em que eu te levei pra dormir lá em casa? — KyuHyun corou, irritado com a lembrança.

— Depois. — respondeu simplesmente.

— No dia em que eu vim fazer comida pra SunKyu, então? — insistiu. KyuHyun pigarreou discretamente, incomodado.

— Talvez. — murmurou.

— Tsc. Você não vai me dar detalhes, né?

— Não.

— Ai Kui Xian, como você é malvado... — reclamou, manhoso. — Eu só estou querendo saber se você não está só me usando pra ficar com a cozinha inteira só pra você. — explicou, emburrado.

— Claro que não, idiota. — revirou os olhos. — Sua cozinha é feia. — comentou. Zhou Mi chutou-o por baixo da mesa. — Ei!

— Da próxima vez, não trago comida pra você.

=^^=

Depois do jantar, KyuHyun obrigou Zhou Mi a enxaguar todas as louças e coloca-las na máquina de lavar. Estendeu-lhe um pano de prato para enxugar as mãos e perguntou:

— Você vai ficar?

Zhou Mi suspirou, deixando o pano em cima da bancada.

— Não, eu já te importunei demais por hoje.

KyuHyun achou que era uma hora apropriada para perguntar, casualmente.

— A que horas você saiu hoje de manhã? — murmurou. Zhou Mi suspirou.

— Eram umas oito e quinze. Pensei que acordaria, mas você estava dormindo feito uma pedra. Você tomou o café que eu fiz pra você?

— Sim. Estava ótimo, obrigado. E eu gosto de torradas com geleia de uva. — avisou, fazendo-o rir.

— Vou me lembrar disso da próxima vez. Agora eu tenho que ir.

— Já? — KyuHyun perguntou por reflexo. O chinês riu de sua expressão desapontada.

— É, eu tenho que acordar amanhã bem cedo; os melhores peixes do mercado não vão me esperar, não é? Mas nós podíamos passar o fim de semana juntos, o que você acha?

— Hm... pode ser. Sábado à tarde ou domingo de manhã. — disse. Zhou Mi assentiu, entrelaçando seus dedos com os dele para puxá-lo para mais perto e beijou-lhe os lábios delicadamente, e depois os deslizando por sua bochecha até chegar a seu ouvido, e sussurrou:

— E então eu vou poder compensar você por hoje de manhã... Se você quiser, nós podemos repetir ontem à noite...

KyuHyun corou fortemente e virou Zhou Mi de costas para ele pelos ombros, empurrando-o em direção à porta:

— Boa noite, Zhou Mi, boa noite...

— Hm, o que foi Kui Xian? Não gostou dos meus carinhos? — perguntou, rindo. Aproximou-se e sussurrou no ouvido de KyuHyun — Mas pelo que eu ouvi de você, n-

— Boa noite! Zhou Mi. — KyuHyun finalizou num tom firme, o rosto queimando. O mais alto riu e lhe deu um beijo na cabeça antes de pegar seu casaco atrás da porta e sair, desejando-lhe uma boa noite.

Notas finais
ADIVINHA SÓ Eu betei.