Notas iniciais
Já vou logo avisando que esses dois próximos capítulos vão ser os mais odiados e mais mal escritos de toda a fic. Summer e TaeMin haters, expressem todo o seu ódio nos reviews. Devia ser um capítulo só, mas ele acabou ficando muito grande então eu dividi em dois.
Segundamente (?), devo desculpas a todos os meus 14 leitores por esse atraso, além do hiatus. Quando isso acontecer, vão ler as fics da Venus Noir. Ou da kyutie. Ou da Wonfishy. Vocês vão esquecer que SalF existe.
Esse capítulo deveria ter sido postado no dia do aniversário do TaeMin, dia 17/18, só que eu acabei abrindo o arquivo que tem os 15 primeiros caps de Candy Bar e acabei por passar a tarde inteira lendo.
Agradeço especialmente à diva linda da Cristiana. Se não fosse ela, esse capítulo ainda estaria na metade.
A fic inteira é dedicada à umma Anaa, e esse capítulo é dedicado especialmente à Tegs, à Noona e à Cristiana.
E vocês que não deixaram review nos últimos capítulos.... chatiadíssima, apenas. Se bem que eu sei o quanto dá preguiça deixar review. Mas um review de uma linha já basta, só pra saber se vocês leram... Só não esperem resposta. -qqqqqq
Boa leitura --^^--

KyuHyun invejava o sono tranquilo da criança ao seu lado na cama. Depois de brincar mais um pouco, tomar banho e escovar os dentes, a pequena SunKyu começou a mostrar sinais de sono. Ainda era cedo quando a menina dormiu.

Ela estava quieta demais na sala enquanto KyuHyun desarrumava a mesa com as mãos ligeiramente trêmulas. Voltou para vê-la e encontrou-a deitada no tapete felpudo, com os olhinhos quase se fechando.

— SunKyunnie... — carregou a pequena que imediatamente deitou a cabeça em seu ombro. — Ei, você tem que escovar os dentes e tomar banho, espertinha.

Carregou-a até o banheiro e deu um banho morno e escovou os dentes da menininha sonolenta, antes de vesti-la com o pijama de ursinhos e deitá-la em sua própria cama. Olhou para o relógio na mesinha de cabeceira, marcava oito e meia.

— Tsio Kyu... — ele se virou e olhou para SunKyu, que era uma bonequinha em meio ao mar de cobertas — Conta uma histoínha?

KyuHyun se viu sem saber o que fazer. Não conhecia histórias infantis, não tinha espaço em sua mente para se lembrar de alguma de sua infância. Suspirou. O que ele podia fazer? Deitou-se e puxou SunKyu para deitar em seu peito, e começou a murmurar, com voz calma:

— Era uma vez, um viajante, um marinheiro chamado Marco Polo. Toda a sua vida ele passou navegando. Um dia, ele decidiu ir para um lugar onde ele sempre quis ir, e eu sei que você já foi lá, SunKyunnie. Marco Polo foi à China. Lá, ele descobriu que as pessoas comiam um tipo de massa cortada em fiozinhos feita com farinha de trigo e ovos. Ele provou e achou muito muito muito gostoso, e decidiu levar de volta pra terra dele, a Itália, era lá que ele morava. Você sabe o que foi isso que ele descobriu lá, SunKyu? — ela balançou a cabeça levemente, curiosa — Foi o macarrão. O macarrão que tem na sua “kishôpa” — tocou a ponta do nariz dela — e que agora está bem aqui. — cutucou sua cintura, fazendo-a soltar um gritinho e achar graça, sentindo cócegas.

— Tsio Kyu, cando que o Ssef Mimi vai voltar? — a menina perguntou.

KyuHyun engoliu em seco. Zhou Mi. Ele estava evitando com todas as suas forças se lembrar daquela pessoa, e do que acontecera mais cedo. Ruborizou. Sentiu um arrepio percorrer seu corpo e pigarreou, antes de responder:

— Eu... Eu não sei, SunKyunnie. Agora dorme, já passou da hora. — demandou, e a menina obedeceu quietamente, caindo no sono em questão de minutos.

Tentou dormir também, mas assim que fechou os olhos, sua mente desobediente começou a lhe trazer lembranças desagradáveis.

Com as pálpebras cerradas, ele quase podia sentir a textura e a temperatura dos lábios de Zhou Mi sobre os seus, e de novo, e de novo, e de novo, num repeat infinito que ele não conseguia parar. Ou que ele simplesmente não queria parar.

Ele estava confuso, desorientado, sentimentos que lhe eram estranhos. Ele precisava aprender a lidar com eles. Mas sozinho, ele não conseguiria. Se ao menos... Se ao menos Summer estivesse ali... Eles poderiam conversar sobre e ela poderia lhe dizer o que fazer, porque mulheres sempre tem resposta pra tudo, ele dizia.

Pra início de conversa, se Summer estivesse ali, ele a teria chamado pra cuidar de SunKyu e nada teria acontecido. Summer. Ele sentia falta dos jantares deliciosos que ela preparava.

Repentinamente, lembrou-se do tteoppokki que Zhou Mi lhe preparara como jantar. E a história que acabara de contar à menina. Macarrão. Summer é quem teria “tomado conta” de TaeMin no restaurante, e Zhou Mi tinha aquela mania de implicar com ele assim como ela fazia. KyuHyun sorriu incrédulo quando conectou seus pensamentos. De certa forma, Zhou Mi lhe lembrava de Summer, e o que ele estava sentindo depois daquela tarde com Zhou Mi... Summer sempre fora sua melhor amiga, suportava-o e sempre estava lá quando ele precisava, então porque não? É claro que sim! Mas ele precisou que ela fosse embora pra só então perceber. O que ele estava sentindo não era por Zhou Mi, mas por Summer! É claro! Eu sempre fui apaixonado por ela, e só fui perceber isso agora, como eu sou idiota!

Quase se levantou num impulso, mas sentiu o peso da menina em seu peito e deitou novamente. Acomodou-a cuidadosamente no colchão ao seu lado e levantou-se, andando pelo quarto com um sorriso no rosto. De alívio.

Andou de um lado para o outro, pensando no que fazer. Ele precisava vê-la. Ele precisava ir pra Paris. O mais rápido possível. Precisava de uma desculpa para se ausentar do trabalho e ir pra Paris. Ele precisava... TaeMin!

Vasculhou sua bolsa a procura do cartão que uma vez o garoto furtivamente colocara no bolso de seu uniforme. Depois de revirar seus papeis, achou em um bolso lateral, amassado e soltando o glitter azul das bordas. Sacou seu celular e discou, nem se importando com o horário, só esperava que ele estivesse acordado.

— Yeoboseyo? — respondeu ao quinto toque, quando KyuHyun já pensava em desistir.

— TaeMin-ssi? Cho KyuHyun. Atrapalho em algo?

— KyuHyun-ssi! — a voz dele era um misto de curiosidade e surpresa. — Não, claro que não! Sua ligação foi uma ótima surpresa, no que posso ajudar?

Agora ele precisava de um pouquinho de persuasão.

— Bem... — começou, baixando a voz para um tom suave e aveludado. — Indo direto ao ponto, eu queria saber se o seu convite ainda está de pé...

Afastou o celular do ouvido ao ouvir o gritinho animado zunir em seu ouvido.

— É sério? Você vai aceitar o meu convite? KyuHyun-ssi, você alegrou a minha noite! Vamos imediatamente acertar isso! Luna, reserve imediatamente duas passagens para... Para onde você quer ir, Kyu-ssi?

— Paris seria ótimo. — respondeu sem titubear.

— Paris! — gritou para a terceira pessoa. E depois voltou a falar com o mais velho — Soube que tem um musical ótimo em cartaz, poderíamos ir ver, e depois jantar, podemos ir ao Louvre ou à Notre Dame, ou... Ai, temos tantas coisas pra fazer! Podemos passar uma semana inteira lá, só...

— TaeMin-ssi. TaeMin-ssi!

— ...à noite e...Sim?

— Eu só preciso de um dia ou dois, é o máximo que eu posso ficar longe do restaurante.

— Ah... — ele não escondeu o aborrecimento. — Tudo bem, teremos outras oportunidades. Então nós podemos passear no primeiro dia e no segundo dia nós podemos ir ao teatro e jantar fora. O que acha?

Tanto faz, ele só queria ir ver Summer.

— Ótimo, está... Perfeito.

— Tudo bem, KyuHyun-ssi! Passagens compradas, hotel reservado. Agora eu tenho que ir, fazer as malas, sabe? Esteja pronto amanhã de manhã, às onze. Não esqueça seu passaporte! Tchau tchau! — E desligou. KyuHyun olhou boquiaberto para o aparelho, impressionado com a rapidez com que o garoto conseguira preparar a viagem. Ainda melhor! Agora só precisava do endereço novo de Summer, mas isso ele deixaria para o dia seguinte.

No entanto, ainda não conseguia dormir, e ele esperava que fosse pela ansiedade.

——^^——

Inventaram uma desculpa de que TaeMin daria uma festa em Paris e havia contratado KyuHyun para cuidar do menu. Siwon acreditou sem pestanejar, e os dois sorriram cúmplices, andando até o portão de embarque. Aproveitou para anotar o endereço de Summer, pois, claro, “ela seria sua assistente”.

KyuHyun teve que aguentar TaeMin falando sobre suas visitas anteriores à cidade-luz pela primeira parte da viagem, mas logo o mais novo começou a mostrar sinais de cansaço e se aquietou, acomodando-se nas poltronas confortáveis da primeira classe.

O chef estava exausto, mas conseguiu ver as luzes da cidade à noite minutos antes de pousarem no Charles de Gaulle. Parecia que as estrelas haviam caído na terra.

As quatro malas de TaeMin e a valise de KyuHyun deram trabalho ao taxista francês, mas nada que algumas notas a mais de euros não resolvessem. No hotel, TaeMin e KyuHyun se divergiam quanto à escolha dos quartos.

— Juntos ou separados? — a atendente perguntou.

— Juntos. — TaeMin respondeu, decidido.

— Separados. — KyuHyun disse ao mesmo tempo. TaeMin o olhou com um biquinho.

— Juntos, por favor! Eu não quero ficar sozinho! — juntou as mãos em frente ao peito, suplicante. O mais velho suspirou, mas assentiu, cedendo.

— Tá, tudo bem. Juntos. — disse à atendente que olhou discretamente de um para o outro.

— Uma ou duas camas? — ela perguntou quase que lentamente, como se esperasse a resposta dos dois.

— Uma.

— Duas! — disseram juntos novamente. Isso KyuHyun não anuiria. Depois de um aegyo frustrado, TaeMin se conformou e consentiu com o pedido dele.

——^^——

— Eu estou exausto! — disse TaeMin, se jogando no colchão de uma das camas de casal do quarto. Olhou para KyuHyun e sorriu. — Não está cansado?

— Estou. Preciso de um banho e de comida de verdade.

— Você pode ir primeiro, eu peço a comida. O que você quer? — disse, se arrastando até alcançar o telefone na mesa de cabeceira.

— Um cheeseburguer médio, um copo de coca com limão e a maior porção de batata frita que eles tiverem, por favor. É tudo o que eu preciso agora. — disse, pegando uma muda de roupas na pequena mala.

— Você chama isso de comida de verdade? — os dois riram. — Anotado, chef. Pode ir tomar seu banho, demore o quanto quiser.

KyuHyun agradeceu com um sorriso e adentrou o banheiro.

Passou vários minutos apenas deixando a água morna escorrer sobre si, pensando, planejando o dia seguinte. Parecia bastante decidido quando espalhou o shampoo de aroma cítrico do hotel em seus cabelos. Desligou o chuveiro quando ouviu a porta do quarto ser aberta e um breve diálogo em francês. Ouviu sua barriga roncar, e decidiu apenas vestir o roupão preto felpudo por cima da boxer cinza. Saiu e encontrou TaeMin arrumando a comida em cima da mesa circular no canto do quarto.

— Sua comida de verdade, Kyu-ssi...! — disse, gesticulando para os pratos. — Você poderia... me esperar? Para comermos juntos? — pediu, indo até suas malas. — é rapidinho...

KyuHyun estava com fome, mas não morreria se esperasse um pouco mais.

— Ah, tudo bem, claro.

TaeMin entrou no banheiro com uma muda de roupas e várias outras coisas nas quais KyuHyun não prestara atenção. Colocou as mãos nos bolsos do roupão e caminhou até a varanda do quarto. Olhou as nuvens, tingidas de pôr-do-sol, e um pouco mais abaixo, a capital da moda. O hotel ficava na área central da cidade, e por isso ele tinha o privilégio de ver a Tour Eiffel dali da sacada. Não sabia quanto tempo passara ali, admirando a paisagem, e nem se importava também. Só voltou a si quando TaeMin o chamou para comer.

— É meio irônico, sabe? Um chef de cozinha comer fast-food. — ele comentou, espetando as folhas de sua salada com o garfo.

— É o que todos dizem. Mas eu vejo comida sofisticada todos os dias, o dia todo, não é preciso muito tempo pra criar certa aversão a esses pratos. E fast-food ­mais prático. — explicou, mergulhando a ponta de uma batata no potinho de ketchup, depois no de maionese pra por fim levar à boca. — E você devia fazer o mesmo, essas folhas não tem gosto de nada. — concluiu, dando uma boa mordida em seu sanduíche. TaeMin riu.

— Falando nisso, quem ficou no seu lugar, lá no restaurante?

O próprio chef havia feito essa pergunta a si mesmo, mais cedo, e nenhuma das respostas lhe agradava.

— Bem... Meus chefs sabem se virar sozinhos. Eu acho. — murmurou a última sentença, mais para si mesmo.

— Mas o chef Zhou Mi está lá, não é? Você acha que ele não consegue lidar com as duas cozinhas?

KyuHyun travou a mandíbula quando ouviu aquele nome, comprimindo os dedos em volta do pão, até que se abrissem buracos nele.

— Não acho que o chef Zhou Mi tenha capacidade pra cuidar das duas cozinhas ao mesmo tempo. — admitiu.

— Você conseguiria? — TaeMin perguntou, sem querer soar desafiador.

— Talvez, mas acho que não. Ainda mais por ser comida oriental.

— Por que você tem tanta aversão à comida oriental?

KyuHyun pigarreou discretamente, e bebeu um pouco de coca para disfarçar.

— Eu... não tenho aversão nenhuma, é só que... a culinária oriental requer técnicas próprias, e... eu não domino bem essas técnicas. É só isso.

— Ah, entendo. — TaeMin disse, levemente desconfiado.

Terminaram de comer em silêncio e depois, KyuHyun vestiu um conjunto de moletom enquanto TaeMin vasculhava cada canto do quarto.

Zapeava pelas centenas de canais da grande televisão quando o menor exclamou:

— Olha só o que eu achei aqui! — e tirou uma garrafa de vinho tinto de dentro de um frigobar embutido na parede. KyuHyun teve um mau presságio sobre aquilo quando o principezinho pulou na cama onde estava, com a garrafa nas mãos.

— Vamos abrir? É uma safra boa, essa. — propôs, lendo o rótulo.

KyuHyun que ainda se arrependia da última vez em que havia bebido, negou veemente.

— Ora, vamos! — mas o outro continuou recusando. — Tudo bem, é você quem sabe. Coisas boas devem ser apreciadas. — disse lentamente, passando os olhos pelo mais velho, de cima a baixo, que percebeu e preferiu desviar o olhar.

TaeMin sacou um canivete suíço do bolso e usou o saca-rolhas, não perdendo tempo e tomando um gole da bebida, direto da garrafa. KyuHyun o olhou surpreso.

— Seus pais...

— Shh. — interrompeu, se virando bruscamente para colocar um dedo em cima dos lábios do mais velho. — Você não vai dizer uma palavra sobre essa garrafa. Pra ninguém. Promete? — perguntou, num tom que mascarava uma ameaça.

— Claro. Nunca vi essa garrafa na minha vida. Mas por favor, não exagera, tá?

— Aish... Eu não sou mais criança, sabia? — ele disse, indignado e virou mais uma vez a garrafa na boca. KyuHyun suspirou e voltou sua atenção para a TV, onde passava um filme de ação. Não demorou muito para que o garoto começasse a falar de novo.

— Sabe, eu fiquei tão, mas tão feliz quando você me ligou ontem... Eu estava super entediado vendo Saturday Night Live. Você salvou a minha noite, e o meu dia seguinte e a minha semana e... você entendeu. Mas você é difícil, hein? Eu te faço esse convite há tipo, uns cinco meses... Porque você aceitou só agora? — bebeu pelo menos três goles enquanto falava

— Porque... Bem... É como você disse, eu precisava relaxar um pouco. — justificou.

— Eu me lembro da primeira vez que eu fui jantar lá. Papai estava doente e me mandou ir pra escrever a resenha pro jornal. Eu não queria ir. Eu tinha uma festa pra ir naquela noite, uma das grandes. Eu tinha prometido pro meu namorado... na época... que eu iria, mas papai me obrigou a ir pro restaurante. Você se lembra disso, Kyu-ssi?

— Você pediu gravadlax. E physalis carameladas depois. — ele se lembrava perfeitamente, principalmente do desespero de Siwon, que por não conhecer os gostos do garoto, temia que ele não se agradasse de algo.

— Você se lembra... — o garoto confirmou, emocionado. — Foi isso mesmo. Meu namorado já tinha me mandando umas mil mensagens perguntando onde eu estava e por que estava demorando. E eu odiava cada vez mais cada parte daquele lugar e a comida parecia demorar uma eternidade, até que finalmente chegou. Eu não fazia muita ideia do que eu tava comendo, pra mim era só peixe cru. Tinha um nome bonito, então eu pedi. Mas eu tinha que ter alguma coisa pra dizer pro meu pai, né? Foi aí que eu te chamei. Sinceramente, pra mim, chefs de cozinha eram todos velhos gordos que fediam a óleo. — KyuHyun riu ruidosamente — Mas aí vem você, alto, magro na medida certa, bonito, com cheiro de lavanda. Aquele jantar não seria tão ruim afinal, né? — ele falava mais rápido que o normal, nem parecia respirar entre as palavras.

KyuHyun deixou-o falar o quanto quisesse, afinal não tinha mais nada para fazer, mesmo.

— Eu não te fiz nenhum convite naquela noite, mas já pensava em algo. Depois, eu fui correndo pra festa, já tinha começado fazia umas duas horas. Meu namorado já tinha desistido de me mandar mensagens, mas por que será? Eu entrei naquela boate e a primeira coisa que eu vi... — fez uma pausa, o que fez o mais velho virar o rosto para si. O ruivo tinha os olhos marejados, fixos em algum ponto à frente. — Ele, aos amassos com outro em plena pista de dança. Maldito... — soluçou, quando a primeira lágrima escorreu por sua bochecha, seguida por várias outras. KyuHyun o olhou sem saber o que fazer. — Me traiu na primeira oportunidade que teve, esse desgraçado! Filho da puta! — gritou, como se o próprio estivesse ali, naquele quarto. — Bastardo! Imbecil! Idiota! Canalha! — continuava gritando pro nada, sacudindo a garrafa que respingava no chão e nos lençóis brancos. Aquilo ia dar trabalho para as camareiras. KyuHyun olhou para a garrafa e se assustou ao ver que estava quase na metade.

— Ei, ei, calma, calma, calma! — disse, enquanto o outro lamentava baixinho, as lágrimas banhando suas faces. — Já chega disso. — Tomou a garrafa da mão dele, que não relutou, e colocou em cima da mesinha de cabeceira.

— Ele nunca me amou, nunca! Ele só amava os meus presentes, os meus agrados. Como todos os outros! — ele gritava, indignado. Era claro que já havia bebido demais. Ergueu os olhos encharcados para o mais velho, soluçando. — Eu sou tão fútil assim, KyuHyun-ssi? Eu sou tão vazio assim? Pras pessoas só se aproximarem por interesse, eu não tenho nada de interessante?

KyuHyun se sentiu mal ao ouvir aquilo, afinal só estava na companhia dele por causa daquela viagem. Suspirou, e fez o que no momento, lhe parecia cabível. Aproximou-se do menino e passou um braço por seus ombros, puxando-o para si. TaeMin imediatamente enterrou o rosto no ombro dele, pranteando ruidosamente. Hesitante, ergueu uma das mãos e levou até as madeixas ruivas, por onde ficou passando os dedos calmamente, sem dizer nada, até que os soluços diminuíram e por fim, cessaram. Mas o garoto permaneceu naquela mesma posição.

— TaeMin-ssi? — KyuHyun tocou-lhe o ombro, mas tudo o que obteve foi um resmungo sonolento ininteligível. Calmamente deitou-o na cama, cobriu-o com o lençol de linho, e ficou alguns momentos observando-o dormindo calmamente, com as pálpebras e a ponta do nariz vermelhos de tanto chorar.

Bocejou também, se dando conta do quanto estava cansado da viagem. Depois de devolver o vinho ao lugar onde estava, deitou-se na cama oposta e perdeu a consciência em minutos.

Notas finais
É CLARO QUE O TAEMIN TAVA ASSISTINDO SNL ♥
TaeMin bêbado, historinhas. Calma que ainda vai ficar pior.
Vocabulário:
gravadlax: prato sueco feito com salmão curado com endro e molho de mostarda. Eu também escolhi porque tinha um nome bonito. -qqqq
physalis: é uma frutinha que parece cereja, só que é amarelo.
E só.
O que eu esquecer, boto no twitter. Lá eu frequentemente dou spoilers e conto curiosidades sobre a história. @ClearBSweet pra quem ainda não segue, e se vocês floodarem a minha TL com RT sobre EXO, dou unfollow em vocês. '-'