Notas iniciais
Obrigada pelos reviews que eu não merecia no último capítulo.
Segunda e pior parte da viagem. Não se esqueçam de expressar seu ódio nos reviews.
Ah, guardem essa pronúncia: ãn-RRÍ (a sílaba tônica é a última.). Vocês vão saber quando usá-la. Eu espero.
Não vou dedicar a ninguém porque não está digno.
Boa leitura --^^--

KyuHyun só se sentiu completamente revigorado depois de um longo banho. Saiu do banheiro já pronto para sair, e esperava que TaeMin acordasse logo, se quisesse descer para tomar café.

Um gemido lamurioso abafado lhe chamou a atenção para um montinho sob as cobertas da cama ao lado. Mais resmungos se seguiram, o que o levou a se aproximar e puxar o cobertor com cuidado. Descobriu TaeMin sentado sobre as pernas, com a cabeça encostada no colchão, com um travesseiro sobre ela. Suspirou, sabia exatamente como ele se sentia. Fechou as cortinas e voltou, pousando uma mão sobre as costas dele.

— TaeMin-ssi... Você está bem?

— Não. — gemeu, dramático. Ergueu o tronco, passando as mãos pelo rosto e pelo cabelo desgrenhado. Olhou para o mais velho, que o fitava ao lado da cama. — Que foi? — perguntou, pelo silêncio do outro. — Eu sei que eu sou lindo até de ressaca. — os dois riram.

— Você... ainda quer sair? — a programação prevista era a de ir à Torre e depois passear pelos Champs Elysées. O menino lhe lançou um olhar de desculpas.

— Tudo o que eu quero agora é passar a manhã inteira no spa. Aish... — levou à mão à cabeça dolorida. — Mas não deixe de se divertir por minha causa. Você pode ir sozinho, se não se importar.

KyuHyun comemorou por dentro, aquela era a oportunidade que ele precisava para ir cumprir o objetivo de sua viagem. Fez uma expressão lamentosa, entretanto.

— Tem certeza?

— Claro, vai se divertir, ir ver a torre, comer crepes. Falando nisso, você pode ir comer uns docinhosna Ladurée, são divinos. Divirta-se e depois me conte tudo. Agora vai, você já perdeu tempo demais, Paris não vai esperar por você, meu bem. — expulsou-o, voltando a se enfiar debaixo das cobertas.

— Tudo bem. Então bom relaxamento no spa pra você. — disse. Pegou tudo o que precisaria e se dirigiu à porta.

— Volte pelo horário do almoço, por favor. Não gosto de comer sozinho, você sabe. — TaeMin pediu, de olhos fechados.

— Claro. — foi o que ele disse, apenas, antes de sair.

Começou a mostrar sinais de impaciência já no elevador, que parecia propositalmente mais lento. O papel com o endereço de Summer parecia queimar em seu bolso, e ele o entregou ao taxista, que reconheceu o endereço e deu a partida no carro, para leva-lo até lá.

KyuHyun tamborilava nervosamente os dedos em sua perna, não parecia mais tão decidido como no dia anterior. A cada sinal vermelho, sua ansiedade aumentava mais. E se ela não estivesse em casa? Perguntou-se, aflito. A dúvida fez seus batimentos acelerarem. Pensou no que estava por vir. Todo aquele sentimento de confusão que Zhou Mi plantara em si, finalmente sanado. Ele precisava de alívio, esse conflito já o deixava inquieto demais. A resposta era a mais impensável. A resposta era Summer. A resposta tinha que ser Summer.

Desistiu de pensar quando o táxi parou em frente ao edifício sofisticado num bairro calmo da capital francesa. Pagou a corrida e agradeceu com seu francês fluente, dos anos em que morara lá na época em que fizera seu curso de gastronomia. Desceu do carro e fitou a construção por um momento. Tirou novamente o papel do bolso para checar o andar e o número do apartamento. Respirou fundo e andou até a portaria, onde foi interceptado pelo funcionário:

— Aonde deseja ir, monsieur? — perguntou polidamente.

— Apartamento da Mademoiselle Summer Lyndon. Ela já me espera. — disse, ao que o homem estava prestes a pegar o interfone, mas assentiu, liberando a passagem para ele.

KyuHyun queria fazer surpresa. Mexia inquietamente os dedos ao se encaminhar ao elevador. Seu ritmo cardíaco cada vez mais alterado à medida que era transportado andares acima, numa tortura lenta.

Sentiu como se estivesse em um sonho quando chegou. Postou-se em frente à rebuscada porta de mogno; Summer era uma mulher de gostos finos, e isso ela aprendera com o próprio KyuHyun. Respirou fundo três vezes, procurando normalizar seu estado de ansiedade. Ouviu um barulho vindo de dentro do apartamento e sorriu, ela estava em casa.

Numa determinação vinda do nada, apertou a campainha. Agora não tem mais volta, pensou, vendo a porta se abrir em câmera lenta.

Summer mal teve tempo de perceber quem estava do outro lado da porta antes de ter seu rosto segurado por mãos ligeiramente trêmulas e seus lábios tomados num beijo sôfrego.

Os lábios dela não o correspondiam, mas não teve escolha a não ser conceder passagem à língua ávida dele. KyuHyun sorriu em meio ao beijo, passando uma mão pelos tão familiares cabelos rajados de âmbar e desceu a outra mão para enlaçar a cintura dela.

De repente sentiu uma mão em seu ombro apertando sua camisa com brutalidade e no instante seguinte se viu jogado no chão com força. Summer? Mas como...? Perguntou-se, antes de perceber uma mão puxando-o pela gola da camisa e a outra cerrada em punho, pronta para acertá-lo.

— ATTEND! — O grito desesperado veio de Summer, que estava parada no mesmo lugar, com uma mão no peito. Focalizou a vista no ser à sua frente. Era um homem, isso ele constatou de primeira. Bem vestido, com feições orientais, mas não parecia coreano. Os cabelos castanhos, curtos, num topete cuidadosamente bagunçado, mas o que mais chamava a atenção em seu rosto eram as bochechas fartas que lhe davam um ar infantil, mas aparentava ter lá pelos seus 20 anos.

Summer correu até eles, e afastou o atacante de KyuHyun, que o olhava como se quisesse mata-lo. Ela o ajudou a se levantar e abriu a boca para falar algo, mas nada saiu. Virou-se para o homem que a fitou sério, como se pedisse explicações.

— Eu... Não é nada do que você está pensando, eu juro. — começou, em francês.

— O que mais pode ser, então? — ele perguntou, friamente.

— Nem eu sei. — disse, olhando incrédula para KyuHyun, que se mantinha calado, tentando entender aquela situação. — Mas eu preciso ter uma conversa com ele, depois eu te explico. Vem. — virou-se para KyuHyun, puxando-o pelo pulso. Guiou-o pelo corredor do apartamento em cujos detalhes KyuHyun não estava nem um pouco interessado no momento. Foi puxado bruscamente para uma sala pequena, um escritório.

— Você quer me explicar o que diabos foi isso? — começou, novamente em coreano.

— E você quer me explicar quem diabos foi isso? — ele perguntou.

Ela hesitou. Levou a mão direita à cabeça, pensando em como começar. Mas então, nenhuma palavra precisou ser dita.

— Eu não acredito. — ele sibilou, puxando a mão dela para mais perto, onde uma fina aliança de prata com pedrinhas minúsculas adornava o dedo anelar. Largou a mão dela sem qualquer cuidado. — Você...

— Kyu, eu...

— Você ao menos planejava me contar sobre isso? — perguntou, furioso.

— Claro! É claro que eu ia te contar, só que...

— Quando? No dia do seu casamento? Quem é ele, afinal?

— O nome dele é Henry. Ele é chinês. É... o dono do restaurante onde eu trabalho.

— Ele é chinês... Chinês. — grunhiu, furioso. — Eu sabia! Eu sabia que tinha coisa aí! Pra você ter ido assim, de repente, com uma proposta de emprego surgida do nada. Mas por que esconder isso de mim, Summer? Você não confia mais em mim? Francamente, eu pensei que você valorizasse mais a nossa amizade.

Chateado, ele deu as costas e saiu, ignorando os chamados dela e cruzou a porta de entrada, indo direto para as escadas, sem paciência para esperar o elevador. No entanto, estava transtornado demais para percorrer os doze andares abaixo. Sentou-se em um degrau, baixando a cabeça entre as mãos. Não conseguia pensar direito, era informação demais para ele.

De todas as situações que ele imaginara, nenhuma chegava nem perto de Summer noiva do dono do restaurante. Aquele era o fim para ele. Mas o fim de que? Pensou no beijo que lhe dera. Era doce, e suave apesar de toda a impaciência dele. Mas... Não era nem de longe o que ele esperava. Era como se ele tivesse beijado sua irmã mais nova, e só então ele se deu conta... de que era apenas isso o que ele sentia por ela. Um amor fraternal, que incitava nele apenas um instinto protetor. Ele confundira as coisas ao pensar que confundira as coisas. E se o que ele sentia não era por Summer... suspirou, derrotado.

— Kyu... — ele não se virou. Ela se sentou ao lado dele, apoiando a cabeça nos joelhos flexionados. — Você ainda não me explicou.

Ele suspirou pesadamente. Olhou-a e começou a contar tudo o que estava sentindo. A cada fato, o queixo dela caía um pouco mais, e ela irrompeu em gargalhadas quando ele apresentou sua “teoria” a ela.

— Você... — ela não conseguia parar de rir. KyuHyun a olhou sério, e ela logo tratou de se recompor. — Então você achava que estava apaixonado por mim porque o Zhou Mi fazia você se lembrar de mim e você se sentia estranho na presença dele, certo? — ele assentiu. — E ele te beijou. — confirmou com a cabeça novamente. — E eu nunca te vi sair com uma mulher. — ele quase assentiu novamente.

— Espera, o quê?

— É, Kyu! Desde que eu te conheci, você nunca teve uma namorada. Eu nem sequer te vi ir a algum encontro. — colocou uma mão no ombro dele. — Você é gay. — concluiu, sem rodeios.

— Obrigado pela sua sutileza. — KyuHyun disse, irônico.

— Ou você pode ser bi. — ela refletiu.

— Isso é muito mais reconfortante. — a ironia pesava no ar.

— Eu nunca poderia desconfiar...! — ela disse, sugestiva, olhando-o de cima a baixo.

— Nem eu. — ele respondeu, desanimado, mas os dois acabaram rindo.

— O que você pretende fazer?

— Não sei. Eu só queria saber se eu sou ou não. Se sim ou se não, tanto faz, eu só quero saber. Mas ainda tenho algumas dúvidas. Depois disso, não faço a menor ideia.

— Você não tem... medo? — ela perguntou cautelosamente.

— Medo? Por favor, Summer. Quem seria capaz de julgar Cho KyuHyun? — perguntou, embevecido. Ela riu.

— Nisso você tem razão. — levou uma breve pausa pra pensar. — Você poderia se deixar levar, sabe? Corresponder às provocações dele, tentar descobrir o que ele realmente quer. Mas ele parece bem interessado em você. Lembra aquele dia em que eu tive que cortar um repolho inteiro à Julienne? — perguntou lentamente, fuzilando-o com os olhos. Ele piscou inocentemente. — Pois é, ele percebeu que eu era bem próxima de você e me fez várias perguntas sobre você.

— Você não contou que... — iniciou, alarmado.

— Não, claro que não! — ela assegurou.

— Hm. Ninguém pode saber disso, só você.

— Eu sei, eu sei. Mas enfim, é isso o que eu acho. — assistiu-o ponderar por um momento. — E vem cá, você veio sozinho? O que disse ao Siwon?

— Bem... Eu... Eu disse pra ele que o Lee TaeMin, sabe, o principezinho, ia dar uma festa aqui em Paris, que eu ia cuidar do menu e que você seria minha ajudante. Foi assim que eu consegui o seu endereço.

Summer bateu palmas, incrédula.

— Você é incrível, olha o que a KBS tá perdendo. Mas espera. Você disse Lee TaeMin?

— É... Eu vim com ele.

— Você aceitou o convite?!

— É, algo assim.

— Você é gay mesmo.


——^^——

Depois de ajudar Summer a explicar tudo ao noivo, que pareceu entender, mas ainda olhava desconfiado para KyuHyun, o chef passou na confeitaria que TaeMin havia indicado e comprou vários doces, biscoitos e bolinhos. Era quase uma da tarde quando KyuHyun voltou ao hotel, e encontrou o ruivo deitado na cama, com um tablet na mão.

— Ah, você voltou! — viu que ele trazia algo atrás das costas. — O que você tem aí? — perguntou, curioso. Deixou o tablet de lado e acompanhou com curiosidade o andar do mais velho até si.

KyuHyun estendeu duas caixinhas, o que arrancou um gritinho excitado de TaeMin.

— Eu não acredito, você se lembrou! — pegou as duas caixas e, sem pensar duas vezes, enlaçou o pescoço dele, num abraço apertado, que foi prontamente correspondido. Recuou, mas antes que se separassem, aproveitou para dar um beijo na bochecha do moreno, que abriu um meio sorriso, levemente corado. — Obrigado! — deixou as caixas na mesa no canto do quarto, com um sorriso enorme.

— Não é nada. Você está melhor?

— Ah, sim, nada que uma sessão no spa não melhorasse. Estou novinho em folha.

— Que bom, TaeMin-ssi.

— Você já me trouxe docinhos, não precisa de toda essa formalidade. Pode me chamar só de TaeMin. Ou do que você quiser.

— TaeMin, só TaeMin, está bom. Posso ser seu hyung, se você quiser. — disse, bagunçando os cabelos ruivos do menor, que estava radiante.

— Sério? Posso mesmo te chamar de hyung? Então, hyung — fez questão de dar ênfase ao honorífico, o que fez KyuHyun rir. —, onde você quer ir almoçar hoje?

— Podemos ir à Cocharan House, o que acha?

— E depois podemos ir tomar sorvete!


——^^——

Tiveram um almoço agradável e foram a uma gelatteria. TaeMin pediu um sorbet de laranja e KyuHyun escolheu de blueberry, que foram servidos em taças ricamente decoradas. Sentaram-se em uma das mesas do lado de fora do estabelecimento, para olhar o movimento da rua.

Na primeira porção que levou à boca, TaeMin deslizou a língua lentamente pelo lado côncavo da colher.

— Por que você faz isso? — KyuHyun perguntou, sem pensar. TaeMin, que olhava para a rua, lhe lançou um olhar confuso.

— Isso o que?

— Isso... com a colher.

— Ah...! — olhou para o talher. — Eu faço isso inconscientemente. Sabe aquelas pessoas que ficam rabiscando as coisas enquanto falam ao telefone? É tipo assim.

KyuHyun assentiu, compreendendo. De fato, ele não olhava para si quando fez o tal ato.

Isso os fez iniciar uma conversa que perdurou pelo resto do passeio. KyuHyun descobriu que TaeMin era um garoto divertido, inteligente e simpático. Fúteis e vazias eram as pessoas que se aproximavam dele por interesse, e era uma pena que houvesse tantas pessoas assim ao seu redor.

De volta ao hotel, já começavam a se arrumar para ir ao teatro, como programado. TaeMin se arrumara meticulosamente, usando uma camisa cinza-chumbo com detalhes padronizados sob um colete preto, uma calça da cor da camisa e sapatos italianos. Uma maquiagem leve realçava sua beleza e seus traços femininos.

KyuHyun levara metade do tempo pra se arrumar. Vestiu uma camiseta preta e branca estampada e um paletó preto por cima, jeans preto e tênis. Estava elegante e casual ao mesmo tempo. Desarrumou os cabelos com cuidado e um pouco de gel, e passou um pouco de seu perfume preferido, levemente amadeirado. Saiu do banheiro chamando imediatamente a atenção de TaeMin.

— Uau... — aproximou-se dele pouco a pouco. — Isso tudo é para mim? — brincou, encostando a mão no tórax dele.

KyuHyun tomou isso como mais uma oportunidade para acabar com suas dúvidas.

O fato de não estar sendo interrompido incentivou TaeMin, que o empurrou até que o tivesse sentado sobre a cama. Suspirou quando o mais novo se sentou sobre seu colo, uma perna de cada lado de seu quadril. Olhou em seus olhos por um instante, procurando qualquer indício de que deveria parar, mas não encontrou, e prosseguiu. Baixou o rosto, encaixando-o no espaço entre o ombro e o pescoço do mais velho, encostando os lábios na pele exposta ali. Moveu-os, apenas, mas logo depois deslizou a língua, e por fim, fincou os dentes, com pouca força. Mas o mais velho não esboçava qualquer reação. Afastou o rosto e encontrou-o fitando algum ponto à sua frente, distraído. TaeMin suspirou e murmurou, saindo de seu colo.

— Tudo bem, você não quer. — e sentou-se ao lado dele, que o olhou e suspirou também, dessa vez com um ar de desculpas.

— Qual é o problema, hyung? — perguntou baixinho, deitando a cabeça no ombro alheio.

KyuHyun hesitou. Passou a língua pelos lábios e perguntou de uma vez só.

— TaeMin... quando você descobriu que era gay?

O mais novo levantou a cabeça com um olhar interrogativo. E abriu um sorriso desconfiado.

— Ah... isso? Acho que isso já nasceu comigo, sabe? Tanto que eu já fui várias vezes confundido com uma menina quando era criança e quando usava cabelo comprido. — ele contou, rindo. — E eu fui muito mimado, até hoje sou, meus pais me dão tudo o que eu quero. E eu via as bonecas na televisão... tão lindas... tinha todas. Depois foi a maquiagem. Eu sempre tive mais amigas do que amigos. Acho os meninos da minha idade muito sem conteúdo, sabe? — KyuHyun assentiu. — Sempre falando de mulheres e futebol, e filmes de ação chatos. E eu via as minhas amigas se maquiando, elas ficavam sempre muito bonitas. E com o rosto de menina que eu tenho, eu era frequentemente cobaia delas. E era divertido. Depois... — olhou de lado para KyuHyun. — Vieram os meninos. Depois que você descobre, é meio estranho, mas o seu círculo social muda sem você perceber, e de repente, parece que todo mundo ao seu redor é também. O primeiro, foi com quem eu fiquei por 4 anos, quase. Choi MinHo, um colega de classe. Eu gostava de ficar olhando ele de longe, mas só. Mas aconteceu que nós fomos a uma festa da escola uma vez, e um amigo em comum nos apresentou. Eu devia ter uns 15, 16 anos. Meus pais nunca se opuseram a nenhuma decisão minha, então eu não vi nada de mais em namorar outro menino. E sobre preconceito... As pessoas normalmente tentam se aproximar de mim, pra elevar o status, então fazem de tudo pra me agradar. Acontece que isso me fez virar uma pessoa egocêntrica, narcisista, e eu não aprendi a aceitar “nãos” como resposta, e por isso eu te fiz um certo convite por cinco meses e por isso nós estamos aqui hoje, conversando num quarto de hotel quando podíamos estar fazendo algo bem mais divertido. — KyuHyun recuou, assustado. TaeMin riu. — Ir ao teatro, é claro. E... eu tenho um palpite sobre por que você me fez essa pergunta. — disse, com um olhar sugestivo.

KyuHyun abriu um meio sorriso, cabisbaixo para esconder o rubor nas faces.

— São lindos e eu queria os dois pra mim, mas vendo o jeito como ele te olha, não tem como não querer que vocês fiquem juntos. — não foi mencionado nenhum nome, mas sabiam que estavam falando da mesma pessoa.

— Você acha que... — KyuHyun começou cautelosamente, mas foi interrompido.

— Acho. E quando nós voltarmos pra Coreia, você vai algemá-lo à sua cama ou eu roubo ele de você. — KyuHyun riu. TaeMin checou seu relógio de pulso. — Agora vamos, ou vamos nos atrasar.

Se alguém perguntasse sobre o que o musical se tratava, KyuHyun só saberia dizer que a protagonista morre no final. Ficou o espetáculo inteiro pensando na conversa que tivera com TaeMin.

Depois, saíram para jantar. KyuHyun foi quem escolheu o local, e ao chegar no restaurante de decoração simples e ambiente aconchegante, exigiram que fossem atendidos pelo próprio chef. A recepcionista relutou um pouco, mas acabou concedendo. Foram conduzidos até a mesa e esperaram.

— Não vai escolher? — TaeMin perguntou, gesticulando para o cardápio intocado.

— Não. — KyuHyun disse simplesmente, acompanhando passos que saíram de um corredor no fim do salão e pararam ao lado da mesa.

— Bonsoir, monsieurs. — disse a voz feminina.

— Bonsoir. — responderam em coro.

— O que desejam para essa noite? — ela perguntou, tentando esconder a animação na voz.

— Me diga você. Me traga o que você tiver de melhor.

Sem que pudessem evitar, foram puxados a alguns anos antes. Aquilo não era mais um restaurante fino no centro de Paris, era uma lanchonete de beira de estrada, e em frente a ele não era Summer Lyndon, a chef. Era Sunny, a garçonete de sorriso sincero e olhar sonhador. Ele pronunciara essas mesmas palavras na ocasião, e isso fez, mesmo que anos depois, os olhos da garota marejarem. Ele sentiu o bloco de comandas se chocar com seu ombro.

— Para com isso, Kyu... Vai me fazer chorar na frente de todo mundo. — repreendeu, com a voz embargada.

— Olha como trata um cliente, hein? — olhou-a fingindo indignação. — Agora vai, entra naquela cozinha e faz a sua mágica. Nos surpreenda.

— Pode deixar! — disse, ajeitando o chapéu na cabeça. — Chef Cho KyuHyun, Lee TaeMin, não vou desapontá-los! — se virou e voltou para a cozinha, com passos determinados. TaeMin olhou confuso para KyuHyun, que lhe explicou que Summer trabalhara consigo, por isso sabia seus nomes.

Instantes depois, taças de champanhe que nunca foram pedidas foram servidas a eles.

— Cortesia da chef. — a maître esclareceu. TaeMin reconheceu o gosto no primeiro gole, era seu preferido Don Pérignon ’73.

— Eu definitivamente amo esse lugar. — TaeMin disse, encantado.

O jantar começou com uma bela salada verde ao molho de café com chips de raiz de lótus, e depois foi acompanhada por uma ratatouille que nenhum dos dois havia provado igual. Para fechar, uma bela croquembouche de sobremesa. Summer fez questão de convida-los para conhecer a cozinha e só depois de então, voltaram ao quarto onde passariam tranquilamente sua última noite em Paris.

No outro dia, embarcaram bem cedo de volta à Coreia, e assim que pisaram no aeroporto de Incheon, KyuHyun tomou sua decisão acerca daquele que perturbara tanto seus pensamentos e o fizera viajar meio mundo em busca de respostas para seus sentimentos. Respostas que ele então descobriria que estavam ali mesmo, em solo coreano, na cozinha bipolar do Maison Seoul.

Notas finais
Eu disse que eu não sei falar francês. .-.
E eu disse que vocês iriam odiar. EU ODIEI. Kyummer, KyuMin, Summer noiva do Henry. (aquela era a pronúncia do nome dele, nas notas iniciais, porque ele na verdade é chino-franco-canadense, em SalF). Odiei a incrível epopeia do TaeMin, odiei tudo. Mas eu não consegui pensar mais em nada. O problema é que eu não sei encher linguiça e as partes pras quais eu tive ideia, eu não soube desenvolver bem.
Por mais que eu ame KyuMin com Min de TaeMin, eu odiei esse KyuMin.
Com tanto tempo de atraso, eu poderia ter feito algo melhor, eu sei. Me desculpem, de verdade.
O ponto principal dos capítulos seria o raciocínio louco do KyuHyun, que eu venho montando há algum tempo. Se vocês tiverem o trabalho de voltar ao Plateau de fromages: Kiri, vão ver que a parte em que o Zhou Mi pergunta pro Kyu como estava o tteoppoki começa muito parecida com o começo da fic, quando a Summer o chama pra ir ajudar com as codornas.
Taí o porquê da coisa do TaeMin com colheres. Foi uma coisa meio impensada, eu nunca pensei em tornar uma colher a "marca registrada" dele.
No diálogo na escada, deu pra perceber que o KyuHyun tem um segredo que aparentemente só a Summer sabe, certo? Vocês poderiam apresentar seus palpites, hipóteses e teorias nos reviews, sim ou com certeza?
Vocabulário:
"ATTEND!": "ESPERA!"
"Bonsoir": "Boa noite". Segue a regra do "Good evening".
Receitas do capítulo:
Ratatouille e Croquembouche.
A Paris que foi retratada vem toda de um romance de bolsa que eu li uma vez. -qq
A roupa que o TaeMin usa pra ir ao teatro é a do começo de Sherlock, e a do Kyu é a de Bonamana. Não, eu não tenho criatividade pra criar looks masculinos.
Ok, falei demais e devo ter esquecido de alguma coisa.
Até o próximo capítulo, vou tentar me manter no prazo.